Time dos Sonhos

SÉRIE ‘TIME DOS SONHOS’: ‘HONRANDO AS CORES DO BRASIL DE NOSSA GENTE’

por André Felipe de Lima

A série “Time dos sonhos”, um projeto oriundo da enciclopédia “Ídolos – Dicionário dos craques”, apresenta, nesta terceira edição, o maior Botafogo de todos os tempos. Montar um esquadrão alvinegro, percorrendo mais de 100 anos de uma gloriosa história recheada de craques inesquecíveis, é, no mínimo, um risco de “lesa-pátria”. Mas nossa odisseia pela história dos principais heróis botafoguenses nos permite a arrogante (porém pertinente) escalação. Vamos lá, então. No gol, é ele: Manga (1959 a 1968). O grande Manguita. Não há como discordar que o arqueiro foi o maior que o Botafogo já teve. Em nove anos de clube, conquistou quatro vezes o Campeonato Carioca, em 1961, 1962, 1967 e 1968. Foi também campeão da Taça Brasil, em 1968, e do Torneio Rio-São Paulo, em 1962, 1964 e 1966. Manga integrou aquele que é, até hoje, o melhor time montado pelo Botafogo. “Em 1959, o João Saldanha foi ao Recife, onde eu jogava pelo Sport, e me levou para o Botafogo, quando eu tinha 21 anos. Lá joguei dez anos, participando de conquistas históricas. Serei Botafogo até morrer”, disse ao repórter Rogério Daflon, em 2008. O mesmo Saldanha, que completaria 100 anos no último dia 3 de julho, acusara Manga de ter feito corpo mole em um jogo contra o Bangu, na final do Campeonato Carioca, de 1967. Indignado com o que acreditava ser verdade, o João “Sem medo” correu atrás do goleiro, com arma em punho, e disparou o balaço. Manga escapou por pouco. “Fiquei muito chateado, porque sempre atuei em campo com a maior seriedade, e o Botafogo venceu aquela decisão por 2 a 1. Quando vi o Saldanha armado no Mourisco, atirando em mim, resolvi correr. Daquela forma, não havia como enfrentá-lo. Um mês depois, fizemos as pazes e ficou tudo bem”.

Manga (Foto: Severino Silva)

Manga (Foto: Severino Silva)

As mãos, com os dedos todos tortos, dimensionam o empenho de Manga no arco alvinegro e nos de outros grandes clubes brasileiros, como Sport, Inter, Coritiba e Grêmio. Modesto, costuma dizer que apenas procurou “fazer o melhor” pelo Botafogo e que cabe aos jornalistas dizerem se foi ele ou não o melhor goleiro da história do Botafogo. Concluímos que sim, Manga.

Mas seríamos injustos com a história do Fogão se omitíssemos outros grandes arqueiros que passaram por General Severiano, ou mesmo por Marechal Hermes, no momento mais triste do Botafogo. O niteroiense Victor Corrêa Gonçalves, o Victor (1929 a 1934 e 1934 a 1935), foi, talvez, o primeiro grande goleiro a verdadeiramente brilhar pelo Glorioso. Um genuíno paredão do time que conquistou os Campeonatos Cariocas de 1932 (competição em que permaneceu 15 rodadas sem sofrer gols), 1933 e 1934. Ficou até 1935 no clube, mas não chegou a defendê-lo na campanha do “tetra”, naquele mesmo ano. Uma contusão em fevereiro, durante uma peleja contra o River Plate, determinou o fim prematuro da carreira do goleiro. Apelidado de “Gatinho”, Victor, diziam, entrava em campo sob a regência etílica de uma boa dose de cachaça para, justificava aos cronistas, encorajá-lo em campo. Parece que dava certo. Mas Victor não teve vida fácil no arco do Fogão. Teve de conviver com dois fortíssimos adversários na posição: Germano Boettcher Sobrinho (1928 a 1935), que esteve na Copa do Mundo de 1934, e Roberto Gomes Pedrosa (1930 e 1934), que jogou pouco pelo Botafogo, mas o suficiente para que fosse lembrado para o gol da seleção brasileira, junto com Germano, na Copa de 34. Aliás, o elenco do Brasil naquele mundial, marcado pela rixa entre cariocas e paulistas, contou com oito jogadores alvinegros.

Logo após Victor deixar os gramados e Germano e Pedrosa buscarem outros rumos para suas carreiras, o Botafogo acolheu um rapaz baixinho e muito magro para vestir a camisa número um. Chamava-se Aymoré Moreira (1936 a 1946), irmão do renomado treinador Zezé Moreira. Apesar da baixa estatura, voava na bola como poucos. Outras feras no gol do Botafogo foram Ary Nogueira César (1942 a 1950), egresso do Coritiba, onde foi ídolo, Osvaldo Baliza (1944 a 1953), que fechou o gol alvinegro no antológico título carioca de 1948, Cao (1965 a 1974), o que ocupou a vaga de Manga, em 1968, Paulo Sérgio (1980 a 1984), terceiro goleiro da seleção na Copa de 82, Wagner (1983 a 2002) e Jefferson (2003 a 2005 e 2009 até hoje), que, para muitos, é o segundo melhor goleiro da história do Fogão, simplesmente pelo arrojo, classe e longo histórico que construiu no clube.

