Cinefoot

DEZESSEIS NO CINEFOOT

Temos muito orgulho da parceria que formamos com o CINEfoot. Nesses dois anos de Museu, tivemos, por duas vezes, a honra de participar ativamente do festival de cinema de futebol liderado pela fera Antonio Leal.

Se no ano passado recebemos a "Honraria Futebol Arte" como a mais brilhante iniciativa no campo cultural em defesa da identidade e promoção dos valores mais preciosos do futebol genuinamente praticados nos campos e fora das quatro linhas, em 2017, na oitava edição do CINEfoot, tivemos a oportunidade de apresentar o "Dezesseis", um vídeo sobre Adílio e Mendonça.

Vale destacar que é o número da edição do festival que determina os homenageados e, por isso, a oitava edição relembrou os grandes camisas 8 do futebol brasileiro. Presente no evento, o craque Adílio subiu ao palco para agradecer a homenagem e, logo em seguida, assistiu ao vídeo emocionante.

Além de travarem grandes duelos por Flamengo e Botafogo, respectivamente, Adílio e Mendonça honraram a camisa 8 e comandavam o meio-campo, sempre de cabeça erguida, como manda o figurino.

Todo e qualquer tipo de homenagem a essas feras continua sendo pouco por todas as alegrias que eles nos proporcionaram!

Viva o CINEfoot e viva os donos do meio-campo!

GEOVANI E ADÍLIO

por Rubens Lemos

a2.jpg

Quando o tema é meio-campo, nem pensar em meio-termo. Os retranqueiros do Brasil assassinaram o sarau literário de um time de futebol. A estrada por onde enchemos os olhos do mundo com luminosos craques e arquitetos, planejadores e cérebros de uma partida de futebol.

Me causa tanto desânimo o futebol patropi que voltei ao redemoinho dos anos 1980. Da minha década. Do meu tempo. Do brilho dos jogos a cada trama de categoria e talento criativo. Fixei minha saudade em dois exemplares preciosos do dom de fazer feliz um amante da arte sepultada: Geovani, camisa 8 do Vasco, Adílio, camisa 8 do Flamengo.

Geovani e Adílio nunca disputaram Copas do Mundo. São dois injustiçados incríveis. Geovani poderia ter ido em 1986 e em seu lugar jogou Alemão. Geovani seria o titular mais aclamado em 1990, na insossa equipe de Sebastião Lazaroni e não viajou para a Itália. Alemão novamente, com Tita aos pedaços na reserva, foram convocados.

a1.jpg

Adílio surgiu com a morte de outro solista, Geraldo Assobiador, de choque anafilático em operação para retirada de amígdalas. Adílio, juvenil nascido na Cruzada São Sebastião, conjunto de apartamentos para pobres, criado por Dom Hélder Câmara em plena área nobre do Rio de Janeiro, foi o companheiro perfeito de Zico.

Adílio de Oliveira Gonçalves era o típico carioca de morro. Negro, pernas arqueadas, andar gingado, malabarista com a bola. Criava no meio-campo e, se o treinador quisesse, driblava até a sombra de Nelson Rodrigues, deslocado para a ponta-esquerda. Teria vaga em 1978, seguiram Chicão e Batista, em 1982, na vaga de Renato Pé-Murcho, do São Paulo. Adílio jogou uma só partida pela seleção brasileira, em março de 1982 e foi excepcional diante de 150.289 pagantes.

Deu o passe medido para Júnior fazer o gol da vitória de 1x0 sobre a Alemanha Ocidental. É ela sim, a Alemanha que hoje põe na roda os pernas-de-pau de camisa amarela. Recebeu nota 10 da imprensa e Telê Santana o preteriu. Adílio também tinha vaga em 1986, Copa do Mundo em que foram passear Valdo e o falecido Edivaldo.

g2.jpg

Geovani ganhou o Mundial de Juniores de 1983 pela seleção brasileira sub-20. Foi artilheiro e melhor jogador. Nasceu no tempo errado. Deveria ter surgido antes. A síndrome dos brucutus se alastrava e o seu estilo elegante, cadenciado, imperial na armação de jogadas era considerado lento e em desuso.

