ATÉ QUANDO?

por Zé Roberto Padilha

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“Não quero o Ronaldinho para casar com a minha filha. Quero o Gaúcho jogando bola e ajudando o Flamengo a vencer!”. Esta frase, proferida pelo, então, técnico do Flamengo, Vanderlei Luxemburgo, em 3 de fevereiro de 2012, deixava claro o questionável nível dos nossos grandes jogadores fora das quatro linhas. Mas Jorginho, não. Sempre foi um exemplo de jogador, atleta e cidadão em todos os lugares e clubes em que passou. E assim o fez pela seleção brasileira provando que craque também pode ser campeão do mundo e não fugir da concentração. E casar com a filha da gente.

Aí o Vasco, que sabia da sua desorganização interna, da bagunça que se tornou sua eleição, cujos problemas parecem não acabar, de que seu reduzido elenco não fora formado por ele, convida Jorginho em meio a três competições para acalmar as coisas. Conversar com seu elenco e lhe dar uma paz interior. Além, é claro, da sua categoria e experiência como treinador.

Algumas rodadas depois, mesmo vencendo jogos que para o regulamento não eram suficientes para reverter derrotas da ida, muitas das quais nem se envolveu, o amontoado de incompetentes que se dizem diretores do Vasco o demitem. E o único profissional com qualidades e equilíbrio para evitar o rebaixamento, e honrar suas tradições em campo, porque fora dele só uma revolução armada, acaba de ser demitido.

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Como todo treinador dispensado pela incompetência dos cartolas, Jorginho vai deixar os portões de São Januário levando sozinho uma culpa que, eles pensam, ninguém mais vai por ali precisar pagar. Até quando o futebol brasileiro vai continuar aceitando os cartolas? Aqueles sócios que se tornam beneméritos oriundos do quadro social, que da noite para o dia viram presidente de um grande clube, mesmo não entendendo nada de futebol. Pagam os funcionários em dia, sabem comprar o cloro da piscina, mas não têm a humildade de chamar o Zé Mário, o Zanata, o Alcir, algum grande nome que honrou sua camisa e chupou gelo com Roberto Dinamite para ser o seu Diretor de Futebol.

Neste dia, o dia em que o Diretor de Futebol não for mais um cartola, mas um atleta que vivenciou em campo o amor das arquibancadas, a responsabilidade de vestir aquela gloriosa camisa, um cara como Jorginho, íntegro e respeitado, jamais será mandando embora do Vasco. Será reverenciado e, se não fosse casado, casaria com o respeito que ainda habita no coração dos quem amam aquela histórica camisa.