Cruzeiro

AOS CRUZEIRENSES

por Fernando Rodrigues Resende

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Foi com muita tristeza que vimos nos últimos dias nosso clube ser alvo de diversas denúncias, algumas delas já amplamente divulgadas no Fantástico e outras que, segundo os autores das primeiras, ainda estão por vir. No dia seguinte à reportagem eu, assim como a maioria dos cruzeirenses, fui alvo de diversas piadas: cavalinho do Cruzeiro atrás das grades, memes envolvendo a possibilidade de rebaixamento, músicas satirizando as denúncias, entre outras situações ridicularizando a imagem quase centenária do clube. Amigos mais próximos sabem que sou conselheiro do clube e me perguntavam, mesmo que por brincadeira, se eu seria preso ou estava envolvido nos fatos.

Entre as diversas perguntas, recebi um questionamento que realmente me fez pensar. Meu pai, o grande responsável por eu ser cruzeirense e também apaixonado por este clube, me perguntou: Você não pode fazer nada? Claro que posso! O Cruzeiro é nosso! Dos Diretores, dos Conselheiros e de mais de 9 milhões de cruzeirenses espalhados pelo mundo. Todos podemos e devemos fazer alguma coisa para ajudar!

Depois de toda a repercussão negativa, foi criada uma Comissão Transitória de Apuração que terá acesso a todos os documentos e fará juízo do que está sendo feito dentro do nosso Clube. Essa comissão deve ser nosso foco. A ela foi designada a responsabilidade de fiscalizar os documentos e apurar as possíveis irregularidades. Em caso de comprovação de fatos ilícitos, os responsáveis devem ser exemplarmente punidos. Temos que dar exemplo e mostrar para todos que, no Cruzeiro, o conselho fiscaliza e toma as medidas cabíveis.

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Estamos passando por um momento onde podemos "virar a chave" da forma de administrar o Cruzeiro. Precisamos estar vigilantes e ativos para que isso se concretize. Possivelmente não teremos outra OPORTUNIDADE como esta. Temos diversas pessoas de bem engajadas, temos a opinião pública aguardando respostas, patrocinadores esperando posicionamento do clube para reavaliar seus contratos. Apesar de ter sido criada da pior maneira possível, essa OPORTUNIDADE pode ser a solução para que tenhamos uma administração mais moderna e transparente. Não podemos deixar passar, sob pena de termos que passar por novos constrangimentos em um futuro bem próximo.

Essa foi a maneira que encontrei de ajudar. Me dirigir aos meus amigos conselheiros, diretores e torcedores que, assim como eu, no final das contas, decidimos o rumo do Cruzeiro. E essa decisão é uma enorme responsabilidade. Aos diretores e membros da Comissão Transitória, que fiscalizem com seriedade de retidão. Aos amigos conselheiros, que sejamos firmes e cobremos transparência na apresentação dos resultados. E aos milhões de torcedores, mantenham a vigilância e façam barulho. Cada um, à sua maneira, também é responsável pelo futuro do clube.

Conforme devem ter notado, a palavra OPORTUNIDADE está escrita com letras maiúsculas. Aprendi com meu pai que elas são poucas e precisamos ficar atentos para que não passem.

“As oportunidades nunca são perdidas. Alguém sempre vai aproveitar as que você perdeu.”

CRUZEIRO 1992

por Marcelo Mendez

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O ano de 1992 foi muito louco aqui no Brasil.

Começou com um tal PC Farias lavando uma grana, depois pintou um motorista cheio das informações, passou por um irmão indignado, uma cunhada espetacular, esposa do irmão indignado, caguetando geral em Brasília e um Presidente elétrico mais bambo que jaca madura.

Brasília Burning se fosse o The Clash. Mas daí sou eu mesmo...

O Brasil do Collor e dos Collor era um terreno fértil para o noticiário de então. Ainda mais para mim, jovenzito, 22 anos, cheio de onda e beijando na boca pra caraca. Minha vida era os discos do Happy Mondays, os primeiros estudos e trabalhos no Jornalismo e ver futebol.

E naquele ano, um time vindo lá das alterosas me chamava por demais as atenções. Hoje falaremos dele:

O ESQUADRÕES DO FUTEBOL BRASILEIRO traz aqui o Cruzeiro de 1992

A MONTAGEM

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O final dos anos 80 até que vinha sendo bom para a Raposa.

Na disputadíssima Copa União, o Cruzeiro havia feito muito boa campanha em 1987 chegando até a semifinal em que foi eliminado em casa para o Internacional de Taffarel. Vinha fazendo bons campeonatos ao longo daqueles anos, chegando bem nos Campeonatos Mineiros, mas sentia-se por ali a vontade de ter um time realmente forte, parrudo e de respeito.