Geovani foi o jogador que conquistou o maior número de títulos cariocas pelo Vasco juntamente com Roberto Dinamite: Foram cinco, todos vencendo ao Flamengo. Geovani foi o melhor jogador das Olimpíadas de Seul em 1988. Tomou um cartão amarelo na semifinal contra a Alemanha (coincidência lamentável) e o Brasil perdeu a final contra a URSS. Neto ocupou o seu lugar e nada fez.

O capixaba Geovani foi o melhor jogador da América do Sul em 1988 e em 1989, venceu a Copa América pela seleção de Lazaroni, já na reserva, vítima do esquema de cinco zagueiros e menos um inteligente no meio e sobrou da lista porque Lazaroni tinha um compromisso de camaradagem com o seu “compadre” Tita.

g1.jpg

Nos jogos entre Vasco e Flamengo na década de 1980, Geovani e Adílio coadjuvavam, ainda que tão brilhantes quanto às estrelas. A Geovani, Romário deve muitos dos seus gols, recebendo livre na área lançamentos de 40 metros, fita métrica na chuteira do Pequeno Príncipe, assim batizado o regente cruzmaltino.

Adílio destruía adversários quando Zico era anulado por três marcadores. Até dois ele resolvia fácil, fácil. Adílio, tendo mais atrás Andrade, ritmava o sensacional Flamengo campeão da Libertadores e do Mundial Interclubes de 1981.

Geovani e Adílio se respeitavam. Geovani, embora mais novo, aparentava a maturidade de um Gerson, mais toque e passes longos do que rapidez. Raciocínio genial na antevisão dos lances. Adílio, manhoso, balançava o corpo e se sobrepunha a qualquer marcador, desnorteado com tanta beleza afro-carioca.

Geovani e Adílio, observando emocionado o velho jogo - tenho muitos no acervo para me encantar mais adiante , pouco se encontravam, nunca trombavam um no outro. Eram clássicos, sutis, desconcertantes. Eles pensavam, traziam do ventre de suas mães, a intelectualidade boleira que desapareceu para sempre.

Geovani e Adílio jogavam num tempo de sábios: Havia Sócrates, Pita, Zenon, Delei, Silas, Mário Sérgio em fase vinho puro, Raí começando. Sobravam virtudes.

Lamentáveis do baixo nível atual, naquele tempo, com muito esforço, disputariam a quarta divisão de Ariquemes em Rondônia. Meninos de hoje, se vocês tivessem visto Geovani e Adílio, falar em Renato Augusto, Lucas Lima, seria blasfêmia. Penso em Geovani e Adílio. Com saudade e revanche.

DE OLHO NA TELA

escudo cinefoot-4 (1).jpg

O CINEFOOT-FESTIVAL DE CINEMA DE FUTEBOL dá o pontapé inicial da sua oitava edição no Rio de Janeiro apresentando uma programação de 42 filmes, com entrada franca em quatro salas, entre os dias 23 de novembro e 3 de dezembro.

São 17 filmes brasileiros e 22 internacionais oriundos da França, Grécia, Rússia, Islândia, Itália, México, Argentina, Inglaterra, Uruguai, Equador e Alemanha; além de três co-produções: Brasil/Inglaterra, Alemanha/Irã e Líbano/USA.

Em 2017, além das tradicionais mostras competitivas de curtas e longas-metragens que ocorrem no Espaço Itaú de Cinema (Praia de Botafogo), o CINEFOOT chega pela primeira vez em Niterói, no Cine Arte UFF.

O CCBB-Centro Cultural Banco do Brasil recebe a nova mostra especial criada pela organização do CINEFOOT batizada de "GERALDINOS & ARQUIBALDOS“ e a já consagrada MOSTRA DENTE DE LEITE, voltada para o público infantojuvenil.

O CCJF-Centro Cultural Justiça Federal apresenta a "PRORROGAÇÃO“ do CINEFOOT, de 30/11 a 3/12.

AS MOSTRAS COMPETITIVAS DE CURTAS E LONGAS-METRAGENS.

Local: Espaço Itaú de Cinema (Praia de Botafogo).

De: 23 a 28 de Novembro

Para a MOSTRA COMPETITIVA DE LONGAS-METRAGENS, o CINEFOOT reúne sete filmes, seis deles inéditos no Brasil.

