VOLTAMOS A TORCER

por Leandro Ginane

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Depois de muitos anos os brasileiros se entregaram de corpo e alma durante cento e vinte minutos a um jogo da seleção brasileira. O sentimento que parecia adormecido com a seleção masculina parece ter despertado com as mulheres brasileiras em campo na Copa do Mundo da França.

O grito uníssono que ecoou por todo o Brasil quando a bola balançou a rede francesa empatando o jogo em um a um trouxe um sopro de esperança de que ainda há algo que possa unir um povo tão dividido nos últimos anos!

Há de fato uma conexão especial entre essa seleção e o torcedor brasileiro, que vai muito além do esporte. Torcer pelas mulheres brasileiras foi um ato feminista que despertou um sentimento de nostalgia de um futebol que não existe mais: sem vaidades; onde suas jogadoras não caem ao gramado a cada contato com o adversário e que emocionou a cada cena de seus familiares na torcida durante o jogo. Uma seleção que joga por amor, um sentimento raro atualmente no futebol e que transbordou na entrevista da Marta logo após a eliminação brasileira ( https://glo.bo/2X39px6 ) e no narrador que, mesmo com o gol que parecia ter sido anulado, não parou de gritar e acertou!

Ao mesmo tempo em que a Copa do Mundo de futebol feminino está acontecendo na França, aqui no Brasil está sendo jogada a Copa América masculina de futebol com estádios vazios e rendas milionárias, onde o preço médio para assistir ao jogo de estréia da seleção brasileira foi de quatrocentos e oitenta e cinco reais e com isso atraiu uma torcida irreconhecível que entoou o canto "Defense!" durante a partida, numa referência ao tradicional grito das torcidas americanas em jogos de basquete.

Em meio a escândalos no judiciário, páginas policiais e estádios vazios, o Brasil se uniu novamente em torno do futebol, dessa vez representado pelas mulheres que puderam mostrar mais uma vez o quanto os homens precisam aprender com elas.