Fotografia

ACERVO DO TCHÊ

Receber acervos é, sem dúvidas, um dos momentos mais prazerosos para a equipe do Museu. É uma responsabilidade tremenda cultivar anos de histórias através de fotos, recortes de jornais ou objetos que remetem a quem construiu aquele enredo.

O mais recente, entregue pelo parceiro Mário Bittencourt, foi o do lendário fotógrafo Tchê e fizemos questão de reunir familiares para contar um pouco da trajetória do saudoso craque das lentes.

Neto e filho do fotógrafo, Jorge Eduardo e Walter toparam o nosso convite na hora e se juntaram a Márcio Bittencourt para uma viagem no tempo que gerou risadas e muita emoção!

Dê o play e confira essa resenha!

CRAQUE DAS LENTES

fotos: Rogério Faissal

Rogério Faissal

Rogério Faissal

Com muito carinho e orgulho, a equipe do Museu da Pelada recebe diversas colaborações dos amigos, mas ultimamente os ensaios fotográficos têm tirado nosso fôlego! A fera da vez é o fotógrafo Rogério Faissal, craque com a câmera no olho e a bola nos pés!

- Com a fotografia, fiz belos gols. E nas peladas, minhas jogadas e meus gols dariam belas fotos – resumiu.

A paixão pela fotografia surgiu aos 15 anos por pura influência do irmão. Foi nessa idade que, após muita insistência, ganhou de seu pai uma Nikkormat e fez seus primeiros cliques, sem compromisso, mas com um enorme talento. Aos 22 anos, no entanto, aquilo que era pura diversão ganhou ares profissionais quando o craque entrou para a agência Tyba, de Rogerio Reis e Claus Meyer.

Assim como as grandes promessas, que estreiam cercadas de expectativas, Rogério Faissal não se intimidou e logo de cara emplacou uma matéria que estampou a capa da Revista Veja. De acordo com ele, a fotografia está intimamente ligada ao seu crescimento profissional.

- Foi a melhor maneira que eu encontrei para me comunicar com as pessoas e mostrar como sou e vejo o mundo.

Embora a atividade ocupasse boa parte do seu dia, Rogério, como um verdadeiro fominha, não deixava de lado sua paixão pela bola. Tendo jogado nos mais tradicionais campos de pelada do Rio de Janeiro, hoje o craque sente saudades das tradicionais brincadeiras do fim de semana.

- Há uns 10 anos eu não jogo mais, parei depois de ter operado o joelho. Mas como estou me sentido bem e alguns amigos tem se falado para marcar uma pelada, já tirei o tênis do armário - brincou.

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Mais saudade ainda o fotógrafo sente do timaço do Flamengo da década de 80. Rubro-negro fanático, Rogério revelou que ia em todos os jogos do clube no Maracanã e gostava de ficar na antiga geral para assistir de perto os dribles desconcertantes de Júlio César Uri Geller. Segundo o fotógrafo, a paixão pelo clube era tanta que chegou a interferir em seu trabalho:

- Fotografei no Maracanã um jogo do Flamengo, mas na hora do gol do Romário comecei a torcer e perdi a foto – lembrou com bom humor.

Depois dos trabalhos para a Revista Veja Rio, foi contratado para fazer as fotos da Revista de Domingo, do Jornal do Brasil, onde ficou por cinco anos. O talento do fotógrafo logo foi reconhecido por Marcelo Tabach – ele mesmo, nosso fotógrafo -, que era na época editor de fotografia da Revista Caras, um fenômeno editorial. Antes de começar a se dedicar à fotografia publicitária e aos projetos pessoais em 2001, ainda trabalhou por cinco anos na Conspira.com, empresa de conteúdo para a internet do grupo de Conspiração.

Dentre os trabalhos pessoas, dois ensaios chamam a atenção dos boleiros e, por isso, foram reproduzidos nesta matéria: “Traves” e “O Jogador”. O primeiro, como o próprio nome diz, são cliques extraordinários de balizas.

- Comecei a perceber naquelas traves imagens que tinham a ver com minha história e poderiam ser fotografadas de uma maneira diferente, destacando sua plasticidade e causando ainda um estranhamento pelo ambiente vazio, à noite.