São eles:

- FORA DE CAMPO, Itália, Dir. Collettivo MELKANAA, DOC.

- ALEX CAMERA 10 - TURQUIA AO BRASIL - DESPEDIDA DO FUTEBOL, Brasil, Dir. Caue Serur, DOC.

- EL ZURDO,  A VINGANÇA DO IGNORADO, Argentina, Dir. Roberto Cox, DOC.

- CAMPINHO, Rússia, Dir. Eduard Bordukov, FIC.

- YOU'LL NEVER WALK ALONE, Alemanha, Dir. André Schäfer, DOC.

- LISTRAS PRETAS E BRANCAS: A HISTÓRIA DA JUVENTUS, Itália, Dir. Marco La Villa, Mauro La Villa, DOC.

cinef.jpg

- 1976-O ANO DA INVASÃO CORINTHIANA, Brasil, Dir. Ricardo Aidar e Alexandre Boechat, DOC.

O CINEFOOT premiará o melhor filme de longa-metragem exclusivamente através do voto popular.

Para a MOSTRA COMPETITIVA DE CURTAS-METRAGENS, o CINEFOOT selecionou 13 filmes, sendo 12 inéditos no Brasil.

São eles:

- PENALTY, Itália, Dir. Aldo Iuliano, FIC.

- QUE NEM MEU PAI, Brasil, Dir. Pedro Murad, DOC.

- BRAZUCA, Grécia, Dir. Faidon Gkretsikos, FIC.

- LÍBANO GANHA A COPA DO MUNDO, Líbano/USA, Dir. Tony ElKhoury, Anthony Lappé, DOC.

- INTERVALO, França, Dir. Arnaud Pelca, FIC.

- O ROUPEIRO, Equador, Dir. Andres Cornejo, DOC.

- MANN OF THE MATCH, Brasil/Inglaterra, Dir. Karin Duarte, DOC.

- DOMINGO, México, Dir. Raúl Lopez Echeverría, FIC.

- SATURDAY, Inglaterra, Dir. Mike Forshaw, FIC.

- MARACANAZO, Argentina, Dir. Alejandro Zambianchi, FIC.

- TEERÃ DERBY, Alemanha/Irã, Dir. Simon Ostermann, DOC.

- BONIEK & PLATINI, França, Dir. Jérémie Laurent, FIC.

- BOCA DE FOGO, Brasil, Dir. Luciano Pérez Fernández, DOC.

O CINEFOOT premiará o melhor filme de curta-metragem exclusivamente através do voto popular.

CINEFOOT EM NITERÓI / ESTREIA NA CIDADE

Local: Cine Arte UFF

De: 24 e 29 de Novembro

 O CINE ARTE UFF recebe o CINEFOOT na sua edição inaugural em Niterói, contribuindo para a ampliação do leque de admiradores do cinema de futebol.

O CINE ARTE UFF é o espaço ideal para a bola rolar, desfilando produções brasileiras e internacionais oriundas da Alemanha, Itália, Inglaterra, Espanha e Uruguai. Um time com 11 filmes de diversos formatos, entre curtas e longas-metragens documentais e ficcionais.

Niterói possui tradição nas cenas futebolística e cinematográfica, sendo palco de momentos marcantes na história. A união destas artes centenárias em torno de um festival de cinema singular e irreverente, gera um ambiente propício para o fortalecimento da identidade e promoção dos valores mais preciosos do futebol e do cinema na cidade.

- PARTIDA INTERNACIONAL, Alemanha, Dir. Nadine Schrader, Sven Schrader, FIC.

- DEMOCRACIA EM PRETO E BRANCO, Brasil, Dir. Pedro Asbeg, DOC.

- DOIS PÉS ESQUERDOS, Itália, Dir. Isabella Salvetti, FIC.

- O PRÓXIMO GOL LEVA, Inglaterra, Dir. Mike Brett, Steve Jamison, DOC.

- PORQUE HÁ COISAS QUE NUNCA SÃO ESQUECIDAS, Itália, Dir. Lucas Figueroa, DOC.

- MARACANÃ, Uruguai, Dir. Sebastián Bednarik e Andrés Varela, DOC.

