Jogos Inesquecíveis

JOGOS INESQUECÍVEIS

Corinthians 7 x 1 Santos

por Mateus Ribeiro

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Era um domingo, o primeiro do mês de novembro de 2005. Poderia ser mais um “domingo comum”, como eu tinha ouvido nas primeiras horas do dia na missa. Eu, que havia completado vinte anos três dias antes, nunca fui de misturar religião com nada, mas se pudesse pedir algo, pediria uma vitória do Corinthians, que naquele domingo, enfrentaria o Santos, em partida decisiva, válida pelo Campeonato Brasileiro daquele ano. Aliás, os clássicos contra o Santos sempre foram um martírio, pois meu pai e professor, Seu Carlos, era santista. Seria um presente e tanto, mas eu não imaginei que pudesse ser tão generoso.

Logo no começo do jogo, sem tempo para muita conversa, Rosinei marcou o primeiro do jogo, e já me deixou um pouco mais tranquilo. Porém, a tranquilidade durou pouco, já que Geílson empatou a partida minutos depois.

O coração já começava a ficar acelerado, mas Carlos começou a me tranquilizar. E não, não estou falando do meu pai, mas de Carlos Tevez. O argentino, que entendeu como poucos o espírito do Corinthians, começou seu show aos 20 do primeiro tempo.

Depois de receber dentro da área, fuzilou o goleiro santista para desempatar a partida. Antes de o primeiro tempo acabar, ainda teve tempo para mais um, marcado após chute com o pé esquerdo. Fim de primeiro tempo, 3 a 1, tudo estava bom até demais. Mas o melhor estava por vir.

Já no segundo tempo, após bela troca de passes, Tevez fez mais um. Eu achava que estava vivendo um sonho, mas ainda houve tempo para mais três gols: um de Nilmar, um de Jô e um de Marcelo Mattos, para encerrar com chave de ouro um domingo especial.

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Foi um grande presente de aniversário, melhor do que eu esperava. E falando em aniversário, quem fica mais velho hoje é a estrela dessa partida, Carlos Tevez. O atacante argentino comemora 35 anos.

O goleador sempre foi conhecido mais por sua raça do que por sua técnica, mas sobretudo, pelo respeito que sempre despertou em adversários. Um jogador vitorioso, que ganhou inúmeros títulos pelos clubes onde passou. Para sua tristeza, não conseguiu o mesmo sucesso pela seleção da Argentina. Mas vendo por esse lado, nem Messi foi capaz de dar um troféu para nossos vizinhos.

Tevez desperta amor e ódio nos torcedores dos times que atuou. Talvez, ódio mesmo, só seja um sentimento dos torcedores do Manchester United, já que o jogador saiu do time vermelho da cidade para jogar pelo rival Manchester City. Amado, e odiado, mas sempre respeitado.

Eu já gostei muito do atacante, hoje, já não gosto tanto. Mas o respeito muito, principalmente por sua passagem pelo Corinthians. E deixo aqui como forma de agradecimento uma pequena lembrança dessa partida, inesquecível para torcedores do Corinthians e do Santos.

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Uma lembrança doce ou amarga, dependendo do ponto de vista. Uma lembrança para o bem e para o mal, da mesma forma que a carreira de Tevez foi (e continua sendo).

E você, qual lembrança tem desse jogo inesquecível?

Um abraço, e até a próxima!

JOGOS INESQUECÍVEIS

Cruzeiro 0 x 5 São Paulo

por Mateus Ribeiro

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Em partida válida pela primeira fase do Campeonato Brasileiro de 1997, o Cruzeiro recebeu o São Paulo no estádio do Mineirão.

O Cruzeiro, apesar de mandante, sempre encontrou dificuldades para vencer o Tricolor em seus domínios, o que persiste até hoje. Naquela noite de julho de 1997, não foi diferente. Quer dizer, foi, já que o São Paulo atropelou o Cruzeiro sem o mínimo de piedade.

Na verdade, podemos trocar o placar para Cruzeiro 0 x 5 Dodô. O atacante, que anos depois ficou conhecido como “o artilheiro dos gols bonitos” (e sempre foi mais do que isso) acabou com o jogo, já que fez todos os gols.

O primeiro deles, de pênalti, sofrido após drible aplicado no já enorme Dida. Bola de um lado, goleiro de outro, e um a zero no placar. Algum tempo depois, bola na área, e de cabeça, Dodô marcou mais um. Ainda no primeiro tempo, bateu uma falta com perfeição, e além de marcar o terceiro gol, mostrou que seu repertório já era vasto, desde outros tempos.

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Três a zero fora de casa contra um adversário forte e tradicional, o resultado está bom, certo? Errado, pois o São Paulo estava com fome. Dodô, mais ainda.