Sobre a exposição “O Jogador”, Rogério explicou que foi uma forma de homenagear os amigos e relembrar as peladas que jogou no Rio de Janeiro. Para isso, rodou a cidade em busca dos mais diversos campos.

Por fim, ao ser perguntado se havia algum segredo para fazer registros tão belos, o fotógrafo nos explicou:

- Meu trabalho pessoal acontece depois de muita observação, estudo e da minha experiência fotográfica. A experiencia em fotografar faz com que os grandes fotógrafos consigam antecipar os momentos e fazer fotografias incríveis. Mas isso é fruto de muita experiência!

Conheça mais sobre o fotógrafo: http://rfaissal.com.br/

CRAQUE DAS LENTES

texto: André Mendonça | fotos: André Durão

André Durão

André Durão

Depois de um longo tempo, a equipe do Museu da Pelada apresenta mais um “Craque das Lentes”. A fera da vez é André Durão, fotógrafo do portal Globoesporte.com há mais de 10 anos, que, gentilmente, nos enviou uma bela galeria de fotos sobre futebol. Apaixonado pela fotografia desde os 13 anos, André nos contou um pouco sobre a brilhante carreira e a relação com o esporte.

Embora não tenha sido um craque dentro das quatro linhas, o fotógrafo tratou de se destacar na beirada delas. Em 1982, fez sua estreia no Maracanã, ainda como estagiário, auxiliando o fotógrafo Ari Gomes, e se encantou com a atmosfera do estádio. No ano seguinte, começou a carreira profissional no Jornal do Brasil e passou a ganhar destaque por conta dos cliques na beira do gramado.

- Ainda trabalho nos gramados e minha ideia é nunca parar. Se o Globoesporte.com deixar, quero ficar até não conseguir mais fotografar. Espero que esse dia demore muito a chegar!

Aos 13 anos, após muito insistir ao pai, foi matriculado em um curso na Associação Brasileira de Arte Fotográfica (ABAF) e passou a ter dificuldades para conciliar as aulas com as peladas e os treinos de basquete, esporte preferido no qual se destacava na juventude. Federado no esporte da bola laranja por 16 anos, desde a categoria infantil, André precisou tomar uma decisão difícil, e abandonou os treinos do basquete para se dedicar exclusivamente à fotografia.

Apesar de, na época, ter sido um duro golpe para o garoto, não temos dúvida que foi uma decisão extremamente sábia, o que pode ser comprovado pelo vasto currículo de coberturas do fotógrafo: Copa do Mundo, Olimpíadas, Copa das Confederações, Copa América, Mundial de F-1 e mundiais de vários outros esportes pré olímpicos.

- Acho que foi a escolha certa! Me dedico muito ao que faço. Quando saio para fotografar, não vejo como um compromisso e sim como uma oportunidade de brilhar e fazer uma bela foto, que é o que mais gosto – disse André, que também ressalta a importância do respaldo familiar para se alcançar o sucesso.

Estudioso, o fotógrafo revelou que costuma analisar os jogadores antes das partidas para se posicionar da melhor forma possível e fazer os mais belos registros. Admitiu, no entanto, que assim como o bom goleiro, o bom fotógrafo precisa de sorte.

- Vejo qual é o lado que o jogador costuma correr para comemorar, qual jogador chuta de longe, qual faz mais gols de cabeça etc. O resto é ficar prestando atenção na partida e esperar um lance bonito. Só quem adivinha o que vai acontecer é a Mãe Dinah – brincou.

Se as competições em que cobriu já não fossem o bastante para comprovar o êxito na profissão, podemos falar ainda dos estádios que foram palco dos cliques do fotógrafo. Tendo fotografado em quase em todos do Brasil e alguns do exterior, como San Siro, na Itália, o craque elege o palco da estreia como o mais especial.

- O Maracanã, sem dúvidas é meu estádio preferido. Também gosto muito de fotografar jogos da Libertadores fora do Brasil, pois a pressão da torcida deixa você mais ligado nos lances!

No fim, ao ser perguntado se é melhor com a câmera ou com a bola, André foi taxativo:

- Pergunta pra galera do Globoesporte.com. Me chamam todo dia para fotografar, mas para a pelada só fui chamado uma vez! – finalizou, de forma divertida.

