por Paulo-Roberto Andel

Meu pai adorava um álbum de figurinhas de futebol.
É uma tristeza para mim termos perdido todos devido às mudanças por aí. Toda vez que vejo um álbum antigo penso nele e sinto uma emoção enorme.
Quanta história não está ali publicada naqueles rostos das figurinhas?
As pessoas naturalmente tendem a valorizar os vencedores, os campeões, os mais conhecidos, os jogadores consagrados. Mas acontece que a história não é feita só por eles.
Num campeonato qualquer quanta gente participa?
Então você vai lá e encontra um velho zagueiro do Botafogo de Ribeirão Preto do anos 1960, ou um atacante do Comercial dos anos 1950. Pode vir para o Rio e encontrar jogadores especiais da Portuguesa, do Madureira e do Olaria. Quase ninguém se lembra deles, mas estão nos registros marcados para sempre.
Claro que é bom vencer e ser campeão, mas nenhum time se limita a isso: as histórias dos clubes são escritas também pelas competições que não foram vencidas, aliás.
Quantos times que não foram campeões também ajudaram a escrever o livro dos dias do futebol?
O esporte bretão deixa marcas que não se resumem a conquistas; às vezes um jogo, uma tarde, uma circunstância é suficiente para fazer com que decoremos nomes eternos.
Agora, o duro mesmo é para aqueles que também se esforçaram tanto, mas que não conseguiram fincar raízes na memória popular. É o tipo do pessoal que a gente só lembra quando encontra um bom e velho algo de figurinhas, ou ainda as fichas técnicas das partidas, às vezes publicadas em almanaque ou pelos jornais.
Então, principalmente para os mais velhos, a reação é a gente olhar e tentar lembrar de muita coisa, ou ainda descobrir muita gente boa que saiu de cena. Futebol é descoberta.
@p.r.andel
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