- A CULPA É DO NEYMAR, Brasil, Dir. João Ademir, FIC.

- JOÃO SALDANHA, Brasil, Dir. André Iki Siqueira e Beto Macedo, DOC.

- BARBA, CABELO & BIGODE, Brasil, Dir. Lucio Branco, DOC.

- BOCA DE FOGO, Brasil, Dir. Luciano Pérez Fernández, DOC.

geraldi.jpg

- GERALDINOS, Brasil, Dir. Pedro Asbeg, Renato Martins, DOC.

A MOSTRA ESPECIAL "GERALDINOS & ARQUIBALDOS“

Local: CCBB-Centro Cultural Banco do Brasil

De: 24 a 27 de Novembro

Foram selecionados sete filmes que envolvem na sua narrativa identidade, memória e direitos humanos no futebol.

São eles:

- PENALTY, Itália, Dir. Aldo Iuliano, FIC. (tema central: refugiados)

- FOME DE BOLA, Brasil, Dir. Sidney Garambone, DOC. (tema central: refugiados)

- A COPA DOS REFUGIADOS, Brasil, Dir. Luciano Pérez Fernández, DOC. (tema central: refugiados)

- SEGUNDA PELE FUTEBOL CLUBE, Brasil, Dir. Filipe Mostaro, DOC. (tema central: identidade/colecionadores de camisas)

- BONIEK & PLATINI, França, Dir. Jérémie Laurent, FIC. (tema central: política/democracia)

- LÍBANO GANHA A COPA DO MUNDO, Líbano/USA, Dir. Tony ElKhoury, Anthony Lappé, DOC. (tema central: política/conflitos internos)

- MAIS TRISTE QUE CHUVA NUM RECREIO DE COLÉGIO, Brasil, Dir. Lobo Mauro, DOC. (tema central: política/democracia)

A MOSTRA ESPECIAL "DENTE DE LEITE“

Local: CCBB-Centro Cultural Banco do Brasil

De: 24 e 27 de Novembro

Realizada pelo oitavo ano consecutivo, a MOSTRA DENTE DE LEITE busca contribuir para o processo de formação de especatdores, apresentando uma rica e variada seleção de curtas-metragens futebolísticos.

- A RUA É PÚBLICA, Brasil, Dir. Anderson Lima, FIC.

- O PRIMEIRO JOÃO, Brasil, Dir. André Castelão, ANIMA.

- GAÚCHOS CANARINHOS, Brasil, Dir. Renê Goya Filho, DOC.

- A CULPA É DO NEYMAR, Brasil, Dir. João Ademir, FIC.

- TAPETE VERDE, Brasil, Dir. Angelo Martin, DOC.

- DOIS PÉS ESQUERDOS, Itália, Dir. Isabella Salvetti, FIC.

A MOSTRA ESPECIAL "PRORROGAÇÃO“

Local: CCJF-Centro Cultural Justiça Federal

De: 30 de Novembro a 3 de Dezembro

Tradicionalmente realizada logo após o encerramento das competições do CINEFOOT, a MOSTRA PRORROGAÇÃO oferece a oportunidade de reprisar alguns filmes, oferecendo uma chance extra para o público.

- EL ZURDO,  A VINGANÇA DO IGNORADO, Argentina, Dir. Roberto Cox, DOC.

- O PRÓXIMO GOL LEVA, Inglaterra, Dir. Mike Brett, Steve Jamison, DOC.

- 1976-O ANO DA INVASÃO CORINTHIANA, Brasil, Dir. Ricardo Aidar e Alexandre Boechat, DOC.

- DOMINGO, México, Dir. Raúl Lopez Echeverría, FIC.

- PENALTY, Itália, Dir. Aldo Iuliano, FIC.

- O ROUPEIRO, Equador, Dir. Andres Cornejo, DOC.

CINEFOOT / RIO DE JANEIRO / SESSÃO ESPECIAL DE ABERTURA:

ESPAÇO ITAÚ DE CINEMA

23/11, QUINTA-FEIRA, ÀS 20h30, ENTRADA FRANCA (Sujeita à Lotação da Sala)

island.jpg

A sessão especial de abertura do CINEFOOT no Rio de Janeiro, contará com a première no Brasil do documentário " DENTRO DE UM VULCÃO - A ASCENSÃO DO FUTEBOL ISLANDÊS, Direção de Saevar Gudmundsson.

