Torcida

TUA CAMISA, TEU TRAPO, TEU ESCUDO

por Claudio Lovato  

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Sem bandeiras, sem trapos, sem música.

 

Foi uma decisão do Ministério Público para punir a Organizada. Todos sabiam que aquilo era resultado de uma velha rixa com a Polícia Militar. No último episódio, um integrante foi agredido sem que ninguém entendesse o motivo. Então vieram dois, três, 10, 30 companheiros em seu socorro. E, agora, é isto: sem bandeiras nem trapos nem banda na final do estadual contra o arquirrivalhistórico. 

 

Eles foram chegando em silêncio e ocuparam seu espaço atrás de um dos gols. 

 

O primeiro gol demorou a sair, mas, depois dele, logo vieram outros dois. E assim terminou o primeiro tempo: três a zero e um banho de bola. 

 

No segundo tempo, o baile continuou, e o time logo chegou aos quatro a zero.Então, aos 20 minutos de jogo do segundo tempo, uma movimentação diferente teve início no espaço destinado à Organizada.

 

Eles tiraram a camisa do time, abriram-nas ao lado (o lado em que, na noite anterior, haviam cortado com tesoura e costurado de novo, costura bem leve e propositalmente precária) e então tiraram os cintos e os passaram pela fenda que também haviam feito com tesoura, na altura da etiqueta, e depoiscomeçaram a girar suas improvisadas bandeiras sobre a cabeça, todos eles, girando suas camisas cortadas e descosturadas como se fossem bandeiras e quando o time fez o quinto gol eles começaram a entoar seus cantos com o máximo de potência que seus pulmões e gargantas e paixão permitiam e de repente surgiram trapos, um, dois, três, dez, camisas amarradas umas nas outras descendo do último ao primeiro degrau lá embaixo e então todos no estádio se levantaram e os aplaudiram e cantaram os cantos há muito tempo conhecidos de todos, e eles seguiram em festa de cantos, camisas, bandeiras, trapos, celebrando as cores e o escudo do clube que amam – celebrando o símbolo que é maior do tudo e que não pode ser, e jamais será, silenciado, adestrado, neutralizado.

DEIXEM-NOS ENTRAR

por Paulo Escobar

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Deixem-nos entrar com as bandeiras, instrumentos e nossas faixa, não nos privem e reprimam a festa que somente a torcida que sofre e se alegra com seus times pode proporcionar.

Parem de nos privar do privilégio dos estádios e viajar com nossos times que são nossa religião, nos privar com os preços de ingressos inacessíveis para nos barrar do prazer de exercer a nossa fé.

Deixem-nos cantar e xingar sem tanto moralismo que procura punir manifestações dentro dos estádios, símbolo daqueles que também querem desabafar as agonias da semana pobre que nos destinaram a viver desde que nascemos.

Deixem-nos tocar os instrumentos e ter a liberdade de torcer que até hoje nossos irmãos argentinos possuem, privilégio que nos gera inveja e ciúmes quando vemos como são felizes e participantes do jogo dentro e fora de campo.

Parem de querer que engulamos que torcida é esse público de teatro que mal sabe cantar os cânticos ou então que mal sabe o que é realmente sofrer pelo seu time de coração. E deixem de insistir que o jeito certo é torcer sentado sem poder pular ou expressar nossas paixões de formas diversas.

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Deixem-nos acender sinalizadores, fumaça e papel picado nas entradas dos nossos times, pois queremos no meio da festa lhes dar as boas-vindas e manifestar que ali estamos presentes alentando.

Deixem os nossos rivais entrarem na nossa casa e podermos comemorar nossas vitórias com eles presentes, e parem de nos culpar pela violência que é uma questão muito mais ampla e gerada socialmente por muitos acima de nós. 

Deixem de insistir em reprimir nossas paixões, e parem de chamar de invasões o que muitos de nós fazemos quando queremos entrar de alguma forma daquilo que vocês nos privaram através da barreira econômica imposta nos preços, aonde mostram que lugar de povão é do lado de fora.

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Parem de achar que é democrático abrir as portas de treinos gratuitos e nos barrar dos jogos, que é o que realmente vale a pena assistir.

Já nos roubaram os estádios, já nos tomaram os acessos, já nos proibiram de tudo e tentaram nos colonizar. Mas a única coisa que nunca vão tirar de nós é a paixão e fé que temos naquilo que nos move que é o torcer e manifestar nosso sofrimento e amor.

VIVA OS TORCEDORES!

:::::::: por Paulo Cezar Caju ::::::::

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Amigos, perdoem-me por minha acidez. Adoro os torcedores ingênuos, os puros, os que vestem a camisa do clube um dia após o time ter levado aquela terrível goleada. São eles que mantém o futebol vivo e que ainda vão aos estádios com chuva, frio, crise financeira, violência e nesses horários absurdos que programam as partidas. Entrar para jogar em um estádio vazio é desanimador.

