Internacional

NEM A DISTÂNCIA SEPARA

por Wendell Pivetta

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Amor pelo clube do coração é algo inexplicável. Não existem fronteiras para dedicação do torcedor, ainda mais aquele que mora longe do estádio, que muitas vezes acaba falecendo e nunca teve a oportunidade de assistir o clube do coração na cancha futebolística. Algumas cidades ainda fazem excursões, porém o custo é alto, até porque os estádios ficam cada vez mais elitizados e não compreendem talvez que boa parte do público venha de longe.

No caso de hoje, conto a história da minha cidade, Tupanciretã, fixada no centro do Rio Grande do Sul, com a torcida Camisa Vermelha, que em média, 1 vez por mês marca presença no Beira Rio. Eliandro Amarante, criador do movimento, começou a divulgar e reunir pelos bares com transmissões dos jogos e via Whatsapp a ideia de ir para o estádio, ver pela primeira vez seu time de coração atuar no gramado que, ao vivo, era muito mais verdinho. A cidade costumava ir apenas uma vez ao ano para o estádio, e hoje a realidade já é outra, tendo em média um micro ônibus mensal, dobrando inclusive o quadro de sócio torcedor da cidade pelo Clube do Povo do Rio Grande do Sul.

A viagem tem o total de 800 quilômetros, cerca de 5 horas de viagem, para até então, ter participado de 13 jogos, nenhuma derrota e apenas um empate assistido que foi neste ano, diante do River Plate pela Libertadores da América (dados levantados antes da parada da Copa América). Famílias percorrem a longa estrada para vislumbrar o grande evento que é uma partida de futebol da capital, algo que não tem preço para os organizadores das excursões que passam semanas organizando e reunindo o dinheiro, contatando empresas com transporte, e garantido o ingresso de todos para dentro do jogo. 

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Nossa primeira partida que a excursão vislumbrou foi o jogo Internacional 2x1 Corinthians pelo Brasileirão de 2018. Lotaram uma van de 15 pessoas, um dos transportes mais difíceis para percorrer 5 horas de viagem, porém naquela data o nosso país enfrentava a greve dos caminhoneiros, e a falta de gasolina era algo que cada vez mais iria se tornando realidade entre os transportes. Quando chegamos e entramos no estádio, era possível ver o aglomerado de pessoas, e sem perceber o sangue ia fervendo, o coração mal parava de bater e isso tudo só de entrar estádio a dentro, então, quando você passa pelo corredor, o Beira Rio no setor inferior conta com escadas para você subir até a parte do gramado, e subindo pela primeira, e ainda até hoje, não existe colorado que não se arrepia todo ao ver a imensidão do estádio, da beleza fenomenal do interior e aquele sol que bate no gramado e o torna ainda mais verde. O torcedor se sente completamente em casa. Sem falar as histórias do pré jogo, como por exemplo ao passarmos por dentro da Porto Alegre vazia, visualizamos o ídolo e ex-zagueiro Índio andando a pé para o estádio, ou no clássico gre-NAL que ao estacionarmos nosso ônibus, começamos assar a carne do almoço e fazer uma cantoria, logo chega torcedores de outra cidade, Horizontina, para tocar com nós e em menos de 2 minutos o local encher de torcedores vislumbrando do mesmo momento mágico.

Encarar frio, chuva, falta de sono e preços absurdos ao totalizar passagem, ingressos e alimentação realmente é algo que prova a força das excursões do interior do estado para assistir aos espetáculos, e a Camisa Vermelha de Tupanciretã é uma ótima representante destes momentos que só o torcedor passa. 

INTERNACIONAL 1975/1979

por Marcelo Mendez

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O ano era 1969 e o Brasil não era nem de longe, algo que poderia ser exemplo de integração.

Um país de dimensões continentais sim, mas que também não fazia o menor esforço para se conhecer, para se falar e se frequentar. Era o Brasil da ditadura militar, do chumbo do AI-5, das mortes e sangues espancados em paredes de masmorras muquiadas por todas as capitais.

