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Cláudio Vieira

O ÓBVIO ULULANTE

por Cláudio Vieira


Comenta-se de tudo neste País. Numa República de especialistas temos comentaristas até para opinar sobre o cerimonial da posse do Presidente! Se falar de futebol, então…

Agora, vejo comentários fantásticos sobre cruzamentos e possíveis emparcelamentos na Libertadores e na Sul-Americana.

Nossos comentaristas são soberbos!

Muito antes de a bola rolar, já sabem quais serão os vencedores e apontam os seus motivos. Falam da altitude, do nevoeiro, das variações climáticas, do ar rarefeito, das organizações terroristas, do doping camuflado, da aparição de Ovnis, da sorte que as lhamas costumam dar, das sessões de vudu, das folhas de coca… Sabem tudo!

Depois, quando o resultado dentro das quatro linhas mostra uma realidade totalmente diferente das previsões, eles se saem mais soberbos ainda. E explicam o imprevisível com a velha máxima:

– Realmente, o futebol é uma caixinha de surpresas!

LETRA E MÚSICA

por Cláudio Vieira

Talvez poucos percebam, principalmente com essa manhã nublada e chuvosa anunciada pelo Climatempo. Acima das nuvens, porém, o sol estará mais intenso. Mesmo predominando as pancadas previstas para a noite deste sábado, aproveite os intervalos e dê uma espiada neste misterioso céu de Escorpião: as estrelas desfilarão fulgurantes, metálicas, no doce compasso cadenciado do Samba.

Quis o Zodíaco, em seus mapas indecifráveis, que o dia de hoje fosse marcado por um curioso encontro entre cometas nascidos no mesmo dia, o 12 de novembro. Um, no Meier, em 1941; o outro, em Botafogo, no ano seguinte. São cometas escorpianos, criadores, inspiradores e torcedores de times diferentes, rivais até a alma. Um é rubro-negro; o outro, vascaíno. E hoje eles se cumprimentam cavalheirescamente, cruzando o céu do Rio de Janeiro.

Observe que conjugo os verbos no presente, pois cometas possuem vida eterna. Estão e estarão sempre milhões de anos-luz à nossa frente, traduzindo as coisas do povo em versos que embalam nossas almas. São transformadores e, como tais, nos ensinam a trocar decepções por poesia, frustrações por fantasia. 

São poetas que possuem inúmeros parceiros, embora jamais tenham feito um samba juntos. E, acredite!, faziam parte da mesma Ala de Compositores, a da Portela.

O cometa João Nogueira, um dia, resolveu partir para criar uma nova galáxia, como a velha Portela, ganhadora de títulos, imbatível no quadro de medalhas. Fundou a Tradição, cuja luminosidade, porém, vai esmaecendo ano a ano. Já o cometa Paulinho da Viola também ficou muitos anos fora da órbita de sua Escola, embora jamais tenha negado que ela foi o Rio que passou em sua vida – aliás, enredo que Paulo Barros desenvolve para 2017.

Se a cada 75 anos a passagem do cometa Halley é festejada em toda a Terra, o que devemos fazer para comemorar a passagem desses dois cometas cariocas que acontece todos os anos, nessa data? 

Hoje é dia de cantar, sorrir, acertar no milhar, arrebentar na mega-sena e acreditar que a vida vai melhorar. É dia de amar. E de dar um jeito para ser feliz.

Está no Evangelho, segundo João e Paulinho.