Perdoem-me por minha acidez, mas vejo futebol com outros olhos. Não caio em certas arapucas publicitárias usadas para promover o espetáculo, como contratar Pelé por um dinheirão para promover o Carioca e, agora, essa campanha pedindo paz nos estádios. Tudo soa falso, tudo parece prestação de contas com os patrocinadores. O torcedor quer craques, bons jogos e preço barato. Craques os clubes desaprenderam de fazer.

Amigos, perdoem-me por minha acidez, mas quem foi o destaque do primeiro turno do Brasileirão? Sem clubismo, respondam-me? Qual foi a revelação surgida? Os destaques do líder São Paulo são Nenê e Diego Souza, peraí!!

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O Aguirre é aquele treinador que quando o seu time faz um gol tranca-se na defesa, igualzinho a Zé Ricardo que veio para o meu Botafogo e Mano, do Cruzeiro. Felipão, nem vou falar mais. Cuca chegou para o Santos e Gilson Kleina foi demitido pela milésima vez nesse ano. Mas se bobear já está empregado porque esse troca-troca já virou rotina. O Adilson Batista voltou, agora para o América-MG. Gosto dele! Tá vendo, gosto de alguém, Kkkk!!!

O Flamengo, me perdoem, é carregado por sua torcida, essa, sim, um espetáculo. O time não me agrada e um “maestro” que não gosta de se despentear fica bem complicado. Curioso é que normalmente os maestros são despenteados, Kkkkk!!!!

Para o Internacional estar na colocação em que está dá para sentir o nível do campeonato. O time é muito, mas muito, fraco. Seu rival, Grêmio, tem Léo Moura, Madson e Cortez nas laterais, e Jael, de centroavante, precisa dizer mais? Nesses times qual a grande surpresa?

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Tite foi ver um jogo do Grêmio e deve ter ido ao banheiro quando Luan fez um gol. Porque isso também é preciso ser levado em conta. Do que adianta ser destaque para os torcedores se não é para Tite e seu filho, o observador técnico da vez? Eles dois vão observar quem são os novos Fernandinhos, Paulinhos e Casemiros. Não levou um centroavante para a Copa e agora querem observar Pedro, do Fluminense, vai entender...

Amigos, perdoem-me por minha acidez, mas qual será o time da Copa América? Qual o discurso da vez? Qual a lenga-lenga? Mas, PC, nada está bom nesse Brasileirão? Vejam, tecnicamente é medíocre e a torcida não abandona de vez porque essa é a sua religião. Claro que o Everton, do Grêmio, é bom de bola, o Pedro, o Paquetá. Mas, acreditem, isso é pouco, muito pouco para quem um dia já foi considerado o país do futebol.

MACACO TIÃO

:::::::: por Paulo Cezar Caju ::::::::

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Olha, posso estar enganado, mas pelas últimas conversas que tenho ouvido não estou mais sozinho nessa história de “não estar nem aí para essa Copa”. Sinto que outros ranzinzas juntaram-se a mim. Não sei se chegaram a usar uma camisa da Suíça, como venho usando, mas juntaram-se.

Usar uma camisa da Suíça é mais ou menos como votar no Macaco Tião, uma forma de protesto. Me perdoem os torcedores fanáticos, mas essa seleção não me representa. A CBF, FIFA, dirigentes, empresários, o técnico, nada me representa.

Qual o sentido de o filho do Neymar descer de helicóptero no campo? Para que essa ostentação desnecessária em um momento como esse?

A seleção virou um produto de marketing exagerado, pernas de pau super valorizados, discursos para boi dormir e blábláblá. O Felipe Luís, em uma coletiva, disse que, hoje, a relação entre torcedores e jogadores é bem mais próxima por conta das redes sociais. Isso só pode ser piada.

Antigamente se eu jogasse mal o torcedor reclamava comigo, direto, olho no olho, na rua, na praia ou no “Noites Cariocas”, evento no Morro da Urca, onde eu sempre marcava presença.

Como eu posso ligar para essa Copa depois de tudo o que fizeram com o Maracanã? E os elefantes brancos que espalharam pelo país? Ficou tudo por isso mesmo!

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Qualquer pesquisa aponta o torcedor se afastando dos estádios. É preço, é horário, é violência e é a péssima qualidade do espetáculo. Quem resiste? O que mudou na vida do torcedor após termos vencido a Olimpíada? Ele ficou mais confiante? Zero!!! E se vencermos a Copa? Zero!!!

O que discuto é esse distanciamento, a perda de identidade e como conduziram de forma tão desleixada a maior paixão do brasileiro.

Por isso, reforço, que Macaco Tião é a salvação!!!

