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Wagner

CENTROAVANTE DE AÇO

por Fabio Lacerda


América de 1981: Vitórias marcantes sobre o Cruzeiro, e Wagner, artilheiro do Mineiro

Uma das histórias mais interessantes de jogador que cativou corações por onde passou. Seja desfilando suas qualidades dentro das quatro linhas ou como professor à beira da linha lateral dando instrução aos seus atletas – Alessandro, Evanílson, Alex Mineiro, Ramires, Rodrigo Tabata, Fred e Richarlison, são alguns exemplos de jogadores lapidados pelo mineiro nascido no dia do aniversário do Vasco da Gama, clube este que sofreu junto ao Bangu e Guarani, ambas agremiações que Wagner envergou as camisas.

Nascido no Vale do Aço, em 1959, natural do Inhapim, cujo padroeiro da pequena cidade de 25 mil habitantes entre Caratinga e Ipatinga, é o mesmo da cidade do Rio de Janeiro, Wagner é mais uma história de sucesso que acontece por ironia do destino ou pelos caprichos dos ‘Deuses do Futebol’. Aos 60 anos, Wagner chegou a rechaçar uma ida para Belo Horizonte porque estava em andamento a conclusão do Ensino Médio. Mas no final do ano de 1977, aos 16 anos, rumou para o América-MG. O primeiro treino de um dos centroavantes mais queridos do Brasil foi o último do primo de quem vos escreve – Maurinho, companheiro de ataque de Wagner no Clube Atlético Inhapim (CAI) e em alguns amistosos no Faixa Azul.

Entre 1977 e 1981, Wagner jogou pelo América-MG, clube pelo qual ele tem enorme identidade, assim como seu irmão Waner. Descoberto por Yustrich, único técnico a conquistar o Campeonato Mineiro por quatro equipes diferentes, Wagner, que era juvenil, tinha o hábito de completar o profissional. Sempre requisitado pelo ‘Homão’, Wagner estava às ordens. Em 1979, quando Yustrich precisou do centroavante do juniores, em virtude da suspensão do titular, por ter recebido três amarelos, mandou chamar o ‘Bodinho’ do Inhapim. Partida contra o Nacional de Muriaé, e o América venceu por 2 a 0, ambos os gols de Wagner.

Já nas graças do técnico linha dura, Wagner voltou a ser decisivo na vitória por 2 a 1 contra o Cruzeiro quando fez o gol da vitória dando uma ‘mãozinha’ para o Atlético-MG ser campeão. Mas o melhor estava por vir. No seu último ano pela único decacampeão mineiro em todos os tempos, Wagner deixou o clube da mesma forma que entrou: pela porta da frente, nesta ocasião, com tapete vermelho. Wagner sempre deixou sua marca contra o Cruzeiro. Foi assim no América-MG e também no Bangu. Ele não tinha dó da Raposa. Em 1981, o Coelho enfiou uma goleada de 5 a 0 sobre o time celeste com show de Wagner. O atropelo marcou a estreia do bicampeão mundial, Didi, no comando técnico do Cruzeiro.

No badalado Campeonato Mineiro de 1981, Wagner deixou Minas Gerais para vir jogar no Rio de Janeiro sendo artilheiro do certame e desbancando Reinaldo, do Atlético-MG, Edmar, do Cruzeiro e Casagrande, da Caldense. O filho ilustre do Inhapim balançou as redes adversárias 16 vezes e abriu os olhos de vários clubes do país como Corinthians, Atlético-MG, Cruzeiro, Botafogo, Grêmio e Bangu, para onde foi jogar sob a tutela e cuidados de Castor de Andrade.


Fraternidade: Irmãos Waner e Wagner no forte time do América que contava com o goleiro Hélio dos Anjos, um dos grandes treinadores do futebol brasileiro

“Após o Mineiro de 1981, o América precisava fazer caixa. Os clubes interessados queriam fazer negócio envolvendo jogadores, e a situação do América-MG não permitia este tipo de transação. Foi assim que o Bangu chegou na minha vida. O senhor Zizinho, pai do Castor de Andrade, chegou com o dinheiro que o América-MG precisava e fui jogar no timaço do Bangu”, lembra Wagner.

