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Alessandro Del Piero

O REI DE TURIM

por Israel Cayo Campos


O dia 9 de novembro é mais do que especial para os torcedores da Juventus de Turim. É o aniversário daquele que eles mesmos dizem ser o maior jogador da história da Velha Senhora, Alessandro Del Piero. 

O garoto técnico, rápido e goleador começou sua carreira pelo pequeno Padova, mas chamou atenção do técnico Giovanni Trapattoni. E logo em seu terceiro ano como profissional, chegou ao maior time da Itália como uma promessa, que iria se cumprir! 

Ótimo cobrador de faltas (foram 53 gols oficiais na carreira), “Ale” já era titular da Juventus em 1994 sob o comando de Marcelo Lippi. Tão jovem e já um dos principais nomes do maior time do país, Del Piero chamou atenção do técnico da Esquadra Azzurra Cesare Maldini. Já em 1995 ele era jogador frequente nas convocações da seleção de seu país. 

Com a saída de Roberto Baggio para o Milan na janela de transferências de 1995, outro sonho de Del Piero se realizava, vestir a camisa 10 da Juventus. A mesma camisa que antes fora usada por Roberto e pelo ídolo francês Michel Platini. E parece que o número deu sorte. Logo na temporada 95/96, Del Piero foi o principal nome da Juventus que conquistou em cima do Ajax o título da Champions League. Ale foi eleito o melhor jogador da competição! 

Contudo, se sua carreira estava em ascensão na Juve, que ainda em 1996 ganhara a Supercopa da UEFA e o Mundial de Clubes sobre o River Plate, ambos os títulos com gols decisivos de Del Piero, a seleção italiana que defendeu na Eurocopa de 1996 fora um fiasco, sequer passando da primeira fase da competição. 

Em 1997, “Ale” teve uma ótima temporada, conquistando seu segundo scudetto com a Juventus, além de levar o time a final da Champions League pelo segundo ano consecutivo. Só que dessa vez vindo de lesão, mesmo marcando um gol na final, Del Piero não conseguiu levar a Juventus ao título, ficando com o vice-campeonato para o Borussia Dortmund, que jogaria o Mundial Interclubes daquele ano contra o Cruzeiro de Minas Gerais. Mas no final, o saldo era mais uma vez positivo. Del Piero aquela altura já fizera os torcedores da Juventus esquecerem Robbie Baggio, e muitos até de Michel Platini. Que para muitos era o maior jogador da Juve em todos os tempos! 


No ano seguinte, Del Piero, também notabilizado por ser um ótimo assistente recebeu a companhia de Zinedine Zidane. Com isso passou a jogar com menos obrigações táticas, como um segundo atacante, e com isso sua média de gols cresceu ainda mais, sendo artilheiro do time e campeão do campeonato italiano e artilheiro máximo da Champions de 1998 com 11 gols. Mas infelizmente, mais uma vez a Juventus ficaria com o vice do torneio continental, dessa vez perdendo a final pelo placar mínimo para o Real Madrid, que enfrentaria o Vasco no Mundial Interclubes daquele ano! 

Além da derrota, a final contra o Real Madrid lhe trouxe uma contusão que o fez ir a Copa do Mundo da França fora de suas condições técnicas ideais. Com isso passou a maior parte do tempo no banco de Roberto Baggio, e quando entrou, mesmo sendo uma das principais expectativas do torneio, não correspondeu. 

Os anos seguintes foram de poucos gols, muitas lesões e muitas críticas por parte da imprensa ao seu futebol. Dada as duas derrotas em finais de Champions seguidas, e a péssima atuação com a Seleção Italiana no Mundial de 1998, “Delpi” começou a ser visto como um jogador pipoqueiro em jogos grandes, principalmente finais! Não é só a imprensa brasileira que gosta de rotular seus atletas! 

Em 2000, Del Piero tinha uma nova chance de calar seus críticos. Recuperado das lesões e cada vez mais livre de obrigações táticas, ele fora convocado para a Euro daquele ano, compondo uma das mais fortes seleções italianas dos últimos 20 anos. 

A Itália fez uma boa campanha chegando até a final, mas o estigma do vice novamente pegou Del Piero e os demais, perdendo o título para os franceses (que eram atuais campeões do mundo!) de virada, com direito a “gol de ouro” de David Trezeguét. Apesar do bom futebol desempenhado no torneio, “Delpi” continuou sendo a “bola da vez” para seus críticos. 

Em 2002, já com Trezeguét ao seu lado, Del Piero recuperou seu bom futebol e conquistou mais um título italiano. Dessa vez um ponto a frente da Roma de Francesco Totti. Sempre com muitas assistências, dribles desconcertantes e belos gols. Quando chegara a hora da Seleção italiana disputar o mundial de 2002, no Japão e na Coréia do Sul, havia um clamor popular para que Totti e Del Piero jogassem juntos no time titular da Azzurra. 

Todavia, o técnico Trapattoni, aquele mesmo que trouxe Del Piero para a Juventus do Padova, acreditava que ambos ocupavam o mesmo espaço no campo, e só um dos dois jogadores poderia ser titular. 