Era uma época que o Brasil não fazia questão de se conhecer, em linhas gerais.

Dessa forma, dá pra dizer que o Sul do Brasil era longe demais de Rio e São Paulo. Explica-se por aí, o fato de um time enorme construir um estádio gigante, à beira do Rio Guaíba e ainda assim, não ser noticia nesses grandes centros da vez.

Pois...

Foi nesse ano, que nasceu um estádio chamado pelos seus como O Gigante da Beira Rio, de onde se formou um time que uns anos depois viria a ser o melhor time do mundo. Viemos para falar desse time hoje.

O ESQUADRÕES DO FUTEBOL BRASILEIRO vem para falar do Internacional dos anos 70. O Colorado de 1975/1979

A FORMAÇÃO

Lógico que o começo foi uma beleza.

Em 1969 com a construção de seu estádio, o Internacional quebrou uma hegemonia que era do Grêmio, interrompendo o hepta e começando a fila de títulos gaúchos que viriam a dar no octacampeonato de 1969/1976.

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Consta ainda como sendo dessa época, a chegada de um moço catarinense para o time de cima, estreando por lá em 1973, de nome Falcão. As canteiras também trouxeram Batista, também surgiu Jair, Flavio, o lendário Valdomiro, o bom ponta esquerda Lula que veio do Rio, a zaga forte com Elias Figueroa e um jeito de jogar futebol extremamente moderno para a época, comandado por Rubens Minelli.

Não poderia dar errado e não deu.

Com Minelli, o Colorado deixa de ser apenas regional e vence de braçada dois Brasileiros, o de 1975 contra o Cruzeiro e o de 1976 sobre o surpreendente Corinthians. Do sul do país surgia um gigante, forte, jogando pra frente, dando shows em cima de shows.

O Internacional era uma realidade no Brasil.

PARA SER O MELHOR DO MUNDO

Em 1979 tudo era uma incógnita para o Colorado.

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Há de se pensar que o Grêmio já havia quebrado a série de títulos colorados em 1977, que novas forças como Santa Cruz e Guarani se apresentavam para o Brasil e uma renovação tendo que ser feita deixou tudo em suspense no Sul.

Rubens Minelli deixa o comando técnico para Enio Andrade que passa a ter Benitez para o gol no lugar de Manga. Para a lateral, João Carlos, zaga composta por Mauro Galvão com 18 anos e Mauro Pastor. Lateral esquerda era de Claudio Mineiro e dele pra frente, pouco havia mudado; Falcão, Batista, Jair, Valdomiro, Bira e Mário Sérgio.

Um timaço!

O Inter não só venceu 1979, mas com requintes de máquina, amassando todo mundo e chegando de forma invicta ao título em cima do Vasco com duas vitórias, nas decisões.

Naquele final de década as forças do futebol mundial se equivaliam e tudo estava mudando. Os Alemães e Holandeses de Bayer e Ajax davam lugar a supremacia inglesa que viria com Liverpool, Notinghan Forest e Aston Villa. Pensando nisso não é loucura dizer isso que afirmarei agora:

O Internacional de 1975/1979 era um dos maiores times do mundo.

Manga, Claudio, Marinho Perez, Figueroa e Vacarria. Batista, Falcão e Jair. Valdomiro, Dario Maravilha e Lula formam a base dessa máquina.

A eles nossa homenagem.

O AZAR ROUBOU CHANCES, MAS JAMAIS O TALENTO DO SADI

por André Felipe de Lima

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Quando o lateral-esquerdo do Internacional, Sadi — que para muitos colorados é o melhor que tiveram. Melhor até que o Oreco — viu suas chances se esvaírem de ir à Copa do Mundo de 70, muitos ficaram surpresos. Mesmo com as sucessivas contusões entre 1968 e 1969, era um nome bastante cogitado para integrar a lista de convocados. Mas a sorte sumira do mapa para ele, e Sadi passou a falar e sorrir pouco quando entrava ou saía do antigo estádio dos Eucaliptos, onde aprendeu a amar o Inter onze anos antes daquela Copa. Onde lá chegou garotinho e sozinho, sem que ninguém o levassem ou o convidassem. Cara, peito e coragem.

