Wendell Pivetta

SER CRUZ ALTA

por Wendell Pivetta

Foto: Vinicius Carvalho

Foto: Vinicius Carvalho

Fazer futebol no Interior do RS nunca foi e jamais será fácil. E a SER Cruz Alta, apesar de todas as dificuldades financeiras e pouco apoio das grandes empresas, insiste em manter o futebol ativo durante o ano. Porém, não tem sido fácil. Taxas, viagens, INSS, FGTS, fardamentos, alimentação de atletas, despesas diárias e demais custos pesam e muito no bolso. Por isso, contamos com você torcedor.

Ajude o time de Cruz Alta e região a encerrar bem a temporada de 2019 com um ótimo desempenho na Copa Seu Verardi. A sua contribuição, independentemente do valor, nos ajudará muito a quitar todas as despesas e assim, poderemos em 2020, entrar com o pé direito para a quarta temporada consecutiva de futebol."

Este é o resumo de um pedido por ajuda de uma equipe que luta pelo seu quarto ano de sequencia no interior do Rio Grande do Sul. A SER Cruz Alta existe há muitos anos, porém conseguiu há pouco tempo voltar e proporcionar um sonho de futebol para torcida e atletas que almejam o futebol profissional. Esta equipe participa no início do semestre da terceirona gaúcha, e aproveita no segundo semestre para participar da Copa Gaúcha que inclusive concede vaga ao campeão para participar da Copa do Brasil. Vale ressaltar que sua equipe SUB-15 joga o estadual de futsal.

Em poucos anos de reestruturação, a equipe consegue se manter bem nas competições em que disputa, conquista pontos fundamentais e conta com uma ótima assessoria de comunicação, fazendo com que atletas de fora venham jogar e buscar melhorar sua imagem profissional. O porém desta história conta com o descaso de algumas empresas que deixam de patrocinar a equipe, fazendo com que a luta seja ainda mais difícil, já que estamos falando de partidas de futebol, um evento. Em casa, o evento custa quase R$ 1.000,00 para que aconteça, contando com suporte da polícia e ambulância, sem falar nas viagens longas, que tem um custo a mais do transporte e alimentação da direção e equipe.

Foto: Vinicius Carvalho

Foto: Vinicius Carvalho

Neste ano, a grande surpresa para a equipe é participar da Copa Seu Verardi, como dita antes, concede vaga ao campeão para a Copa do Brasil. Então a SER Cruz Alta teve por alguns dias sua imagem denegrida, já que um dito cujo "empresário", através do Facebook, estava convocando atletas que queriam disputar a Copa Seu Verardi. Ao entrar em contato com o mesmo, via WhatsApp num número com DDD 87, a equipe foi informada de que o jogador deveria pagar profissionalização, transferência e um investimento inicial de R$ 1.000,00. Neste momento, a SER Cruz Alta teve de reiterar seu compromisso com a transparência e jamais montaria um elenco com o objetivo de causar prejuízos financeiros a atletas e suas famílias.

O futebol do interior não é nada fácil, as competições oportunizadoras acontecem, porém precisa-se de uma força muito forte para as equipes conseguirem jogar e se manter em dia com suas contas. Que tal ajudarmos a SER Cruz Alta, única equipe da cidade no futebol profissional, e apoiar o sonho de muitos jovens que estão na luta? O link está disponível, e a qualquer valor:

https://www.vakinha.com.br/vaquinha/643013?fbclid=IwAR1qvzpYpfXc4DEi34gXDGsKfobU0RQdOBwBll6SBV0rPWlzO70CYT3bUT8  


Fotos: Vinicius Carvalho

RAINHA DO FUTSAL

por Wendell Pivetta

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Parece difícil de acreditar, nos dias de hoje, que o futsal e o futebol já foram atividades proibidas para as mulheres. Esse veto, no entanto, existiu e foi criado no governo do presidente Getúlio Vargas, que proibia às mulheres a prática de esportes como futsal, o futebol, o halterofilismo, o beisebol e as lutas de qualquer natureza.

A Federação Internacional de Futebol de Salão (Fifusa), em 1983, permitiu a pratica desse esporte para as mulheres, assim a Confederação Brasileira de Futebol de Salão (CBFS) tornou oficial o primeiro campeonato do esporte: a I Taça Brasil de Clubes, realizado em 1992, em Mairinque (SP). Batalhas assim, foram oportunizando a força feminina, que até hoje luta dia após dia por melhorias e reconhecimento necessários no esporte, como bem vimos recentemente na Copa do Mundo Feminina.

Hoje nosso bate papo é com uma atleta Cruzaltense, do interior do Rio Grande do Sul para o mundo, Tainã Santos.

