Israel Cayo Campos

NATURALIZAÇÃO OU ESCULHAMBAÇÃO?

por Israel Cayo Campos

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Para o futebol, esse negócio de naturalização virou uma esculhambação! 

Daqui a pouco teremos Brasil Verde Amarelo x Brasil naturalizado chinês. 

A FIFA tem que impor uma regra nisso. Mas se omite!

Pelo menos se até os seus avós nasceram em um país, faz sentido! Agora, só porque o cara passou cinco anos em uma determinada nação já pode ser chamado a defendê-la? Aí perdeu a lógica! 

Perde-se também o total sentido do duelo entre países. Afinal, algumas seleções só tem os torcedores como nascidos naquele solo? 

Acabem logo com a Copa do Mundo. Que sentido há em uma competições entre nações se as seleções são transnacionais?

Tem jogador que nem o idioma do país sabe, mas joga pela Seleção. Duvido que Elkeson e Ricardo Goulart falem chinês fluente... Pera lá...

Aí o pessoal vai falar da França em 2018. Que ganhou com muitos africanos.

Primeiro que a França não é exemplo de nada em questões sociais! Vide o que anda fazendo com seus imigrantes!

Segundo que todos os 23 jogadores que ganharam a Copa do Mundo ou nasceram ou tem pais ou avós que lá viveram. O que faz sentido! Há uma raíz que liga determinado jogador ao território. Ligação essa que não custou um contrato caro das federações com seus jogadores naturalizados!

Se pensarmos dessa forma Pelé não poderia jogar pelo Brasil, mas por algum país de matriz africana, por exemplo. O que discuto não é poder se naturalizar. Mas que tal situação tenha um sentido, que não seja o financeiro! 

O que não dá é um cara que joga 3, 4 ou 5 anos num país, mesmo sem ter nem um tataravô nascido lá, defender as cores de um povo que não é o dele! Até porque nas primeiras férias 99.9% desses naturalizados vão a suas terras matrizes! 

Ou alguém acha que o maranhense Elkeson tem raízes chinesas? Isso é transformar as seleções nacionais em clubes, que contratam quem "lhes dão" na telha! Tudo isso virou um grande balcão de negócios! 

Que façamos seleções continentais então! Pois as multinacionais já disputam torneios e jogos eliminatórios a todo tempo! 

Do jeito que o futebol brasileiro anda mal das pernas, vamos ter um campeão nascido no Brasil antes que o próprio Brasil seja campeão do mundo novamente! 

Como ocorreu nos anos 1930, com o ex-corintiano Anfilogino Guarisi, o "Filó", campeão do mundo com a Itália em 1934. 24 anos antes do Brasil conquistar seu primeiro título mundial em 1958! 

Naquele período, o jogador podia defender até três países em jogos oficiais, como o caso de Di Stéfano! Ou seja, o cara se naturalizava por ser muito bom de bola!

Hoje, o "cara" e seus empresários percebem que a concorrência em uma posição é muito alta e aí procuram naturalizar seus atletas em outros países que possuem carências nesse mesmo espaço do campo. Claro, por uma boa verba! Ou seja. Inverteu o papel. O cara é ruim de bola para sua seleção e aí se naturaliza! 

Virou um comércio que faz não existir o menor sentido a existência de jogos entre países. Pois o senso de nacionalidade já não existe mais!

MARACANAZO 69

por Israel Cayo Campos

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Há sessenta e nove anos ocorria a maior tragédia da história do futebol brasileiro.

Jogo final do quadrangular que decidia o título de campeão do mundo de 1950. 

Copa do Mundo realizada no Brasil. 

A Seleção Nrasileira vinha de "malditas" goleadas sobre Espanha e Suécia e só precisava de um empate contra o Uruguai. 

Mais de duzentas mil pessoas no estádio do Maracanã torcendo por nossos jogadores. Recorde em finais de Copas até hoje! 