Na lateral-direita, o nome é Carlos Alberto Torres (1971). Bastou apenas um ano no Botafogo para se consagrar, mesmo sem conquistar sequer um título com a camisa alvinegra. Chegou a General Severiano com a fama de capitão do escrete tricampeão mundial, em 1970, no México. Era o “Capita”, afinal.

Morto em outubro de 2016, Carlos Alberto deixou dúvidas entre tricolores, santistas e alvinegros. Para qual time o ídolo torcia, silenciosamente, desde a meninice? Não há o que questionar. O Capita foi o melhor lateral-direito da história dos três clubes. E também não pairam dúvidas sobre a paixão que nutria pelo Botafogo, seu verdadeiro clube do coração. Fato devidamente confirmado pelos mais íntimos amigos do craque. Até o último momento, foi um apaixonado botafoguense. Sempre lamentou a derrota (1 a 0), para o Fluminense, na polêmica final do Campeonato Carioca de 1971. O zagueiro Sebastião Leônidas (1966 a 1971), que também figura nesse timaço e sobre quem falaremos mais adiante, recordou a angústia do Capita naquele domingo, no Maracanã: “Ele saiu contundido após um choque com Marco Antônio e viu, do banco, o ponta-esquerda Lula correr pelo setor que deveria ser o dele e marcar, no último minuto, o gol da nossa desgraça.”

Até Carlos Alberto eternizar-se como o maior lateral-direito botafoguense, houve outro grande jogador na posição: Zezé Procópio (1938 a 1942), que, antes de se destacar no futebol carioca, foi campeão em Minas Gerais, pelo Villa Nova e pelo Atlético. No ano em que chegou ao Botafogo, foi titular da seleção brasileira terceira colocada na Copa do Mundo de 1938, mas deixou uma marca desagradável naquela competição: Zezé Procópio foi o primeiro jogador brasileiro a ser expulso em um Mundial, após dar um pontapé em Nejedly, no empate em 1 a 1 com a antiga Tchecoslováquia.

Outro lateral que brilhou na direita foi Cacá (1958 a 1964), morto recentemente. Além de bom de bola, o ídolo foi líder dentro e fora dos campos. Uma impetuosidade – igualmente a Carlos Alberto Torres - devidamente reconhecida pelas torcidas do Fluminense e do Botafogo. Na década de 1970, despontou outro grande nome na direita: Perivaldo (1977 a 1982), o “Peri da Pituba”, como os saudosos e queridos locutores Jorge Cury e Waldir Amaral. Perivaldo chegou ao Botafogo com a pecha de ídolo do Bahia. Não decepcionou, e caiu nas graças da torcida e do técnico Telê Santana, da seleção brasileira, que convocou o lateral para alguns jogos do escrete canarinho. O fato é que Perivaldo, após abandonar os gramados, sumiu do noticiário. Quase três décadas depois, a reportagem do programa “Fantástico”, da TV Globo, localizou Perivaldo em Lisboa. Outrora ídolo, o craque tornou-se morador de rua na capital portuguesa. Logo após Perivaldo deixar o Fogão, em 1982, surgiu no clube outra revelação na lateral-direita: Josimar (1982 a 1989), um marcador que avançava com impetuosidade pelo lado do campo. O estilo ousado fez de Josimar uma das figuras mais emblemáticas da seleção brasileira na Copa do Mundo de 1986, no México. Josimar, além de gol espetacular, foi um dos poucos jogadores daquele escrete que mereceram elogios após a eliminação diante da França. Fora dos gramados, Josimar teve alguns percalços. Foi preso sob a acusação de que estaria portando drogas. O que nega, até hoje, veemente. Mas Josimar foi, e aqui não cabe oposição, um dos mais empolgantes lateral destros da história alvinegra.

A zaga histórica do idílico Botafogo dos sonhos continua com o argentino Basso (1950 a 1951), que defendeu o clube em poucos jogos. Não chegou nem a 20 partidas, entre setembro de 1950 e janeiro do ano seguinte. Mas foi o suficiente para fazer dele, como muitos cronistas botafoguenses do passado reconhecem, o melhor zagueiro central que já defendeu o Glorioso. O saudoso e querido cronista Luís Mendes o definia como aquele zagueiro “louro, de técnica refinada e que jogava como o Domingos da Guia”. Muitos por aqui ignoram quem foi Basso, e Mendes não exagerou na comparação com Domingos. O craque argentino é considerado um dos maiores jogadores da história do tradicionalíssimo San Lorenzo de Almagro e um os melhores defensores argentinos em todos os tempos. Se Basso aportou em General Severiano, foi graças ao empenho, inicialmente, do famoso repórter (e torcedor do alvinegro, claro) Geraldo Romualdo da Silva, do Jornal dos Sports, que disse a Basso que deveria jogar pelo Botafogo, e, em seguida, do próprio Luís Mendes, que apresentou o craque argentino ao presidente do clube, Adhemar Bebianno. Foi paixão à primeira vista.

