ÍDOLO DA FIEL

texto: Marcelo Mendez | vídeo: Marcelo Ferreira | edição de vídeo: Daniel Planel 

 

O começo

A tarde chuvosa em São Paulo não diminuía minha ansiedade...

Na minha vida de jornalista, óbvio que já falei com muita gente, que já entrevistei todo mundo, que vi pessoas que amei na minha vida, tanto quanto as que detestei. A seriedade do ofício me fez respeitar todas.

Mas não posso dizer que entrevistar um ídolo seja igual.

O ano de 1977

Ídolos não envelhecem, não têm defeitos, não sofrem, não são para os outros, não morrem... Ídolos são nossos.

Wladimir é um desses.

Quando moleque, vendo-o jogar vivi os maiores paradoxos possíveis. Ele era o lateral esquerdo do Corinthians! Como podia eu, Palmeirense, verde até a medula, gostar de um desses do lado de lá?!

Wladimir não foi apenas lateral esquerdo...

A democracia corinthiana

Homem culto, engajado, inteligente, bem articulado, fã do Zé Kéti, dançarino de muita classe, lutou por todas as causas sociais pertinentes a sua época enquanto jogador, sempre com o mesmo belo sorriso no rosto.

Artífice da Democracia Corintiana, Wladimir foi uma figura política muito presente naquele começo de anos 80, fundamental para que, eu e outros meninos de 13 anos na época, começassem a entender o Brasil.

Hoje, homem velho, jornalista, não escondo o frio na barriga que me deu antes de falar com ele. Mas quando ele chegou, sorriu e a resenha fluiu. O resultado, você vê agora em Museu da Pelada...