Uma preleção cansativa e cheia de políticos querendo fazer fama em cima dos jogadores que enfim trariam a Taça Jules Rimet para o solo brasileiro.

Um primeiro tempo tenso. Mas que acabara sem gols, o que era suficiente para os brasileiros.

Logo aos três do segundo tempo, Friaça abre o placar e leva à loucura a torcida brasileira. O título era nosso! 

Ouvem-se berros! Era Obdúlio Varela empurrando sua seleção mesmo com o placar adverso. 

Uns tapinhas que viraram "bofetões" no imaginário popular no lateral Bigode. 

O Brasil já se vê pela primeira vez campeão mundial. 

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É aí que aos vinte e um Varela rouba a bola e toca para Ghiggia. O Seu Alcides passa por Bigode e em alta velocidade chuta cruzado, Schiaffino aparece no meio da área para empatar. 

O titulo continuava a ser nosso! Mas em um lotado Maracanã podia-se ouvir os gritos de Obdúlio. 

Aos trinta e quatro Ghiggia tabela com Pérez e escapa de novo pela marcação na direita do ataque e avança para área. 

Barbosa pressente a jogada que ocasionou o primeiro gol uruguaio e dá um passinho. 

Ghiggia chuta. E se por sorte ou esperteza ela entra exatamente no espaço do canto esquerdo do gol de Barbosa. A Celeste virava o jogo. 

Há uma lenda de que o torcedor brasileiro se calou após a virada uruguaia. Não fora bem assim! 

A torcida empurrou o time que quase empatou em um chute que explodiu no travessão de Maspoli. 

Mas aquele não era nosso dia. Pontualmente aos quarenta e cinco, o árbitro inglês George Reader apitava o final do jogo.

Jules Rimet que havia descido um pouco antes das tribunas do Maracanã para entregar a taça aos brasileiros ao descer ao gramado se assustara com os uruguaios comemorando. 

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Mais de duzentas mil pessoas em um silêncio funebre que se espalhou por todo o Brasil... 

Alegres só os uruguaios! Bicampeões mundiais! 

Os jogadores brasileiros cabiam os prantos e a vergonha. 

Uma série de ataques injustos e complexos foram atribuídos a aquela geração.

O Goleiro Barbosa foi o que mais pagou! 

Apesar de até 1950, aquela ter sido a melhor campanha do Brasil em Copas. Vencer era obrigação!

Mas a obrigação virou tragédia... Sessenta e nove anos depois, o "Maracanazo" ainda vive. 

Mesmo depois de cinco Copas conquistadas! 

Curioso ou não, nosso carrasco Alcides Ghiggia faleceu exatamente num dia dezesseis de Julho. Para que os brasileiros nunca esqueçam o seu nome.

Outros dezesseis de julho contra os uruguaios vieram e foram mais felizes. 

Como a conquista da Copa América de 1989 nessa mesma data com um gol de Romário sobre a Celeste Olimpica.

Um título que não vinha a quarenta anos!

Mas não tem jeito. Dezesseis de julho é dia de "Maracanazo". É dia da lembrança mais dolorida da história do futebol brasileiro.

14 DE JULHO DE 2005

por Israel Cayo Campos

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Há quatorze anos o São Paulo se tornava o primeiro clube brasileiro a ser tricampeão da Taça Libertadores da América. 

Com uma vitória incontestável no Morumbi por quatro a zero em cima do Atlético Paranaense (que a época não tinha o th), o time do técnico Paulo Autuori começava uma nova trajetória rumo a conquista do mundo. 

Existem aqueles que reclamam que o primeiro jogo que fora remanejado da Arena da Baixada para o Beira Rio prejudicou o clube curitibano. O que é um fato, pois até os dias atuais o São Paulo tem grandes dificuldades quando joga no estádio do Athletico. 