Esta é a incrível história da geração dourada do futebol da Islândia. Uma visão pessoal de uma equipe que fez o mundo virar o olhar em sua direção, quando se tornou o menor país do mundo a alcançar a fase final da EuroCopa.

O Diretor, Saevar Gudmunsson, teve acesso total à equipe e revela a intimidade de um grupo de jovens que cresceu ouvindo que sua paixão, o futebol, nunca alcançaria dias de glória no seu país. E tudo transbordou para as arquibancadas, onde o grito viking dos torcedores marcou a competição.

CINEFOOT / RIO DE JANEIRO / SESSÃO ESPECIAL DE HOMENAGEM: JOÃO SALDANHA.

ESPAÇO ITAÚ DE CINEMA

25/11, SÁBADO, ÀS 21h, ENTRADA FRANCA (Sujeita à Lotação da Sala)

A homenagem central do 8˚CINEFOOT é voltada para o centenário de João Saldanha.

Na sessão das 21h do dia 25/11, será exibido o documentário JOÃO SALDANHA, de André Iki Siqueira e Beto Macedo, que reconstrói a história do jogador, técnico, cronista, imprevisível, polêmico e irreverente João Saldanha (1917-1990), que ficou conhecido como o comentarista que o Brasil inteiro consagrou. O longa traz imagens inéditas da época de ouro do futebol brasileiro, todas registradas em 35mm. São cenas que vão desde um Maracanã enlouquecido em preto-e-branco em 1957 até os preparativos da inesquecível seleção de 70. Curiosidades e casos divertidos da vida do comentarista são revelado através de depoimentos da família Saldanha, de ex-jogadores de futebol, de jornalistas esportivos e de amigos.

Para a homenagem, o CINEFOOT recebe familares e amigos de João Saldanha, além do Co-Diretor do filme, Iki Siqueira.

cinef2.jpg

CINEFOOT / RIO DE JANEIRO / SESSÃO ESPECIAL DE ENCERRAMENTO E PREMIAÇÃO:

ESPAÇO ITAÚ DE CINEMA

28/11, TERÇA-FEIRA, ÀS 20h30, ENTRADA FRANCA

O programa da sessão de encerramento e premiação do CINEFOOT no Rio de Janeiro, apresenta première no Brasil do filme "PERGUNTE QUEM ERA FALCÃO, Direção de David Rossi.

10 de agosto de 1980. O dia que muda a história de AS Roma. O dia em que Paulo Roberto Falcão vai para Roma. As Copas italianas, o título. Tudo começa com ele, mudando a mentalidade da AS Roma que começa a pensar grande. Esta é a história do oitavo Rei de Roma, uma viagem de ida e volta da Itália ao Brasil para explicar "Quem era Falcao".

Nesta sessão está programada a realização da segunda edição do "REDAÇÃO AM NO CINEFOOT“, uma divertida premiação da melhor narração do quadro REDAÇÃO AM do programa REDAÇÃO SPORTV apontada pelo público presente no cinema.

Serão entregues as Taças de Melhor Curta e Melhor Longa do 8˚CINEFOOT, e o Troféu João Saldanha, destinado ao filme que melhor expressar as facetas humanas, democráticas e libertárias do futebol.

O CINEFOOT mantém parceria com a FICTS- Federation Internationale Cinema Television Sportifs. Esta tradicional federação italiana, sediada em Milão, reúne os 16 mais prestigiosos festivais de cinema esportivo do mundo, sendo o CINEFOOT um dos eventos integrantes deste seleto circuito internacional.

