Escolha uma Página

Biro-Biro

VOZES DA BOLA: ENTREVISTA BIRO-BIRO


Filho de um portuário e de uma dona de casa, Antônio José da Silva Filho nasceu naquele reduto holandês da cidade de Santo Amaro, Pernambuco, em 18 de maio de 1959. De origem humilde, desde cedo começou a enfrentar as adversidades que a vida colocava em seu caminho e vencê-las no peito e na raça.

Foi na raça que enfrentou a traumática separação dos pais. Teve que aprender a subir em árvores para apanhar mangas e cocos para sua mãe fazer bolos. O sustento da família vinha da venda desse alimento à base do carinho com que ele era feito por mãos encarquilhadas pelo tempo. Em dado momento, parou de subir nas árvores, não por ter melhorado de vida, mas porque sua mãe encontrou, em São Paulo, uma oportunidade para trabalhar e deixou ele, seus dois irmãos e uma irmã com a avó.

Tempos depois, aos 11 anos, morando em uma casa de palafita com o pai, a forma de sobrevivência foi a pesca de caranguejo. Muitas vezes ficava com a ponta dos dedos esfolados de tanto receber pinçadas deste crustáceo decápode. Ainda era o pequeno Antônio, até o dia em que seu pai subiu numa árvore para pegar o doce de uma fruta chamada Biri Biri. Ficou conhecido entre os amigos da região como Biri Biri.

Antônio, que parecia muito com o pai, logo herdou sua alcunha e passou a ser chamado de ‘Biri Biri Filho’, e depois com o tempo, passaram a chamá-lo de Biro Biro sem motivo aparente. Antônio agora tinha a raça como qualidade, e o Biro Biro como nome. Começou nas peladas e era sempre considerado o craque da turma. O desempenho logo o impulsionou a tentar jogar futebol em um time grande.

Na ‘peneira’ do Sport Recife foi aprovado. Passou a fazer parte do time, e numa partida amistosa contra a Seleção Brasileira de novos, seu desempenho surpreendeu até os ateus da bola. Foi então que a visão aguçada foi colocada à prova pelo presidente do Sport Club Corinthians Paulista, Vicente Matheus, que quis contratá-lo, e mesmo com a alta pedida, não diminuiu o interesse em ter o garoto em seu time.

O Corinthians havia quebrado o jejum de 22 anos sem grandes conquistas com o título de 1977, e Vicente Matheus fazia constantes promessas à torcida de montar um grande time para buscar o bicampeonato.

Em 10 de agosto de 1978, o lendário ex-presidente mosqueteiro apresentou a segunda contratação do time que já havia trazido o desconhecido Sócrates, do Botafogo de Ribeirão Preto. E na entrevista coletiva à imprensa, Vicente Matheus soltou: “Eu falei que ia montar um time para brigar pelo título. Já trouxe o Sócrates e agora está chegando um garoto novo, que jogava em Recife. O nome dele é ‘Lero Lero’. Silêncio fúnebre. Cochichos de uns, burburinhos de outros. A verdade é que o futebol de Biro Biro não era ‘lero lero’, e três meses depois, o camisa 5 ganhou espaço no time.

Aplicado, Biro Biro tinha o costume de fazer mais exercícios do que o preparador físico exigia e gostava de ficar no campo depois dos treinos. Passou a voar em campo como se as chuteiras tivessem asas de gaviões.

Do primeiro título conquistado com a camisa do Timão, ao derrotar a Ponte Preta por 2 a 0 na final do Campeonato Paulista de 1979, ao último em 1988, quando era capitão: “Erguer a taça de campeão pelo Corinthians é uma emoção que não tem palavras para defini-la. Nunca senti algo igual”, disse emocionado, ciente de que havia conquistado o coração da Fiel torcida.

Quinto jogador que mais vestiu a camisa do Corinthians – foram 589 partidas, com 265 vitórias, 199 empates e 125 derrotas. Em 11 anos de clube, Biro Biro disputou 11 títulos, chegou a sete finais e ganhou quatro: 1979, 1982, 1983 e 1988.

Notabilizou-se por ser, o pulmão do time e conquistou o coração dos torcedores, em especial, Luciana, sobrinha de Vicente Matheus, com quem mantém um amor eterno como o amor que ele tem pelo Corinthians.

O Vozes da Bola traz aos saudosistas torcedores uma entrevista com quem deixou sua alma em campo vestindo a camisa do time de maior torcida em São Paulo. É a vez daquele que faz aniversário nesta terça-feira (18) e marcou o coração dos corintianos com seu empenho, luta, raça e gols decisivos.

*Por Marcos Vinicius Cabral*

*Edição: Fabio Lacerda*


Como foi a infância do menino Antônio José da Silva Filho em Olinda, Pernambuco?