Mas outros bons jogadores pintaram no miolo da zaga alvinegra: Nariz (1934 e 1941), que esteve na Copa do Mundo de 1938; Gérson dos Santos (1945 a 1956), que formou zaga com Nilton Santos no título de 1948, e Brito (1970 a 1971, 1973 e 1974), o xerife da seleção na Copa de 70.

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Para formar dupla com Basso, escalamos outro clássico zagueiro: Sebastião Leônidas, um camarada incapaz de chutar a bola a esmo. Ela sempre tinha endereço certo: os pés de algum companheiro rumo ao campo adversário. Leônidas brilhou, primeiramente, no América e depois migrou para o Botafogo. Esteve cotado para ir à Copa de 70, mas uma lesão o tirou de cena. A “Selefogo” de 1968, com Gérson, Roberto Miranda e Jairzinho, teve Leônidas como um dos seus principais craques.

Uma das predileções de Leônidas era derrotar o Flamengo. O zagueiro esteve em campo na goleada de 6 a 0 imposta ao Flamengo, no dia 15 de novembro de 1972, data em que o rubro-negro festejava 77 anos de existência. Por conta do clássico, o zagueiro, em um assomo de sinceridade, traduziu em palavras o mesmo estilo clássico com que tratava a bola. Simplesmente insinuante e mordaz: “O Botafogo é um time de alma moleque e eu me incluo entre os que adoram ver a torcida (do Flamengo) aos prantos. Dá uma extraordinária sensação de bem-estar, porque derrotar o Flamengo é calar toda a cidade.”

Escalaria para a “reserva” de Sebastião Leônidas o grande Gonçalves (1989 a 1990, 1995 a 1997 e 1998). O zagueiro foi a alma do Botafogo campeão brasileiro, em 1995.

A zaga ficará completa com a “Enciclopédia” Nilton Santos (1948 a 1964). Jamais houve (ou haverá) um lateral-esquerdo como ele. Nos corações dos botafoguenses, Nilton Santos é intocável, um gênio que vestiu apenas duas camisas em toda a vida: a do Botafogo e a da seleção brasileira. Comovia o amor que nutria pelo Glorioso. Emocionava a forma como falava do clube. Não... realmente não há como escolher outro jogador para escalar na lateral canhota do Botafogo dos sonhos.

Mas o clube teve outros bons jogadores que atuaram pela linha esquerda da defesa. Heitor Canalli (1929 a 1933 e 1935 a 1940) foi um deles. Com o Fogão, conquistou o Campeonato Carioca em 1930, 1932 e 1933. Perambulou pela Itália, onde defendeu o Torino, sem sucesso. Voltou ao Alvinegro, em 1935, e foi, novamente, campeão carioca. Juvenal (1946 a 1957), campeão em 1948, quando Nilton Santos ainda jogava como zagueiro, foi outro excelente lateral-esquerdo. Teve também o Rildo (1961 a 1966), brilhante na década de 1960 e também ídolo no Santos. O último grande lateral-esquerdo do Botafogo foi Marinho Chagas (1972 a 1976). Um jogadoraço.

Armar o meio de campo do maior Botafogo que desejaríamos ver, sem tempo, sem relógio, não é tão simples assim. O que tem de craque de bola não está no gibi. Tivemos de remanejar um deles, que jogava um pouco mais avançado, para a posição de centromédio ou volante, como queiram. Esse cara é o Gérson (1963 a 1969), o “Canhotinha de ouro” da Copa do Mundo de 1970 e da “Selefogo”, de 1968. Ao contrário do Capita, que foi ídolo do Fluminense e curtia mais reservadamente a paixão pelo Fogão, Gérson é torcedor loquaz do Tricolor, porém ídolo inconteste do Glorioso. Desde que começou, no Flamengo, e depois brilhou intensamente na Seleção, no Botafogo, no São Paulo e no Fluminense, “Canhotinha” falava em alto e bom som que o Fluminense era o time para o qual torcia. Mas, defendendo o Botafogo, e sobre isso não tenho dúvida, Gérson foi muito mais craque. Muito mais ídolo, inclusive. Por isso, encontramos uma forma de fazer dele o par perfeito de Didi (1956 a 1959, 1960 a 1962, 1964 a 1965) nessa meia cancha memorável. Mas o Botafogo, ao longo dos seus mais de 100 anos, vibrou com grandes volantes. Listamos quatro deles: Martim Silveira (1929 a 1933 e 1934 a 1940), titular na Copa do Mundo de 1938; Ávila (1947 a 1952), ídolo eterno do Internacional e ícone da conquista do Campeonato Carioca de 1948; Pampolini (1955 a 1962), o escudeiro de Didi nos timaços que o Fogão montou no final dos anos de 1950 e começo de 60; Alemão (1982 a 1986), que sofreu com a escassez de título para o Botafogo e o período de dureza do clube, quando o futebol alvinegro foi transferido para Marechal Hermes, e, por fim, o holandês Seedorff (2012 a 2014), cuja passagem pelo Botafogo foi sensacional.