Chegada ao Rio nas graças de Castor de Andrade


Lendário time do Bangu de 1982: Goleadas sem tomar conhecimento dos adversários

No primeiro ano em Moça Bonita, Wagner foi um dos artilheiros do Brasileiro. Sua boa participação no campeonato nacional que o Bangu foi eliminado pelo Corinthians nas quartas de finais, e grande qualidade dos ‘Mulatinhos Rosados’ no Estadual quando enfiou 6 a 2 no Flamengo, valorizou o garoto do Inhapim que teve um contrato assinado com o Cagliari, em 1983, negócio intermediado pelo ex-zagueiro e técnico Moisés, mas Castor não deixou o atacante da pequena cidade do Leste de Minas partir para o Velho Continente.

Satisfeito com o rendimento de Wagner, Castor de Andrade colocou o atacante mineiro para morar em Copacabana na companhia do seu parceiro de tabelas, Rubens Feijão. Sorridente e brincalhão, Wagner lembra que a ‘seca’ de gols fez com que Castor de Andrade o tirasse da Princesinha do Mar e voltasse para o escaldante bairro de Bangu. Período que o jogador passou a aproveitar mais os encantos do Rio de Janeiro embalados pela Música Popular Brasileira. Jorge Ben Jor, Martinho da Vila, entre outros, passaram a ser parceiros do jogador. Ao jogar por empréstimo no América, em 1984, Wagner estreitou relacionamento com o músico e compositor que é enredo da Unidos de Vila Isabel para o Carnaval 2022.

“A escola de samba do bairro (Unidos de Vila Isabel) ensaiava no estádio do América. Então, era certo estar com Martinho da Vila que, mesmo eu jogando no Bangu, dizia que eu deveria atuar no Rio de Janeiro. Foi uma amizade muito boa. Um grande abraço para ele, referência da música brasileira”, recorda Wagner.

Ainda em 1984, Wagner foi para o Fortaleza. Chegou na reta final do estadual e sagrou-se campeão com o Leão da Pici. No Brasileiro, também figurou entre os principais artilheiros da competição. A passagem pelo Tricolor Cearense foi mais marcante que pelo rubro carioca, segundo time de todo o torcedor do Rio de Janeiro.

“Aquela campanha do Fortaleza foi tão boa que perdurou como o melhor desempenho até o ano passado (2021). Devemos parabenizar todo o plantel e comissão técnica do Fortaleza que superou nossa campanha, que era considerada a melhor da história, e chegou a fase de grupos da Libertadores da América”, diz.

Passagem marcante no JEC


Léo, Leandro, Valter, Alfinete, Ricardo e Jacenir; Geraldo, Nardela, Wagner, João Carlos Maringá e Paulo Egídio. Esquadrão tricolor ocatampeão catarinense.

Seu destino foi o Joinville, e no Sul do país, deixou sua marca no coração dos torcedores. Chegou, em 1983, para os jogos decisivos e foi campeão. Dois anos depois, diferentemente da sua primeira passagem, jogou todo o campeonato catarinense e sagrou-se campeão e artilheiro levando o time ao octacampeonato catarinense.

No Brasileiro, Wagner também continuou colocando seu faro de gol em evidência e, novamente, esteve entre os maiores marcadores. Seus concorrentes eram Roberto e Romário (Vasco da Gama), Zico e Nunes (Flamengo), Washington e Assis (Fluminense), Serginho Chulapa (Santos) e Edmar (Cruzeiro).