A minha infância foi em Recife e depois em Olinda, onde passei jogando aquelas peladas nos campeonatos que todo moleque disputa. Certa vez, um olheiro me viu jogando e acabou me levando para fazer teste no Sport. Mas a minha infância foi boa dentro dos padrões da nossa família, e apesar de não ser mil maravilhas, foi boa. Graças a Deus surgiu a oportunidade. Como eu falei de fazer o teste, fiz, fui aprovado, e a partir dali, a situação deslanchou.

Como se deu o início de sua carreira no Sport?

Foi tudo muito rápido! Após ser aprovado no teste que fiz no Sport, em seguida assinei o famoso contrato de gaveta, que nem existe mais, e acabei sendo integrado ao juvenil do clube. Daí, passei pela categoria júniores até chegar no profissional.

Descreva como aconteceu o interesse do Corinthians por você quando jogava no Sport? Lembra como recebeu a notícia do interesse do time do Parque São Jorge por você quando tinha 19 anos?

Se não me engano, eu estava treinando quando fiquei sabendo que o presidente Jarbas Guimarães queria falar comigo sobre o interesse de um clube de São Paulo na minha contratação e que era para eu arrumar minhas coisas e viajar no dia seguinte. Em princípio, relutei muito, pois o meu objetivo era ficar no Leão, mas o presidente foi na minha casa e tratou com meu pai essa viagem. No dia seguinte, viajei com o presidente e um advogado do Sport sem saber qual era o time que me contrataria. Ficamos hospedados em um hotel e fiquei preso quatro dias no quarto sabendo que seria contratado por um time de São Paulo, mas não sabia qual. Depois me contaram que vários clubes estavam interessados na minha contratação e fiquei pensando quem seria. Até que o presidente do Corinthians, Vicente Matheus, chegou lá e se reuniu com o presidente do Sport, Jarbas Guimarães, e ficou acertada minha contratação. Imediatamente, comunicaram a imprensa através de uma coletiva anunciando minha chegada ao Parque São Jorge.

Em 1978, ao ser contratado pelo Corinthians, o presidente Vicente Matheus deu uma declaração engraçada à imprensa ao dizer que teria contratado um tal de ‘Lero Lero’. Como foi essa situação, Biro Biro?

Foi engraçado essa história do presidente quando ele reuniu a imprensa e falou: “Contratei o novo reforço para o Corinthians, que é o Lero Lero! O pessoal, sem entender nada, achou estranho. Um repórter não se conteve e perguntou: “Ué, ‘seu’ Vicente Matheus, não é Biro Biro, o nome do jogador”? Ele olhou para o repórter e disse: “Olha, na verdade, Biro Biro e Lero Lero, são as mesmas coisas. Assim esta história ficou famosa e hilária (risos).

O Corinthians ficou 22 anos sem títulos. Em 1977, o jejum foi quebrado com o gol do Basílio. E dois anos depois, você conquistou o Paulistão pela primeira vez em menos de dois anos no Corinthians. Sua adaptação foi menos difícil pelo fato do clube viver dias aliviados pela quebra do tabu de mais de duas décadas sem título regional?

Isso ajudou e muito. O Corinthians estava no sufoco e muitos anos sem ganhar. De repente, o título veio em 1977. É lógico que as coisas melhoram. O torcedor passa a ficar mais confiante, os companheiros acreditam mais e o ambiente se torna mais leve, pois assim é o futebol. Eu lembro que cheguei no final de 1978 e, em seguida, conseguimos o título de 1979. Eu acho que dali para frente o Corinthians começou a disputar os títulos. Muito se deve a importância da conquista do título do Campeonato Paulista de 1979.

Dos quatro títulos do Campeonato Paulista conquistados por você, dois foram contra times de Campinas e dois sobre o São Paulo quando o Corinthians foi bicampeão em 1982 e 1983. Qual teve um gosto mais especial embora todos tenham sido importantes para você?

Todos os títulos são importantes sem exceção. Mas o título que mais me marcou foi aquele em 79. Fiz um gol de canela contra o Palmeira na semifinal.

Antes de você chegar ao Parque São Jorge, o último bicampeonato paulista do Corinthians foi em 1951/1952. É motivo de orgulho para você ter quebrado este jejum de bicampeonato com dois títulos consecutivos contra o São Paulo sendo que você marcou dois gols na decisão de 1982, algo raríssimo para um volante?

Rapaz, nem fale. Sem dúvida. É raro um volante fazer dois gols numa final e quando isso acontece sempre marca, né? Mas foi uma das maiores alegrias no Timão ter sido campeão. Além disso, marcando os gols. Inesquecível para mim.

Seu conterrâneo Givanildo foi campeão em 1977. Existe alguma relação com sua chegada em 1978 ao Corinthians?


Não! Nenhuma. Quando cheguei no Corinthians, o Givanildo havia saído e tinha também o Luciano, que era do Santa Cruz. Mas na verdade, nem jogar com eles eu cheguei a jogar.

Além de ter conquistado títulos estaduais pelo Corinthians, você participou com maestria do famoso time chamado ‘Democracia Corintiana’ que era um posicionamento político que clamava por voto direto. Como foi esta relação que mostrava um Corinthians em ascensão e a participação na política do país?