Sadi chegou à seleção em 1965. Até 1968 era nome certo no escrete, e foi exatamente naquele ano que começou o seu ocaso no escrete. Ou seriam “ocasos”?

O primeiro deles aconteceu em um jogo do Inter contra o Santos. Os times entraram em campo para rolar a bola. Mas era tanta gente no gramado paparicando Pelé, que Sadi não conseguiu espaço para se aquecer. Resultado: logo aos oito minutos de jogo sofreu uma severa distensão. Ficou de molho alguns jogos até retornar contra o Flamengo e, após uma dividida com Chiquinho Pastor, fraturou o pé. Acabou aí? Não. Veio 1969 e o Inter de casa nova. Era o gigante Beira-Rio. Logo em abril, no primeiro Gre-Nal do estádio, o pau comeu violentamente. Era soco, voadoras, mordidas... rolou de tudo, menos carinho. No meio da pancadaria, Sadi levou uma porrada violentíssima na batata da perna, que teve o músculo perfurado pela chuteira de algum rival. Jamais se soube que gremista acertou-lhe em cheio a panturrilha. Acham que foi pouco para o Sadi? No final de 69, ele voltou aos gramados e sofreu uma ruptura do músculo da coxa. Definitivamente, a Copa do Mundo estava cada vez mais distante.

Zagallo não o levou, mas levou Everaldo, do Grêmio, com quem o craque e capitão colorado disputava o posto de melhor lateral canhoto do Rio Grande do Sul.

Sadi treinava avidamente. Doava-se pelo Inter e tinha uma canhota magistral. Era verdadeiramente viril, mas sabia jogar bola. Conta o repórter gaúcho Rogério Amaral, apresentador do programa “Virando o Jogo”, do canal RDCTV, de Porto Alegre, que durante a cobertura da Copa do Mundo de 1998, bateu um papo com Rivellino, que conviveu um tempo com Sadi na seleção brasileira. Rivellino, de quem se imagina que tudo de bola trouxe do ventre, confessou ao Amaral ter aprendido a cruzar a bola de “três dedos” com Sadi.

Ainda no começo dos anos de 1970, a política “roubou” Sadi do futebol. Foi vereador de Porto Alegre, pelo antigo MDB, entre 1973 e 1982, ano este em que tentou se candidatar a deputado estadual, mas acabou derrotado nas urnas. Mas Sadi, como vereador, foi bem e criou inúmeros projetos que se transformaram em ações verdadeiramente úteis para o cidadão da capital gaúcha.

Sadi Schwerdt, que nasceu em Arroio dos Ratos, no interior do Rio Grande do Sul, era impetuoso desde garoto. Sozinho, abordou Clóvis Dias, treinador dos infantis do Inter, que gostou do menino. Com 18 anos, chegava ao profissional. Teve uma rápida passagem pelo Atlético Paranaense, em 1962. Tornou-se ídolo em Curitiba. Voltou logo para o clube de origem, tomou a posição de titular do Gilberto Tim — o mesmo que se tornaria preparador físico das seleções do Telê Santana — e foi duas vezes campeão gaúcho, em 1969 e 70. Chegou a ser emprestado ao Corinthians, em 1971.

Regressou ao Beira-Rio, mas uma fratura na perna direita em um acidente de carro fez com que abandonasse a carreira. Logo com ele, o Sadi, que sofrera tantos reveses entre 1968 e 1970. Concluiu que não dava mais brigar com o azar. A política começou naquele instante a tomar o lugar da vida do Sadi.

Ontem, dia 27, um dos maiores da história do Inter partiu.