Mas vale lembrar que quem decidiu por essa mudança de estádio foi a CONMEBOL, não o São Paulo. Por mais que os dirigentes tricolores tenham apoiado de prontidão tal ordem da entidade Sul-americana. 

Todavia, por mais que perdesse na ida, que acabou em empate por um a um, o time tricolor fora mais consistente durante todo o torneio e deu um show em casa. Com direito a pênalti perdido pelo meia Fabrício do Atlético. 

Não dá pra dizer que um time que vence o outro por quatro a zero ganhou de maneira injusta. Que me perdoem os torcedores do Furacão! 

Rogério Ceni na melhor fase da sua carreira, um trio defensivo sólido com Fabão, que anotou um dos gols da final, Alex e o grande Diego Lugano. 

Dois laterais de seleção como Cicinho e Júnior, dois volantes, Mineiro e Josué, que eram os pilares do time.

Um meia que nasceu com o DNA de campeão, Danilo. E uma dupla de atacantes que revivia os tempos áureos do Guarani. Amoroso e Luizão. 

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Sem contar reservas do nível de Grafite, Diego Tardelli, que sacramentou o titulo com o quarto gol do jogo, e Souza. 

Se formos falar de competições oficiais, só Alex, Fabão, Souza e Danilo não vestiram a camisa da Seleção Brasileira. 

Danilo nunca ter jogado nem amistoso com a amarelinha, pra mim a maior injustiça entre todos! 

Desses, Rogério Ceni, Cicinho, Lugano, Júnior, Mineiro, Josué, Luizão e Grafite chegaram a disputar ao menos uma Copa do Mundo! Sendo o Mito, Júnior e Luizão campeões mundiais em 2002 na Copa da Coréia do Sul e do Japão. 

O São Paulo era mesmo uma Seleção! 

Com uma campanha que acumulou nove vitórias, quatro empates e apenas uma derrota, o São Paulo enfrentou a altitude de La Paz, o forte Palmeiras que vencera nas duas partidas,  o difícil Tigres do México, que foi a única equipe a vencer o tricolor no torneio, O até então favorito River Plate de Marcelo Gallardo, Javier Mascherano, Lucho González e Marcelo Salas e o Atlético Paranaense que tinha jogadores promissores como Fernandinho, Jadson e Aloísio. 

Uma campanha inconteste! Com uma vitória de mesmo adjetivo. 

Amoroso aos dezesseis, Fabão de cabeça aos sete da segunda etapa, Luizão "emocionado", pois já sabia que aquele seria seu último jogo no clube, aos vinte e cinco e Tardelli nos acréscimos, mostraram que no ano de 2005, o melhor time do continente era o São Paulo Futebol Clube. 

O São Paulo partia rumo ao Japão para o seu tricampeonato mundial. O que seria seu terceiro título naquele mesmo ano! 

A partir dali, começara uma sequência de conquistas que o clube não possuia desde os tempos de Telê Santana. 

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Por falar no mestre. Quando o jogo se encaminhava para o final, a torcida São-paulina gritava o nome do técnico já falecido. 

Uma forma de mostrar que ele será sempre lembrado quando o assunto é São Paulo e Libertadores! 

"Olê, Olê, Olê, Olê... Telê, Telê..."

Hoje os tempos são de vacas magras para o time do Morumbi. Mas como é a história quem constrói a grandeza de um clube, fica mais do que evidente que o São Paulo é um gigante mundial. 

Parabéns, ídolo tricolor! 

Que venham novas Libertadores!

TODO MUNDO TENTA, MAS DEZESSETE ANOS DEPOIS…

por Israel Cayo Campos

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30 de junho de 2002. Última vez que o futebol brasileiro se sagrava campeão mundial! Era o quinto título do Brasil em Copas do Mundo! 

O Jogo contra a Alemanha sem o astro Ballack, que estava suspenso por dois cartões amarelos, teve na maior parte do tempo a superioridade da Seleção Brasileira.