Com 29 anos e muita garra, jogou em mais de 5 países diferentes, e já encaminha seu sétimo ano de carreira fora do Brasil. Quando visita o Rio Grande do Sul, a atleta promove torneios solidários, como nos conta com maiores detalhes:

- A ideia do Torneio e dos eventos solidários surgiram através de uma visão minha de poder unir o esporte com a solidariedade . Eu passo o ano inteiro longe de Cruz Alta, então faço questão de organizar os eventos aqui que já se estendem pela região para que o futsal feminino aconteça e para que as pessoas possam entender que o nosso pouco pode ser muito na vida de outras pessoas.

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Em um senso comum, seja jogador masculino ou feminino, campo ou salão, sabemos que o atleta abdica de muitas coisas em sua vida, antes de chegar ao seu auge e estrelismo firmando sua carreira. Aprender novas línguas e costumes estrangeiros então se torna uma tarefa ainda mais árdua, porém nada é impossível como ela nos conta:

- Viver fora do país tem seus altos e baixos. A vida de uma atleta e em específico jogadora de futsal requer muito pulso firme além de muita fé. Eu não imaginei que eu iria tão longe mas quando as pessoas me perguntam até quando eu quero permanecer eu digo sempre até que Deus me permita. Decidi sair de casa com meus 17 anos para viver sem meus pais foi a coisa mais dolorosa e também desafiadora que eu já fiz. Estou há 6 anos já no futsal europeu e tem sido uma vivência incrível. Penso que minha fé e minha dedicação além de muita força de vontade foram sempre os diferenciais na minha carreira. Sinto uma saudade imensa da minha família e dos meus amigos conterrâneos, mas sem dúvida alguma viver esse sonho de viver na Europa e estar indo para o 5º ano de Itália além de Russia e Espanha é sem dúvida uma conquista e tanto. Em minhas palestras e em meus eventos tanto para criança jovens e adultos eu sempre digo: acreditem nos seus sonhos e trabalhem dia a dia para que eles se realizem porque tudo é possível ao que crê.

Com certeza esta atleta é um ótimo exemplo de esforço e procura pela melhora em sua carreira, e também ampliando para todos que lutam pela tão sonhada carreira de sucesso no futebol. O Futsal é mágico, não tão bem visto como o do gramado, mas tem suas belezas que no campo não se pode fazer com sabedoria como o chute de bico, a rotação até proporcionar o ataque exato, dentre outros lances que geram dribles, mais recursos ao atleta para demonstrar sua habilidade. Porém a quadra é dura e judia mais do físico, algo que deveria ser ainda mais valorizado. O que falta para o berço do futebol de qualidade ser bem visto? Tantos craques da quadra hoje atuam no campo, e acontece um descaso neste meio período que não podemos mais descuidar.

O GIGANTE ADORMECIDO

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No final de semana, exatamente no domingo 16 de junho deste ano, aconteceu a final do Citadino de Campo categorias Livre e Veterano na cidade de Cruz Alta. Esta cidade gaúcha conta com uma média de 62 mil pessoas, famosa por ser a terra do grande poeta Érico Veríssimo, da Universidade de Cruz Alta (UNICRUZ) e da saudosa equipe do Guarany, que hoje sofre com o descaso de algumas pessoas que o deixou financeiramente falido.

Em tempos de ouro, o Guarany participou e conquistou títulos de expressão, participando da primeira divisão do Campeonato Gaúcho. Seu legado maior hoje se trata do seu estádio, localizado na região central da cidade, a Taba Índia. O Guarany inaugurou seu estádio em 1929. Porém, logo em seguida, em 1930, fechou as portas e enfrentou um recesso de 12 anos, retornando às atividades em 1942. Hoje, conta com problemas na infraestrutura, porém não interditado completamente, mantém seu gramado em ótimo estado e consegue receber um bom público pagante em sua arquibancada geral. 

Eu nunca havia entrado no estádio do Guarany de Cruz Alta, apenas passava pela frente em direção a universidade, por três longos anos foi assim, e agora com a decisão do torneio local, ao entrar e fazer a cobertura fotográfica dos jogos, é possível presenciar um misto de antiguidade em meio ao futebol local. Grande dia para vislumbrar pela primeira vez por dentro um estádio cheio de histórias e que até então eu apenas passava pela frente. Mais de 1200 pessoas se fizeram presentes nas finais do Citadino 2019. O que é o futebol sem o grande público? Até o melhor dos atletas, sente o peso de centenas de pessoas fora do gramado incentivando ou vaiando.