O quarto gol foi marcado em mais uma cabeçada, e o quinto foi em uma sobra, meio de bico, pra mostrar que o artilheiro dos belos gols sabia marcar gol de todo jeito, até gol “feio”, mesmo sabendo que feio mesmo é atacante que não marca gol, e que é lembrado por desarme e por fazer marcação de zagueiro e lateral.

Fim de jogo, e uma cacetada gigante na cabeça dos cruzeirenses. Já Dodô, era só risada. Além de ter colaborado (muito) para a vitória do seu time, se tornou o primeiro jogador da história do Campeonato Brasileiro a marcar cinco gols na casa do adversário. Bela marca, não?

O jogo seria histórico “apenas” pelo seu resultado, algo que até os dias de hoje, ainda é atípico, e creio que sempre será, afinal, apesar de todas as mudanças no futebol, um mandante tomar cinco gols em casa não é normal, ainda mais se tratando de um gigante. O que chama a atenção também é a quantidade de gols marcados por Dodô. Não só a quantidade, mas também os recursos utilizados.

Até hoje, essa atuação monstruosa figura entre as maiores da história de um atacante no Campeonato Brasileiro. E esse é um dos motivos de relembrar mais esse jogo inesquecível!

Um abraço, e até a próxima!

 

JOGOS INESQUECÍVEIS

Botafogo 0 x 0 Juventude

por Mateus Ribeiro

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A Copa do Brasil sempre nos reservou grandes surpresas, e uma das mais icônicas é o Juventude de 1999.

O time gaúcho eliminou clubes tradicionais do futebol brasileiro, como Bahia, Corinthians, Fluminense e Internacional, com direito a uma sonora goleada diante do rival estadual. Já o Botafogo havia passado por São Paulo, Atlético Paranaense (na época sem a letra h...) e o Palmeiras.

Os times contavam com nomes conhecidos do futebol brasileiro. No alviverde gaúcho, o goleiro Émerson, o zagueiro Capone, o meia Mabília, Maurílio, além do atacante Márcio Mixirica (que hoje, possivelmente, teria o nome de algum deputado estadual). Já o Botafogo contava com o lendário goleiro Wagner, Sérgio Manoel, Válber e Bebeto.

A primeira partida, disputada no Alfredo Jaconi, terminou em 2 a 1 para o Juventude, que disputaria a segunda partida no Rio de Janeiro com a vantagem do empate. Vale lembrar que o Botafogo teve dois gols anulados de maneira um tanto quanto polêmica.

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Mais de cento e dez mil pessoas lotaram o Maracanã para acompanhar a final. A grande maioria, obviamente, era botafoguense. Aliás, essa foi a última partida do saudoso Maracanã com mais de cento e dez mil torcedores, algo inimaginável nos dias atuais.

Bastava um gol para o alvinegro carioca levantar o inédito caneco. Porém, o valente Juventude não estava disposto a colaborar com a festa botafoguense, e se defendeu com unhas e dentes.

O tempo ia passando, e o que tinha tudo para ser sonho para os alvinegros, começava a ganhar contornos de pesadelo. Por mais que o time atacasse, a bola insistia em não entrar, e Émerson, em jornada muito segura, garantia o empate sem gols, que era o suficiente para os gaúchos saírem do Maracanã com o título.

O treinador Gílson Nunes fez substituições, tentou dar sangue novo ao time, mas nada adiantava. A impressão que se tem é que a bola não entraria nunca. E de fato, pelo menos durante aqueles pouco mais de 90 minutos, não entrou.

Após o apito final de Antônio Pereira da Silva, a torcida do Botafogo viveu um dos momentos mais tristes de sua gloriosa história, enquanto os poucos torcedores do Juventude presentes no Maracanã começavam a viver um sonho que parecia não ter fim.

Após uma campanha repleta de grandes momentos, levantar a taça no maior do mundo era algo que beirava a perfeição. Perfeição, aliás, que o sistema defensivo do Juventude atingiu naquela partida.

Uma partida inesquecível, que arranca lágrimas de ambas as torcidas. Uma chora de tristeza. A outra, de alegria.

E você, qual lembrança guarda dessa partida?

Um abraço, e até a próxima.

JOGOS INESQUECÍVEIS

Corinthians 2 x 1 Atlético Mineiro

por Mateus Ribeiro

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O ano de 2011 foi mais do que especial para o Corinthians. Depois de um início decepcionante, que contou com uma eliminação na pré Libertadores, o Timão começou a construir o período mais vitorioso de sua história. E muito disso passa pelo Campeonato Brasileiro daquele ano.

A partida contra o Galo Mineiro foi uma das mais difíceis de toda a campanha, e uma vitória era extremamente importante para manter a distância para o Vasco que não era grande, mas na reta final do campeonato era suficiente.

Como era de se esperar, o jogo foi duro, já que o Atlético Mineiro brigava para se manter na primeira divisão, e historicamente, sempre complicou as coisas para o Corinthians. Curiosamente, meses depois, começaria o período de glórias do Atlético, que resultou em duas conquistas inéditas: a Copa Libertadores (2013) e a Copa do Brasil (2014).