Para esse fim, começa o ano de 1992 com uma reformulação total em seu elenco. A Raposa foi até Portugal e de lá, repatriou Luisinho, ídolo do seu rival Atlético, e Douglas, ex-prata da casa, que havia se transferido para o futebol de além-mar. Em casa, sobe Cleisson, Célio Lúcio, traz Nonato, vai no Guarani e traz Roberto Gaucho e Marco Antonio Boiadeiro, abre os cofres e tira Renato Gaúcho do Botafogo para em Minas ter um dos melhores anos de sua vida!

O SURGIMENTO DA CHINA AZUL E O SUPERCAMPEÃO DA AMÉRICA

Ninguém sabe ao certo como aquilo aconteceu. Todavia, a torcida do Cruzeiro abraçou o time na Supercopa dos Campeões da América. Os públicos, sempre acima de 70 mil pessoas no velho Mineirão renderam para a torcida a alcunha de “China Azul”. E esse povo todo viu partidas épicas por lá.

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O Cruzeiro passou por cima de Independente de Medelín, Venceu o árbitro e o River Plate, segurou o timaço do Olimpia do Paraguai e deu uma baile de bola no Racing, na primeira partida da final do campeonato no Mineirão. Um 4x0 impiedoso, sem a menor chance de qualquer susto para a Raposa.

Na partida de volta, o Cruzeiro perdeu por 1x0, mas ninguém se importou com isso. Outra história já estava escrita:

O Cruzeiro de 1992 ganha aqui seu lugar de honra na galeria dos Esquadrões do Futebol Brasileiro.

JOGOS INESQUECÍVEIS

Cruzeiro 0 x 5 São Paulo

por Mateus Ribeiro

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Em partida válida pela primeira fase do Campeonato Brasileiro de 1997, o Cruzeiro recebeu o São Paulo no estádio do Mineirão.

O Cruzeiro, apesar de mandante, sempre encontrou dificuldades para vencer o Tricolor em seus domínios, o que persiste até hoje. Naquela noite de julho de 1997, não foi diferente. Quer dizer, foi, já que o São Paulo atropelou o Cruzeiro sem o mínimo de piedade.

Na verdade, podemos trocar o placar para Cruzeiro 0 x 5 Dodô. O atacante, que anos depois ficou conhecido como “o artilheiro dos gols bonitos” (e sempre foi mais do que isso) acabou com o jogo, já que fez todos os gols.

O primeiro deles, de pênalti, sofrido após drible aplicado no já enorme Dida. Bola de um lado, goleiro de outro, e um a zero no placar. Algum tempo depois, bola na área, e de cabeça, Dodô marcou mais um. Ainda no primeiro tempo, bateu uma falta com perfeição, e além de marcar o terceiro gol, mostrou que seu repertório já era vasto, desde outros tempos.

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Três a zero fora de casa contra um adversário forte e tradicional, o resultado está bom, certo? Errado, pois o São Paulo estava com fome. Dodô, mais ainda.

O quarto gol foi marcado em mais uma cabeçada, e o quinto foi em uma sobra, meio de bico, pra mostrar que o artilheiro dos belos gols sabia marcar gol de todo jeito, até gol “feio”, mesmo sabendo que feio mesmo é atacante que não marca gol, e que é lembrado por desarme e por fazer marcação de zagueiro e lateral.

Fim de jogo, e uma cacetada gigante na cabeça dos cruzeirenses. Já Dodô, era só risada. Além de ter colaborado (muito) para a vitória do seu time, se tornou o primeiro jogador da história do Campeonato Brasileiro a marcar cinco gols na casa do adversário. Bela marca, não?

O jogo seria histórico “apenas” pelo seu resultado, algo que até os dias de hoje, ainda é atípico, e creio que sempre será, afinal, apesar de todas as mudanças no futebol, um mandante tomar cinco gols em casa não é normal, ainda mais se tratando de um gigante. O que chama a atenção também é a quantidade de gols marcados por Dodô. Não só a quantidade, mas também os recursos utilizados.

Até hoje, essa atuação monstruosa figura entre as maiores da história de um atacante no Campeonato Brasileiro. E esse é um dos motivos de relembrar mais esse jogo inesquecível!

Um abraço, e até a próxima!

 

O CLÁSSICO DO DESCASO EM BH

:::::::: por Paulo Cezar Caju ::::::::

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Atlético x Cruzeiro entrará para a história do futebol como o clássico do descaso. Na verdade, toda a rodada do Campeonato Mineiro aconteceu normalmente. Enquanto isso, em Brumadinho, ao lado, bombeiros tentavam localizar corpos soterrados pela lama tóxica em mais um crime ambiental, que provavelmente ficará impune.

Como os clubes toparam entrar em campo? Como a federação não se sensibilizou? Os próprios jogadores tiveram oportunidade para se posicionar, trocar seus videozinhos toscos e fúteis nas redes sociais por um manifesto contra a realização da partida. Não, preferiram brigar pelos três pontinhos, subir algumas casinhas na tabela.

