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BEBETO, O CRAQUE SORRISO

21 / fevereiro / 2020

por Luis Filipe Chateaubriand


José Roberto Gama de Oliveira, o Bebeto, foi um dos maiores craques que o Brasil já viu em ação. 

Como jogava a criança sorridente!

Certa vez, o jornalista Fernando Calazans deu uma definição absolutamente perfeita do que é o futebol de Bebeto: liso e escorregadio!

Bebeto era liso, porque fazia as jogadas que passavam por seu pé fluírem. Ágil tanto nos movimentos como no raciocínio, fazia a bola girar rapidamente, seja para os companheiros, seja para o gol.

Escorregadio porque Bebeto não era facilmente achado pelos marcadores, pois sua movimentação, sua ginga, sua técnica, deixavam os caras malucos, como ele mesmo gostava de dizer.

Especialista em voleios, não importava se a bola vinha à meia altura ou bem alta, os golpes eram certeiros e plasticamente maravilhosos, o que fazia do baiano um bailarino da bola.

Excelente cobrador de faltas, sabia batê-las tanto com força como colocadas. Sua bola saía com uma agilidade tal que era difícil o alcance dos goleiros.

Ótimo cabeceador, tinha impulsão incrível para quem era relativamente baixo, ia no “último andar” testar as bolas mais improváveis.

Quando provocado pela torcida rival, crescia em campo. Quase sempre, fazia um gesto para os adversários, como se dissesse “espera”. E, dali a pouco, vinha o gol memorável, fruto de uma jogada brilhante, como que a dizer, nas palavras do Mestre Armando Nogueira, que “Deus castiga a quem o craque fustiga”.

Pelo Flamengo, castigou o Vasco da Gama. Pelo Vasco da Gama, castigou o Flamengo. Pelo Deportivo La Coruña, deixou os espanhóis boquiabertos. Pela Seleção Brasileira, encantou o mundo por quase 15 anos.

Deixou para a posteridade lances incríveis, como uma bicicleta no jogo de ida da final da Copa União de 1987 contra o Internacional (pelo Flamengo), o gol “dois para lá e dois para cá” em que “deitou e rolou” no coitado do André Cruz (pelo Vasco da Gama) e o gol “Eu te amo” pela Seleção Brasileira, em que, depois do preciso passe de Romário, fez uma jogada de bilhar, colocando a bola no único local que ela poderia entrar em gol.

Bebeto foi gênio! Fato! Com a bola nos pés, e até sem ela, o baiano fez misérias por todos os lugares em que jogou.

Luis Filipe Chateaubriand acompanha o futebol há mais 40 anos e é autor da obra “O Calendário dos 256 Principais Clubes do Futebol Brasileiro”. Email: luisfilipechateaubriand@gmail.com.

TAGS: bebeto | Geral

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