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REINALDO E LEO BATISTA, ESSÊNCIAS DO VELHO E BOM FUTEBOL

1 / dezembro / 2021

por Paulo-Roberto Andel


O domingo passado foi de fazer pensar muito em futebol. A turma de fora acha que é só o pessoal correndo atrás de uma bola, mas a gente que ama esse jogo sabe que vai muito, muito além da bola e do campo.

No Mineirão lotado, o rei chorou. Reinaldo, o Rei, maior artilheiro da história do estádio, maior artilheiro do Atlético e, de quebra, um dos maiores centroavantes da história do futebol brasileiro. Um craque absoluto que infelizmente sofreu com as contusões, num tempo em que a medicina era menos avançada. Um monstro.

Reinaldo chorou em sua casa. Chorou com a comemoração de Hulk, o braço estendido com punho cerrado. Chorou pela emoção de ver seu time novamente campeão – ou quase isso – com o Mineirão lotado e comemorando não apenas um título encaminhado, mas o fim de uma espera de meio século. Reinaldo, craque tão humano, consciente das mazelas de seu povo, que muito acertou e quando errou foi apenas contra si próprio.

Nesses anos todos, quanto os atleticanos também choraram por não ter mais Reinaldo, seus gols geniais, suas jogadas de puro refinamento, seu talento tão gigantesco? Muito. Reinaldo foi tão espetacular que os títulos que não conquistou e o tempo abreviado de sua carreira são pequenos diante de sua consagração como craque.

A 600 quilômetros do Mineirão, os botafoguenses lotaram o Estádio Nilton Santos para gritar a plenos pulmões pela volta do Glorioso a seu lugar, campeão da série B e novamente na A. Quem estava lá para anunciar a entrada do time era Leo Batista, decano do jornalismo esportivo, emocionado mas tranquilo com seu time do coração. Leo entra em nossas casas há muitos anos, não é mais uma visita. Sua voz é familiar aos nossos sonhos de futebol há pelo menos meio século.

Muito bonitas as imagens de Leo acompanhando o jogo entre Botafogo e Guarani, espiando, vibrando, parecendo um garoto de quinze anos torcendo pelo seu time. E daí que ele seja quase nonagenário? Todo torcedor de futebol é uma eterna criança namorando a bola que corre e desenha memórias espetaculares.

Reinaldo e Leo Batista são referências eternas do nosso futebol. Um craque do campo e outro da locução, eles ajudaram muita gente a se apaixonar por esse jogo que todos perseguimos a cada quarta, a cada domingo, a cada decisão ou um jogo trivial, não importa. As duas feras nos remetem a uma época de sonhos, promessas e de uma beleza inesquecível do Mineirão ao Morumbi, do Maracanã ao Beira-Rio. O futebol das grandes jogadas, das narrações certeiras, da torcida apaixonada, das pistas de quando éramos todos reis, na verdade os melhores do mundo.

@pauloandel

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