Foi um movimento importante, não só para o Corinthians, que aderiu o ato que acabou se tornando histórico, mas para o Brasil. Nós, jogadores, não esperávamos pela proporção que o movimento tomou, pois não nos preocupávamos. Essa é a verdade. Mas a ‘Democracia Corinthiana’ foi importante, fez o Brasil mudar e até hoje é lembrada e considerada um movimento de grande importância para todos. Eu me orgulho de ser parte viva deste momento na história do país.

Você é o quinto jogador da história de 110 anos do Corinthians a vestir mais vezes a camisa do clube, e o volante com o maior número de gols (75). Acha que algum jogador da sua posição, no futebol atual, pode superar sua marca, jogando no Timão?

Difícil. Algum volante chegar a números tão expressivos como os que tive no Parque São Jorge? Sei não, mas vamos ver. O Paulinho poderia chegar, e certa vez, o Elias brincou dizendo que chegaria aos gols que fiz, mas ele estava com 32 anos. Mas o futebol mudou muito, e hoje um jogador de meio de campo marcar tantos gols por um clube é tarefa muito difícil.

Você jogou por dez anos no Corinthians atuando 590 vezes, uma média de 59 partidas por ano, que é um número alto de atuações. Estes dados são demonstrações que você não sofria com lesões?

Era difícil eu me machucar mesmo e jogava todas as partidas do campeonato. Se eu ficasse fora de algum jogo era por causa de cartões amarelos que eu levava, mas era difícil também eu ser advertido. Lembro, inclusive, que é legal você abordar na entrevista, que eu vim a ser expulso no Corinthians após 10 anos jogando, ou seja, numa posição de marcador. Isso é um fato curioso e merece ser divulgado. E vou ser síncero! Acho até que os torcedores gostavam de mim por causa disso, pelo fato de não frequentar o Departamento Médico. Eu mantinha uma regularidade em campo sem expulsões e sempre aplicado, mostrando a raça que a torcida gostava.

Na carreira do Biro Biro faltou vestir a camisa da Seleção Brasileira? E se tivesse que ser convocado, qual ano acredita que poderia ter sido chamado? Você poderia ter jogado uma Copa do Mundo, como a de 1982 ou 1986?

Olha, na Seleção Brasileira eu fui convocado e fiquei entre os 25 jogadores que foram com o Telê Santana em 1982 e 1986 também. Mas lembro que na Copa do México, o treinador era o Rubens Minelli, e em cima da hora, mudou o comando. O Telê aceitou o convite para dirigir a Seleção. E mais uma vez acabou me deixando fora, mas pelo menos fui lembrado, o que foi muito significativo para mim. Já na Copa da Itália em 1990, apesar de estar cotado para fazer parte do plantel, acabei tendo uma fratura na tíbia jogando pela Portuguesa e levei 240 dias me recuperando. Isso me atrapalhou muito. Mas seleção é isso, é questão de momento. Cada treinador tem os seus jogadores de confiança e foi o que o Telê fez em 1982, na Espanha, e em 1986, no México, e acabou me deixando de fora.

Qual foi o melhor meio-campo do futebol brasileiro na sua opinião?


Essa faixa do campo é privilegiada por ter tantos jogadores bons de bola. O nosso futebol brasileiro é rico em jogadores técnicos e habilidosos, e o meio de campo de cada time, é o setor em que o jogo é ditado. É por ali que a bola passa, é trabalhada, e é por ali que saem as principais jogadas ofensivas. Tivemos muitos meios de campo inesquecíveis, talentosos e insuperáveis, mas Biro Biro, Sócrates e Zenon, para mim, marcou não só o Corinthians, mas o futebol brasileiro.

Escale o Corinthians de todos os tempos na sua opinião?

Cada time jogou um futebol que marcou época para o torcedor. Mas na história no Corinthians é impossível não falar do time da ‘Democracia Corinthiana’ que era uma equipe muito boa, que se encontrava em campo. Os jogadores sabiam o que queriam, jogavam para frente e praticavam um futebol objetivo em busca do resultado. Eu colocaria esse time como sendo o de todos os tempos. Obviamente, outros jogadores de outras equipes que vestiram a camisa do Timão, eu poderia incluir nesse time. Mas o time da ‘Democracia Corinthiana’ foi, na minha opinião, o melhor de todos os tempos.

Na sua opinião, qual foi o melhor técnico com quem você trabalhou?

Eu trabalhei com vários treinadores bons e que me ensinaram muito como o Osvaldo Brandão e o Rubens Minelli, por exemplo. Mas o melhor deles todos foi o Mário Travaglini. Com ele, eu tive a oportunidade de absorver seus conhecimentos e foi ele que conseguiu extrair o melhor de mim dentro de campo.

Como surgiu o apelido Biro Biro?