De Gérson para Didi, a bola rola fácil, macia, e formamos aquele que seria o melhor meio de campo em qualquer clube. Eleito o melhor jogador da Copa de 1958, Didi, cuja ótima biografia é assinada pelo jornalista Péris Ribeiro, recebeu da imprensa europeia o justo e carinhoso apelido de Mr. Football (Senhor Futebol). Nelson Rodrigues o chamava de “Príncipe Etíope do Rancho” tal a elegância com que desfilava nos gramados.

Didi, igualmente a Carlos Alberto Torres e Gérson, é outro exemplo de ídolo alvinegro e tricolor. Pelo Fluminense, foi ele a estrela do time campeão da Copa Rio, de 1952, uma espécie de “Mundial Interclubes”, realizada no Brasil. Mas foi no Botafogo em que atingiu o ápice. Foi jogando pelo Glorioso que inventou a “folha seca”, um chute que, de forma incrível, fazia a bola mudar a trajetória rumo ao gol dos pobres e incautos goleiros adversários. “Quem corre é a bola”, dizia, sabiamente, o mestre. E, sob essa filosofia, Didi comandou o meio de campo do Botafogo e da seleção bicampeã mundial, em 1958 e 62.

Outros dois meias armadores encantaram a torcida alvinegra. Geninho (1940 a 1954) e Afonsinho (1966 a 1970). O primeiro foi ídolo no futebol mineiro. Para muitos, o melhor jogador de Minas Gerais no final dos anos de 1930. Jogava tanta bola que passaram a chamá-lo de “O arquiteto”. Certa vez, um repórter da antiga revista Esporte Ilustrado questionou-o sobre o porquê de a diretoria do Botafogo relutar na concessão do passe livre. Ele humildemente respondeu, porém com um coração alvinegro latente e comovente, o seguinte:

“Para quem tem onze anos de clube, como eu, não adianta pensar nessas coisas. Com ´passe’ ou sem ‘passe’, estou amarrado. Estou preso pelo coração”. Enquanto o romântico Geninho pouco se importava com as questões do “passe livre”, o outro meia-armador histórico do Fogão, Afonsinho, pensava diferente. Foi ele o ícone da luta do jogador brasileiro pelo passe livre, e mais: fez isso durante o período mais acirrado da ditadura militar no Brasil, entre 1970 e 1974. No campo, Afonsinho incomodava os adversários pelo toque refinado e maestria com que tratava a bola. Fora dos gramados, os incomodados eram cartolas subservientes ao governo ditador e treinadores que não curtiam a ousadia do craque, um deles, Zagallo. Tornou-se notória a birra do “Velho Lobo” com Afonsinho, ora pelos vastíssimos cabelo e barba que o jogador ostentava, ora pela ideologia libertária que pregava. Ou mesmo as duas coisas juntas.

Para completar essa “meiúca” espetacular, o nosso camisa “10” é Heleno de Freitas (1939 a 1948). Seria “9”, mas decidimos escalá-lo como ponta de lança. Não há como “barrar” Heleno no “Botafogo dos sonhos”. Acho, até, que nenhum treinador em sã consciência ousaria fazê-lo. Primeiro, porque Heleno foi o jogador mais “casca-grossa” que existiu. O chamado “gênio genioso”, como a ele se referia o jornalista e radialista Luís Mendes, não aceitava a reserva, de forma alguma. Heleno tem uma das biografias mais singulares da história dos maiores ídolos do futebol brasileiro. Sua trajetória foi soberbamente narrada pelo jornalista Marcos Eduardo Neves. Leitura obrigatória para quem ainda acredita que o mundo do futebol é idílico. Talvez, somente Nilton Santos “rivalize” com Heleno pelo posto de ídolo que mais amou o Botafogo

Outros grandes pontas de lança de ofício se destacaram com a “10”: Pirillo (1948 a 1952), um camarada que mantém até hoje, mas jogando pelo Flamengo, o recorde de gols em campeonatos cariocas; Paulo Cézar Caju (1967 a 1972 e 1977 a 1978), que foi simplesmente um gênio com a bola nos pés e, certamente, o mais versátil craque que o Botafogo já teve, e Mendonça (1975 a 1982), um camisa “10” clássico, estupendo, mas que, igualmente ao Heleno, jamais levantou, profissionalmente, troféus vestindo a camisa alvinegra. Coisas que, definitivamente, só acontecem ao Botafogo.

