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SÓCRATES, O MAGRO DA BOLA

13 / junho / 2021

por Serginho 5Bocas


Brasileiro até no nome, Sócrates nasceu em 1954 e faleceu em 2011. Deixou para seus fãs, neste curto período de vida, uma enorme saudade e um imenso legado, construído com gols, passes, jogadas de calcanhar, muita inteligência dentro e fora dos gramados, entre outras virtudes desta figura imortal do futebol brasileiro.

Sócrates foi, sem dúvida nenhuma, um dos mais genuínos exemplos de que o futebol é um dos únicos esportes que não se exige um biótipo único e definitivo para se sobressair, lugar comum na maioria das outras modalidades esportivas. Magríssimo e com pés pequenos, ainda assim conseguia sobressair em um esporte de forte contato físico, com toques de primeira, dribles, gols e muita inteligência. 

Começou a carreira em Ribeirão Preto, no Botafogo local, onde muito jovem e escondido de seu pai, já exibia toda a sua arte, apesar de seu físico impensável para a pratica do futebol e das aulas da faculdade de medicina, que quase sempre impediam que ele pudesse conciliar com os treinos e os jogos do campeonato.

Logo cedo ganhou a alcunha de doutor, uma alusão a um misto de sua escolha em estudar a faculdade de medicina somada a sua ótima técnica e habilidade num campo de futebol que o distinguia dos seus companheiros. No Botafogo de Ribeirão Preto, foi monstro, dando inúmeras assistências ao grande parceiro Geraldão, que foi o artilheiro na campanha do Paulista de 1974, e sendo ele próprio o artilheiro do Campeonato Paulista de 1976. Também foi campeão do primeiro turno do Paulista de 1977, mesmo treinando pouco, mas sempre jogando muito, era como se ele fosse um motor de Ferrari num fusquinha, tal a sua extrema qualidade para um clube tão modesto. 


Jogou muita bola no Corinthians, onde foi um dos maiores ídolos e viveu sua melhor fase, conquistando três títulos paulistas. Também jogou na Fiorentina, no Flamengo, no Santos e na seleção brasileira, confirmando o que se esperava dele. Fez história com a camisa amarela pela sua inteligência dentro de campo e pela liderança que o tornou capitão da fantástica seleção brasileira da Copa de 1982. 

Não foi “só” isso que o Magrão fez, ele reinventou a jogada de calcanhar no futebol. Nunca antes, nem depois alguém foi capaz de reproduzir com tanta maestria esta jogada. De calcanhar, ele deu passes maravilhosos e inesperados, fez gols e deixou sua marca indelével.

O treinador Claudio Coutinho não quis saber dele em 1978, mas voltou atrás nas convocações de 1979 e logo viu o tamanho da burrada de não tê-lo levado. Com a sequência de jogos com a amarelinha, perceberam que tinha muita qualidade para jogar “parado” como centroavante, tinha talento demais reprimido para entregar no campo todo e foi deslocado para a parte cerebral da cancha, o meio dd campo. Sábia decisão, pois assim foi possível usufruir de todo o talento daquele fenômeno.


Impossível esquecer seu gol de empate contra a U.R.S.S. na estreia do Brasil na Copa do Mundo de 1982, ou ainda do primeiro gol do Brasil contra a Itália naquela fatídica partida desta mesma Copa, que nos eliminou tragicamente. Vale ressaltar a frieza e a categoria para escolher o canto entre Zoff e a trave, tendo a capacidade de bater na bola sem dar a mínima chance de defesa para o goleiro italiano.

No entanto e apesar de toda a bola que ele jogava, deixou uma lacuna em sua carreira que foi não ter conseguido se sagrar campeão do mundo, seguindo os passos de sua geração.

Talvez os mais jovens, ao assistirem os jogos reprisados daquela época, imaginem que ele era fácil de ser marcado em razão de seu frágil físico e de sua pouca velocidade. Ocorre que ele compensava essas deficiências usando a inteligência que lhe era peculiar, tocando a bola de primeira, evitando choques com zagueiros mais fortes, chutando e cabeceando com extrema categoria e qualidade, antevendo as jogadas.

Digo e repito sem sombra de dúvidas que, apesar de não cuidar do corpo, de abusar do cigarro e da bebida, foi um dos maiores jogadores brasileiros (e mundiais) de todos os tempos, pois na sua época, muita gente boa não teve a menor chance de jogar na seleção, pelo simples fato de que havia um Doutor dono daquela camisa oito amarela. 

Quantas saudades do Magrão, fique com a luz de Deus meu ídolo. 

 

 

Um forte abraço

Serginho5bocas

 

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