Essa história é curiosa e engraçada ao mesmo tempo. Antes de jogar as ‘peladinhas’ em Recife, meu pai gostava de subir nas árvores e comer uma fruta chamada biribiri, que na aparência externa lembra mais um pepino e no sabor, um limão, de tão azeda. O pessoal começou a associar esse fruta ao meu pai porque eles ficavam pedindo para ele descer da árvore para jogar. Entretanto, de tanto falar biribiri para lá e biribiri para cá, acabaram errando a pronúncia e chamaram Biro Biro. E como acabou passando de pai para filho, o apelido surgiu dessa forma.

Depois que saiu do Corinthians, você vestiu as camisas da Portuguesa, Coritiba, Guarani e Paulista. Como foram essas passagens?

Claro que o Corinthians me marcou por tratar de um gigante do futebol brasileiro, e o Sport, por onde eu comecei, mas minha passagens por esses clubes foram com profissionalismo, dedicação, amor à camisa, à torcida, e a consciência de que me doei ao máximo nessas equipes. Foram experiências bem legais.

Biro Biro, você também foi bicampeão (1993/1994) estadual pelo Remo. Fale um pouco da sua experiência no futebol paraense, do gol feito no clássico contra o Paysandu e a queda do muro do estádio da Curuzu no dia 29 de julho de 1993. Você fez parte de uma equipe nortista melhor colocada na série A do Brasileiro.

Verdade. Minha passagem pelo Remo foi muito boa, foi legal. A gente tinha uma boa equipe que o remista não esquece até hoje. Este time foi campeão invicto, e esse gol marcou muito, pois além de derrubar o muro do estádio da Curuzu, até hoje esse gol é festejado por diversos motivos. No entanto, mais importante que a vitória no clássico contra o Paysandu, e a queda daquele muro, foi a nossa campanha naquela edição do Campeonato Brasileiro. Inesquecível.

Se você fosse o técnico da Seleção Brasileira no lugar do Tite, quais seriam seus dois volantes titulares?

O Paulinho teve uma passagem boa na seleção brasileira, merece que o seu futebol seja olhado com carinho, mas acho que o momento é do Casemiro e do Fernandinho.

Quem foi o meia-atacante mais difícil que você marcou na sua carreira?


Poxa, foram vários craques difíceis de serem marcados, mas o Zico mereceu sempre uma atenção especial. O Zico era o jogador que você tinha que vigiá-lo 90 minutos do jogo. Bastava um descuido, um piscar de olhos, para complicar tudo.

Qual volante inspirou sua carreira?

Foram dois. O Clodoaldo, do Santos, e o Falcão, do Internacional. O Clodoaldo eu vi pouco, confesso, mas o Falcão, como eu adorava vê-lo em campo, observar o seu estilo, admirar a classe, a elegância com que desfilava no gramado. E a habilidade? Meu Deus, que coisa fantástica! Vou confessar uma coisa aqui: eu pedia aos treinadores para jogar com a camisa 5 em homenagem ao Falcão.

Como tem enfrentado esse isolamento social?

Estou enclausurado como forma de prevenção. Estou me cuidando com álcool em gel, máscara, distanciamento e sabendo que não pode vacilar com esse vírus. Só saio em extrema necessidade. Quando estou em Guarujá, tenho saído um pouco mais, porém, apenas para caminhar ou fazer uma corrida de leve. Cuidem-se sempre!

Defina Biro Biro em uma única palavra?

Definir Biro Biro em uma única palavra? Só pode ser raça.

BIRO BIRO, A CARA DE FIEL

por Luis Filipe Chateaubriand


Em 1978, o folclórico presidente do Corínthians, Vicente Matheus, anuncia que acaba de contratar um jogador, vindo do Sport de Recife. Indagado pela Imprensa sobre o nome do contratado, responde:

– É um tal de Lero Lero!

O presidente estava enganado, pois o volante Antônio José da Silva Filho atendia pelo apelido de Biro Biro.

Rapidamente, aquele jogador de técnica restrita, mas extremamente aguerrido, caiu no gosto da Fiel Corintiana.

Jogador que se aplicava muito nos treinos, Biro Biro demonstrava preparo físico invejável. Nos jogos, parecia se multiplicar na marcação aos adversários, um verdadeiro “carrapato” que adversários como Jorge Mendonça, Pita e Renato Pé Murcho tinham que aturar.

Taticamente, era um jogador aplicado. Cumpria à risca as determinações dos treinadores, marcando quem eles determinassem e também saindo para o jogo – não com qualidade, mas com disposição.

Principalmente, tinha grande identificação com a torcida. O torcedor médio corintiano, aquele de condição social baixa que quer ascender na vida, via em Biro Biro exatamente o seu espelho dentro de campo.

E assim, sem lero lero, mas com empenho, Biro Biro se tornou eterno ídolo dos gaviões.

Luis Filipe Chateaubriand é Museu da Pelada.

