A BOLA DA VEZ

por Márcio Carrete

Os campeonatos, ultra organizados, atraem a atenção até de estrelas como Petkovic, segurando a taça de mais um título do Mengão.

Os campeonatos, ultra organizados, atraem a atenção até de estrelas como Petkovic, segurando a taça de mais um título do Mengão.

Tenho o prazer de participar deste novo projeto do Sergio Pugliese, um grande peladeiro e jornalista (claro!), que me cedeu este espaço inaugural para contar a minha trajetória no desenvolvimento do Futebol 7. 

Para contextualizar o que representa o Futebol 7 hoje, precisamos voltar ao final da década de 1970, quando se popularizou a prática do que ficou conhecido como futebol society, ainda na minha infância. As grandes proporções de um campo de futebol é a provável vilã deste nascimento. Muitos clubes, escolas, condomínios e praças não tinham como comportar a dimensão oficial, e teriam trabalho demais para manter um gramado. Mas o brasileiro não deixaria de ‘pedalar’ por conta disso.

Os campos, então, se tornaram apenas campos, espaço onde se joga bola, onde qualquer um pode mostrar sua habilidade, ou a falta dela. No decorrer de 20 anos, assim foi, até a tecnologia nos brindar com a, agora popular, grama sintética. E no fim da década de 1990, alguns campeonatos foram ficando mais encorpados, com times com uniformes exclusivos e até premiação em dinheiro. Niterói, minha cidade, viu nascer uma liga organizada, que chegou a ter três séries (Ouro, Prata e Bronze), e bastante engajamento.

Resolvi tomar a iniciativa de criar a Federação de Futebol 7 do Estado do Rio de Janeiro, com a finalidade de consolidar a modalidade mais praticada no país, dar padrão, e trazer as grandes camisas para este cenário. E foi em 2011 que consegui, junto com a equipe da FF7ERJ, fazer o primeiro Campeonato Carioca com os grandes clubes do Rio de Janeiro. Desde então, conseguimos montar arenas na praia de Copacabana, na Apoteose, no Engenhão, um exemplo do reconhecimento do trabalho e da modalidade.

Sem esquecer os clubes menores, muito pelo contrário. Estes vivem o Futebol 7, querem evoluir na modalidade e querem ajuda para achar um caminho dentro das atividades esportivas que o clube fomenta e ensina. E é claro que a garotada do país do futebol não quer saber de outra coisa. É bom lembrar que garotada também inclui as meninas, que hoje representam uma fatia importante do público praticante. 

O Futebol 7 é a possibilidade do peladeiro colocar o coração na ponta da chuteira, se divertir e também jogar sério, relembrar do sonho de criança ou acalorar o sonho da criança, imaginar uma arquibancada lotada gritando seu nome, botar a criatividade em campo, suar a camisa, e levar uma vida mais saudável, por mais que role uma cerveja depois.

Essa é a motivação que me leva a traçar tantos planos para o cenário do esporte, que o Pugliese, mais um amigo que a pelada me deu, tanto ajuda a divulgar e disseminar. Já adianto que, em 2016, teremos novidades como o Rio-São Paulo e o Mundial de Clubes. É o rumo que o nosso esporte está apontando.

Desejo que o Museu da Pelada voe por ares cada vez mais altos, e que a Federação que represento possa colaborar tantas vezes quanto for preciso e possível, assim como eu também, Márcio Carrete.