Os cartolas devem ter corrido para contabilizar a renda e que se dane o mundo! Milhares de torcedores também compareceram, vibraram, gritaram! A tevê transmitiu, os locutores narraram, os comentaristas analisaram e os árbitros mostraram seus cartões, vida que segue.

A poucos quilômetros dali, pessoas clamando por ajuda, famílias destroçadas. As imagens na tevê são chocantes e destroçam nossos corações. O esforço e a dedicação dos bombeiros aliviam nossas almas. No estádio, muita polícia, bombeiros, ambulância. Vai que algum “craque” torce o dedinho ou as torcidas quebram o pau. O espetáculo deve ser impecável, um primor de organização! Como adiar esse jogo??? Para que adiar esse jogo??? E o nosso calendário ultra bem organizado como fica? Vem aí, a Libertadores, Brasileirão, Sul Americana e Copa do Brasil!!! Brumadinho já já se esquece. A tragédia de Mariana foi outro dia e ninguém se lembra mais.

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Ouvi dizer que o Atlético não queria entrar em campo, mas foi vencido pelas argumentações do rival. Que não entrasse! Seria lindo, um gesto humano, sensível e ficaria para sempre na história do futebol. Porque o futebol é não entrar em campo quando necessário, o futebol deve ser exemplo, atitude, posicionamento.

Não basta os dirigentes pedirem doações aos torcedores, não basta o jogador fazer um gol, correr em direção ao cinegrafista e gritar “Brumadinho!”. Que gritasse “eu não queria estar aqui!”.

A bola deve ser um instrumento de paz, união, solidariedade e conscientização. Nunca de alienação! O grande problema é que perdemos a sensibilidade, os mendigos nas calçadas não nos incomodam mais, a pobreza é banalizada, favelas crescem, crimes ambientais são tratados como acidentes ambientais.

Os valores inverteram-se, os bandidos viraram heróis e a bagunça é generalizada. Vivemos o salve-se quem puder ou o último a sair que apague a luz! Em Brumadinho, as famílias estão acuadas e as sirenes continuam tocando. Tocam alto, mas não ouvimos porque estamos cegos, surdos, loucos e sós.

O ADEUS AO ÚLTIMO GUERREIRO PALESTRINO

por Omar Franco

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 No inicio da madrugada dessa última quinta feira, em meio às turbulências de noticias de bastidores do futebol mineiro, mais uma estrela se apaga entre nós, indo morar onde brilhará ainda mais, ao lado do símbolo que mais lhe emocionava em vida: a constelação do Cruzeiro do Sul, nome a qual se inspirou o clube do coração do Sr. Nogueirinha.  

João Nogueira Júnior, ex lateral-direito e dono de uma habilidade ímpar, era o único (e último) sobrevivente de duas gerações de campeões. Jogou pela Sociedade Esportiva Palestra Italia, - nome de fundação do Cruzeiro Esporte Clube, que posteriormente foi alterado por questões políticas em decorrência da Segunda Guerra Mundial; e continuou atuando pelo clube, já com a nova denominação.

Nogueirinha, que era chamado de o "craque ermitão" (quando não estava treinando ou jogando, se trancava no quarto e só tinha atenção para os seus livros acadêmicos), nasceu na famosa cidade de Três Corações, que também tem outro filho ilustre - o rei Pelé. Jogou pelo time estrelado no período de 1939 (então Palestra Itália) a 1947 (já com a nova denominação de Cruzeiro Esporte Clube), tendo sido tricampeão mineiro de 1943/44/45. Também atuou pela seleção mineira dos anos 40.

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Uma das histórias mais emocionantes desse guerreiro palestrino é justamente o incrível encontro entre ídolo e fã, onde uma mera frase de efeito acaba se servindo de combustível incentivador de busca de um sonho. O Nogueirinha era fã do craque Niginho, da família Fantoni, um dos maiores expoentes da história do Cruzeiro Esporte Clube e da Italia, e quando soube que seu ídolo, então jogador do Vasco da Gama, iria jogar amistoso pela seleção brasileira em 1938, logo foi ao seu encontro. Quando a delegação passou por São Lourenço, a caminho de Caxambu, o Nogueirinha, com sua turma de fãs, já estava na estação à espera dos seus ídolos.  O garoto se aproximou da janela do trem, onde se encontrava o Niginho, e assim vaticinou:

- Ainda vou jogar com você!

O craque com todo sua humildade e gentileza, respondeu:

- Então, vá treinando, que um dia a gente acaba no mesmo time, meu jovem!

Cumprindo a profecia, um ano depois, estavam os dois jogando pelo mesmo clube  - o Palestra Itália.

Nogueirinha não foi só um profissional exemplar em sua carreira futebolistica, mas acima de tudo, um ser humano incrível, além de um apaixonado pelas cores e símbolo do Palestra Itália mineiro e pelo Cruzeiro Esporte Clube. Um exemplo eternizado nos corações de toda uma nação azul e branca!

Descanse em paz, guerreiro palestrino e cruzeirense!!!