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zé roberto padilha

QUEM AVISA, TRICOLOR É

por Zé Roberto Padilha


Parece que Fernando Diniz não aprendeu. Ou não tem a humildade de reconhecer. A saída de bola dos seus sonhos são as mesmas dos pesadelos que causou nos time por quais passou.

E logo no seu primeiro treino, ontem à tarde, exigiu que o Fábio, ruim de bola com os pés toda vida, saisse jogando.

Bem como os zagueiros, que foram escalados lá atrás, desde a base, porque são os menos hábeis e nada acrescentaria aproximá-los do objeto de cobiça. Que é o gol.

O que ele acha que Lucas Claro vai arrumar de produtivo realizando uma função que nunca exerceu?

Trata-se de um estilo de jogo vistoso, bonito e, sobretudo, irresponsável. Porque ele já dirigiu esse filme que não teve um final feliz: perdemos do CSA por 2×0 e foi sumariamente demitido.

Foi assim no Santos, São Paulo, Vasco e por onde mais treinou. Muitos jogos foram perdidos por essa extrema vaidade de querer ser o “novo Guardiola”, esquecendo que o Tic-Tac começa a ser implantado, no Barcelona, desde os infantis. Não nos profissionais.

Depois da falha acontecida, xingam o Fábio, o Lucas Claro é questionado, ele é demitido e quem vai para a segunda divisão é o Fluminense.

Tudo bem se fosse em Xerém, nos primeiros andares de uma formação. Pregar na cobertura, na graduação, uma matéria que não lecionaram, é um acinte. Um deboche.

Uma falta de respeito com nossa zaga que cresceu orientada a chutar a bola pro mato, que o jogo é de campeonato e, da segunda pra terça, vai chutar pro mato nossa permanência na Copa Sul-Americana.

Bem, estou avisando de véspera o que o treinador do nosso adversário, o Júnior Barranquilla, já passou para seus jogadores. “Apertem a saída de bola, que vão entregar o ouro!”

Quem avisa, Fernando Diniz, tricolor é desde garotinho. E garotinho, ponta esquerda do nosso clube que, treinado por Pinheiro, aprendeu desde cedo a sair jogando à partir da intermediária. De maneira responsável. E direitinho.

O VICE-TREINADOR

por Zé Roberto Padilha


O Fluminense acaba de inovar ao criar, no futebol, a figura do vice-treinador. Aquele que como José Sarney, Itamar Franco, Michel Temer, Cláudio Castro, mal figuravam na cédula, ninguém votou, não compareceram aos debates e de repente …assumem o poder.

Sem qualquer responsabilidade, pois se perder não foi culpa sua, foi de quem montou seu ministério. Se empatar está no lucro, se vencer é um salvador da pátria.

No futebol é mais fácil do que na política. Para derrubar Tancredo, bastou uma infecção, Collor, uma Elba e o Eriberto, ao Michel Temer, uma pedalada mal contada, Witzel…bem, este aí todos esperavam.

Para derrubar o Abel, mesmo sendo campeão carioca, ter alcançado recordes de invencibilidade, e olha que ainda nem entramos no mês 5, bastou o Fred desperdiçar um pênalti aos 48 minutos do segundo tempo.

Nem o direito à cobrança o Abel teve para tentar salvar o pobre pescoço. Eles erram, eu caio.

Não precisou de passeatas, greves, de um mau perdedor ,como Aécio Neves, ou o Eduardo Cunha atuando nos bastidores com o Merval Pereira dando cobertura na Globonews.

O presidente do Fluminense, que sabe muito de futebol, se trancou na sala com outra dúzia de dirigentes que também não jogaram nada, e decretou o Impeachment.

Agora, nos resta acompanhar as ações da Petrobrás, se o dólar se estabiliza, se cai o preço do gás de cozinha. Com a palavra, o Congresso Nacional.

Sua próxima reunião é domingo, em Curitiba. Se perder…só o Moraes!

A HONRA MAIOR CONCEDIDA

por Zé Roberto Padilha


O ano de 1975 deveria ser o meu como titular da ponta esquerda do Fluminense. No clube desde 68, passando por todas as divisões de base, com a venda de Lula, para o Internacional, o caminho estava aberto para a titularidade.

Joguei toda a pré temporada e quando estava prestes a começar o estadual, Francisco Horta contratou o melhor ponta esquerda do Brasil: Mário Sergio.

Horta queria um Dream Team e trouxe Rivelino e Paulo César. Que se juntaram a Edinho, Marco Antonio, Gil e Félix. Mario Sergio era um gênio e deu vontade de arrumar as malas. E voltar para Três Rios.

Para minha sorte, além do futebol ser um esporte coletivo, ele tem duas regrinhas básicas, porém fundamentais: com a bola você joga, sem ela você marca.

E com Toninho, Edinho e Marco Antonio se lançando ao ataque para ajudar Gil, PC, Rivelino, Gil, Manfrini e Mario Sergio, apenas Silveira e Zé Mário protegiam o Félix. A equipe fazia três, tomava três.