DATAS / LOCAIS:

CINEFOOT RIO DE JANEIRO

De: 23 a 28 de Novembro

ESPAÇO ITAÚ DE CINEMA / PRAIA DE BOTAFOGO, 316

De: 24 e 29 de Novembro

CINE ARTE UFF / R. MIGUEL DE FRIAS, 9 - ICARAÍ, NITERÓI

De: 24 a 27 de Novembro

CCBB-CENTRO CULTURAL BANCO DO BRASIL / RUA PRIMEIRO DE MARÇO, 66 - CENTRO

De: 30 de Novembro a 3 de Dezembro

CCJF-CENTRO CULTURAL JUSTIÇA FEDERAL / AV.RIO BRANCO, 241 - CENTRO

Entrada franca.

www.cinefoot.org

O Futebol é cimento, o do chão e o da alma

por Paulo Junior, do ABC Paulista

Cimento. Deve ter um ano, eu li numa entrevista de um jornal português com o escritor brasileiro Sérgio Rodrigues. Cimento. O repórter perguntava se o futebol era bom ou ruim para as relações familiares. E o Sérgio respondeu que era o cimento principal das primeiras alianças entre pais e filhos (cada vez mais mães e filhas também, ele ressalta) pequenos. Cimento. Nunca havia pensado numa expressão melhor.
 
Cimento porque está lá, estável, velho, desgastado, com aspecto duvidoso, mas estável, cimentado, oras, da forma que passou pelos últimos anos todos e suportará tantos vários outros domingos em que a família se reconhece na saudade do camisa 10 que não existe mais, na raiva uníssona direcionada ao goleiro frangueiro que passa pela chaleira do café, rebate no encosto do sofá e reverbera na tela da televisão, no rádio que vai sendo abafado pelo calor do banho.

Trailer do filme "O Futebol", que será exibido no Cinefoot 2016.

E aí vem um cineasta na faixa dos 40-50, duas décadas sem ver o pai na mão e uma nostalgia de Pacaembu na cabeça, com uma ideia dessas, que pega lá no cimento: radicado na Espanha, Sergio Oksman convida o pai para assistirem a Copa do Mundo juntos, perambulando por São Paulo, e gravando um documentário deste mês de reencontro.
 
O Futebol, filme que acaba de vencer o Festival É Tudo Verdade e está em cartaz em circuito comercial (Caixa Belas Artes, em São Paulo), tem uma sensibilidade rara. Simão, o pai, é um senhor que ainda trabalha duro, bom de papo, rabugento na medida certa, nostálgico de escalar o Palmeiras da primeira vez com o filho no estádio ou de desafiar, de boteco em boteco, alguém que tenha mais memória futebolística que ele: quem foi o árbitro da final do Paulista do Quarto Centenário?, quero só o árbitro do jogo, quem?

Sérgio, diretor e filho, conduz tudo com paciência e carinho, sugere sem invadir, documenta bancando uma narrativa imprevista, que faz chover no reencontro no Estádio Municipal, que traz a doença em plena chegada do fatídico 7 a 1, que tem como cimento segundo – do primeiro já falamos – o do cinema, o da vontade do idealizador em fazer cinema, independente de questões outras.
 
Sem heróis nem romantismo, O Futebol é a vida como ela é, um almoço de domingo lembrando derrotas do Palmeiras. Umas mais doídas, mais surpreendentes que outras, principalmente quando remetem à primeira sola do pé, ainda pequeno, no chão frio do quintal.

CINEFOOT TEM RECORDE DE INSCRIÇÕES

texto: André Mendonça | foto: Marcelo Tabach | vídeo: Daniel Perpétuo

Antonio Leal veste a camisa da sétima edição do CINEfoot

Antonio Leal veste a camisa da sétima edição do CINEfoot

Comandado pelo craque Antonio Leal, o CINEfoot terá sua sétima edição entre os dias 19 e 24 de maio, no Rio de Janeiro. Com exibição dos filmes no Espaço Itaú de Cinema , Ponto Cine, Cine Joia e Cinemaison, o festival desse ano recebeu um número recorde de inscrições de diversos países. Foram 162 filmes e os especialistas tiveram a dura missão de escolher apenas 23 para entrarem na disputa pela Taça Cinefoot 2016.

Antonio Leal conversa com o Museu da Pelada sobre o CINEfoot.

A sétima edição, não por acaso, vai homenagear os grandes jogadores que vestiram a camisa 7 no passado. Aqueles pontas ariscos, habilidosos, que davam trabalho para os zagueiros e são raridades no futebol moderno. Entre eles, obviamente, o grande destaque é Garrincha. Homenagem mais que justa! Como os próprios organizadores descrevem no site, "suas atuações encantadoras, seus dribles desconcertantes e sua descontração em jogar futebol, o elevaram a uma categoria de extraterrestre, gênio, mito".

