Leandro Costa

BOTAFOGO, 115 ANOS DE GLÓRIAS

por Leandro Costa

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Botafogo, hoje eu preciso falar diretamente com você. Quero te parabenizar pelo seu 115º aniversário. Preciso te dizer o quanto você é importante na minha vida e na de outros milhões de torcedores. Datas especiais nos estimulam a falar o que sentimos e nada melhor do que o dia de hoje para falar de você. 

Nos conhecemos há 39 anos, já vivemos muitas coisas juntos e tenho certeza que muitas outras ainda virão.

Há 115 anos você nascia, fruto da ideia de Flavio da Silva Ramos de fundar um clube de Football. Bendita ideia. O futebol agradece. Você nasceu para brilhar, como sua estrela, que entrou no futebol depois da fusão com o Regatas, em 1942.   

Não imagino minha vida sem você e por isso jamais te abandonarei. Quando todos decretavam seu enfraquecimento eu me mantive sereno pois sei da sua força. Você me enche de orgulho. 

Você é mesmo diferente, Botafogo. Diferente em tudo, não é um clube comum. As emoções são sempre potencializadas. Torcer por você é uma afirmação de personalidade, coisa de quem tem opinião própria, fibra e raça. Passamos juntos por muitas dificuldades e nos mantivemos firmes com a certeza de que dias melhores chegariam. Hoje vivemos um momento de esperança e futuro à altura do seu passado.

Você é arte, como um drible de Garrincha. 

Emoção, como um gol do Possesso Amarildo. 

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Talento, como a canhota de Gérson.

Classe, como um chute de Didi.

Supersticioso, como Zagallo.

Impetuoso, como as arrancadas do Furação Jairzinho.

Corajoso, como Roberto Miranda. 

Diferenciado, como Paulo César Caju.

Sarcástico, como uma cavadinha do Loco Abreu. 

Singular, como um gol do Túlio Maravilha. 

És, acima de tudo, eterno como Nilton Santos.

Botafogo, curta seu dia! Seja muito feliz. A sua felicidade é a minha e de tantos outros que também te amam. Você é verdadeiramente especial para mim. Parabéns, Fogão!!

O SUCESSO DO POSSESSO

por Leandro Costa

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Em 29 de julho de 1940, há exatos 79 anos, nascia na cidade de Campos dos Goytacazes, no estado do Rio de Janeiro, Amarildo Tavares da Silveira, Amarildo, “O Possesso”. Amarildo foi um dos maiores jogadores da história do futebol mundial.

Começou sua carreira muito jovem, aos 16 anos, em 1956, no Goytacaz, clube de sua cidade natal.  Em 1958 se transferiu para o Flamengo. Foi injustamente dispensado do clube pelo técnico Fleitas Solich por ser pego com um cigarro. Amarildo não fumava. Um companheiro de clube aguardava, na concentração, um telefonema da namorada e quando o telefone tocou entregou o cigarro para Amarildo segurar. O disciplinador técnico rubro-negro viu Amarildo com o cigarro e quando o jogador foi passar a folga de Natal em casa recebeu o recado que não precisava mais voltar.

Azar do Flamengo, sorte do Botafogo. Amarildo foi então servir o exército e estava pensando em não voltar mais ao futebol. Lá encontrou o zagueiro Paulistinha, do Botafogo, que o convenceu a fazer um teste em General Severiano. Começava aí a relação de Amarildo com o Glorioso. Essa relação veio a formar uma linha de frente considerada como uma das mais poderosos do futebol em todos os tempos: Garrincha, Didi, Quarentinha, Amarildo e Zagallo.

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Pelo alvinegro, Amarildo foi Bicampeão Carioca em 1961/62, Campeão do Torneio Rio-São Paulo de 1962, Campeão do Torneio Internacional de Paris em 1963, dentre outras conquistas.

Pela Seleção Brasileira, na Copa de 1962, no Chile, teve a missão de substituir ninguém menos que Pelé, que se machucou logo na segunda partida do Brasil, no empate em 0x0 contra a Tchecoslováquia. Amarildo entrou no decisivo jogo da primeira fase, contra a Espanha, e marcou os dois gols do Brasil na virada de 2x1 que garantiu a classificação da Seleção. Esse jogo rendeu uma das mais belas crônicas de Nelson Rodrigues, O Possesso, publicada em sua coluna “À sombra das chuteiras imortais” no dia 07/06/1962, dia seguinte a partida. A alcunha de “O Possesso” pegou para sempre e Amarildo muito se orgulha dela. O atacante alvinegro não sentiu nem um pouco o peso daquela responsabilidade. Tinha ao seu lado nada mais nada menos que quatro companheiros do dia-a-dia do Botafogo no time titular do Brasil: Nilton Santos, Didi, Garrincha e Zagallo. O menino, de apenas 21 anos, voltou a marcar na final da Copa, contra a Tchecoslováquia. Fez o gol de empate em uma bela jogada pela esquerda e em outro grande lance, também pela esquerda, serviu Zito para desempatar a partida. Vavá ainda fez o terceiro e decretou números finais ao confronto: Brasil 3x1 Tchecoslováquia. Brasil Bicampeão do Mundo. Amarildo foi, junto com Garrincha, o grande destaque daquela Copa.

