FUTEBOL ARTE

por Sergio Pugliese

27043438_1650307231705530_53237102_n.jpg

Mesmo com uma perna bem menor do que a outra, o menino Candido se aventurava nos campos de várzea de sua cidade, no interior de São Paulo. Era impossível não tentar. Colado à sua casa havia um campinho e bastava abrir a porta da cozinha para ele quase bater a cabeça numa das balizas. Apesar disso, seus pés descalços nunca criaram jogadas brilhantes. Então, resolveu investir nas mãos. Não virou goleiro como alguns podem imaginar. Fora das quatro linhas, sentado num banquinho, deu seus dribles mais desconcertantes e, tal qual um reserva resignado, criou parte de sua obra prima. Como observador, coloriu os campos a seu modo, vestiu o time preferido com as cores mais vivas da aquarela e, de pincelada em pincelada, conquistou o mundo. O menino ruim de bola cresceu e virou Candido Portinari, maior expoente da pintura modernista brasileira. Em sua monumental história, contabilizou 5 mil obras e nunca esqueceu de retratar os campos de várzea, uma espécie de amor não correspondido.

- Era como se pintasse meninas que nunca deram bola para ele – comparou o filho, esse sim, bom de bola, João Candido Portinari, fundador e diretor do Projeto Portinari, responsável pela catalogação da obra do pai. 

port.JPG

Tímido, o pintor expressava suas paixões com cores e palavras, como no trecho editado de uma de suas poesias publicadas no livro "O menino e o povoado": “Aos 8 anos tive uma namorada branca branca. Nunca lhe disse uma palavra. Depois nunca mais a vi e não ouvi seu nome. Namorei tantas meninas e ninguém soube”. Foi exatamente assim com os campinhos. Numa rápida navegada no site do projeto, a equipe do A Pelada Como Ela É encontrou 18 pinturas de campos de várzea, quase todos em Brodowsky, terra natal. Numa delas, um autoretrato, “Futebol”, aparece cercado de meninos e o que o diferencia do grupo é a perna menor do que a outra. Só especialistas para atentarem ao detalhe. O filho teve melhor sorte com a bola. Fundador, em 1954, do poderoso time de praia Copaleme, batizado inicialmente de Arizona, na década de 50 travou duelos espetaculares com os rivais Radar, de Copacabana, e Lá Vai Bola, do Leblon.

- A Avenida Atlântica, ainda com uma pista só, ficava apinhada de gente para assistir – recordou o filho.

27044751_1650308151705438_820615445_n.jpg

João Portinari veio jovem para o Rio e, aos 18 anos, era figura conhecida na noite carioca. Saía do Leme com sua turma e três violões - iam parando de bar em bar até Ipanema. Na volta para a casa, às 5h da madrugada, esticavam até a Siqueira Campos, em Copacabana, na Sinuca Balalaika e, depois, na Leiteria Bol, na Lapa, para tomar coalhada e roubar as garrafas de um litro de leite deixadas nas portas das casas. Ele e os amigos eram os reis do Rio. Saiu de Brodowsky sem prestar atenção no talento do pai. Deixou para trás a casa de tijolo, com poço, moinho, fogão de lenha e cadeira de balanço, e caiu na gandaia carioca com seu carraço Buick Dynaflow. Os amigos e companheiros de Copaleme, alguns do Morro da Babilônia, adoravam a farra. O goleiro Maurício, Pedro Paulo, Lelé, Zezinho, Amaury, Pará, Henrique Cabeludo e Flávio, filho de Ary Barroso, comemoravam os títulos em noitadas nas boates Arpege, do pianista Waldir Calmon, Drinks, Little Club, no Beco das Garrafas, e Maloca, em São Conrado.

- Não tinha noção de quem era meu pai e seus amigos – confessou.