SEM LERO LERO, BIRO-BIRO FOI ‘MELHOR’ QUE MARADONA

Se Biro-Biro foi ou não melhor que o “deus” argentino, pouco importa. O mais significativo de tudo é que hoje o grande ídolo da Fiel faz anos. Conheça um pouco mais sobre o incomparável craque que tantas alegrias proporcionou ao Corinthians

por André Felipe de Lima


(Foto: Reprodução)

Não há no Brasil inteiro quem não conheça a marca “Biro-Biro”. Apareceu um lourinho (ou parafinado, como o original) de cabelo encaracolado, e pronto, logo o chamam de Biro-Biro. Não há apelido mais apropriado. Esta marca, aliás, tem dono e se chama, na “razão social”, Antônio José da Silva Filho.

Se muitos não conseguem associar o nome e o apelido ao dito cujo, tenham certeza que isso não é problema para nenhum corinthiano que se preze. Biro-Biro é, para os fanáticos pelo Timão, mais que um ídolo, é – e os iconoclastas que me perdoem – a alma do Corinthians, que encarnou no Estádio do Morumbi, no nublado dia 12 de dezembro de 1982, quando estava em disputa o título de campeão paulista.

De um lado, o poderoso elenco do São Paulo, com Serginho, Renato, Oscar, Dario Pereyra e Valdir Peres, tentando o inédito de tri, do outro a Democracia Corinthiana, com seus inabaláveis mosqueteiros. Um deles, o mais ousado naquela tarde, o mais mítico… era o Biro-Biro.

Horas antes do inesquecível jogo, o quadro clínico do jogador não estava lá essas coisas. Uma forte gripe o incomodava. Após almoçar no hotel-concentração Planalto, subiu imediatamente para descansar. Quando embarcou no ônibus que levaria o time para o estádio, exibia olheiras e uma indisposição flagrante. Para piorar seu quadro, o tornozelo direito estava comprometido há semanas. O temeroso treinador do Corinthians, Mário Travaglini (1932–2014), confidenciara ao diretor Adílson Monteiro Alves que, sem Biro-Biro, o time também ficaria sem o contragolpe para abater o forte time Tricolor.

Mas o inigualável Biro-Biro ensinou no gramado como ser ídolo de uma torcida. Prendeu a bola, quando tinha de prendê-la, e marcou dois gols inesquecíveis. No final, o Timão derrotou o São Paulo pelo placara de 3 a 1 e o herói levantou o troféu, recusando qualquer proposta de troca de camisa com o adversário. “Essa eu prometi ao meu pai”. Afinal, o craque era fiel. Fiel como a apaixonada torcida corinthiana.

Regularidade. Essa a palavra-chave para toda a trajetória de Biro-Biro com a camisa do Corinthians. Quem bem o definiu foi outro ídolo inesquecível: Sócrates: “Ele não joga bem só nas finais. Joga bem sempre”. A mais pura e cristalina verdade.

Biro-Biro nasceu no dia 18 de maio de 1959 em Santo Amaro, Pernambuco. Filho de Cândido José da Silva e Ivanice Marques de Souza. O pai, portuário, separou-se da mãe quando Antônio e os três irmãos ainda eram pequenos. A vida foi muito difícil para o garoto. Mas a vida casca grossa ficaria para trás, e um dia o garoto de cabelo oxigenado encantaria a torcida do Corinthians e se tornaria um símbolo da raça alvinegra, jogando como meio-campo na virada da década de 1970 para 80. Enquanto o destino não cumpria seu vaticínio, a mãe de Antônio sustentava os filhos com os bolos que fazia, muitas vezes das mangas e cocos surrupiados pelo menino Antônio das árvores dos quintais alheios. Quem, afinal, não teve um dia de moleque na infância? E o coco era importante, pois o prato predileto do menino era camarão com coco, que dona Ivanice preparava como poucos.

A vida, contudo, permanecia difícil. Quando Dª. Ivanice conseguiu trabalho em São Paulo e deixou os filhos com a avó. Antônio, com 11 anos, morou com o pai em uma palafita. Tentou pescar caranguejo, mas um beliscão fez com que desistisse da vida de pescador antes mesmo de ser iniciada. E foi da paixão que o pai tinha por um doce feito de biri-biri (uma fruta da família da carambola e também é conhecida como limão-de-caiena), que nasceu o apelido que o projetaria para o Brasil: Biro-Biro. Antônio era a cara do pai. Nada mais natural do que herdar o apelido paterno.

O curioso é que Biro-Biro não era muito bom no que se propunha a fazer. Na escola, não era dos melhores; subir em árvore alta demais, nem pensar; chegou a se entusiasmar com o surfe – daí, a inconfundível cabeleira oxigenada; mas era, como rege a gíria surfista, maroleiro.

No futebol, era diferente. Chamava a atenção durante as peladas. Aos 14 anos, embora dizendo-se torcedor do Náutico, foi levado para o juvenil do Santa Cruz. O destino começava a esboçar seu traço. Biro-Biro passou em um teste no Sport e logo já estava no time juvenil do rubro-negro. Foi campeão juvenil em 1975 e repetiu o feito no ano seguinte. Já ostentava pinta de ídolo.