JOGOS INESQUECÍVEIS

Internacional 1 x 0 Barcelona

por Mateus Ribeiro

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O futebol é um dos esportes mais apaixonantes do planeta. Um dos fatores que contribui muito para toda essa paixão desenfreada é o que costumamos chamar de “zebra”. Caso você nunca tenha ouvido a expressão (o que acho muito difícil, aliás), o nome do mamífero alvinegro é utilizado quando uma equipe favorita perde uma partida (ou um campeonato) para um time com menos cartaz.

E uma das zebras mais interessantes dos últimos tempos aconteceu em dezembro de 2006, na final do Mundial de Clubes, envolvendo Barcelona e Internacional de Porto Alegre.

De um lado, o poderoso clube espanhol, que havia conquistado a Liga de Campeões da Europa, e estava iniciando a sua era mais vitoriosa. Nomes como Rafa Márquez, Puyol, Ronaldinho, Deco e Iniesta tornavam o Barcelona favorito.

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Já o Colorado, campeão da Libertadores pela primeira vez após bater o multicampeão São Paulo na final, contava com um elenco consistente, que além de muita aplicação tática, tinha também a valentia de Fernandão, Alex, Clemer, Índio, Edinho e Iarley.

Como em qualquer partida entre clubes da Europa e da América do Sul, muito se falava sobre o favoritismo exacerbado do Barcelona. E realmente, o clube catalão levou vantagem na posse de bola, o que não significa exatamente nada, uma vez que apesar de toda a modernidade, o que decide um jogo de futebol é bola na rede.

E tivemos uma bola na rede. Um gol feito por heróis improváveis. Após uma grande jogada do “jovem” Iarley, a bola vai parar no pés de Adriano Gabiru. Dos pés do meia, que havia substituído o idolatrado e saudoso Fernandão, a bola foi para o fundo do gol. Junto da bola, Adriano deu uma bica em todo o papo furado de que brasileiro entra em campo de cabeça baixa, de que europeu sempre será superior. Se hoje é assim, uma pena. Mas durante muito tempo, os times daqui poderiam até perder, mas sempre com dignidade. Dessa vez, o Inter venceu com dignidade. E digo mais: venceu com AUTORIDADE.

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O Internacional (um dos maiores clubes do Brasil, é bom salientar) iniciava ali um período repleto de grandes vitórias e conquistas, que durou por anos. E até hoje, os torcedores lembram se da jogada de Iarley, do gol de Gabiru, da defesa de Clemer, e da entrega do time colorado.

Uma vitoria do futebol brasileiro. Uma vitoria dos jogadores sem holofote. Uma vitoria de quem queria vencer. E venceram.

E você, torcedor colorado, qual lembrança tem desse jogo inesquecível?

NENA, O MENINO POBRE DO BAIRRO RICO. ETERNO ÍDOLO COLORADO

por André Felipe de Lima

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O grande Luiz Mendes, o “comentarista da palavra fácil”, como carinhosamente chamavam-no os locutores Waldir Amaral e Jorge Curi, tinha uma relação especial com o zagueiro Nena [Olavo Rodrigues Barbosa], um dos melhores da história do Internacional de Porto Alegre e um dos ícones do famoso “Rolo compressor” da década de 1940, como era conhecido aquele poderoso esquadrão Colorado que, além do Nena, contava também como Alfeu, Ávila, Abigail [“paixão” do Luis Fernando Verissimo] Carlitos, Adãozinho, Tesourinha e por aí vai. Mendes e Nena começaram praticamente juntos. O primeiro, na imprensa; o segundo, no futebol.