Fica aqui alguns registros dos jogos, decisões dos veteranos e livre, mas deixo claro que a emoção de entrar dentro de um palco deste porte pesa na alma, o gigante adormecido ainda tem sua emoção e os gritos de gols resguardados. Torcida presente, atleta indo na grade para comemorar o gol beijando sua esposa, bandeirão esticado e o gol sendo comemorado com beijo no escudo do clube frente a torcida. Coisas que só o futebol pode apresentar, e de lambuja, torcedores invadindo, através da grade de segurança, o campo para comemorar com o seu time, coisas do futebol de várzea.

Fotos dos jogos: 

Construtora Predilar 2x0 São Paulo 

Academia 0x3 Boa Parada B 



NEM A DISTÂNCIA SEPARA

por Wendell Pivetta

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Amor pelo clube do coração é algo inexplicável. Não existem fronteiras para dedicação do torcedor, ainda mais aquele que mora longe do estádio, que muitas vezes acaba falecendo e nunca teve a oportunidade de assistir o clube do coração na cancha futebolística. Algumas cidades ainda fazem excursões, porém o custo é alto, até porque os estádios ficam cada vez mais elitizados e não compreendem talvez que boa parte do público venha de longe.

No caso de hoje, conto a história da minha cidade, Tupanciretã, fixada no centro do Rio Grande do Sul, com a torcida Camisa Vermelha, que em média, 1 vez por mês marca presença no Beira Rio. Eliandro Amarante, criador do movimento, começou a divulgar e reunir pelos bares com transmissões dos jogos e via Whatsapp a ideia de ir para o estádio, ver pela primeira vez seu time de coração atuar no gramado que, ao vivo, era muito mais verdinho. A cidade costumava ir apenas uma vez ao ano para o estádio, e hoje a realidade já é outra, tendo em média um micro ônibus mensal, dobrando inclusive o quadro de sócio torcedor da cidade pelo Clube do Povo do Rio Grande do Sul.

A viagem tem o total de 800 quilômetros, cerca de 5 horas de viagem, para até então, ter participado de 13 jogos, nenhuma derrota e apenas um empate assistido que foi neste ano, diante do River Plate pela Libertadores da América (dados levantados antes da parada da Copa América). Famílias percorrem a longa estrada para vislumbrar o grande evento que é uma partida de futebol da capital, algo que não tem preço para os organizadores das excursões que passam semanas organizando e reunindo o dinheiro, contatando empresas com transporte, e garantido o ingresso de todos para dentro do jogo. 

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Nossa primeira partida que a excursão vislumbrou foi o jogo Internacional 2x1 Corinthians pelo Brasileirão de 2018. Lotaram uma van de 15 pessoas, um dos transportes mais difíceis para percorrer 5 horas de viagem, porém naquela data o nosso país enfrentava a greve dos caminhoneiros, e a falta de gasolina era algo que cada vez mais iria se tornando realidade entre os transportes. Quando chegamos e entramos no estádio, era possível ver o aglomerado de pessoas, e sem perceber o sangue ia fervendo, o coração mal parava de bater e isso tudo só de entrar estádio a dentro, então, quando você passa pelo corredor, o Beira Rio no setor inferior conta com escadas para você subir até a parte do gramado, e subindo pela primeira, e ainda até hoje, não existe colorado que não se arrepia todo ao ver a imensidão do estádio, da beleza fenomenal do interior e aquele sol que bate no gramado e o torna ainda mais verde. O torcedor se sente completamente em casa. Sem falar as histórias do pré jogo, como por exemplo ao passarmos por dentro da Porto Alegre vazia, visualizamos o ídolo e ex-zagueiro Índio andando a pé para o estádio, ou no clássico gre-NAL que ao estacionarmos nosso ônibus, começamos assar a carne do almoço e fazer uma cantoria, logo chega torcedores de outra cidade, Horizontina, para tocar com nós e em menos de 2 minutos o local encher de torcedores vislumbrando do mesmo momento mágico.

Encarar frio, chuva, falta de sono e preços absurdos ao totalizar passagem, ingressos e alimentação realmente é algo que prova a força das excursões do interior do estado para assistir aos espetáculos, e a Camisa Vermelha de Tupanciretã é uma ótima representante destes momentos que só o torcedor passa. 

ÍDOLO IMORTAL

por Wendell Pivetta

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Fernando Lúcio da Costa, mais conhecido como Fernandão (F9), é o cara que qualquer colorado sente dor no coração, faz escorrer uma lágrima pelo olho e bater com força no escudo da camisa do Sport Club Internacional com o pensamento que o eterno capitão honrou a camisa do colorado dos pampas. 

