ÚLTIMO MAESTRO TRICOLOR DA VIDA DO NELSON RODRIGUES

por André Felipe de Lima

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Lá pelos idos de 1976, os ex-craques tricolores Gil e Pintinho se preparavam para mais uma jornada do Fluminense fora de casa. O jogo seria em Volta Redonda. Ao chegarem ao estádio local, decidiram espiar o jogo preliminar e se encantaram com o garoto mirrado chamado Wanderley Alves de Oliveira, cujo apelido era “Delei”, um menino que se inspirava em Gerson para fazer passes longos e que logo em seguida pisaria nas Laranjeiras para trilhar uma estrada consagradora com o manto grená, branco e verde. Delei foi um dos últimos brilhos tricolores que a retina do imortal tricolor Nelson Rodrigues enxergou antes de nos deixar após o título estadual do Fluminense em 1980, jogando ao lado de Cláudio Adão, Gilberto e Edinho.

Delei, maestro incomparável, começou a reger a orquestra da rua Álvaro Chaves e logo entraria para a história como um dos mais habilidosos meias-armadores que já passaram pelo Fluminense.

Com 1,72m de altura, exibia grande visão de jogo e executava lançamentos com maestria, um dos quais deixou Assis de frente para o goleiro Raul, do Flamengo, na final do campeonato carioca de 1983, aos 43 minutos do segundo tempo. Aquele time do Tricolor seria, após a conquista sobre o Rubro-negro, um dos melhores já formados em toda a história nas Laranjeiras, mas Delei temia pelo futuro do elenco caso não saíssem do Maracanã com a vitória sobre o Flamengo. “Eu acreditava [no título], mas temia que, se não ganhássemos, o time fosse desmontado. Isso era uma rotina no clube”. O craque não disse nenhuma impropriedade.

O Fluminense atravessava realmente uma fase de descrédito após desempenho sofrível nos campeonatos que disputou em 1982. No final da temporada, Delei, por pouco, não trocou as Laranjeiras por Moça Bonita. Na época, o bicheiro Castor de Andrade, patrono do Bangu, apresentou proposta por Delei, mas o presidente do Fluminense, Sílvio Kely, desistiu da negociação. Por Delei, o negócio seria fechado. Afinal, em setembro de 1982 a situação não estava fácil para ele. Com o salário atrasado de 400 mil cruzeiros, o craque morava de favor na casa da irmã.

Nos meses seguintes, tudo acabaria sendo acertado entre cartolas tricolores e Delei. Para o bem do Fluminense, que iniciaria no ano seguinte uma de suas maiores trajetórias em todos os tempos, com um time de ouro cuja liderança no meio campo seria do maestro Delei, orgulho do seu Sebastião e da dona Conceição.

Hoje é aniversário do Delei. Parabéns ao maestro!