Nena morava no bairro Petrópolis, de Porto Alegre. Bairro tido grã-fino da capital gaúcha. Mas Nena era pobre. Entre uma pelada e outra, ainda garoto, jogando pelo Paraná FBC, time do bairro, o renomado treinador argentino Ricardo Diez o descobriu. Foi mais ou menos assim, como narrou Mendes. A rapaziada sabia que Diez iria assisti-la em um jogo pelo campeonato do bairro. Diez era então o melhor treinador da cidade e ficara famoso por fazer do time do Inter um respeitável elenco, convencendo inclusive cariocas e paulistas de que gaúcho também era bom de bola. E o “bom de bola” naquela tarde era o beque Nena. Sim, beque porque Nena sempre jogava por ali, na zaga. Só seria deslocado para a lateral-esquerda quando chegara ao Inter, onde o dono da zaga era o Alfeu. Pois bem, continuando. Diez mirou Nena e disse em seu portunhol arrastado: “Que belo muchacho! És um negrito flerte, hein?. És como Ademir que yo descobri em Pernambuco. És um craque, el pibe. Yo le voy hablar!”.

Para quem não recorda, Diez foi o técnico daquele timaço do Sport, que entre fevereiro de 1941 e janeiro de 1942 excursionou pelo sul e sudeste devastando quem via pela frente nos gramados. Ademir de Menezes, a grande joia descoberta por Diez, integrava o elenco. Diez ficou tão famoso em Porto Alegre, que após o passeio do Sport em Porto Alegre, permaneceu na capital gaúcha para começar a montar o time que se transformaria no “Rolo compressor”.

Nena encantou Diez. Amor à primeira vista. O rapaz foi logo treinar numa terça-feira após aquela pelada em Petrópolis. Um treino que deveria ser esmerado. Haveria um confronto no domingo seguinte contra o Cruzeiro. Em campo, os dois times protagonizaram uma partida encarniçada, mas Nena brilhou e ajudou o Inter a encerrar o placar favorável de 2 a 1. Não sairia mais do time titular.

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Em 1946, já não era mais o rapaz bom de bola de Petrópolis. Era o Nena, um dos melhores jogadores dos pampas. O escrete brasileiro precisava de um jogador como ele. Naquele mesmo ano, Uruguai e Brasil disputariam a antiga Copa Rio Branco. Eis o batismo de fogo do excelente jogador gaúcho.

“Entrei no Pacaembu para enfrentar os uruguaios. Subi as escadas que unem o vestiário ao gramado e quando ergui os olhos me pareceu que estava na cratera de um imenso vulcão. Corremos o campo. Um pé de nervosismo me embargava a respiração. Depois, vi-me perfilado enquanto a bandeira do Brasil subia ao mastro e o hino nacional era executado por uma banda militar. Vieram-me as lágrimas aos olhos e eu comecei a pensar em tudo o que já havia me acontecido antes na minha vida de jogador de futebol. Eu me enxerguei jogando no bairro de Petrópolis, com a camiseta do Paraná FBC. Um campinho despretensioso, com alguns curiosos observando o jogo, as balizas desprotegidas de redes... e ali estava eu, no meio daquela gentarada toda, e com a camisa da seleção brasileira.”

Nena é de um tempo romântico, que, infelizmente, não voltará mais. Amava-se a camisa do clube. Amava-se a da seleção também. E de verdade, sem vaidade ou marketing. Nena foi o “Parada 18” [famoso ponto de bondes de Porto Alegre], como o apelidaram porque parava tudo que tentava passar por ele na zaga. Foi um dos símbolos de uma penca de títulos de campeão gaúcho do Inter nos anos de 1940. Merecia espaço na seleção da Copa de 1950, mas foi mantido por Flávio Costa na reserva de Juvenal Amarijo. Certamente, Nena não daria sopa para o Ghiggia na final e o Brasil, talvez, tivesse mais sorte contra o Uruguai, no Maracanã.

Em 1951, foi jogar, como zagueiro, pela Portuguesa de Desportos, formando — para os saudosistas da velha Lusa — o melhor “trio final” da história do clube, ao lado do goleiro Muca e do lateral-esquerdo Noronha, outro gaúcho, que havia atuado pelo Grêmio, Vasco e São Paulo. Com a Portuguesa, Nena conquistou o Torneio Rio-São Paulo de 1952, quebrou a perna duas vezes. Não dava mais. Ponto final, portanto, da esfuziante carreira.

Nena faria 95 anos hoje.