Hora de montarmos o nosso ataque, sob o bom e saudoso “1-4-3-3”. Para a ponta-direita, uma unanimidade: Garrincha (1953 a 1965), e não se fala mais nisso. Mané dispensa apresentações, delongas ou “mais-mais”. Praticamente tudo já foi muito bem escrito sobre ele pelo Ruy Castro, na antológica biografia “Estrela Solitária: um Brasileiro Chamado Garrincha”. Este dublê de jornalista e cartunista, que assina estas pretensiosas letras sobre o Fogão, arriscou-se como documentarista, e conseguiu alguns bons depoimentos para o filme “Garrincha: Simplesmente passarinho”, ainda em edição. Há, ainda, boas histórias sobre Mané a serem contadas.

Nosso centroavante é o Quarentinha (1954 a 1964), maior artilheiro da história do Glorioso, com 313 gols. Sua história é contada no livro “Quarentinha: o artilheiro que não Sorria”, assinado pelo Rafael Casé e lançado pela Editora Livros de Futebol, do bravo botafoguense Cesar Oliveira, em 2008. Alvinegros de quatro costados, o jornalista Armando Nogueira era fã incondicional do centroavante, mas se surpreendia com a aparente frieza do craque em campo: “Quarentinha jamais celebrou um gol, fosse dele ou de quem fosse. Disparava um morteiro, via a rede estufar, dava as costas e tornava ao centro do campo, desanimado como se tivesse perdido o gol”. O artilheiro era assim, retraído, mas fenomenal. Impiedoso com os goleiros. O maior goleador que já vestiu a camisa alvinegra. Seria injusto, contudo, afirmarmos que houve apenas Quarentinha como grande goleador do Botafogo. A lista é extensa, com destaque para Carvalho Leite (1928 a 1941), Paulo Valentim (1956 a 1960), Amarildo (1958 a 1963), Roberto Miranda (1962 a 1971 e 1971 a 1972) e Túlio (1994 a 1996, 1998, 2000 e 2012).

Para finalizar a escalação dessa memorável “Selefogo”, deslocamos para a ponta-esquerda Jairzinho (1965 a 1974 e 1981), o “Furacão da Copa” de 70, permitindo a liberdade necessária para ele trocar de posição com Quarentinha, na linha de frente do ataque. Isso deixaria os adversários tontos. Jairzinho foi um atacante extraordinário e verdadeiramente apaixonado pelo Botafogo. Bastava o Gérson lançar a bola em profundidade para a corrida desenfreada de Jairzinho. Ninguém o parava. Mais um gol do Botafogo estava consumado. Na canhota, o Fogão teve verdadeiros craques: Mimi Sodré (1908 e 1916), Nilo Murtinho Braga (1919 a 1922 e 1927 a 1937), Patesko (1934 a 1940 e 1942 a 1943) e Zagallo (1958 a 1965). Mas, que todos me perdoem, Jairzinho tinha de entrar nesse time inesquecível. O maior Botafogo que o escalaríamos, se não existissem os relógios. Um Botafogo que, nos sonhos de todos os alvinegros, manterá sempre vivas as estrelas de uma constelação solidária ao amor que todo botafoguense nutre pelos seus heróis, em preto e branco. Um Botafogo de cinema, meus amigos, diria o centenário (e botafoguense) João Saldanha.

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SÉRIE ‘TIME DOS SONHOS’: ‘CORINTHIANS GRANDE, SEMPRE ALTANEIRO, ÉS DO BRASIL O CLUBE MAIS BRASILEIRO’

por André Felipe de Lima

Escalar um Corinthians dos sonhos não é mole não, meus amigos. Há ídolos aos montes, em todas as posições. Mas ousamos escalar, com base nas pesquisas jornalísticas para a produção da enciclopédia Ídolos – Dicionário dos craques, o “onze” ideal da história do Timão. Esse time, embora hipotético, é indiscutivelmente épico e o segundo da série “Time dos sonhos”. Vamos lá, portanto, começando pelo melhor goleiro. Há alguma dúvida de que Gilmar dos Santos Neves (1951 a 1961) é o dono da posição? Titular em duas Copas do Mundo conquistadas pelo Brasil, a de 1958 e a de 62, creio não haver resistências ao seu nome. Gilmar disputou 395 jogos com a camisa alvinegra e conquistou quatro títulos: três Campeonatos Paulistas (1951, 52 e 54) e um Rio -São Paulo (1954). Há, porém, um séquito a segui-lo. Em uma ordem cronológica, o Corinthians vislumbrou em suas escalações arqueiros memoráveis. O primeiro deles foi Tuffy (1928 a 1931). Simplesmente brilhante. Rivalizava no coração dos torcedores com o centroavante Neco, outro ídolo corintiano na década de 1920. O jeito desleixado, com a barba e a costeleta sempre a fazer, e o indefectível uniforme negro chamavam a atenção da imprensa e da torcida. O sinistro apelido “Satanás” nasceu aí.

