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Mogi-Mirim

CARROSSEL CAIPIRA: A MORTE DE VADÃO E O LENDÁRIO TIME DO MOGI-MIRIM

por André Luiz Pereira Nunes


Em 25 de maio faleceu, aos 63 anos, acometido de um tumor no fígado, o treinador Osvaldo Fumeiro Alvarez, o Vadão, notabilizado por haver dirigido grandes times brasileiros, além da Seleção Brasileira Feminina em duas passagens, uma delas nos Jogos Olímpicos de 2016, no Rio de Janeiro, quando o escrete nacional ficou na quarta colocação e a um passo da conquista da medalha de bronze.

Há 28 anos Vadão foi o responsável pela formação do inesquecível ‘Carrossel Caipira’, em alusão à inovadora Seleção Holandesa, de Johann Cruijff, que imortalizou o futebol total e encantou o mundo na Copa de 1974. Foi assim que ficou conhecido o Mogi-Mirim, em 1992, cujo esquema tático, o 3-5-2, era bastante similar ao de Rinus Mitchells. Apesar de mal visto após o fracasso do Brasil na Copa de 1990, Vadão não se importou para as críticas, implantando um sistema de jogo com muita velocidade, o qual nenhum atleta guardava posição fixa. No entanto, é importante frisar que ele contou com amplo apoio do então presidente Wilson Fernandes de Barros, que montou uma equipe competitiva reunindo alguns valores da base com destaques de equipes de menor expressão. 

No primeiro semestre de 1992, o Mogi, capitaneado pelo magnífico trio composto por Rivaldo, Válber e Leto, conquistou a Copa 90 anos, organizada pela Federação Paulista de Futebol, em decisão contra o Grêmio São Carlense, perdendo apenas uma de onze partidas. No Campeonato Paulista, realizado no segundo semestre, a equipe foi a líder do Grupo B, garantindo uma vaga no quadrangular final, quando ficou na última colocação, feito que não desanimou os jogadores. Válber ainda foi o artilheiro da competição com 17 gols.

No ano seguinte, o Sapão não se classificou para a segunda fase do Campeonato Paulista, apesar de empatar o mesmo número de pontos que o Guarani, quinto colocado, e o Rio Branco, sexto. Foi o time que menos perdeu na competição juntamente com o líder Corinthians. Contudo, no segundo semestre o Carrossel foi extremamente vitorioso. Ao disputar o Torneio João Havelange, uma espécie de Torneio Rio-São Paulo, passou nas semifinais pelo Corinthians, mas acabaria derrotado, na decisão, pelo Vasco, nos pênaltis. Apesar do revés, a reputação do Carrossel Caipira não parava de crescer. No Torneio Ricardo Teixeira, integrado por equipes do Rio e São Paulo, que fornecia uma vaga na Série B do Campeonato Brasileiro de 1994, o Mogi bateu o Bangu, em duas partidas finais, e ficou com a taça após perder apenas um jogo no certame.

Rebaixado no Paulistão, em 1994, o alvirrubro voltaria à Série A1 logo no ano seguinte após obter o título da Série A2. Infelizmente o clube está mergulhado numa crise financeira sem precedentes que o rebaixou à quarta e última divisão do Campeonato Paulista. Em 2019, seus dirigentes retiraram o time das competições, mas com volta programada para este ano. Apesar das atuais desilusões, os fanáticos torcedores da cidade ainda sonham em reviver os agradáveis ares daquela memorável fase em que o Mogi-Mirim era motivo de orgulho para o futebol do interior paulista.