As reuniões na casa de Candido Portinari eram frequentes e animadas, entre outros, por Graciliano Ramos, Carlos Drummond de Andrade, Cecília Meireles, Jorge Amado e Adalgisa Nery. Certa vez João Portinari chegou em casa e irritou-se quando viu, numa rodinha musical, um homem tocando seu violão. “Vai desafiná-lo”, pensou. Saiu irritado, batendo porta e só anos depois soube tratar-se do maestro Villa-Lobos. No Rio, João sentia-se verdadeiramente feliz e divertia-se com as loucuras do amigão Alcyr, que se enchia de caipirinha nas boates e após o derradeiro gole subia na mesa e gritava “Tequila!!” antes de cair desmaiado. Bons tempos! Mas um dia a ficha caiu e João resolveu olhar para trás. Foi quando aprofundou-se e encantou-se com a história do pai.

Reuniu documentos, fotos, livros, cartas, toda uma vida. A nosso pedido procurou algum registro que ligasse o pai ao futebol e achou uma foto rara, do início dos anos 20, de Portinari no time de pelada da Escola de Belas Artes. Emocionou-se. Na poeira dos arquivos, também achou uma reportagem de O GLOBO, muito antiga, intitulada "Como trabalham e sonham nosso pintores” e leu um trecho em voz alta: “Tenho, também, uma delícia grata e profunda. É quando componho, por exemplo, "Jogo de futebol em Brodowski", a cidade em que me fiz e onde a minha infância, sob a inspiração do modesto dinamismo do meio, embebeu-se de miragens, impregnou-se de melancolias ou sonhos. As imagens que ali se afirmam, a bola de meia, os pés descalços, os trancos, as caneladas, a cerca de pau, tudo isso são imagens impressas na minha memória, que se reúnem e gritam a um esforço evocador, que cruzam os caminhos do meu mundo secreto”.

No fim do texto, o filho coruja sorriu orgulhoso. Balançou a cabeça como um menino levado assumindo o reconhecimento tardio ao talento do pai e ao mesmo tempo transparecendo uma felicidade gigante por ter despertado a tempo de abraçar todo o seu passado e hoje viajar o mundo de mãos dadas com o seu melhor amigo.

 

Texto publicado originalmente no dia 5 fevereiro de 2011, na coluna "A Pelada Como Ela É".

DE OLHO NA TELA

escudo cinefoot-4 (1).jpg

O CINEFOOT-FESTIVAL DE CINEMA DE FUTEBOL dá o pontapé inicial da sua oitava edição no Rio de Janeiro apresentando uma programação de 42 filmes, com entrada franca em quatro salas, entre os dias 23 de novembro e 3 de dezembro.

São 17 filmes brasileiros e 22 internacionais oriundos da França, Grécia, Rússia, Islândia, Itália, México, Argentina, Inglaterra, Uruguai, Equador e Alemanha; além de três co-produções: Brasil/Inglaterra, Alemanha/Irã e Líbano/USA.

Em 2017, além das tradicionais mostras competitivas de curtas e longas-metragens que ocorrem no Espaço Itaú de Cinema (Praia de Botafogo), o CINEFOOT chega pela primeira vez em Niterói, no Cine Arte UFF.

O CCBB-Centro Cultural Banco do Brasil recebe a nova mostra especial criada pela organização do CINEFOOT batizada de "GERALDINOS & ARQUIBALDOS“ e a já consagrada MOSTRA DENTE DE LEITE, voltada para o público infantojuvenil.

O CCJF-Centro Cultural Justiça Federal apresenta a "PRORROGAÇÃO“ do CINEFOOT, de 30/11 a 3/12.

AS MOSTRAS COMPETITIVAS DE CURTAS E LONGAS-METRAGENS.

Local: Espaço Itaú de Cinema (Praia de Botafogo).

De: 23 a 28 de Novembro

Para a MOSTRA COMPETITIVA DE LONGAS-METRAGENS, o CINEFOOT reúne sete filmes, seis deles inéditos no Brasil.

São eles:

- FORA DE CAMPO, Itália, Dir. Collettivo MELKANAA, DOC.