CRAQUES DAS LENTES

Dando sequência à série de fotógrafos que nos enviam lindos registros sobre futebol, o Museu da Pelada anuncia hoje Andre Arruda. Apesar de admitir que “não joga futebol em respeito à bola”, por ser um dos piores jogadores do mundo, o parceiro fez um clique de cinema em uma praia em Caiçara do Norte, no Rio Grande do Norte.

Andre Arruda

Andre Arruda

O curioso é que a foto da pelada não foi programada, visto que ele estava na região para um outro projeto, o livro “Cem Coisas Que Cem Pessoas Não Vivem Sem”. Como o próprio nome diz, Andre buscou figuras folclóricas pelo Brasil e perguntava para cada uma qual era o objeto essencial na vida delas.

- Caiçara do Norte é uma região repleta de pescadores e fui fazer um registro de Ariri. Ele disse que não vivia sem barco. Eu já havia feito o registro do pescador, mas vi essa pelada e fiz o registro. A luz daquela região é uma das melhores do Brasil.

Lançado em maio deste ano, o livro reúne 200 fotos e demorou nove anos e meio para ficar pronto. De acordo com Andre, foi um dos trabalhos mais árduos da sua carreira.

Registro de Ariri, o pescador de Caiçara do Norte, e o barco, objeto essencial em sua vida

Registro de Ariri, o pescador de Caiçara do Norte, e o barco, objeto essencial em sua vida

Vale destacar que a paixão do craque pela fotografia por muito pouco não virou pesadelo. Durante a infância, Andre costumava brincar com a máquina fotográfica do seu pai, até o dia em que a deixou cair e ela parou de funcionar. Depois disso, deixou a fotografia de lado e passou a se interessar pela música e por esportes como skate e bicicleta.

A paixão pela música se intensificou e o menino passou a se dedicar, chegando a tocar quase 8h por dia, sem contar com as horas gastas com estudo e pesquisas. O banho de água fria ocorreu quando foi convidado para fazer sua primeira gravação e não gostou do resultado, por não ser o seu estilo musical preferido.

- Música é alma e eu não gostei daquilo, foi um choque de realidade! Hoje em dia eu toco baixo, mas costumo dizer que é por questões terapêuticas, para fazer uma higiene mental -– brinca.

A partir daí, passou a cursar Jornalismo e, numa “prosaica aula de faculdade”, como ele mesmo define, o professor mostrou um ensaio fotográfico de Cartier Bresson que lhe despertou novamente a paixão pela fotografia. No mês seguinte, adquiriu uma câmera usada e voltou a fotografar.

Após se formar em 91, começou a trabalhar no Jornal do Brasil, onde ficou até 98, quando se transferiu para o Jornal O Globo. Ficou dois anos no novo emprego e, de 2000 para cá, tem se dedicado aos projetos pessoais e aos trabalhos de freelancer. Até agora, foram dois livros de Carnaval publicados (Blocos de Rua do Carnaval do Rio de Janeiro), muitos registros de moda e muitos livros de galeria de arte, além do já citado “Cem Coisas Que Cem Pessoas Não Vivem Sem”. Neste ano, ganhou o prêmio de melhor capa de revista do ano, pela Revista Época.

O próximo livro a ser lançado, segundo Andre, promete ser polêmico. Ainda sem data para ser publicada, a obra “Fortia Femina: aceitação e preconceito” terá 128 páginas com registros de mulheres que fazem bodybuilding, ou seja, uma musculação mais pesada.

- Gostaria de fazer algo diferente sobre a beleza feminina. Comecei a fotografar em 2002, sem muito compromisso, e vi que isso poderia render uma coisa bacana. O bodybuilding feminino está deixando de existir e essa obra pode virar um documento histórico – ressalta o botafoguense.

O Botafogo, aliás, é definido pelo fotógrafo como um time diferenciado, por ser um dos poucos a ter como ídolo um jogador clinicamente inapto. O lado mítico e folclórico do futebol é o que mais tem despertado a atenção de Andre ultimamente. Embora não seja um torcedor fanático, ele afirma que se interessa principalmente nos momentos decisivos e acompanhou toda a saga do Botafogo até conquistar a vaga para a Libertadores do ano que vem!