Sua escolha foi por Totti, que assim como o restante de sua equipe, acabou fazendo uma Copa do Mundo irregular. Sendo a Itália eliminada nas oitavas de final para os anfitriões Sul-coreanos! Com direito a expulsão de Totti e erros de arbitragem esdrúxulos!  


Del Piero teve apenas uma participação importante naquela Copa do Mundo, o gol sofrido de cabeça, que deu o empate contra o México e acabou por evitar um vexame ainda maior, a eliminação italiana na fase de grupos daquela Copa! 

No ano seguinte, mais um Scudetto para a Juventus tendo Del Piero como protagonista, mas novamente o time chegava a uma final de Liga dos Campeões e perdia! Dessa vez para o arquirrival Milan. Numa disputa de pênaltis onde se destacou o goleiro brasileiro Dida, que defendia o time vermelho e preto! 

Se a Juventus e Del Piero eram soberanos dentro da Itália, quando o assunto eram torneios continentais, apesar de “Delpi” ter conquistado um, a partida final virou um fantasma em sua carreira, e imprensa se aproveitava desses insucessos para usar o atacante como bode expiatório! 

Após um 2004 ruim, Fábio Capello assumiu a Juventus, trouxe o sueco Ibrahimovic, e passou a colocar Del Piero como um jogador de Segundo tempo. A tática deu certo, com Del Piero fazendo grandes atuações mesmo com menos minutos de partidas, e conquistando os campeonatos italianos de 2005 e 2006. Quando novamente, Del Piero era chamado para uma Copa do Mundo, sua terceira na carreira, que dessa vez seria disputada na Alemanha! 

Lippi, que havia sido seu técnico anterior na Juventus acabou fazendo igual a Capello, e utilizando Del Piero como um décimo segundo jogador. Graças ao forte sistema defensivo da Esquadra Azzurra, aquela Itália chegou as semifinais contra os alemães, onde em um dos jogos mais emocionantes daquele torneio, Fábio Grosso e Del Piero marcaram na prorrogação, o gol de “Ale” foi um dos mais belos do torneio. 


Na final contra a França, que fora algoz dos italianos no fim do século XX, a Itália teve um jogo tenso, empatado em um a um, e enfim vencido em uma disputa de pênaltis por 5 a 3. Com direito a Del Piero convertendo uma das cobranças. A Itália conquistava o tetracampeonato mundial depois de 24 anos e a sombra do vice para Del Piero em competições eliminatórias enfim desaparecia! Mesmo não sendo titular absoluto, o agora camisa 7 da Itália entrava para o panteão dos maiores jogadores italianos de todos os tempos! 

2006 ainda trouxe a Del Piero o gol 185 com a camisa da Juve, superando Boniperti, e se tornando o maior artilheiro da história do clube! Mas nem tudo foram flores naquele ano. Com escândalos de manipulação de resultados, a Juventus, mesmo campeã foi rebaixada a segunda divisão do Calcio. Com isso, a maioria das estrelas do clube saíram. Alguns para rivais diretos! Mas Del Piero resolveu ficar. E no ano seguinte, mesmo começando o torneio com nove pontos a menos, comandou a “Velha Senhora” ao acesso. Sendo o artilheiro da série B com 20 gols. Uma prova de amor ao clube que os torcedores de Turim jamais esquecerão! 

Os anos seguintes foram de vacas magras para a Juventus no tocante a títulos, a hegemonia agora era da Internazionale. Mas Del Piero, bem mais velho continuava a fazer grandes apresentações! 

Em 2012, a Juventus anunciava que seria a última temporada de Del Piero com a camisa do clube. Que já não vencia nada desde 2006. Mas naquela temporada de despedida Del Piero fez seu máximo e a Juventus quebrou o tabu vencendo após um jejum de seis anos mais um campeonato italiano. Em seu último jogo, a faixa de capitão, o erguimento da taça, e a sugestão de aposentadoria da camisa 10. Que o próprio Del Piero recusou que ocorresse! 


Era o coroamento do maior jogador da história da Juventus! O reconhecimento a um jogador que esteve com seu clube do coração, seguindo à risca as falas de um sacerdote no casamento: Na saúde e na doença! Realmente, a simbiose entre Del Piero e Juventus foi um casamento! 

Após sua saída da Juve, Alessandro Del Piero ainda passou, e bem! Em clubes da Austrália e Índia. Fora especulado em clubes brasileiros como Palmeiras e Flamengo, mas não há como dissociar a figura do camisa 10 com a Velha Senhora de Turim. 

Foram 705 jogos, 290 gols, e cerca de duzentas assistências com a camisa do clube de coração! Recordes difíceis de serem batidos! 

Em questão de títulos, foram oito campeonatos italianos, fora uma série B. Uma Copa da Itália, uma Liga dos Campeões, um mundial de Clubes e várias Supercopas… Além é claro da Copa do Mundo da FIFA de 2006 pela seleção italiana! 

Del Piero defendeu a Juventus por 19 anos. Feliz aniversário, REI DE TURIM!