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O primeiro tempo foi um tanto quanto morno, e terminou sem gols, o que não era nada bom para o Alvinegro de Parque São Jorge.

As coisas já não estavam muito fáceis, ganharam contornos de drama quando Leonardo Silva marcou para o Atlético, após jogada ensaiada. A torcida já estava impaciente, e o Corinthians poderia perder a liderança, o que seria desastroso naquelas alturas.

O Corinthians seguia atacando, mas Renan Ribeiro estava em um bom dia, praticando boas defesas. Vale lembrar que após o gol, o Galo tentou segurar o jogo com muita cera e cai cai. A tática deu certo até os 32 minutos, quando Liédson aproveitou cruzamento da direita e mandou para as redes. Alívio momentâneo, mas o time queria (e precisava) virar a partida.

O milagre veio nos minutos finais. Após uma bela arrancada de Sheik, a bola foi para a perna esquerda de Adriano. O “Imperador”, que recebia mais uma das muitas chances que recebeu em sua carreira, bateu sem chances para Renan Ribeiro. O Pacaembu quase caiu, e o gol marcado por Adriano (um dos únicos anotados por ele com a camisa do Corinthians) ficou marcado como um dos maiores momentos do pentacampeonato brasileiro do Corinthians.

Em um campeonato de pontos corridos, Corinthians e Galo fizeram um jogo de mata mata, com emoção até o apito final.

E você, quais recordações guarda desse jogo inesquecível?

Um abraço, e até a próxima!

 

JOGOS INESQUECÍVEIS

Flamengo 0 x 2 Santo André (Final da Copa do Brasil 2004)

por Mateus Ribeiro

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Maracanã, 30 de junho de 2004.  Mais de setenta mil torcedores lotaram o maior palco futebolístico do mundo, no intuito de comemorar mais um título do time do coração. Porém, uma das coisas que torna o futebol legal é a chance do improvável. E naquele dia, o improvável apareceu, para tristeza de uns, e alegria de outros.

A final da Copa do Brasil de 2004 reservou para a final um duelo entre Davi e Golias. O fato do local do jogo ser o maior do mundo deixou tudo com contornos épicos.

O Flamengo, obviamente, era cotado como favorito. Porém, o Santo André vinha de uma ótima campanha, e havia eliminado grandes clubes do futebol brasileiro, como Goiás, Guarani e Atlético Mineiro. Contra o gigante Palmeiras, uma classificação inesquecível. Nas semifinais, eliminaram de maneira épica o também surpreendente 15 de Novembro-RS, treinado pelo então novato Mano Menezes. Apesar de todo o favoritismo, não dava para brincar em serviço.

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A primeira partida, disputada no Palestra Itália, terminou em 2 a 2, um ótimo resultado para o Flamengo, que levaria o título se não tomasse gols.

Chega então a noite do dia 30 de junho, e o Maracanã estava tomado por uma multidão flamenguista, que contrastava com a pequena, mas presente, torcida do Ramalhão.  Mesmo que não fosse o time endinheirado de hoje, o favoritismo era todo do Flamengo, comandado por Abel Braga, que também não era o técnico venerado e disputado dos dias atuais.

Porém, como sabemos, favoritismo não ganha jogo. Sabendo disso, o Santo André jogou com extrema valentia, inteligência e cautela. Conforme o tempo passava, além de segurar o empate sem gols (o que de certa forma, era uma boa), o Santo André conseguia deixar a torcida do Flamengo nervosa, o que de certa forma, contagiava o time carioca.

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O primeiro tempo, que foi um tanto quanto morno, terminou sem gols, e deixava tudo aberto para a etapa final. As jogadas do Flamengo não rendiam muita coisa, e o Santo André continuava a sua saga de "jogar por uma bola" (que ultimamente, se tornou um dos termos mais utilizados por comentaristas quando não sabem o que falar).

De fato, essa bola veio, no início do segundo tempo. Élvis bateu escanteio na cabeça de Sandro Gaúcho, que nem fez muito esforço para abrir o placar. Um a zero para o Santo André, resultado pouco esperado.

Alguns minutos depois, o sonho do time do ABC paulista tomava contornos de realidade, quando Élvis desviou cruzamento de Osmar. Dois a zero no placar, e desespero dos mais de setenta mil flamenguistas presentes no Maracanã.

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O Rubro negro carioca tentou de todas as formas, mas não conseguiu diminuir o placar, ou empatar a partida. Com o apito final de Carlos Eugênio Simon, o Santo André fez o que somente Frank Sinatra, o Papa João Paulo II e Ghiggia tinham conseguido fazer: calar o Maracanã.

Pela primeira vez, o Santo André conquistou a Copa do Brasil. Um dia para a história!

E você, quais lembranças guarda desse jogo inesquecível?

Um abraço, e até a próxima!