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Em 1963 transferiu-se para o futebol italiano, onde ficou até 1972, com brilhantes passagens por Milan (1963-1967, Campeão da Copa da Itália da temporada 66/67), Fiorentina (1967-1971, Campeão Italiano da temporada 68/69) e Roma (1971-1972).

Em 1973 voltou ao Brasil para reforçar o Vasco da Gama. Jogou no clube de São Januário até 1974, quando foi Campeão Brasileiro daquele ano e encerrou sua muito bem sucedida carreira.

A história de Amarildo fala por si só. Vamos celebrar a data de hoje com o respeito, admiração e carinho que as grandes Lendas do nosso país merecem. “O POSSESSO” é a personificação da glória e do sucesso.

SEU LÉO

por Leandro Costa

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O mês de Julho é recheado de datas marcantes para quem gosta do velho esporte bretão. No dia 19, comemoramos o Dia Nacional do Futebol. Essa mesma data marcou a estreia oficial de Garrincha com a camisa do Botafogo, no ano de 1953, vitória por 6x3 contra o Bonsucesso com direito a 3 gols do Mané. Obra dos Deuses da bola essa “coincidência” de datas. Ontem, dia 22, uma lenda viva do jornalismo esportivo completou 87 anos. Estamos falando de João Baptista Bellinaso Neto, conhecido como Léo Batista. O pseudônimo Léo veio da sua irmã Leonilda. João se apropriou do “Léo”.  E qual a relação desses fatos? Eu diria que é total e absoluta. 

Seu Léo se orgulha de ter transmitido a estreia de Mané em General Severiano. Botafoguense declarado, nunca precisou esconder sua paixão pelo alvinegro para ser respeitado por todas as torcidas. Oriundo de uma geração de jornalistas que não tinha a necessidade de se auto afirmar como isento, conquistou naturalmente a confiança do público pois nunca distorceu os fatos.

Em 1954, entrou para história ao ser o primeiro radialista a noticiar, pela Rádio Globo, o suicídio de Getúlio Vargas. 

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A voz marcante de Léo Batista nos remete às nossas melhores memórias afetivas. Quem não associa o jornalista a momentos da infância, adolescência ou juventude? Seu Léo marcou gerações apresentando o Globo Esporte, que chegávamos correndo do colégio para ver enquanto segurávamos nossos pratos em frente a TV na hora do almoço. Nos remete também aos gols do Fantástico, a tradicional tabelinha com a Zebrinha ou as manhãs de domingo na apresentação do Esporte Espetacular.  

Léo foi homenageado pelo Botafogo no último domingo, recebeu uma camisa personalizada do clube e agora dá nome a uma das cabines de imprensa do estádio Nilton Santos. Bela iniciativa de reconhecimento a quem ao longo de mais de 70 anos de carreira ajudou a contar a história do esporte. Parabéns, felicidades e vida longa ao Seu Léo!!

VINTE E UM DE JUNHO, O FIM DO JEJUM

por Leandro Costa

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Vinte e um de junho de 1989, o Botafogo entra em campo para a segunda partida das finais do Campeonato Carioca contra o Flamengo. 

Nas mãos de Ricardo Cruz, a segurança de não ser vazado.

Na tranquilidade de Josimar, a certeza de boas jogadas.

Na raça de Gottardo, a vontade de dar fim à agonia.

Na classe de Mauro Galvão, a tranquilidade de um craque de Seleção.

Na regularidade de Marquinhos, a confiança em uma boa marcação.

Na categoria de Carlos Alberto, a saída de jogo com qualidade.

Na força de Luisinho, a paixão do torcedor em campo.

Na alma de Vitor, a garantia de muita entrega.

Nos dribles de Maurício, a mística da camisa 7.

No oportunismo de Paulinho Criciúma, a chance do gol.

Na habilidade de Gustavo, a força do ataque.