Gilmar (Foto: Reprodução)

Gilmar (Foto: Reprodução)

A popularidade estimulou a presença de Tuffy em propagandas dos jornais e, até mesmo, em um filme, o primeiro sobre futebol na história do cinema nacional. O Campeão de Foot-Ball, de 1931, película ficcional dirigida pelo humorista Genésio Arruda, também contava no elenco com outros craques/ atores da época, dentre eles, Friedenreich, Formiga e Ministrinho. O cinema comoveu tanto Tuffy, que, após encerrar a carreira no Timão em 1931, acabou comprando o Penha Teatro para rodar seus filmes prediletos. Outros grandes nomes no arco corintiano foram: Cabeção (1950 a 1954), saudável “rival” de Gilmar; Ado (1969 a 1974), “tri” mundial em 70; Tobias (1975 a 1980), herói do fim do longo “jejum”, encerrado em 77; Carlos (1984 a 1988), titular do Brasil na Copa de 86; Ronaldo (1988 a 1998), o goleiro que mais vezes (602) vestiu a cami sa do Timão, e Dida (1999 a 2002), que fechou o gol do na primeira conquista mundial do alvinegro, em 2000.

Zé Maria (Foto: Reprodução)

Zé Maria (Foto: Reprodução)

Para compor a zaga, há, na lateral-direita, outro nome que é, a meu ver, intocável: Zé Maria (1970 a 1983), o “Super Zé”. Esteve, ainda bem jovem, na Copa de 70, na reserva de Carlos Alberto Torres, o “Capita”, e foi campeão paulista com o Corinthians em 1977, 1979, 1982 e 1983. Filho de um fanático torcedor do Timão, Zé, que jogava pela Lusa antes de ir para o Timão, prometeu ao pai que um dia defenderia o clube da saudosa fazendinha e que o ajudaria a acabar com a escassez de títulos, que perdurava desde 1954. Zé Maria cumpriu o prometido. Defendeu o clube do coração do pai e foi capitão do time campeão de 77. Aliás, o gol redentor de Basílio começou com uma cobrança de falta do Super Zé. Após o apito final, o maior lateral-direito de todos os tempos, pelo menos para a fanática e fiel torcida corintiana, levantou a taça de campeão que o Timão não erguia havia 23 anos.

O Corinthians teve outras feras na lateral-direita. O primeiro foi Jango (1933 a 1943), o da famosa e decantada linha média “Jango, Brandão e Dino”, dos anos de 1940, em seguida, Idário (1949 a 1959), que jamais deixou de atender ao pedido dos torcedores, que, em uníssono, gritava “pega ele, Idário!”. O lateral não se intimidava e “pegava” o que via pela frente, ou bola, ou adversário, coitado, que ficava pelo caminho. Após o fulgor de Zé Maria, o Timão encontrou em Alessandro (2008 a 2013) outro grande lateral-direito. No período em que esteve no Timão, tornou-se capitão e a alma do time campeão de tudo: nacional, paulista, da Copa do Brasil, da Libertadores, Mundial...

Domingos da Guia (Foto: Reprodução)

Domingos da Guia (Foto: Reprodução)

A zaga central também tem dono: Domingos da Guia (1944 a 1948). Mesmo defendendo o Corinthians em fim de carreira, o “Divino”, pai do também “Divino” Ademir da Guia, maior ídolo do arquirrival Palmeiras, é figura certa na maioria das escalações de “Times dos sonhos” do Timão que pesquisei. Na revista Placar, de 1982, ele está lá. Em vários “times de todos os tempos” escalados pelos jornais e revistas nas edições especiais sobreo centenário do clube, em 2010, Domingos também está nelas. Ou seja, quase uma unanimidade. Mas antes de o Timão ter Domingos, brilhou na mesma posição o gigante Grané (1924 a 1932), um camarada que tinha um chute tão devastador, que, muitos contam, levou a nocaute vários goleiros. Os petardos que desferia contra as balizas adversárias renderam o apelido de “420”, o mesmo número do canhão alemão com o maior calibre da época. Mostrava-se versátil por também atuar pela lateral-direita. Nenhum outro jogador de zaga fez tantos gols pelo Timão como ele. Foram 50 em 179 jogos e, de quebra, quatro Campeonatos Paulistas (1924, 1928, 1929 e 1930). No miolo da zaga corintiana também brilharam Olavo (1952 a 1961), Goiano (1952 a 1959), um verdadeiro de “Deus da raça” para a Fiel, o “xerife” Moisés (1976 a 1978) e Chicão (2008 a 2013), símbolo da garra corintiana no novo milênio.