A sessão de abertura do CINEfoot 2016 está marcada para o dia 19 de maio, às 20h30, na Praia de Botafogo. Além da homenagem aos camisas 7, neste dia o festival também fará tributo ao craque holandês Johan Cruyff, falecido recentemente.

- Vamos abrir o CINEfoot com uma homenagem simbólica e bastante marcante ao Cruyff, o nosso gênio do futebol. Vamos exibir um filme italiano, de 40 anos atrás, sobre o craque. Foi uma raridade que conseguimos. - revelou Antonio Leal

Como ocorre em todas as edições do festival, o lado cultural do futebol também será abordado. E no meio de tantos craques, o Museu da Pelada terá a satisfação de ser homenageado com a "Honraria Futebol Arte 2016". No site do CINEfoot, os organizadores descrevem o Museu como "a mais recente e brilhante iniciativa no campo cultural em defesa da identidade e promoção dos valores mais preciosos do futebol genuinamente praticados nos campos e fora das quatro linhas".

Vale destacar que no dia 23 de maio, às 15h, haverá um encontro para debater o tema "Sem estádio, sem ingresso, sem futebol. Uhhh, cadê o Maracanã? Sumiu!" e ex-jogadores devem fazer parte dessa resenha. 

Para os atrasados e esquecidos, do dia 31 de maio a 4 de junho está programada a tradicional "PRORROGAÇÃO CINEfoot" no Centro Cultural da Justiça Federal, Cine Teatro Eduardo Coutinho e Cinemaison.

Assim como nas outras edições, a entrada para o Cinefoot 2016 é franca. A programação completa do festival pode ser encontrada no site http://www.cinefoot.org/programacao-2016/. 

Confira a seleção de filmes: 

RIO DE JANEIRO / MOSTRA COMPETITIVA DE LONGA-METRAGEM

1) Uma Maravilhosa Época Falida (Dir. Mario Bucci, Itália)
2) Gascoigne (Dir. Jane Preston, Grã-Bretanha)
3) Paysandú 100 Anos de Payxão (Dir. Marco André e Gustavo Godinho, Brasil)
4) Aspirantes (Dir. Ives Rosenfeld, Brasil)
5) Barba, Cabelo e Bigode (Lucio Branco, Brasil)
6) Miller & Friedreich – As Origens do País do Futebol (Dir. Luiz Ferraz, Brasil)
7) Sunakaly (Dir. Bhojraj Bhat, Nepal)
8) Shooting for Socrates (Dir. James Erskine, Grã-Bretanha)
9) Eighteam (Dir. Juan Rodriguez-Briso, Espanha/Zâmbia)
10) O Filho de Deus (Dir. Mariano Fernández e Gaston Giród, Argentina)
11) O Futebol (Dir. Sergio Oksman, Brasil/Espanha)
12) Nossos Filhos (Dir. Juan Fernández Gebauer e Nicolás Suárez, Argentina)

RIO DE JANEIRO / MOSTRA COMPETITIVA DE CURTA-METRAGEM

1) Dois Pés Esquerdos (Dir. Isabella Salvetti, Itália)
2) Espectadores (Dir. Ross Hogg, Grã-Bretanha)
3) Bola Para Seu Danau (Dir. Eduardo Souza Lima, Brasil)
4) O Ladrão do Troféu (Dir. Dave Edwardz, Austrália)
5) Paixão sem Tamanho (Dir. Luiz Claudio Amaral e Fabio Penn, Brasil)
6) Jogo Truncado (Dir. Caroline Neumann, Guilherme Agostini Cruz, Brasil)
7) Paixão Nacional (Dir. Jandir Santin, Brasil)
8) A Culpa é do Neymar (Dir. João Ademir, Brasil)
9) Som das Torcidas – Juventus (Dir. Pedro Asbeg, Brasil)
10) Na Lateral (Dir. Hortense Gélinet, França)
11) As Crônicas de Riascos (Dir. Lobo Mauro, Brasil)