- ALEX CAMERA 10 - TURQUIA AO BRASIL - DESPEDIDA DO FUTEBOL, Brasil, Dir. Caue Serur, DOC.

- EL ZURDO,  A VINGANÇA DO IGNORADO, Argentina, Dir. Roberto Cox, DOC.

- CAMPINHO, Rússia, Dir. Eduard Bordukov, FIC.

- YOU'LL NEVER WALK ALONE, Alemanha, Dir. André Schäfer, DOC.

- LISTRAS PRETAS E BRANCAS: A HISTÓRIA DA JUVENTUS, Itália, Dir. Marco La Villa, Mauro La Villa, DOC.

cinef.jpg

- 1976-O ANO DA INVASÃO CORINTHIANA, Brasil, Dir. Ricardo Aidar e Alexandre Boechat, DOC.

O CINEFOOT premiará o melhor filme de longa-metragem exclusivamente através do voto popular.

Para a MOSTRA COMPETITIVA DE CURTAS-METRAGENS, o CINEFOOT selecionou 13 filmes, sendo 12 inéditos no Brasil.

São eles:

- PENALTY, Itália, Dir. Aldo Iuliano, FIC.

- QUE NEM MEU PAI, Brasil, Dir. Pedro Murad, DOC.

- BRAZUCA, Grécia, Dir. Faidon Gkretsikos, FIC.

- LÍBANO GANHA A COPA DO MUNDO, Líbano/USA, Dir. Tony ElKhoury, Anthony Lappé, DOC.

- INTERVALO, França, Dir. Arnaud Pelca, FIC.

- O ROUPEIRO, Equador, Dir. Andres Cornejo, DOC.

- MANN OF THE MATCH, Brasil/Inglaterra, Dir. Karin Duarte, DOC.

- DOMINGO, México, Dir. Raúl Lopez Echeverría, FIC.

- SATURDAY, Inglaterra, Dir. Mike Forshaw, FIC.

- MARACANAZO, Argentina, Dir. Alejandro Zambianchi, FIC.

- TEERÃ DERBY, Alemanha/Irã, Dir. Simon Ostermann, DOC.

- BONIEK & PLATINI, França, Dir. Jérémie Laurent, FIC.

- BOCA DE FOGO, Brasil, Dir. Luciano Pérez Fernández, DOC.

O CINEFOOT premiará o melhor filme de curta-metragem exclusivamente através do voto popular.

CINEFOOT EM NITERÓI / ESTREIA NA CIDADE

Local: Cine Arte UFF

De: 24 e 29 de Novembro

 O CINE ARTE UFF recebe o CINEFOOT na sua edição inaugural em Niterói, contribuindo para a ampliação do leque de admiradores do cinema de futebol.

O CINE ARTE UFF é o espaço ideal para a bola rolar, desfilando produções brasileiras e internacionais oriundas da Alemanha, Itália, Inglaterra, Espanha e Uruguai. Um time com 11 filmes de diversos formatos, entre curtas e longas-metragens documentais e ficcionais.

Niterói possui tradição nas cenas futebolística e cinematográfica, sendo palco de momentos marcantes na história. A união destas artes centenárias em torno de um festival de cinema singular e irreverente, gera um ambiente propício para o fortalecimento da identidade e promoção dos valores mais preciosos do futebol e do cinema na cidade.

- PARTIDA INTERNACIONAL, Alemanha, Dir. Nadine Schrader, Sven Schrader, FIC.

- DEMOCRACIA EM PRETO E BRANCO, Brasil, Dir. Pedro Asbeg, DOC.

- DOIS PÉS ESQUERDOS, Itália, Dir. Isabella Salvetti, FIC.

- O PRÓXIMO GOL LEVA, Inglaterra, Dir. Mike Brett, Steve Jamison, DOC.

- PORQUE HÁ COISAS QUE NUNCA SÃO ESQUECIDAS, Itália, Dir. Lucas Figueroa, DOC.