Em junho de 1977, quando dividia a sala de aula com o campo de futebol, Toinho Biro-Biro, que cursava o segundo ano do antigo científico do Colégio Pedro II, levou a torcida do Sport à loucura com um gol sensacional contra o Santa Cruz que garantiu o título do primeiro turno para o Leão de Recife. No colégio, foi recebido pelos colegas com o coro “Biro, Biro, Biro/Biro Tetéia”, paródia da garotada para uma famosa música do começo dos anos de 1970.


(Foto: Reprodução)

Passou a manhã de segunda-feira contando aos colegas sobre o grande feito e, em casa, em Olinda, onde morava com a família, não perdeu a chance de tripudiar do pai, torcedor fanático do Santa.

Num amistoso contra a Seleção Brasileira de novos, deu outro show. Não ficaria por muito tempo em Recife. Vicente Matheus, o folclórico presidente corinthiano, viu Biro-Biro contra a Seleção e não pensou duas vezes: “Quero Biro-Biro no Corinthians”.

Conseguiu. Pagou 2,5 mil cruzeiros em agosto de 1978 ao Sport, que queria 4,5 milhões, mas o garoto de 19 anos não era bobo. Entrou na Justiça e obteve os 15% do valor do seu passe que estava com o rubro-negro de Recife.

Matheus estava obcecado pelo bicampeonato. Afinal, o Timão, campeão em 1977, após impiedoso jejum de 23 anos, precisava recuperar definitivamente a hegemonia no futebol paulista. Tentara Falcão e Batista, ambos da máquina de jogar bola que era o Internacional. Nada conseguiu. Biro-Biro foi a melhor solução.

Os representantes do cartola do clube paulista foram à casa de Biro-Biro e o rapaz sequer teve a chance de dizer sim ou não. Só teve tempo de arrumar as malas e partir para São Paulo, sem discutir salário, valor do passe, luvas… não era uma proposta e sim uma determinação. Recebia do Sport 12 mil cruzeiros mensais. O Corinthians passou a pagar 20 mil.

“Eu não queria (deixar Recife), foram me buscar em casa quando meu pai estava viajando. Não entendia de negócios, nem entendo até hoje (em 1981, quando concedeu esta entrevista à “Folha de S.Paulo”). Nunca fiquei sabendo quanto realmente custou meu passe, e só fui receber os 15% a que tinha direito na Justiça. Deixei minha avó doente e vim, em agosto de 1978. Trazia roupa para uma semana, e só voltei para o Recife em dezembro. Dormi a primeira noite na concentração do Parque São Jorge, pedi para mudar e o Luciano (outro pernambucano, vendido pelo Sport ao Corinthians nessa mesma época, quando o clube de Recife entrou em liquidação por não disputar o campeonato regional) me levou para morar com ele num apartamento. Fiquei por lá”.

Em São Paulo, o garoto sentia-se mesmo muito só, mesmo dividindo o apartamento com Luciano e Jaime, que já conhecia de Recife. Tinha medo da cidade grande. A eloquência e o cimento paulistanos verdadeiramente assustam. Restava-lhe de consolo uma televisão.

“Corremos para comprar seu passe porque o São Paulo, com essa história de Marião e Chico Fraga, estava era querendo furar nosso negócio com o Sport. Mas nosso espião no Morumbi nos alertou a tempo”, contou José Teixeira, técnico do Corinthians na ocasião da chegada de Biro-Biro ao time.

“Quando deixei o Recife, eu nem mesmo sabia para que time estava me trazendo. Só sabia que vinha para São Paulo. E isso, falando em futebol, não me preocupou nada. O que a gente sabe, com um pouquinho de tempo para se adaptar, a gente mostra em qualquer lugar”.


(Foto: Reprodução)

Biro-Biro, que um dia lavou carros e vendeu mangas para ajudar a mãe em Recife, foi apresentado ao Timão exatamente no dia 10 de agosto de 1978. Chegou ao Parque São Jorge praticamente junto com Sócrates, que veio do Botafogo de Ribeirão Preto. “Falei que ia montar um time para brigar pelo título. Já trouxe o Sócrates e agora está chegando um garoto novo, que jogava em Recife. O nome dele é Lero-Lero”.

E a célebre frase de Vicente Matheus nunca mais foi esquecida pela crônica esportiva. O garoto era esforçado. Treinava bastante e logo garantiu vaga no time que conquistou o primeiro turno do Campeonato Paulista. Mas o Timão não garantiu o título estadual de 1978. A festa foi transferida para janeiro de 1980, quando Sócrates e Biro-Biro conduziram o Corinthians ao título do Campeonato Estadual do ano anterior, após tirar o Palmeiras do caminho, com um gol de canela assinalado por Biro-Biro.