No comando de Espinosa, a estratégia da vitória.

Em casa, na geral, nas cadeiras ou nas arquibancadas, a esperança de toda uma torcida que há vinte e um anos não via seu time ser campeão. 

Os corações alvinegros disparam Brasil afora. Jogo duro, pegado, o adversário chega mais perto do gol. Gustavo sai contundido no final do primeiro tempo. Mazolinha entra em seu lugar com um ímpeto de incendiar a partida.

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No intervalo, Maurício, com 40 graus de febre, pede para sair. O comandante Espinosa convence o ponta a continuar no jogo dizendo que havia sonhado que o Glorioso venceria com um gol dele. Anos mais tarde Espinosa revelou que não sonhou mas que não poderia perder Maurício naquele jogo. Realmente seria impensável o Botafogo sem o seu camisa 7 no jogo mais importante do clube em 21 anos.

Começa o segundo tempo e logo aos 12 minutos, Mazolinha, aquele mesmo que havia entrado no final do primeiro tempo, cruza para Maurício, o sete, que apesar da febre não saiu no intervalo, escorar a bola para o fundo das redes do adversário. 

Quando finalmente o árbitro encerra a partida, chega ao fim um jejum de 21 anos sem títulos. Vibra a criança, chora o homem, ri a mulher, se abraçam os jogadores, se liberta uma geração que não sabia o que era ser campeão. Comemora a torcida, por vinte e um dias, vinte um meses, vinte e um anos, ou trinta, como fazemos agora. Comemora porque não há nada mais Botafogo do que renascer. E se o clube tem três datas especiais para comemorar seu aniversário (dia da fundação do Regatas, dia da fundação do Football e dia da fusão dos dois clubes) por que não comemorarmos para sempre o dia do fim do jejum? Parabéns, Botafogo!! Ah, obrigado pelo presente de aniversário para o menino que acabara de completar nove anos na véspera da decisão. Inesquecível e incomparável a qualquer brinquedo da época ou de qualquer época. Coisas da bola, coisas do Botafogo.

A ORIGEM DO NOME BOTAFOGO

por Leandro Costa

Galeão São João Batista - o "Botafogo" / Foto: site Mundo Botafogo

Galeão São João Batista - o "Botafogo" / Foto: site Mundo Botafogo

No dia 12 de agosto de 1904, jovens estudantes do colégio Alfredo Gomes, liderados por Flávio Ramos, se reuniram com o objetivo de formar um time de futebol. Incialmente resolveram batizar o referido time de Electro Club, aproveitando o nome de um extinto clube do bairro de Botafogo encontrado em um velho talão de recebidos. Pouco mais de um mês depois da fundação, em uma nova reunião no dia 18 de setembro de 1904, por sugestão de Francisca Teixeira de Oliveira, avó de Flávio Ramos e conhecida como dona Chiquitota, os jovens estudantes decidiram rebatizar o time com o nome de Botafogo em homenagem ao bairro no qual realizou-se a fundação. Essa parte da história é bem conhecida e difundida entre os apaixonados botafoguenses, porém o que muita gente não sabe é como o bairro que inspirou os meninos recebeu o nome de Botafogo e é sobre isso que vamos falar a seguir.

No século XVI; os portugueses lançaram ao mar um poderoso barco de guerra chamado São João Batista em homenagem ao homem que batizou Jesus Cristo. Tal galeão ficou popularmente conhecido com O Botafogo. A embarcação ganhou esse apelido por ser tão poderosa que parecia botar fogo pelas ventas. Originalmente bota-fogoera era o apelido que se dava ao artilheiro que ateava fogo às peças de canhão das fortalezas terrestres e dos barcos de guerra. João Pereira de Sousa, um dos membros da tripulação do galeão, era o responsável pela artilharia do navio, o que lhe rendeu também a alcunha de Botafogo. João incluiu o apelido em seu sobrenome e veio se estabelecer no Brasil. 

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Em 1573 foi nomeado como encarregado da defesa da recém fundada cidade do Rio de Janeiro. Teve uma destacada atuação no cargo combatendo a tentativa de invasão do franceses. Como recompensa ganhou da Coroa de Portugal uma sesmaria junto à baía de Guanabara. Essa área passou a ser conhecida por Botafogo em referência ao proprietário das terras. Tais terras vieram a formar o tradicional bairro do Rio de Janeiro que serviu de inspiração para o nome do nosso amado e Glorioso BOTAFOGO.

 

Fontes de pesquisa:  

“ Botafogo - 101 anos de histórias, mitos e superstições.”Porto, Roberto

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