A Alemanha que fora até aquela final em Yokohama de vitórias de 1 a 0 em 1 a 0 se fechou de início.

No primeiro tempo em passe "açucarado" de Ronaldinho, o Fenômeno perdeu um gol na cara do temido goleiro Óliver Kahn. 

Poucos minutos depois, Kléberson, um desconhecido que havia ganho a titularidade de Juninho Paulista quase entra para a história das Copas. Com um drible seco e um chute com efeito, balançou o travessão do goleiro alemão! 

Mas o primeiro tempo terminava sem gols... Desde 1970 que o Brasil não marcava em uma final de Copa...

No segundo tempo o tabu caiu. Ronaldo perde e recupera a bola, passa para Rivaldo que chuta, o "intransponível" Kahn falha bisonhamente! Ronaldo como um bom camisa nove coloca o Brasil na frente aos vinte e um minutos da segunda etapa.

Faltando onze minutos para o fim, Kléberson que estava predestinado a brilhar naquela final, arranca pela direita, passa para "O Fenômeno" que ajeita e bate no cantinho do goleiro alemão. 

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A primeira Copa disputada no continente asiático, e em dois países, era nossa! Brasil dois a zero! 

Ronaldo seria eleito o melhor da partida e um exemplo de superação para milhões de brasileiros.

"O Fenômeno" vinha de duas lesões no joelho que praticamente eram o fim de sua carreira, mas não foram!

A Alemanha pressionou no fim do jogo, mas aquela era noite (ou dia aqui no Brasil) da seleção verde e amarela! São Marcos e a trave garantiram a vitória tranquila! 

Contudo, o melhor jogador da Copa fora Óliver Kahn, que cometera uma falha ao nível Schroif da Tchecoslováquia para Vavá em 1962. 

Um dos absurdos que os jornalistas contratados pela FIFA cometeram antes de ver o jogo final.

Mesmo com os dois na final e a artilharia da Copa, esse prêmio não deveria ser dado a Ronaldo, mas a Rivaldo. Que fez seis tentos e a ainda participou diretamente de mais quatro importantes gols do Brasil naquela campanha! 

Ao som de Ivete Sagalo e de Zeca Pagodinho, a Seleção do capitão Cafu, 100% Jardim Irene, levantava o quinto título mundial do Brasil...

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Já se vão dezessete anos, mas o Brasil continua sendo o maior vencedor do maior evento esportivo do mundo graças aos gols de Ronaldo, Rivaldo, Ronaldinho e Cia na Copa do Japão e da Coréia do Sul em 2002. 

Na volta, vale lembrar a alegria do Vampeta, que só um "pouquinho" embrigado deu cambalhotas na rampa do Palácio do Planalto na frente do Presidente da República, Fernando Henrique Cardoso! 

Vampeta não ficou milionário com aquela conquista como os jogadores de hoje são. Claro, está muito longe de estar pobre como os campeões do passado. Mas ele sabia o que talvez a maioria dos jogadores atuais não saibam.

Que o respeito por um jogador não se mede pelo o quanto ele ganha, mas sim pelo que ele ganha dentro dos gramados! 

Ainda mais uma Copa do mundo! Ficar marcado para história é algo que talvez essa geração não se importe muito!

Mesmo vencendo três Copas das Confederações, duas Copas Américas (talvez esse ano a terceira!) e sendo líder de Eliminatórias e do Ranking da FIFA várias vezes após 2002, o grande título do Brasil nesse século foi o penta no Oriente!

AOS MESTRES QUE NÃO CONHECI

por Israel Cayo Campos.  

