XENO....SEI LÁ!

:::::::: por Paulo Cezar Caju ::::::::

(Foto: Nana Moraes)

(Foto: Nana Moraes)

No calçadão, não tenho como fugir das questões futebolísticas do momento. Mas já estou vacinado e minha paciência até que anda em dia. “PC, e essa história de xenobofia, xeno, sei lá, alguma coisa dessas que o Jair Ventura vem sendo acusado?”.

Tirei onda porque um dia antes recorri ao dicionário para saber do que se tratava. “Xenofobia”, corrigi! Olha, nunca tive papas na língua e sofri toda a minha carreira com o racismo. Sofri, não, enfrentei porque nunca fui de abaixar a cabeça, tanto que fui condecorado com a Legião da Honra pelo presidente da França. Racismo é racismo e pronto, um ato racista é claro, não deixa dúvidas!

O problema é que agora as pessoas precisam ter mais habilidade com as palavras para não serem mal interpretadas. Claro que o Jair Ventura não tem aversão a estrangeiros, pois trabalha com vários, já morou fora e seu pai foi técnico em outros países. Mas a imprensa prefere jogar lenha na fogueira do que orientá-lo nesse jogo de palavras. Na coletiva do Diego, do Flamengo, o jornalista insistia nessa questão.

(Foto: Reprodução)

(Foto: Reprodução)

A verdade é que o futebol virou tema de revistas de celebridades, recheado de fofoquinhas, de quem está namorando com quem, da roupinha da moda, do pagode da vez. Futebol que é bom, zero. E a imprensa tem muita culpa nisso.

Xenofobia eu não sabia o que era, lenha na fogueira eu sempre soube. E Jair Ventura levantou uma questão importante de nossos técnicos não serem valorizados na Europa. E como o admiro, mas não sou seu advogado de defesa, pergunto: “mas eles merecem ser, fazem por onde ser?”.

Eles nunca se mobilizaram, melhor, nunca se prepararam para esse mundo globalizado e por que sair do Brasil se aqui eles não ficam desempregados? Aqui o treinador é demitido e no dia seguinte assume em outro clube, aceitam passivamente serem mandados embora com um mês de trabalho, engolem sapo atrás de sapo. Repare, são sempre os mesmos. E, sem querer desanimá-los, na Europa, a cultura é outra.

Na Inglaterra, por exemplo, Arsène Wenger, técnico do Arsenal, está desde 1996 e, aos 67 anos, renovou por mais duas temporadas. Professores, podem cantar “o melhor lugar do mundo é aqui e agora!”.