- MARACANÃ, Uruguai, Dir. Sebastián Bednarik e Andrés Varela, DOC.

- A CULPA É DO NEYMAR, Brasil, Dir. João Ademir, FIC.

- JOÃO SALDANHA, Brasil, Dir. André Iki Siqueira e Beto Macedo, DOC.

- BARBA, CABELO & BIGODE, Brasil, Dir. Lucio Branco, DOC.

- BOCA DE FOGO, Brasil, Dir. Luciano Pérez Fernández, DOC.

geraldi.jpg

- GERALDINOS, Brasil, Dir. Pedro Asbeg, Renato Martins, DOC.

A MOSTRA ESPECIAL "GERALDINOS & ARQUIBALDOS“

Local: CCBB-Centro Cultural Banco do Brasil

De: 24 a 27 de Novembro

Foram selecionados sete filmes que envolvem na sua narrativa identidade, memória e direitos humanos no futebol.

São eles:

- PENALTY, Itália, Dir. Aldo Iuliano, FIC. (tema central: refugiados)

- FOME DE BOLA, Brasil, Dir. Sidney Garambone, DOC. (tema central: refugiados)

- A COPA DOS REFUGIADOS, Brasil, Dir. Luciano Pérez Fernández, DOC. (tema central: refugiados)

- SEGUNDA PELE FUTEBOL CLUBE, Brasil, Dir. Filipe Mostaro, DOC. (tema central: identidade/colecionadores de camisas)

- BONIEK & PLATINI, França, Dir. Jérémie Laurent, FIC. (tema central: política/democracia)

- LÍBANO GANHA A COPA DO MUNDO, Líbano/USA, Dir. Tony ElKhoury, Anthony Lappé, DOC. (tema central: política/conflitos internos)

- MAIS TRISTE QUE CHUVA NUM RECREIO DE COLÉGIO, Brasil, Dir. Lobo Mauro, DOC. (tema central: política/democracia)

A MOSTRA ESPECIAL "DENTE DE LEITE“

Local: CCBB-Centro Cultural Banco do Brasil

De: 24 e 27 de Novembro

Realizada pelo oitavo ano consecutivo, a MOSTRA DENTE DE LEITE busca contribuir para o processo de formação de especatdores, apresentando uma rica e variada seleção de curtas-metragens futebolísticos.

- A RUA É PÚBLICA, Brasil, Dir. Anderson Lima, FIC.

- O PRIMEIRO JOÃO, Brasil, Dir. André Castelão, ANIMA.

- GAÚCHOS CANARINHOS, Brasil, Dir. Renê Goya Filho, DOC.

- A CULPA É DO NEYMAR, Brasil, Dir. João Ademir, FIC.

- TAPETE VERDE, Brasil, Dir. Angelo Martin, DOC.

- DOIS PÉS ESQUERDOS, Itália, Dir. Isabella Salvetti, FIC.

A MOSTRA ESPECIAL "PRORROGAÇÃO“

Local: CCJF-Centro Cultural Justiça Federal

De: 30 de Novembro a 3 de Dezembro

Tradicionalmente realizada logo após o encerramento das competições do CINEFOOT, a MOSTRA PRORROGAÇÃO oferece a oportunidade de reprisar alguns filmes, oferecendo uma chance extra para o público.

- EL ZURDO,  A VINGANÇA DO IGNORADO, Argentina, Dir. Roberto Cox, DOC.

- O PRÓXIMO GOL LEVA, Inglaterra, Dir. Mike Brett, Steve Jamison, DOC.

- 1976-O ANO DA INVASÃO CORINTHIANA, Brasil, Dir. Ricardo Aidar e Alexandre Boechat, DOC.

- DOMINGO, México, Dir. Raúl Lopez Echeverría, FIC.

- PENALTY, Itália, Dir. Aldo Iuliano, FIC.

- O ROUPEIRO, Equador, Dir. Andres Cornejo, DOC.