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Desde garoto três coisas sempre me interessaram. Ciências, música e futebol. A intelectualidade que a primeira transmite a consciência da segunda e as alegrias da terceira me causaram um profundo desejo de fazer parte de todos esses meios. E por incrível que pareça, eu consegui modestamente fazer parte. Graças a pessoas as quais eu sequer conheci em vida, e que infelizmente em menos de 48 horas e ainda em plena juventude acabaram por nos deixar antes do combinado. A eles gostaria de fazer uma singela homenagem no Museu de Pelada, pois se um era um expert no que tange a história do futebol, um museu humano do futebol, o outro era um peladeiro ao estilo que todo peladeiro deve ser: Bom o suficiente para seguir outra profissão a qual tenha de fato talento! 

Mas para contar um pouco dos dois preciso me inserir como parte da história de ambos, embora eles nunca tenham me conhecido (a não ser por alguns e-mails perdidos do professor os quais tive a honra de trocar com ele na época que ainda estava a fazer meu TCC), pois eles fizeram parte da minha e mudaram-na dando um rumo especial para a mesma. Gostaria de por meio do futebol, algo que nos une (os três), agradecer a essas pessoas tão especiais em minha vida. 

Por cronologia, gostaria de começar por André Matos, um dos maiores cantores e pianistas brasileiros, que como escolheu o rock and roll como seu meio de vida, é por incrível que pareça pouco conhecido entre os tupiniquins, apesar do sucesso estrondoso que fez no mundo todo em todas as suas bandas, o Viper, Angra e Shaman. Além é claro de seu trabalho solo e projetos com músicos internacionais de renome como o Avantasia, do alemão Tobias Sammet. 

O corintiano roxo André, apareceu em minha vida logo que comecei a me interessar por música. Tentar aprender instrumentos, e principalmente cantar... Uma forma de reduzir minha timidez crônica. Por meu jeito calado apesar de não me considerar impopular, o heavy metal caiu em minha vida como uma bomba. Não parava de ouvir todo dia bandas diferentes. Tornei-me fã número 01 do Iron Maiden, mas tinha como referencia de músico desse estilo em nosso país o André Matos.  

Não queria só o admirar, queria ser como ele! Cantar com suas notas que poucos cantores no mundo conseguem. Infelizmente, eu era um peladeiro musical! 

Mas nem por isso desisti, montei minhas “bandinhas de garagem” e sempre arriscava um cover do André em discos maravilhosos do Viper como o “Soldiers of Sunrise” e “Theatre Of Fate”, ou do Angra, tais como “Angels Cry”, “Holy Land” e “Fireworks” ou na banda que em meados dos anos 2000 quando de fato comecei a ouvir rock pesado ele estava como vocalista, o Shaman. Banda essa que com seu disco “Ritual” de tanto eu ouvir acabei irritando meus vizinhos por anos! A minha predileta dessa fase se chama “Here I Am”. Traduzido no bom português: Estou aqui! 

Mas se for pra falar das composições do André as quais era viciado em ouvir e tentar reproduzir vou acabar saindo do foco do texto. São muitas canções lindas que aconselho a quem nunca ouviu procurar na internet as letras enquanto ouve as músicas. 

Mas quero falar de outro André Matos, o rockeiropeladeiro! Que sempre como goleiro participava dos campeonatos de músicos promovidos pela MTV. De fato, ele como arqueiro era um gigante músico. Mas como todo peladeiro, achava que tinha mais talento do que de fato apresentava! 

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Ao ver um ídolo da música que gosta do mesmo esporte que eu, meu instinto de fã sempre me impedia de torcer contra a equipe que estivesse defendendo! Ainda mais pelo fato de dentro de um estilo musical tão fechado, quase uma seita, haver um dos ícones do mesmo, fã de futebol igual a mim. Não só nos identificávamos pela música, mas também pelo amor pelas peladas.

Torcedor corintiano doente (apesar de eu ser São Paulino), pouco me importava seu time do coração. Gostar de metal e de futebol ao mesmo tempo fazia me identificar com o cara! Tietado pelo goleiro Cássio (Roqueiro assumido) e tiete do técnico Tite, visitou em programas esportivos o CT do Corinthians! E sua paixão pelo clube era tão grande que até o hino do time de Parque São Jorge em japonês ele gravou após a conquista do mundial de clubes de 2012. Só lembrando que no Japão, ele recebia o valor e admiração do grande gênio da música que era! 