Gamarra (Foto: Reprodução)

Gamarra (Foto: Reprodução)

Para formar a dupla de zaga com Domingos da Guia, escolhemos o quarto-zagueiro paraguaio Gamarra (1998 a 1999). No curto período em que esteve no Corinthians foi campeão nacional de 98 e o melhor zagueiro do mundo, sobretudo após a fantástica participação na Copa do Mundo de 98, na França. Mas a quarta-zaga do Timão jamais ficou sem um “leão” para amedrontar os atacantes mais abusados. Del Debbio (1922 a 1931 e 1937 a 1939) foi, talvez, o primeiro destas feras na zaga alvinegra. Foi jogador e treinador ao mesmo tempo. Fato louvável. Depois dele, pintou por ali, na posição, o pai de santo Jaú (1932 a 1938), um dos convocados para a Copa do Mundo de 38, para a reserva de Domingos da Guia. Deixou, magoado, o Timão após um rumoroso caso de suborno, que jamais foi provado. Outro grande nome na zaga foi Homero (1951 a 1958), mais famoso pela truculência que propriamente pela técnica, que jamais esboçou nos gramados. Mas era firme e gozava de prestígio com a torcida. Depois dele, surgiu o carismático Ditão (1966 a 1967 e 1969 a 1971) e, uma década após Ditão sair do Corinthians, o clube trouxe o uruguaio Daniel Gonzalez (1982 a 1983), morto prematuramente em fevereiro de 1985, em um acidente de carro, no Rio de Janeiro.

Wladimir (Foto: Reprodução)

Wladimir (Foto: Reprodução)

A legião de ídolos do Timão é inesgotável. E ainda estamos completando a zaga, com a que é, sem pestanejarmos, o maior lateral-esquerdo de toda a história do clube. Falamos de Wladimir (1972 a 1985 e 1987). Nenhum outro jogador vestiu mais vezes a camisa alvinegra que ele. Foram 805 jogos e 32 gols assinalados, como afirma aquele que mais entende da história do Timão, o jornalista Celso Unzelte. Antes de Wladimir despontar, o Corinthians contou com outros dois grandes laterais na canhota: Dino (1940 a 1944 e 1947 a 1948), Goiano (que também atuava como zagueiro, e Oreco (1957 a 1965).

Roberto Belangero (Foto: Reprodução)

Roberto Belangero (Foto: Reprodução)

Vamos, agora, para a meia cancha memorável que escalamos para o Timão dos sonhos. Começamos com o centromédio Roberto Belangero (1947 a 1960). Um jogador clássico, brilhante, que teve grande chance de ir à Copa do Mundo de 1958 não fosse uma contusão, no ano anterior, a impedi-lo. Com Idário e Goiano, médios direito e esquerdo, respectivamente, formou uma célebre linha media na década de 1950. Na posição, outros craques se destacaram. Decididamente não foi fácil escolher o melhor volante da história do Corinthians. Afinal, pode se considerar “pecado” deixar fora do time um ídolo como Amílcar Barbuy (1913 a 1923) — líder da seleção brasileira campeão sul-americana em 1919 —, ou mesmo um cracaço como Brandão (1935 a 1946) — ícone do time no final do s anos der 30 e ao longo da década seguinte —, Dino Sani (1965 a 1968) — um dos maiores volantes da história e campeão do mundo em 1958 —, Ruço (1975 a 1978) — o cão de guarda da defesa no título paulista de 1977 —, Biro-Biro (1978 a 1988) — um dos mais carismáticos ídolos que já pisaram o Parque São Jorge —, Zé Elias (1993 a 1996) — símbolo da raça corintiana em seu tempo —, Vampeta (1998 a 2000 e 2002 a 2003) — simplesmente campeão do mundo em 2002 — e Rincón (1997 a 2000) — um colombiano mágico e líder do Timão campeão mundial, em 2000.

Sócrates (Foto: Reprodução)

Sócrates (Foto: Reprodução)

A “oito” é indiscutivelmente do Sócrates (1978 a 1984). Nenhum outro jogador atuou com tanta maestria como meia-armador do Corinthians. Nem antes e nem após a era do “Doutor”, que foi um dos mais emblemáticos craques brasileiros de sua época e titular absoluto daquela que foi, sem dúvida, uma das melhores formações de todos os tempos, a seleção brasileira da Copa de 1982, montada pelo mestre Telê Santana. Além dele, na posição, destacou-se Ricardinho (1998 a 2002), marcante e insinuante meia responsável por passes perfeitos que, invariavelmente, deixavam na cara do gol os atacantes Edílson e Luizão.