CINEFOOT / RIO DE JANEIRO / SESSÃO ESPECIAL DE ABERTURA:

ESPAÇO ITAÚ DE CINEMA

23/11, QUINTA-FEIRA, ÀS 20h30, ENTRADA FRANCA (Sujeita à Lotação da Sala)

island.jpg

A sessão especial de abertura do CINEFOOT no Rio de Janeiro, contará com a première no Brasil do documentário " DENTRO DE UM VULCÃO - A ASCENSÃO DO FUTEBOL ISLANDÊS, Direção de Saevar Gudmundsson.

Esta é a incrível história da geração dourada do futebol da Islândia. Uma visão pessoal de uma equipe que fez o mundo virar o olhar em sua direção, quando se tornou o menor país do mundo a alcançar a fase final da EuroCopa.

O Diretor, Saevar Gudmunsson, teve acesso total à equipe e revela a intimidade de um grupo de jovens que cresceu ouvindo que sua paixão, o futebol, nunca alcançaria dias de glória no seu país. E tudo transbordou para as arquibancadas, onde o grito viking dos torcedores marcou a competição.

CINEFOOT / RIO DE JANEIRO / SESSÃO ESPECIAL DE HOMENAGEM: JOÃO SALDANHA.

ESPAÇO ITAÚ DE CINEMA

25/11, SÁBADO, ÀS 21h, ENTRADA FRANCA (Sujeita à Lotação da Sala)

A homenagem central do 8˚CINEFOOT é voltada para o centenário de João Saldanha.

Na sessão das 21h do dia 25/11, será exibido o documentário JOÃO SALDANHA, de André Iki Siqueira e Beto Macedo, que reconstrói a história do jogador, técnico, cronista, imprevisível, polêmico e irreverente João Saldanha (1917-1990), que ficou conhecido como o comentarista que o Brasil inteiro consagrou. O longa traz imagens inéditas da época de ouro do futebol brasileiro, todas registradas em 35mm. São cenas que vão desde um Maracanã enlouquecido em preto-e-branco em 1957 até os preparativos da inesquecível seleção de 70. Curiosidades e casos divertidos da vida do comentarista são revelado através de depoimentos da família Saldanha, de ex-jogadores de futebol, de jornalistas esportivos e de amigos.

Para a homenagem, o CINEFOOT recebe familares e amigos de João Saldanha, além do Co-Diretor do filme, Iki Siqueira.

cinef2.jpg

CINEFOOT / RIO DE JANEIRO / SESSÃO ESPECIAL DE ENCERRAMENTO E PREMIAÇÃO:

ESPAÇO ITAÚ DE CINEMA

28/11, TERÇA-FEIRA, ÀS 20h30, ENTRADA FRANCA

O programa da sessão de encerramento e premiação do CINEFOOT no Rio de Janeiro, apresenta première no Brasil do filme "PERGUNTE QUEM ERA FALCÃO, Direção de David Rossi.

10 de agosto de 1980. O dia que muda a história de AS Roma. O dia em que Paulo Roberto Falcão vai para Roma. As Copas italianas, o título. Tudo começa com ele, mudando a mentalidade da AS Roma que começa a pensar grande. Esta é a história do oitavo Rei de Roma, uma viagem de ida e volta da Itália ao Brasil para explicar "Quem era Falcao".

Nesta sessão está programada a realização da segunda edição do "REDAÇÃO AM NO CINEFOOT“, uma divertida premiação da melhor narração do quadro REDAÇÃO AM do programa REDAÇÃO SPORTV apontada pelo público presente no cinema.

Serão entregues as Taças de Melhor Curta e Melhor Longa do 8˚CINEFOOT, e o Troféu João Saldanha, destinado ao filme que melhor expressar as facetas humanas, democráticas e libertárias do futebol.

O CINEFOOT mantém parceria com a FICTS- Federation Internationale Cinema Television Sportifs. Esta tradicional federação italiana, sediada em Milão, reúne os 16 mais prestigiosos festivais de cinema esportivo do mundo, sendo o CINEFOOT um dos eventos integrantes deste seleto circuito internacional.