Outro momento especial da relação André Matos e futebol veio com a gravação da música intitulada ‘Kamisama”, em parceria com a banda de metal brasileira Eyes of Shiva. A letra é uma homenagem a Zico, maior ídolo da geração 1980, que é tratado como o Deus do futebol na letra. E que como todos sabem, é não só aqui no Brasil, como também no Japão, o “Galinho de Quintino” assim como o André Matos são reverenciados com a grandeza que merecem! Tal canção da qual Matos participou, fez Zico, um conhecido fã do samba brasileiro, convidar a banda para o conhecer, além das dependências do CFZ. O eterno camisa dez do Flamengo ainda brincou com os integrantes do Eyes of Shiva que se sentia muito honrado com a homenagem e agora começaria a ouvir heavy metal! (Fonte, Site Wiplash. Dia 30 de novembro de 2005). 

Infelizmente no dia 08 desse mês, Matos acabou deixando órfãos os seus milhões de fãs no mundo todo. O maestro das notas perfeitas no vocal se foi. E com ele parte da minha adolescência. Mas a sua relação interseccionada entre música de ótima qualidade, gosto pelo esporte mais popular do mundo, e inspiração devido transmitida pelo seu grande talento a fãs das duas artes como eu sou, ficarão guardadas para sempre! Como ele dizia em uma de suas mais belas composições... Carry On... 

Se André Matos não teve o reconhecimento do público brasileiro ao qual merecia, esse outro homenageado por minha humilde pessoa é ainda menos reconhecido do público. Afinal, quem liga para os professores? Mas um cidadão com tamanho conhecimento de futebol, e que me fez ver que eu poderia aliar minha profissão a algo que eu sempre gostei, falo do professor (Doutor) Gilmar Mascarenhas de Jesus, geógrafo, que faleceu no dia em que escrevo esse texto (10 de junho). 

Além das bandas de rock e de um flerte com uma formação em economia, acabei optando por me graduar em geografia. E muito desse gosto pela disciplina vinha do conhecimento que adquiria sobre outros países principalmente em épocas de Copa do Mundo. Contudo, perto de me graduar na profissão, ainda não sabia em que área da geografia iria me especializar. Foi aí que um professor de geografia cultural me sugeriu – por qual motivo você não fala de futebol?

Pensei comigo: Como esses assuntos se entrelaçavam? Qual a relação que eles poderiam ter? De fato era uma ótima ideia! Mas como encaixar ambas as temáticas? Foi aí que comecei a ler os textos e livros do professor Gilmar Mascarenhas, e percebi o quanto isso era possível. Que um diploma em geografia não necessariamente só precisava ser dado a quem quer entender de politica ou relevo, que havia muitos caminhos pelos quais a geografia se entrelaçava. 

Mesmo não o conhecendo pessoalmente, apenas trocando alguns e-mails, o professor carioca me inspirou a concluir meu curso. A fazer meu trabalho me baseando em algo que adoro. Deu-me um ânimo para investir naquilo que me dispus a fazer da vida. Seus textos sobre as origens do futebol brasileiro, e a territorialidade criada por torcedores como os do Grêmio e Internacional que ultrapassava os limites das quatro linhas desde seus primórdios, me fizeram ver o futebol muito além do que ele almeja ser. Muito mais do que um jogo inglês reinventado no Brasil. O futebol pode assumir outros contextos e formas de acordo com o entendimento do que ele representa dentro de uma sociedade! Principalmente uma sociedade tão miscigenada e pobre como a nossa! Se não fosse o Professor Gilmar Mascarenhas, minha linha de pesquisa seria apenas mais do mesmo!

