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Arábia Saudita

A FELICIDADE QUE O PETRÓLEO NÃO COMPRA

por Zé Roberto Padilha


Se alguém duvidava da veracidade da frase “O dinheiro não compra a felicidade”, coube a caixinha de surpresas do futebol confirmá-la, definitivamente, durante a abertura da Copa do Mundo. Em plena Tribuna de Honra, e pela elegância, segurança e conforto, bota honra nisso, o Príncipe Mohamed Bin Salman, que tem a segunda maior reserva de petróleo do mundo, e a terceira maior de gás natural do planeta, e que sem rios ou lagos é capaz de comprar toda a água que precisa a 370 km dali, e gastar uma fortuna para lhe retirar o sal, tentava se explicar aos anfitriões porque não foi capaz de comprar um jeito de seus cidadãos aprenderem a jogar bola. Com todo os petrodólares do mundo, conseguiu ficar ali desconfortável e mal assistiu a partida. Ficou a dar explicações a Putin enquanto seu time dava o maior vexame lá embaixo.


E ninguém pode dizer que eles não tentaram. Desde 1970, quando o Brasil conquistou o tricampeonato, que eles não pararam de buscar por aqui nossos principais treinadores para reverter este quadro. E o primeiro foi o Zagallo. Até Roberto Rivelino eles levaram para Ryad com a missão de lhes ensinar a arte der bater na bola. Quatro décadas e meia depois, após vultosos investimentos, seus zagueiros continuam marcando mal, são incapazes de deter outro ataque, seja no outono ou na Primavera Árabe. Seus armadores não sabem passar, seus atacantes ainda não metem medo a ninguém. Nem aos judeus, egípcios, palestinos e, como assistimos ontem, muito menos aos russos.


Está mais que provado: o dinheiro não compra a felicidade. Esta, no futebol, Deus reservou a um povo que tem a maior reserva de políticos corruptos do mundo. E a terceira maior reserva de magistrados comprometidos com eles. Mas quando a bola rola, não tem gás ou petróleo que tenha a energia de sua miscigenação. De sua superação. A felicidade, no futebol, é a reserva maior, a que restou durante alguns meses, a uma gente eternamente roubada e explorada. E que possui, graças a Deus, como bálsamo e consolo, um grito que não seja ainda de liberdade. Mas de tantos gols quanto precise para ser novamente campeã do mundo.

PALPITES DO MATEUS

por Mateus Ribeiro


2018 é ano de Copa do Mundo e, inevitavelmente, os apaixonados por futebol não conseguem pensar em outra coisa. Por isso, a partir de hoje, começamos a analisar os grupos do torneio mais importante do planeta.

O Grupo A da Copa do Mundo 2018 é um dos mais equilibrados da competição. O problema reside no fato de que o equilíbrio existe porque o grupo não possui nenhuma seleção capaz de causar muito medo em algum adversário.


A Rúsisa, dona da casa, luta para não conseguir a proeza de ser eliminada na primeira fase dentro dos seus domínios, “feito” que apenas a África do Sul conseguiu realizar, em 2010. Pelo que vimos na Copa das Confederações e na Eurocopa 2016, é bem difícil que isso aconteça.

Talvez o fator casa ajude, e o fato do grupo não ser nenhuma pedreira também. Mas fato é que não existe nenhum talento individual, tampouco força coletiva, capaz de fazer com que os russos sonhem com algo além da primeira fase. Briga pelo segundo lugar do grupo.


Já o Egito volta a disputar um mundial após 28 anos. Talvez seja a melhor seleção africana dos últimos tempos, o que também não ajuda muito, já que a Costa do Marfim tinha esse título nas últimas três Copas, e não conseguiu nada grandioso.

Mesmo assim, parece ser a segunda força do grupo, muito por conta do talento individual de Salah, que evoluiu muito, e hoje é um dos principais nomes da Premier League. Briga por uma vaga nas oitavas de final. Dificilmente passará disso, mas passar pela fase de grupos já seria uma grande conquista para os faraós.


O Uruguai, além da força de sua camisa, conta com dois dos melhores atacantes do planeta, Suárez e Cavani. Apesar de uma geração envelhecida, é a principal força do grupo, seja pela sua camisa, seja pelos jogadores que a vestem.

Apesar de já não ter o mesmo poderio de 2010 e de 2014, é a principal seleção do grupo, e uma das principais forças da América do Sul. Só não passa para as oitavas em caso de uma tragédia gigantesca.

Por fim, a seleção da Arábia Saudita volta a participar de um mundial, depois da ausência nas duas últimas edições. Dificilmente podemos esperar alguma coisa dos sauditas, que participarão da Copa pela quinta vez.


A classificação não foi das mais fáceis, e além de não possuir muita tradição em mundiais, não possui um talento capaz de decidir uma partida, ou uma classificação para a segunda fase. Provavelmente fica no meio do caminho, junto da seleção anfitriã.

Uma vez que dei os pitacos, volto a falar do grupo. Talvez, ao lado do grupo H, seja o mais enigmático da Copa. Podemos esperar qualquer coisa, inclusive partidas horrorosas, como Rússia x Arábia Saudita,  ou um jogo interessante como Uruguai x Egito. Mas, como tudo na vida, o ideal a fazer é esperar para ver, e se divertir com as partidas do grupo.

É bem provável que eu queime minha língua. E espero que vocês voltem aqui pra me cobrar se isso acontecer!

E você, qual seu palpite?

Um abraço, e até a próxima.