DATAS / LOCAIS:

CINEFOOT RIO DE JANEIRO

De: 23 a 28 de Novembro

ESPAÇO ITAÚ DE CINEMA / PRAIA DE BOTAFOGO, 316

De: 24 e 29 de Novembro

CINE ARTE UFF / R. MIGUEL DE FRIAS, 9 - ICARAÍ, NITERÓI

De: 24 a 27 de Novembro

CCBB-CENTRO CULTURAL BANCO DO BRASIL / RUA PRIMEIRO DE MARÇO, 66 - CENTRO

De: 30 de Novembro a 3 de Dezembro

CCJF-CENTRO CULTURAL JUSTIÇA FEDERAL / AV.RIO BRANCO, 241 - CENTRO

Entrada franca.

www.cinefoot.org

GOL DE LETRAS

Criada em 2012 pelo goleiro Julio Ludemir e pelo vascaíno Écio Salles, a Festa Literária das Periferias (FLUP) promove debates e busca ser um espaço de formação de novos leitores e autores nas comunidades das grandes cidades. Se já éramos fãs do projeto, passamos a idolatrar ainda mais quando descobrimos que rola uma pelada inaugural todo ano. Sem pensar duas vezes, fomos conferir essa história de perto, no Vidigal, sede atual do evento.

A ansiedade era tanta que chegamos bem antes do combinado e logo nos identificamos com o campinho careca que seria palco da pelada inaugural. O duelo em questão seria entre Paranauê, a seleção carioca de escritores, e o time da comunidade Chácara do Céu.

- Paranauê é uma versão carioca do Pindorama, a seleção brasileira formada por escritores. Criamos uma seleção do Rio de Janeiro para facilitar a logística e poder jogar mais vezes - explicou Écio, organizador e titular absoluto.

Paredão do Paranauê, Julio Ludemir também chegou cedo e logo iniciou o aquecimento com as luvas. O curioso é que o goleiro, que também é um dos organizadores, precisou passar por todas as posições antes de se "encontrar".

- Meu pai era o dono da bola, do uniforme e dirigia o carro que levava todo mundo para a pelada, então tinham que arranjar uma vaga para mim, né? Me testaram em todas as posições e só no gol tive um bom desempenho! - lembrou com bom humor.

Como toda boa pelada, o clima amistoso que reinava antes do apito inicial desapareceu assim que a bola rolou. Representando uma classe, Écio e Julio precisavam honrar a camisa e fizeram bonito. Com três gols do Gledson Vinícius e um do atacante Vitor Castro, o Paranauê venceu e a resenha com a rapaziada da Chácara do Céu rolou solta no fim, com direito a muito churrasco e cerveja.

Vale destacar que a FLUP reuniu mais de 500 autores nacionais e internacionais e teve um público médio de 20 mil pessoas nos últimos cinco anos de evento.

- Já não somos vistos como mais um projeto social na favela, mas como uma plataforma para debater as grandes questões contemporâneas, que no nosso entender é a missão de um festival, principalmente se ele acontece na periferia! - comemorou Julio.

Para quem se interessar, a FLUP terá ainda mais dois dias imperdíveis de atividade.

Confira a programação:

14 de Novembro – Terça-feira
Rua Nova
13h – FLUP Parque
13h – Vidigal é Show!
13h30 – Concurso de poesia
13h45 – Esquetes teatrais "Não sofreu nada, porra!"
14h10 – Quis (Perguntas sobre os 40 anos de resistência contra as remoções de moradores do Vidigal)
 
Galpão da Horizonte
16h30 – Black poets matters
Saul Williams, com mediação de Roberta Estrela D'Alva
18h30 – Criança feliz
Renato Aragão, com mediação de Rodrigo Fonseca
20h30 – SLAM: Voz de levante
Exibição do documentário de Tatiana Lohman e Roberta Estrela D'Alva
 