Logo após o sucesso repentino antes mesmo do campeonato de 1979, o craque – vá lá… – lourinho acabaria se soltando um pouco mais na Paulicéia Desvairada. O reflexo do desprendimento fora dos gramados era visível.

“Eu comia sanduíches, dormia tarde, treinava mal, fui facilitando. As gripes – por causa do tempo frio de São Paulo – sempre me pegavam, como as contusões. E eu fui caindo. Quando cheguei ao fim do poço, reserva sem chance no time, um mês machucado sem treinar, percebi que estava sozinho. Fiquei meio desesperado, queria voltar, pedi ao Isidoro Matheus (na época, vice-presidente de esportes do Corinthians, tio da esposa Luciane) que me deixasse voltar para o Recife. Não comia, nem treinava, nem jogava, nem tinha amigos”.

Diante desse contexto, não demoraram a surgir críticas de que Biro-Biro gostava da noite. O craque reconhecera que havia extrapolado. “A cidade me engoliu. Eu já conhecia tudo, conhecia bem, mas estava sem rumo, todos diziam que eu vivia em boates. Sei que isso é a morte do atleta. Quando pega essa fama, o sujeito está desgraçado. Nesse momento da minha vida, apareceram uns amigos pra aconselhar. O Luciano (ainda aquele Luciano, passando então por Juventus e Portuguesa de Desportos) deu força pra que eu não desesperasse. Tinha só o futebol pra me segurar aqui, sem ele era um nordestino igual aos outros todos, sem profissão nem jeito de me manter. Veio também ‘seu’ Jorge Vieira (treinador, em novembro de 1979), e eu passei a encarar as coisas com mais confiança”.


(Foto: Reprodução)

O segundo campeonato de Biro-Biro – jogando como ponta-esquerda – pelo Timão foi o já mencionado em 1982, ano, aliás, em que Sócrates institucionalizou no clube a Democracia Corinthiana, da qual Biro-Biro discordava. Achava que a diretoria concedia privilégios aos membros mais atuantes do movimento. Foi, talvez, uma das poucas vozes dissonantes do grupo de jogadores. Dizia que alguns tinham mais liberdade que outros e que não recebera o reconhecimento da diretoria.

Anos mais tarde, acirrou ainda mais as críticas: “Se a proposta deles fosse real, seria ótimo; mas a Democracia Corinthiana nunca existiu. Na verdade, existia só que para apenas dois ou três jogadores que muitas vezes não representavam a vontade do elenco”.

Política à parte, o bicampeonato aconteceu no ano seguinte. Biro-Biro, agora na ponta-direita. O craque disputou onze campeonatos paulistas e chegou a sete finais. Ganhou quatro. A última delas em 1988. Era o capitão do Timão. Foram 589 jogos pelo Corinthians, com 265 vitórias e 199 empates. É o quinto jogador que mais vestiu a camisa corinthiana em toda a história do clube. Marcou 75 gols. Tinha, portanto, crédito com a torcida.

E isso foi posto a prova em 1987, após uma derrota para o Atlético Mineiro de Telê Santana, quando a torcida ameaçou agredir os jogadores. O único “absolvido” e aplaudido de pé pelos torcedores foi Biro-Biro, o único a sair pelo portão principal do estádio.

Além dos títulos paulistas, conquistou a Taça Governador do Estado (1978), o Torneio de Hidalgo (1981), a Taça de Porto Alegre (1982), a III Taça das Nações de Los Angeles (1985) e o Torneio de Verão (1986–1987).

No Corinthians, das glórias guardou uma em especial: a esposa Luciane, sobrinha de Vicente Matheus. O curioso é que ela, somente depois de algum tempo de namoro, confessou ser sobrinha de Matheus. Biro, por sua vez, dizia se chamar Tony. Casaram-se em outubro de 1980 e têm três filhos.

No começo, a timidez de um monossilábico Biro-Biro impressionava Luciane: “Viu como ele melhorou, já está falando mais..”, disse ela ao jornal “Folha de S.Paulo”, logo após o Corinthians conquistar o Campeonato Paulista, em 1982. “Quando conheci, nem falava, era um sacrifício. Depois que passou a ler um pouquinho, ir mais ao cinema… Ele precisava disso, tem que dar entrevista toda hora. Imagine se continua como naquela época em que passou a me namorar em casa. Era minha mãe que precisava manter a conversa, ele respondia ‘é’, ‘não’, ‘obrigado’”, completou Luciane, que foi fundamental para que o ainda jovem Biro-Biro acertasse o prumo sem temor na gigantesca São Paulo.

Ele mesmo, em entrevista à “Folha de S.Paulo”, publicada em fevereiro de 1981, reconheceu isso: “Então, casei. Conhecia a Luciane de encontrar perto da escola, ela é também sócia do Corinthians, e nós achamos que era hora. Ela? Agora tem 18 anos. E me incentiva para estudar, sempre coloca um livro na bolsa, quando vou para a concentração. Prefiro assistir televisão (gosto mais dos desenhos do Pica-Pau, não sou muito chegado a novela), mas acabo lendo os livros. O último acho que foi de Francisco de Assis ou qualquer coisa assim. Sobre o quê? Olha, não lembro bem, mas era sobre uma história do que acontece na vida real das pessoas. Muito interessante”.