E o inesperado aconteceu (foto, ao lado do Cleber e do Herivelto) : Mário Sergio foi para o banco de reservas. E justifiquei minha escalação me tornando o torcedor que foi a campo defender o seu time de coração.

Para Mário Sergio, ficar na reserva era um fato inusitado, nunca acontecera durante o seu reinado no Vitoria-BA. E, muito menos, aconteceria na sua vitoriosa carreira que deu sequência no Grêmio, Inter, Botafogo e São Paulo, além da seleção brasileira.

Dizem que voltou.mais competitivo. Todo jogador deveria sentar nesse divã do futebol para rever conceitos e posturas.

Cada jogador carrega, como recordação da sua carreira, entre conquistas e frustrações, uma honra maior. A minha, foi vestir a 11 reservada, pela técnica e habilidade, a um dos mais completos ponta esquerda que o Brasil conheceu.

E ele, dentro da sua generosidade e elegância, não só respeitou minha escalação, como nos concedeu conselhos e orientações.

A genialidade, e Mário Sergio provou isso, tem uma relação muito próxima da nobreza. E, desse jeito, ao nos deixar precocemente, o “vesgo” deixou muitas saudades dentro e fora das quatro linhas.

APENAS UMA NOITE DE NÚPCIAS

por Zé Roberto Padilha


Não dá para explicar à luz da razão.

Aconteceu comigo e com meus companheiros, aconteceu sábado no Maracanã sob o comando de Mano Menezes.

Embora nossa profissão seja encarada com seriedade, e o esforço e a dedicação sejam iguais, em todas as partidas, quando um novo treinador assume vamos buscar na estreia algo a mais para mostrar ao novo comandante “quem somos!”.

Não há psicólogos que expliquem esse fenômeno. Psiquiatras, talvez.

Ontem, no Maracanã, não foi um time “sem vergonha”, o Fluminense, que perdeu. Foi o outro “sem vergonha” diante do que vinham apresentando, o Internacional, que foi buscar o melhor de todo o seu arsenal físico e técnico. E fizeram uma partida impecável.

Perguntem ao treinador que saiu se eles estavam jogando desse jeito.

Poderia dizer que seria como um casal jogando em sua lua de mel. Do outro lado, o mesmo casal voltando para suas bodas de prata no Maracanã.

Embora no primeiro tenha acontecido até gol de bicicleta, neste último “confronto” jogariam como o Abel aprecia, sem firulas no gramado e fechadinho nas intermediárias. Jogando simples, papai toca, mamãe devolve de primeira. E com muita luta e sorte, conseguiriam colocar uma bola no fundo das redes ao apagar do abajur.

1×0 já seria uma goleada. Com direito a uma Moet Chandon e um bombom de cereja da Kopenhagen.

A SAUDADE DELA ESTÁ DOENDO EM MIM

por Zé Roberto Padilha


Eu, Nielsen Elias, Abel Braga, Marco Aurélio, Rubens Galaxe e Marinho tínhamos 19 anos. Estávamos nos juvenis do Fluminense fazendo vestibular para jogador de futebol. E ganhamos, um ano antes, em 1970, o título carioca da categoria.

Mal sabíamos a importância daquele título.

Porque com a conquista do tricampeonato, o Brasil virou referência mundial no futebol. E a FIFA, ao organizar em 1971, em Cannes, França, o primeiro Mundial Sub-20, convidou sua seleção. Que jamais havia sido formada.

Com pouco tempo para convocar e treinar uma, o que fez a CBD? Chamou a base do time do Fluminense, todos titulares e entrosados, e acrescentou Ângelo, do Atlético-Mg, Mário, do São Paulo, Nilson Dias, do Botafogo, Clayton, do Santos e Jorginho Carvoeiro do Vasco. No banco, Enéias, Portuguesa, entrava sempre nas partidas.

Seleções da Hungria, e da França, além do Chelsea, foram nossos adversários. E levantamos o título invictos. Esse título nos valorizou no clube, foi praticamente uma pós graduação. Ganhamos de presente uma semana em Paris e a medalha mais bonita desse mundo.

De ouro puro, cunhada na Casa da Moeda, nas ondas do milagre econômico do Brasil Ame-o ou Deixe-o, ela ficou como símbolo maior das nossas carreiras.

Que teve, como na minha e de todos, altos e baixos. Em uma das baixas, foi pra Caixa Econômica Federal. E na baixa das baixas, atrasamos com o pagamento. E ela foi leiloada.

Acontece. Hoje, mais estável, ao reunir meu acervo para deixar como lembrança para os filhos e netos, gostaria de saber se quem a resgatou poderia me vender. Tenho certeza que seu colecionador não terá os motivos que tenho para recebê-la de volta.

Campeão Mundial. Só quem conquista um título para o seu país, escuta o Hino Nacional, representa uma cidade pequenininha na região serrana do estado do Rio de Janeiro, pode aquilatar a emoção e o orgulho dessa conquista.

A medalha era o símbolo maior desse momento único de nossas vidas. Na minha estante está faltando ela, e a saudade dela está doendo em mim.