Casarão Nós do Morro
22h – Final do FLUP Slam BNDES
 
 
15 de Novembro – Quarta-feira
Rua Nova

13h – FLUPP Parque
13h – Baile
14h – Desfile carnavalesco
15h30 – Encerramento (Anúncio do vencedor)
 
Galpão da Horizonte
16h30 – A ameaça que paira sobre todos nós
Sam Bourcier e Charô Nunes, com mediação de Michelle Steinbeck
18h30 – Saul Williams
20h30 – Final do Rio Poetry SLAM

CRAQUE DAS LENTES

texto: André Mendonça | fotos: Fábio Teixeira

Fábio Teixeira

Fábio Teixeira

Copa Libertadores, Copa do Brasil, Campeonato Brasileiro, Carioca, Paulista e até seleção brasileira. O currículo bem que poderia ser de um grande jogador, mas trata-se do são-paulino Fábio Teixeira, um craque das lentes. Há 20 anos fazendo os mais belos registros, o premiado fotógrafo dedicou os últimos cinco à beira do gramado.

Nascido em Piracicaba, no interior de São Paulo, Fábio vivia correndo atrás da bola no campinho careca próximo a sua casa. Embora não contasse com o dom de grandes craques, revelou que marcava e corria como poucos, habilidades que lhe garantiram a lateral direita nas peladas.

- Eu dava o tapa na frente e cruzava, mas se tivesse que driblar alguém me complicava todo – lembrou com bom humor.

Ainda na adolescência, aos 18 anos, tomou gosto pela fotografia e começou a trabalhar como assistente de estúdio ao lado de renomados fotógrafos. Além disso, acompanhava os profissionais para registrar casamentos, por exemplo, e ajudava a revelar as fotos no laboratório.

- Nessa época pude aprender muita coisa com aquelas feras. Digo que foi o maior curso de fotografia que eu fiz!

A partir daí, Fábio deslanchou. Como freelancer, trabalhou no Jornal Extra, no UOL, Folha de São Paulo, Jornal O Dia e agora presta serviço para agências internacionais, sobretudo em jogos da Libertadores. Como os grandes craques, o bom fotógrafo precisa estar sempre de olho no lance, antevendo as jogadas, para os melhores registros. Por isso, o Fabio assiste aos jogos com outro olhar, com o intuito de decifrar cada jogador.

Com essa técnica, foi escalado para cobrir a reabertura do Maracanã, no duelo entre Brasil e Inglaterra em 2013, um dos pontos mais altos da carreira. Antes disso, no entanto, precisou “roer muito osso” em partidas no interior de São Paulo. Uma delas, inclusive, ficou marcada por um descuido que quase gerou a sua expulsão do gramado.

- O Rio Branco de Americana jogava contra o São Paulo, em Americana, pelo Campeonato Paulista e, sem querer, eu acionei por três vezes o flash da câmera, o que é proibido. O jogador do Rio Branco me xingou, reclamou com o juiz, alegando que eu estava atrapalhando por má fé. A verdade é que a câmera estava com defeito no circuito, mas eu quase fui expulso. Fiquei com tanta vergonha, que até guardei minha câmera – lembrou aos risos.

Vale destacar que Fábio toca outros projetos além das quatro linhas. O mais recente, ainda em produção, conta a trajetória dos meninos que sonham em se tornar jogadores de futebol. Por isso, há quase dois anos, o fotógrafo acompanha o cotidiano deles.

- É um trabalho de formiguinha porque é complicado sair entrando nas comunidades. Eu vou na essência do futebol deles. É aquele futebol de rua, no beco das favelas, onde eles gostam mesmo de jogar.

Quando chegar ao fim, o trabalho tem tudo para encabeçar a lista dos que deram mais orgulho para Fábio. Por enquanto, ela é liderada por um ensaio que durou um ano e cinco meses e denunciava o trabalho infantil no Cemitério do Caju.