Rivellino (Foto: Reprodução)

Rivellino (Foto: Reprodução)

A camisa “10” é do Rivellino (1965 a 1974), e não se discute. Ousei “barrar” Marcelinho Carioca (1994 a 1997, 1998 a 2001, 2006 e 2010), o jogador que mais vezes levantou taças pelo Timão e, certamente, é o símbolo da melhor fase da história do clube, no final dos anos de 1990 e começo do novo milênio, um período em que o Corinthians conquistou campeonatos brasileiros, Copas do Brasil, campeonatos paulistas e, sobretudo, o primeiro mundial de clubes da Fifa. Mas Riva não tem adversários na posição. Mesmo sem ser campeão com o Timão e com a traumática saída do clube, o craque foi marcante na história do Corinthians e, acima de tudo, um dos gênios da seleção tricampeã da Copa do Mundo, em 1970. Para muitos, Rivellino é o maior jogador do Timão em todos os tempos. Estou entre estes que defendem a tese favorável ao Riva. Equivoca-se, contudo, aquele que resume a lista dos geniais pontas-de-lança corintianos aos dois craques. Ela extensa e conta com nomes fenomenais, destacando-se Servílio (1938 a 1949), Rafael Chiarella (1953 a 1963), Basílio (1975 a 1981), Palhinha (1977 a 1980), Zenon (1981 a 1985) e Neto (1989 a 1993 e 1996 a 1997).

Luisinho (Foto: Reprodução)

Luisinho (Foto: Reprodução)

Do meio de campo para o ataque, no melhor estilo “1-4-3-3”. Na ponta-direita “escalei” Luisinho (1948 a 1960 e 1964 a 1967), o “Pequeno polegar”. Jamais poderia deixá-lo fora do time. Se há uma legião de fãs que acha Rivellino o maior dentre os maiores do Timão, há também o coro favorável ao Luisinho. Tanto quanto Riva, Luisinho foi um exímio driblador. Sua passagem pelo clube foi marcada por uma idolatria incomum. Suas jogadas fizeram de Cláudio (1945 a 1957) o maior artilheiro da história do Timão e de Baltazar e Carbone goleadores implacáveis. Todos eles craques de um ataque que foi, talvez, o melhor que o alvinegro já teve e que foi protagonista de conquistas inesquecíveis, como o Torneio Rio-São Paulo, em 1950, 1953 e 1954, o campeonato paulista, em 1951, 1952 e 1954, este último o do 4º Centenário. Mas, além de Cláudio, houve grandes pontas destros de ofício no clube, como Filó Guarisi (1929 a 1931 e 1937), que se destacou na seleção italiana campeão do mundo em 1934, Paulo Borges (1968 a 1974), autor do gol que marcou o fim do tabu contra o Santos, de Pelé, e Vaguinho (1971 a 1981), o do título paulista de 77.

Baltazar (Foto: Reprodução)

Baltazar (Foto: Reprodução)

No comando do ataque, o centroavante Baltazar (1945 a 1957), o “Cabecinha de ouro”, é o nome certo, a meu ver. Foi um goleador que deveria ser parceiro de ataque de Ademir de Menezes na seleção brasileira da Copa de 1950. Pelo menos é o que defendiam a crônica paulista e, claro, a fiel corintiana. A popularidade de Baltazar era tão grande que o jogador ganhou um carro após ser escolhido o craque mais querido de São Paulo. O automóvel pegou fogo, mas a apaixonada torcida fez uma “vaquinha” gorda e comprou outro carro para o ídolo. Essa história (ou mito, talvez), os mais antigos devem recordar: o político Hugo Borghi disputava a eleição para o governo paulista. Durante o comício, teria dito à plateia que o Palácio dos Campos Elísios, então sede do poder executivo estadual, precisava de alguém com “cabeça”. O povo, em uníssono, emendou o coro como resposta: “É o Baltazar!”.

O “Cabecinha de ouro” teve grande adversários no posto de “maior centroavante” do Timão. Figuram na lista Teleco (1934 a 1944), Carbone (1951 a 1957), Flávio Minuano (1964 a 1969), Geraldão (1975 a 1981), Casagrande (1980 a 1981, 1982 a 1983, 1985 a 1986 e 1994), Viola (1986 a 1989 e 1992 a 1995), Edílson (1997 a 2000), Tévez (2005 a 2006), Emerson Sheik (2011 a 2015) e Ronaldo (2009 a 2011). Só “cabras cascudos”... e artilheiros, claro!

Neco (Foto: Reprodução)

Neco (Foto: Reprodução)

Na ponta-esquerda, temos Neco (1913 a 1930). Foi o grande atacante do Brasil no primeiro título que conquistamos, o Sul-Americano de 1919, no estádio das Laranjeiras. No Timão, jogava na ponta canhota, como centroavante ou mesmo no meio de campo. Era extremamente versátil. Teve fama de indisciplinado e, às vezes, irascível, mas isso jamais impediu a festa que a torcida fazia para ele. É tão relevante na história do clube que mereceu um busto na sede alvinegra. Outros brilharam na canhota, como De Maria (1927 a 1932 e 1935), companheiro de Neco no ataque, Simão (1953 a 1955) e Romeu (1976 a 1980).

Eis o Corinthians dos sonhos, que ousei desenhá-lo para o quadro eterno do Timão.

Na próxima edição da série “Time dos sonhos”, o maior Botafogo da história. Aguarde, comente e escale o seu “Fogão” ideal.

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