SETENTÃO BOM DE BOLA

por Wesley Machado, de Campos dos Goytacazes-RJ

- Foi a melhor manhã que eu passei nos últimos anos. Foi muito bom. Gostei muito – disse Amaro Martins, de 72 anos, que depois de aproximadamente 30 anos voltou a jogar bola no domingo (1º), Dia do Trabalhador.

Ele era conhecido como Amaro "Furacão" na época em que jogava no Bangu, time amador da cidade de Campos dos Goytacazes-RJ. Amaro era camisa 7, antigo ponta direita, e aterrorizava as defesas adversárias com sua velocidade e habilidade.

O Bangu disputou muitos campeonatos na chamada Baixada Campista na segunda metade da década de 70, quando o Futebol Campista era forte, com os clubes profissionais Americano e Goytacaz participando dos campeonatos nacionais da primeira divisão.

O reencontro de Seu Amaro com a bola, depois de 30 anos

O reencontro de Seu Amaro com a bola, depois de 30 anos

Ex-bancário, Seu Amaro Martins atualmente trabalha como chefe de gabinete do presidente da Câmara Municipal de Campos e pré-candidato a prefeito da cidade. É o médico e vereador, por cinco mandatos, Edson Batista, com quem Seu Amaro Martins trabalha há exatos 20 anos.

O saudoso ex-jogador Sócrates afirmou certa vez que: "não é o jogador que larga o futebol, é o futebol que larga o jogador". Mas a bola insistiu em não largar Amaro "Furacão" Martins.

Com uma camisa do Fluminense, o septuagenário chegou animado. Aqueceu, bateu bola e mostrou que tinha intimidade com ela.

Foi para a partida. Deu a saída e jogou por 10 minutos, para espanto dos demais, que ficaram impressionados ao saber sua idade.

Os comentários depois da pelada giravam em torno dele. Ninguém podia acreditar que uma pessoa com mais de 70 anos poderia jogar bola ainda.

Mas o bem cuidado Amaro Martins mostrou que idade não é problema. Com um bom físico, melhor do que muito marmanjo, correu, chutou, deu passe.

Precavido, preferiu não exagerar na dose. Já havia dado a honra àqueles rapazes de meia idade de atuar ao lado de um senhor de cabelos brancos.

Pediu para se retirar. E todos foram o cumprimentar.

Aquele dia já havia entrado para a história.