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A MAIOR ZEBRA DA HISTÓRIA DO FUTEBOL

13 / outubro / 2021

Por Pedro Tomaz de Oliveira Neto


Diferente de outras modalidades esportivas, como basquete e voleibol, nas quais as chances de um time mais fraco vencer o mais forte são quase nulas, o futebol tem na imprevisibilidade do resultado um de seus atrativos. Em que pese o favoritismo sempre pender para os times superiores em termos financeiros, físicos e técnicos, de vez em quando a zebra resolve dar o ar de sua graça, tal como aconteceu na Copa do Mundo de 1950, disputada no Brasil, em que o mundo do futebol testemunhou, incrédulo, uma das maiores zebras da história, com a Seleção dos Estados Unidos vencendo o England Team.

O espanto não se deu só por causa das diferenças técnicas abissais que opunham, de um lado, uma equipe de amadores, e, de outro, a prestigiada seleção do país onde nasceu o futebol e floresceu uma das ligas profissionais mais ricas do planeta. O mais inusitado foram as circunstâncias que envolveram a participação americana nesta Copa. O futebol no país tinha pouca importância, sendo mais praticado entre imigrantes do que propriamente pelos americanos nativos, para quem o verdadeiro futebol era outro, aquele jogado com pés, mãos e muita porrada.


Foi com imigrantes britânicos que os Estados Unidos se fizeram presentes nas Copas de 1930, no Uruguai, conseguindo um honroso 3º lugar, e na de 1934, na Itália, terminando num horroroso último lugar. Para ir à Copa no Brasil, o país se apoiou no voluntarismo de imigrantes portugueses, espanhóis, irlandeses e até de um haitiano, para os quais o futebol era apenas um passatempo, pois ganhavam a vida exercendo outras profissões como professor, agente funerário, lavador de pratos, carteiro etc. Nas eliminatórias para o mundial, esta seleção, que parecia mais um “catadão”, levou 15 gols em quatro partidas, mas se classificou goleando por 5 a 2 a ainda mais fraca Seleção de Cuba. Antes de embarcar para o Brasil, fizeram sete jogos amistosos, marcando dois míseros gols e sofrendo 45!

Sediado em Belo Horizonte, os Estados Unidos estrearam na Copa perdendo para a Espanha por 3 a 1, placar recebido quase como uma vitória tendo em vista as sucessivas goleadas sofridas nos últimos jogos. Só que não dava nem para comemorar. O próximo compromisso era contra a temida Inglaterra no estádio Independência. Aos “norte-americanos” restava lutar por uma derrota honrosa. Decididos, se fecharam em seu campo de defesa e só avançavam em tímidos contra-ataques. Com uma escalação praticamente de reservas, notava-se por parte dos ingleses uma soberba acompanhada de preguiça, certos de que ganhariam fácil o confronto.


Mas, surpreendentemente, aos 37 minutos do primeiro tempo, numa escapada pelo lado, os Estados Unidos abriram o marcador com um gol do haitiano Joe Gaetjens. Desde então, assistiu-se a um bombardeio impiedoso da Armada Inglesa contra a meta defendida pelo goleiro Frank Borghi que, com defesas sensacionais e milagrosas e muita entrega dos seus companheiros, garantiram uma vitória histórica que, de tão inesperada, tornou-se inesquecível.

Pelo feito, toda a delegação americana varou a madrugada pelas ruas e bares da capital mineira comemorando o inacreditável triunfo. Três dias depois, ainda grogues de tanto festejar, o time voltou a campo. O placar de 5 a 2 para o Chile eliminou os Estados Unidos do torneio, mas isso pouco importou e não impediu que a volta para casa dos novos heróis da América fosse com aquela enorme sensação de felicidade, orgulho e missão cumprida.

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