ZIZINHO OU, COMO MOSTROU JAPIASSU, UM PROFESSOR DE FUTEBOL

por André Felipe de Lima

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Fui fã do Moacir Japiassu, da pessoa, do jornalista, do mestre. Lia-o frequentemente nos jornais ou revistas. Aprendi um pouco mais da nossa maltratada língua com ele. Nesta sexta-feira, dia 14, comemoramos o aniversário de outro mestre, mas do futebol. O Mestre Ziza, o Zizinho, o ídolo do Pelé e de muitos meninos e marmanjos que o viram iluminar o futebol. Mas, afinal, o que tem a ver o Japiassu com o Zizinho? Ora, a paixão pelo futebol e o fato de o Japiassu ter escrito sobre ele, em 1965, quando ainda engatinhava na carreira. Zizinho acabara de chegar ao Bangu para assumir o cargo de treinador, e coube ao Japiassu escrever a vida e obra do Ziza para o Jornal do Brasil. “Zizinho foi durante 10 anos o ídolo que a torcida chamava de Mestre e em 1950 obrigou um jornalista inglês a usar, para defini-lo, uma palavra até então reservada aos cientistas: gênio”, escrevera Mestre Japiassu.

O pai do Zizinho tinha um sonho: ver o filho jogador de futebol, mesmo que somente no time que organizava: o Carioca. Zizinho tinha apenas seis anos quando perdera o pai. A infância, acreditem, não foi com muita bola. Para ajudar à mãe viúva, Zizinho teve de trabalhar ainda garoto. Foi ajudante de mecânico e tempos depois funcionário na Lloyd Brasileiro. Difíceis tempos que o ensinaram, moldaram-no, tornando-o um grande ser humano, um amigo, pai, irmão, companheiro que todos queriam um dia ter.

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O que aprendera ainda rapaz, tristemente longe do pai, foi essencial para garantir-lhe serenidade após a Copa do Mundo de 1950. A derrota na final para os uruguaios deixou um amargo ensinamento ao Zizinho: o excesso de otimismo é o maior inimigo de um time de futebol. Dali em diante, Tomás Soares da Silva não seria apenas Zizinho. Seria muito mais que apenas um homem e sua alcunha. Seria Mestre Ziza. Inquestionável testemunho autorizado do futebol, com teses essenciais para quem se diz pretensamente jogador de futebol, e mais que isso: arvora-se craque:

“Craque é o jogador que, não importando o seu porte físico, pode com a categoria desequilibrar uma partida, definir um jogo, mudar um resultado. Craque é aquele que sabe limpar uma jogada na defesa, vislumbrar a jogada num relance, criar o espaço — mínimo que seja — entre uma floresta de pernas, na pequena área, e bater na bola com a certeza do gol.”

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“A humildade levou o Brasil às Copas de58 e 62. A humildade que aliada à confiança e vontade de vencer nos tornou invencíveis, porque nossa capacidade técnica sempre foi e será indiscutível, inigualável.”

“Desprendimento é não pensar primeiro no dinheiro e depois ganhar a Copa. Coragem é não ter medo de perder o jogo, porque este é sem dúvida um dos maiores inimigos de um time de futebol.”

Ah, Zizinho... que saudade, e parabéns para você, seja lá em que hoste celestial esteja, defendendo-nos, com amor e bons fluídos, do mal futebol que nos aflige.