Biro-Biro era simplesmente inconfundível e não menos impagável. Nos dois primeiros anos em São Paulo, Biro-Biro era como um peixe fora d’água. Totalmente macambúzio, angustiado. Sentia falta da famosa sopa que a avó Maria Conceição fazia; e do café com leite, com pão com manteiga picado, tudo mexido na caneca pelas zelosas mãos da vovó.

Em São Paulo, perdera o mimo da avó Maria. Era um cara “largadão”, como se autodefiniu. Raramente sorria ou se enturmava.

Foi Vicente Matheus quem mais se preocupou com a melancolia de Biro-Biro e passou a incentivar o namoro dele com a sobrinha Luciane. “Esse rapaz precisa casar”. E assim foi feito. Com a aliança no dedo, o jogador passou a jogar ainda mais.

Mas o enlace de Biro-Biro com a sobrinha de Matheus era visto pelos outros jogadores como o motivo para o craque ter privilégios no clube. Era um Corinthians rachado pelo ciúme. O craque não estava nem aí para o disse-me-disse. Levava uma vida simples, sem ostentação, morando no populoso bairro Tatuapé e andando para lá e para cá em sua Brasília 79, contrastando com os carrões de outros craques de sua época. Seu estilo de vida construiu sua fama. Não havia corinthiano que com ele se identificasse. Tanto que lançou uma bola de futebol com o seu nome, que fez algum sucesso entre a garotada em 1987. No mesmo ano, o jogador pleiteou 15% do valor de seu passe, caso fosse vendido. Bateu boca com os cartolas. Disse que sairia, mas permaneceu no clube. Sabia, entretanto, que a carreira estava no fim.

Em novembro de 1978, sem ser candidato, Biro-Biro recebeu mais de 30 mil votos de protesto, como acontecera com o famoso voto no Cacareco – o rinoceronte do Jardim Zoológico paulistano que, nas eleições de outubro de 1959, para vereador da cidade, ganhou cerca de 100 mil votos –, e decidiu levar a política a sério.

Em 1988, foi eleito vereador pelo Partido Democrático Social (PDS), partido formado por políticos da antiga Arena, especialmente Paulo Maluf, com quase 40 mil votos. 
Se já havia ciúme de grande parte dos jogadores, o sentimento de indignação se acirrou, como escreveu Ariovaldo Izac, quando o então técnico Carlos Fascina (técnico do Corinthians entre o final de 1988 e o começo de 1989) começou a questionar se Biro-Biro teria realmente como conciliar a função de vereador com a de atleta.

A situação no Parque São Jorge ficou insustentável. Trocou, em 1989, a sede alvinegra pela da Lusa, no Canindé. Mas não brilhou. Apesar do retrospecto extremamente positivo no Parque São Jorge, não teve sorte na Seleção Brasileira.

Em 1996, pela manhã, Biro-Biro dava expediente na metalúrgica do sogro, à tarde era professor de futebol no Centro Educativo, Recreativo e Esportivo do Trabalhador (CERET), do Governo de São Paulo, tudo no Tatuapé, onde também mantinha uma agência de automóveis. Dois anos depois, a paixão pelo futebol prevaleceu.

O tímido – e de poucas palavras – Biro-Biro começou a carreira de treinador-jogador no Mauense. Passou também por Coritiba, Guarani, Botafogo de Ribeirão Preto, São Bernardo, Remo, Paulista, Nacional de São Paulo e, com 43 anos de idade, no Vera Cruz, de Santa Catarina. Parou de jogar em 2002.

Somente como treinador, trabalhou no Barra das Garças (Mato Grosso), no catarinense Tupi, no São Carlense, na Francana e no paulista Ranchariense. No Botafogo, aonde chegou a janeiro de 1994, após aceitar um convite informal de Sócrates, prometeu fundar a “Democracia Botafoguense”, em alusão ao movimento liderado pelo mesmo Sócrates no Corinthians, no começo da década de 1980.

Nunca deixou de lado o futebol. Mata saudades dos gramados em jogos pelo time de masters do Corinthians. Continua porém dividindo o campo com a política. Foi assessor parlamentar na Assembleia Legislativa de São Paulo e tentou, em 2004, sem sucesso, uma vaga na Câmara dos Vereadores da capital paulista.

Estava longe do noticiário esportivo até estrelar uma campanha publicitária da Coca-Cola, na qual a pergunta mobilizou muitos brasileiros: “Afinal, quem foi melhor, Maradona ou Biro-Biro?”. A brincadeira com os hermanos não poderia ter outro resultado: deu Biro-Biro na cabeça.