Nenê

GOL DE PLACA

Acostumada às resenhas nos mais variados botecos espalhados pela cidade, a equipe do Museu tirou onda e marcou presença no luxuoso L'Entrecôte de Paris, em Ipanema, do parceiro Angelo Ribeiro. A causa era mais do que nobre: jantar solidário de lançamento da Nenê Foundation, instituição de caridade liderada pelo camisa 10 do Vasco.

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Logo na entrada, fomos recebidos pelo gerente Zico, xará do grande ídolo do maior rival do Vasco. A curiosidade não passou batida e, ao ser perguntado se teria algum problema, Nenê disparou para a risada de todos:

- Será que ele vai botar alguma coisa na minha comida?

Brincadeiras à parte, o craque fez bonito ao atender a todos os pedidos de fotos e autógrafos dos fãs que lotaram os três andares do restaurante e ajudaram a dar o primeiro grande passo da instituição.

- Estou criando essa fundação para ajudar as crianças carentes da minha cidade (Jundiaí) em vários aspectos - educacional, artístico, cultural - para que todos possam ter a mesma possibilidade.

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Além do jantar, no dia 23 de dezembro o craque fará a "Fome Só de Bola", sua tradicional pelada de fim de ano, que dessa vez será entre Amigos do Nenê x Amigos do Caio Castro, no Estádio Jayme Cintra, e sua equipe deverá contar com o reforço de Neymar.

Vale lembrar que Nenê havia sido o último brasileiro a vestir a camisa 10 do PSG antes da chegada de Neymar. Na França, foi artilheiro do torneio na temporada 2011-2012, eleito o melhor jogador do time e entrou para a seleção do campeonato.

- Era um momento que o PSG não estava tão bem, foi antes da chegada do pessoal do Qatar. Fico feliz por ser reconhecido e respeitado pela torcida até hoje!

DÊ-LHE O BANCO E LHES DIREI QUEM É

por Zé Roberto Padilha

por Zé Roberto Padilha

por Zé Roberto Padilha

As câmeras do Globo Esporte, durante o jogo do Vasco contra o Bahia, se revezaram entre o gramado e o banco de reservas de São Januário. Pela primeira desde que chegou como solução no segundo semestre do Campeonato Brasileiro de 2015, Nenê ficava entre os reservas. E poucos cumpriram seu papel como ele: mesmo com o péssimo primeiro turno, fez do segundo uma emocionante escalada de recuperação que durou até a última rodada. Ano seguinte, trouxe o seu time de volta a primeira divisão e ainda ajudou o clube a ser bi-campeão carioca. E jogando todas as partidas.

Mas na medida em que encarava com naturalidade sua estada no banco, torcendo e comentando normalmente os lances com seus companheiros, vibrando com o gol da sua equipe, a reportagem, que virou seu foco para lá atrás de revolta e inconformismo, foi deixando de lado suas tomadas. Foram atrás de audiência, não de anuência.

Nenê no banco de reservas

Nenê no banco de reservas

Aí vem o clássico com o Fluminense, dentro de São Januário, e novamente Nenê é escalado para o banco de reservas. Durante a semana, Rodrigo, dispensado e contratado pela Ponte Preta, joga o veneno no ar de Campinas:

- O próximo a ser dispensado será o Nenê!

Mas o Nenê não é o Rodrigo, joga pela arte, não pela violência. E a arte é um produto da paz, do amor, já a violência é o desaguar da revolta, da insatisfação, do futebol ruim que andam praticando. Sem lhe dar o troco, os repórteres nem se aproximaram dele para dar entrevistas, aí o meio da bola, que é cruel, joga no ar pelas resenhas: “Deve estar acomodado. Nem reclamou do treinador!”.

Mas se o futebol não é justo, os deuses que o amparam são. No ultimo sábado, entrou quando o time estava perdendo por 2x1, ajudou a organizar o meio-campo para alcançar o empate e se colocou no lugar certo para definir, com um chute forte e cruzado, a vitória. Nenê foi, mais uma vez, o herói vascaíno. E quanto tempo o Vasco não sabe o poder e o carisma de um deles.

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Se já nutria admiração pelo seu futebol, depois da partida contra o Fluminense passo a admirá-lo como homem. Na política há uma máxima: “Dê-lhe o poder e saberemos o homem que é!”. No futebol, a partir de sábado, a máxima passa a ser: “Dê-lhe o banco. E conhecerás de perto a grandeza de um jogador!”. Mesmo chateado como tricolor, um apaixonado pelo futebol como eu não poderia deixar de reconhecer: Parabéns, Nenê! Agora, com o seu exemplo, sua humildade, muitos jogadores passarão a encarar o banco de reservas como ele foi concebido, um trunfo, uma banco de dados, não uma reunião de cacos. Uma estratégia para o treinador e não uma tragédia na vida de cada um jogador.