- Aquelas crianças não sabiam ler, nem escrever. A denúncia me rendeu dois prêmios ano passado, um na Colômbia, em Medelín e o outro pelo MPT (Ministério Público de Trabalho) de Jornalismo.

A resenha só chegou ao fim porque um carro já esperava Fábio na porta da redação para levá-lo ao duelo entre Botafogo x Nacional-URU, pela Copa Libertadores.

FOTBAL - AVENTURAS, TRISTEZAS E ALEGRIAS ROMENAS

por Igor Serrano

Football Manager é um famoso jogo de computador onde o jogador tem como função ser o manager de um time de futebol e no que isso implica (escalar e contratar jogadores, dentre outras possibilidades). Durante o jogo, não aparecem imagens das partidas que o time sorteado ao jogador estaria disputando. Apenas são informados os lances que acontecem nela.

Agora imagine a seguinte situação...

Um garoto brasileiro de doze anos começa a jogar o referido jogo e cai no sorteio para ele o Universitatea Craiova da Romênia. Tudo que aquele garoto sabia sobre o longínquo país é que tinha um tal de Hagi, de quem seu pai falava muito bem, e a Seleção Romena jogava de amarelo (informação obtida graças ao jogo de futebol do videogame Super Nintendo).

Com o tempo a empolgação gerada por aquele time, até então desconhecido, gerou no garoto uma curiosidade sobre a equipe propriamente dita e também pelo país. Assim descobriu a curiosa história do Craiova. O clube (FC Universitatea Craiova) foi extinto em meados de 2011, deixando uma fiel torcida órfã de seu passado de títulos. Alguns anos depois, outro clube foi fundado com o nome semelhante (CS Universitatea Craiova), com outros proprietários, mas alegando ser a continuidade do extinto clube. Não demorou para um grande imbróglio ser instaurado com a ressurreição do clube original. Dois times com nomes idênticos e lutando por uma mesma identidade e torcida.

Em poucos anos, mais velho, o garoto criou um blog sobre o futebol romeno e o intitulou de “O Craiovano”. Na faculdade, decidiu fazer do trabalho de conclusão do curso de Comunicação Social um documentário sobre o futebol romeno e a situação do Craiova. Para tanto, autodidata, aprendeu a falar, ler e escrever romeno apenas com material encontrado na internet. 

Fez alguns contatos pela internet, virou notícia em um jornal da Romênia com a proposta do documentário e ao longo da jornada em solo romeno conseguiu entrevistar diversos jogadores e...Hagi, o grande ídolo do futebol do país e destaque na Copa de 1994.

Essa poderia ser mais uma grande história de cinema. Mas não é. Ela aconteceu e o nome do personagem é João Vítor Roberge. A saga do catarinense torcedor do Vasco da Gama e fã do futebol romeno não poderia ser apenas contada aos professores e alunos da Universidade Federal de Santa Catarina. Ela merecia ser divulgada a todos. E foi. Assim surgiu "Fotbal - Aventuras, tristezas e alegrias romenas", livro em que João detalha o futebol romeno e seus clubes, a inusitada clonagem do Craiova e principalmente a jornada à Romênia para o documentário do TCC de jornalismo na UFSC:

“Fotbal é dois em um. Metade história do futebol romeno, metade história do documentário Craiova versus Craiova, desde 2006. E é o novo lançamento da Multifoco Editora e do Selo Drible de Letra, que já tem data marcada. Quem vem acompanhando O Craiovano nestes quatro anos já viu blog, documentário sobre a história do Universitatea Craiova e até entrevista exclusiva em vídeo com Gheorghe Hagi. Agora é a vez do livro, para trazer o futebol romeno em uma forma completa e descontraída, diferente de qualquer livro sobre futebol que você já leu. Até porque quem já viu livro sobre o fotbal, certo? O fotbal vive. O Romenão é gigante”. 

Fotbal será lançado em setembro em Santa Catarina.