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Com suas referências bibliográficas construí meus próprios textos. Conclusão de curso, artigos, revistas, e utilizo algumas informações até aqui no Museu da Pelada. O professor Mascarenhas foi o pioneiro no mundo acadêmico a associar geografia e futebol. Que hoje longe das amarras caretas de alguns professores universitários, consigo ver o quanto estão relacionados! Para mim, é um pai acadêmico! Apesar de ainda ser um homem muito jovem, perdendo sua vida a dez dias de completar 55 anos! 

Vale salientar os mais de 100 artigos em inglês e português sobre a temática. Que iam além do futebol, bem como os grandes eventos esportivos que o Brasil sediou nos últimos anos, tais como os Jogos Pan-americanos e Olímpiadas. Além de livros essenciais para quem gosta da história do futebol no Brasil, como por exemplo, “Entradas e Bandeiras, a conquista do Brasil pelo futebol”.

Em seus artigos o professor analisou a história de grandes times como o Corinthians, o Bangu, o Grêmio, o Internacional e até a importância da Seleção Brasileira na construção do espaço urbano do país. Sem contar a análise do operariado tomando um esporte que até então era das grandes elites e a busca para saber se o futebol no Brasil entrou primeiro via Charles Muller, como a história conta, ou pelas vias férreas que ligavam o Rio Grande do Sul ao Uruguai e Argentina, países pioneiros nesse esporte na América do Sul. Também escreveu sobre a Copa do Mundo de 1950 e sua importância para o estado do Rio de Janeiro, os legados da Copa de 2014 e Jogos Olímpicos para o território brasileiro, e o que passamos hoje em nosso futebol, a globalização que praticamente torna os nossos campeonatos que já foram os mais fortes em torneios de segundo escalão devido ao êxodo de nossos craques. São tantos temas futebolísticos associados ao meio acadêmico que foram discutidos pelo professor Mascarenhas que não cabem nessa singela homenagem. 

Que me desculpem os ex-jogadores de futebol que acham que só quem entende de bola é quem enfrentou um maracanã lotado. Mas o conhecimento adquirido sobre esse esporte também pode vir das salas de aula. O futebol também é aprendizado! E ninguém mostrou de maneira melhor em nosso país que essa afirmação é verdadeira do que o Doutor Gilmar Mascarenhas de Jesus. 

Torcedor do Botafogo, soube por amigos próximos que ele planejava ver a Seleção brasileira na Copa América desse ano. Infelizmente o destino não permitiu que isso acontecesse. Mas meus sinceros agradecimentos a um cara que nem conheci, mas que me ensinou que tanto. Que fez muito por uma temática tão importante, mas ao mesmo tempo tão marginalizada pelo meio acadêmico. E que aceitem ou não, é uma parte da história de nosso povo. Que seu exemplo inspire novos acadêmicos a pesquisarem outros assuntos que também são de extrema importância para boa parte dos brasileiros. Esse foi seu grande legado! Grande mestre. O Futebol não pertence só a jogadores e jornalistas especializados. Mas é um bem do povo brasileiro, que pode e deve ser analisado por todas as óticas. Inclusive acadêmica! 

Mesmo que não tendo a fama de alguns que aparecem na TV para mostrarem que não tem metade do conhecimento que o senhor possuía, em um país onde os professores são pouco valorizados, um visionário como o senhor merece a minha sincera homenagem! Livros e textos na internet gratuitos estão aos montes. Resta as pessoas uma vontade de aprender mais sobre aquilo que elas acham conhecer tanto e na verdade entendem apenas de maneira superficial! Um pouco de cultura não faz mal a ninguém! Conhecer a história do esporte pelo qual se dá tanta audiência muito menos! E graças ao professor Gilmar, tal situação é possível! Um exemplo que infelizmente eu não tive o prazer de conhecer pessoalmente! Só me resta desejar sinceras condolências a família! Que descanse em paz grande mestre!