“Esta turma aqui era com quem você disputava artilharia. Está bom para você (risos)? Não era fácil não, rapaz!”, relembra Wagner sentado no banco de reservas do Estádio Municipal Doutor Guilhermino da Silveira – https://www.youtube.com/watch?v=9eAbdkJItHE

Estádio Dr. Guilhermino de Oliveira em Inhapim-MG

Imagens do Estádio Dr. Guilhermino de Oliveira capturado pelo DRONE MINI 2 Um espaço muito bem equipado para a pratica do futebol. Inscreva no canal https://www.youtube.com/channel/UCfqTeZ894frsyTN-X_ayzQQ

www.youtube.com


Wagner no Guarani: artilheiro cedeu lugar a Evair após grave contusão na tíbia ocorrida em um choque com o goleiro da Portuguesa no Campeonato Paulista de 1987.

Guarani e o adeus aos gramados

Assim como no início da carreira, Wagner pendurou as chuteiras jogando por um clube de camisa verde. No Brinco de Ouro, Wagner não conseguiu soltar o grito de ‘campeão’ da garganta. Muito pelo contrário, o grito de dor foi muito mais alto. Contratado pelo lendário dirigente campineiro Beto Zini, Wagner chegou a Campinas em 1986. Por duas ocasiões foi vice campeão brasileiro, em 1986, na derrota para o São Paulo, nos pênaltis, e em 1987, para o Sport, na polêmica Copa União. O título também escapou no Paulista de 1988 que ficou marcado pelo gol do predestinado Viola, que aproveitando um chute despretensioso de Wilson Mano, desviou a bola de Sérgio Neri para dar o título ao Corinthians depois de cinco anos.

Após quebrar a tíbia numa partida pelo Campeonato Paulista de 1987 contra a Portuguesa, Wagner passou 18 meses no Departamento Médico na companhia do técnico da seleção brasileira, Tite, que também buscava uma reabilitação. Ambos passaram mais tempo com os médicos do que com os técnicos. No final de 1988, Wagner percebeu que seus esforços para retornar aos gramados seriam em vão.

A contusão do ‘centroavante de aço’ abriu espaço para um jovem atacante, também mineiro, de fazer sua história no Bugre, e posteriormente, nos demais clubes onde atuou. Surgia Evair que aproveitou as oportunidades dadas, assim como Wagner fez no América-MG, em 1977, e desembestou de fazer gols. Sua volta aos gramados coincidiu com as primeiras convocações de Evair para a seleção brasileira pré-olímpica. Wagner assumiu a camisa 9 do Guarani, mas percebeu que a contusão no tornozelo não foi recuperada plenamente.

Finalizador e centroavante que dava nos zagueiros sem levar desaforo para casa, Wagner elegeu alguns meio campistas como preferidos. O atacante faz a diferenciação entre aqueles que chegavam de frente para finalizar, e os construtores natos de jogadas para os atacantes. Segundo ele, na sua época, inúmeros meio campistas, também chamado de pontas de lança, eram artilheiros nos seus clubes.

“Tive a honra e a satisfação de jogar com grandes meio campistas. Alguns chegavam muito na área para concluir a gol, caso de Arthurzinho, Rubens Feijão e Muricy. Outros, deixavam o talento na construção das jogadas para colocar os atacantes na cara do gol como Nardela, no Joinville, e Marco Antônio Boiadeiro, no Guarani. Estes eram mais passadores de bola”, diferencia Wagner, que por muitas vezes fazia papel de anfitrião para Éder Aleixo no Rio de Janeiro.

Embora tenha tido uma carreira considerada curta – 1977 até 1988 – Wagner deixou amigos e saudades por onde passou. Sua carreira começou no Clube Atlético Inhapinhense (CAI). Filho da tradicional família Alves, Wagner abriu os olhos dos dirigentes do América-MG após uma partida festiva entre seus familiares e funcionários da TV Itacolomi. Na ocasião, o América-MG levou para Belo Horizonte seu irmão, Waner, lateral-esquerdo, para um período de testes. Wagner seguiu para a capital das Alterosas no final do ano de 1977 para não interromper o ano letivo – oitava série. E assim começou sua história nos gramados do Brasil. Atualmente, o ex-jogador mantém relacionamento estreito com os responsáveis pelas categorias de base do América-MG, e vislumbra muitos anos de sucesso e título do Atlético-MG.