FUTEBOL É PARA POBRE, RICO E ATÉ MESMO PARA ALGUNS IDIOTAS

por Mateus Ribeiro

Vivemos dias difíceis em todos os aspectos de nossas vidas. Seja no âmbito social, seja no pessoal, seja no econômico, já diria aquele ditado, “não está fácil para ninguém”.

Como se não bastasse o Celtic x Rangers da nossa política, a crise social, o Tsunami de preconceito e intolerância, nossa maior paixão, o já judiado futebol, passa por um período nebuloso.

Não é de hoje, todos nós sabemos, que passamos por dificuldades dentro e fora de campo. A qualidade foi para o fundo do poço, seja dos nossos jogadores, seja dos nossos queridos cronistas que aprenderam futebol através de jogos eletrônicos. Como se todo esse cenário todo não bastasse, nosso bolso também sofre.

Ingressos com preços de uma cesta básica (não só aqui, mas em qualquer lugar do mundo) para assistir um futebol tão empolgante quanto um acústico do Julio Iglesias representam um crime hediondo da pior espécie. É o fenômeno dos estádios faraônicos, construídos para atender a vontade de dirigentes e empresários gananciosos ,atingindo quem deveria ser espectador, e virou vítima: o pobre torcedor.

Qualquer um que seja um pouco mais esperto sabe que para se assistir qualquer partida de futebol hoje, uma mísera nota de 50 reais já não é mais suficiente. Se você tiver o azar de torcer para algum time de primeira divisão, o buraco é mais fundo, uma vez que alguns ingressos ultrapassam os três dígitos na hora do pagamento. Uma pornografia. Um valos obsceno.

Estamos falando do futebol. o esporte que um dia uniu povos. O esporte que faz o dono da empresa sentar ao lado do desempregado. O esporte que faz o presidente da nação abraçar quem ganha mil vezes menos que qualquer político na hora do gol. O esporte que não precisa de mais do que uma bola para ser praticado. Acredite se quiser, o futebol é tudo isso, apesar de ter virado essa balada top nos dias atuais.

O mais triste de tudo: existe quem defenda isso. E não estou falando de “torcedor” que paga 500 reais pra gritar que é brasileiro com muito orgulho e com muito amor. Estou falando de cachorro grande. Mais precisamente de Alexandre Kalil.

Alexandre é uma das personalidades mais abomináveis e desnecessárias do mundo do futebol. Um falastrão, que sempre se notabilizou por suas opiniões polêmicas . A sua diferença para dirigentes antigos é que Kalil não tem carisma. E provou também não ter caráter, ao afirmar que “… no mundo inteiro, futebol não é coisa para pobre…”, dentre outros impropérios. Para quem tiver estômago, segue o link : https://brasil.elpais.com/brasil/2017/07/14/deportes/1500068233_300420.html

Pois bem, vamos aos fatos. Realmente, o ingresso é caro, muito caro. Acontece que pessoas que já vivenciaram (e talvez vivenciem ainda) o meio do futebol, DEVERIAM fazer o mínimo de esforço para mudar o quadro. Como é que quem ganha um salário mínimo vai ter a oportunidade de levar os filhos, o par amoroso, os pais, ou até mesmo ir sem companhia ver seu time do coração? Chega a doer os olhos ler uma declaração dessas, ainda mais vindas de quem sempre se mostrou torcedor do clube que dirigiu. Porém, tais palavras se mostram fundamentadas partindo de alguém que aparentemente gosta muito de dinheiro, já que o fanfarrão ajeitou seu burro na sombra através da maneira mais fácil de se ganhar dinheiro sem fazer nada, ao conseguir se tornar prefeito da capital mineira.

É claro, óbvio e evidente que essa banana podre não vai se importar com o torcedor, com o povo, com a situação do futebol atual, que seja. Não apenas ele, mas grande parte dos dirigentes, gestores, políticos que poderiam mudar a situação dos fãs de um dos maiores PATRIMÔNIOS CULTURAIS do nosso país estão se lixando. O importante é o bolso cheio, mesmo que seja com o estádio vazio.

(Foto: Agência O Globo)

(Foto: Agência O Globo)

O plano de transformar estádios em camarotes vips para a turma mais abastada continua a todo vapor. Em Minas Gerais, em Itaquera, e em todo lugar do planeta, como disse o já citado mandatário. A elitização só não é um fato consumado porque ainda existe quem sacrifica o lazer para se martirizar em uma partida de futebol do clube do coração.

Apenas para finalizar, é legal ver o rico no estádio. Mas é legal ver o pobre também. Da mesma forma que é legal ver todo mundo. Afinal, o futebol é para todo mundo. Para o rico, para o pobre, e para alguns imbecis. você pode se encaixar onde quiser, Kalil!