Nascido em 18 de março de 1978, tendo sua formação para o futebol profissional nas categorias de base do Goiás, o atacante de 1,90m, destro e de cabeceio potente passou pelo futebol francês (Olympique de Marseille e Tolouse, entre 2001 e 2004) antes de defender o Clube do Povo. Em 2004, aos 26 anos, chegou ao Beira-Rio em uma contratação feita especialmente pelo ex-presidente Fernando Carvalho. Na época que Fernandão estreou pelo clube eu era jovem, tinha meus 9 anos e ainda não ganhara minha camisa do Inter. Meu pai e meu avô eram colorados, mas não forçavam em tentar me fazer do Inter, então não me apoiavam em torcer, apenas ligavam a TV. Eu já havia pegado gosto pelo clube e cada vez mais me envolvia com o futebol, e meu amor só aumentava, ainda mais quando via a frase: "O Clube do Povo do Rio Grande do Sul" ou " OClube que ergueu seu estádio sobre ás águas do Guaíba". Era magnífico ouvir estas histórias e ver o clássico gre-NAL que naquela fase tinha o rival rebaixado.

Quando vi a chegada de Fernandão foi logo pela TV, na escalação dele na linha de frente no clássico gre-NAL 360 vencido por 2 a 0 pelo Inter, no Beira-Rio, pelo Brasileirão. O F9 foi chamado do banco de reservas pelo então técnico Joel Santana, o atacante entrou no segundo tempo e fez uma estreia de gala. Aos 33 minutos, aproveitou um cruzamento de Élder Granja vindo da direita e cabeceou de forma convicta para colocar a bola no cantinho direito, sem chance para o goleiro Tavarelli. Fernandão ajoelhou-se no gramado e eu pulava de faceiro, era diferente ver o Fernandão jogando pois ele assumia de certa forma a responsabilidade e se destacava na impulsão, marco imprescíndivel que logo na sua estréia o coroou com o gol 1000 do Gre-Nal! O feito rendeu até placa comemorativa que foi fixada no vestiário do Gigante da Beira Rio.

Naturalmente o capitão foi assumindo sua titularidade e braçadeira, sempre se saindo bem em suas entrevistas respeitando o adversário, comandava a esquadra vermelha para muito além do possível, unindo um time que pintou o mundo de vermelho, e que treinou e ensinou outro craque a ter mais responsabilidade e amor pelo clube: D'Alessandro. A campanha de 2006, depois de um Brasileiro ridículo e marcado pelo roubo, fortaleceu ainda mais o grupo por algo maior, e a Libertadores veio após uma final inesquecível contra o poderoso São Paulo. O atacante desempenhou o fino futebol e foi o artilheiro do time, com cinco gols. Na finalíssima contra o São Paulo, no memorável dia 16 de agosto, coube a Fernandão a honra de abrir o placar, e a imagem da emoção estampada no seu rosto na comemoração segue cristalina na memória de todos, ainda mais da minha, que o olhou em uma TV minúscula, o frio era de quase 0 graus, mas nada me impediu de pular e comemorar a taça de pijama. É inenarrável retratar a minha alegria após este jogo. Quatro meses e algumas horas depois, em 17 de dezembro, o eterno capitão protagonizou o momento mais sonhado por qualquer colorado. Na distante Yokohama, no Japão, o ídolo ergueu sobre a cabeça o troféu do Mundial de Clubes FIFA. Ao vencer o poderoso Barcelona por 1 a 0, com gol de Adriano Gabiru, o Inter encerrava o ano no topo do mundo. Ninguém no planeta era páreo para o Colorado dos Pampas! E, mais uma vez, Fernandão foi fundamental. O Sul calava o mundo, e o Clube do Povo recebia, no Beira Rio, Fernandão com a taça na mão para cantar com os colorados presentes "Vamo, vamo, inter..."

O que este cara fazia era muito além do que um clube poderia contar. Capitão de verdade, respeitador e respeitado, marcou eternamente a minha vida e a de todos os colorados. Fernandão ainda foi treinador do Internacional, com passagem curta, mas sempre admirado. Acabou falecendo cedo, e de forma trágica, o que todos sabem. Ganhou estátua no Beira Rio, mas ganhou a eternidade na memória de todos que viram sua passagem pelo clube, principalmente naquele domingo de manhã, num verão em que apenas os colorados, e só os colorados acreditaram no clube que vestia branco e pintava o mundo de vermelho, com um capitão, um tal de Fernandão. 

 Eu
 nunca me esquecerei
 dos dias que passei
 contigo, INTER

 Colorado é coração,
 trago, amor e paixão

 Pra sempre INTER
(2x)

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