- Não gosto de assistir às primeiras rodadas, mas vi todos os jogos do segundo turno. O Botafogo estava mal na tabela e conseguiu uma virada incrível, alcançando o topo.

Mais obras do fotógrafo podem ser encontradas no site: http://andrearruda.minestore.com.br/

CRAQUES DAS LENTES

por André Mendonça

Renan Cepeda

Renan Cepeda

Nossos parceiros fotógrafos seguem enviando lindos registros sobre o futebol. A fera de hoje é Renan Cepeda, responsável por uma sequência de fotos, inexplicavelmente, inédita! A partida era Brasil e Uruguai, no dia 19 de setembro de 1993, no Maracanã, pelas Eliminatórias da Copa de 94.

Com uma bela exibição de Romário, autor dos dois gols brasileiros, a seleção comandada por Parreira carimbou o passaporte para o Mundial e, mesmo sem estar credenciado, Renan Cepeda fez uma sequência de fotos que entraria para a história.

- Estava trabalhando pela Folha de S.Paulo e meu credenciamento só valia para os jogos da CBF e da federação carioca. Como o jogo era da FIFA, tive que trabalhar da extinta geral, bem distante do gramado.

Veja o golaço de Romário

Mesmo com as condições adversas, aos 38 minutos do segundo tempo, com o olhar diferenciado do fotógrafo, percebeu uma escapada de Romário e apontou a câmera para o Baixinho. Segundos depois, Mauro Silva lançou em profundidade para o atacante, que driblou o goleiro Robert Siboldi e marcou um golaço quase sem ângulo.

- Quando ele recebeu o lançamento eu já sabia que vinha coisa boa! Ele era fera!

O resultado foi uma linda sequência de quatro fotos de um dos lances mais emblemáticos de Romário com a camisa da seleção. A obra de arte, no entanto, jamais foi publicada no jornal.

- Cheguei na redação e mandei a sequência de fotos para São Paulo, mas eles preferiram dar uma da comemoração. Eu fiquei um pouco frustrado e peguei o negativo pra mim! Guardo essas fotos com muito carinho até hoje! São inéditas!

Peladeiro de Santa Teresa na infância, Renan sempre foi apaixonado por futebol, embora o esporte nunca tenha sido sua especialidade na hora de fotografar. Os rachas na infância só tiveram a atenção dividida quando o menino ganhou, aos 11 anos, uma câmera Olympus Trip do seu pai, fotógrafo amador.

Depois desse dia, passou a rodar pelo Rio de Janeiro atrás de bons registros. Foi num desses passeios, inclusive, que Renan conseguiu seu primeiro estágio, de forma romântica, como ele próprio define:

- Estava rolando uma briga entre moradores de Copacabana e funcionários do Detran, que estavam aplicando multas abusivas. Eu fiz umas fotos e liguei para o Jornal do Brasil. A equipe deles chegou tarde e eles usaram as minhas fotos na primeira página!

Fotógrafo do Jornal do Brasil encarregado de fazer os registros daquela confusão em Copacabana, Carlos Hungria convidou Renan para conhecer a redação e lá teve contato com grandes feras do jornalismo. Como forma de agradecimento, foi convidado para estagiar no jornal e, alguns anos depois, foi efetivado.

Renan Cepeda

Renan Cepeda

Posteriormente, passou a atuar como freelancer na Folha de S.Paulo, fez registros para as Revistas Abril e, hoje em dia, com mais de 30 anos na profissão, tem se dedicado aos próprios projetos autorais, sobretudo no mercado de artes. Está prestes a lançar um projeto com fotografias infravermelhas de paisagens ao redor do mundo. Embora o fotojornalismo tenha ficado um pouco de lado, Renan garante que foi a maior escola na sua carreira.

- Eu fazia de tudo, desde parte cultural, comportamento, até chacinas. Tudo no mesmo dia! O fotojornalismo é a melhor escola de fotografia, porque são fotos com informação e temas variados.

Se a paixão pela fotografia continua intacta, o amor pela bola também continua o mesmo.

- Jogo minhas peladas no Clube dos Macacos com uma rapaziada mais nova e sou sempre um dos primeiros a ser escolhido!