Campeonato Carioca

A SUPERVALORIZAÇÃO

:::::::: por Paulo Cezar Caju ::::::::

Confesso, ando muito impaciente. Minha natureza é essa, mas o futebol tem contribuído muito para minha intolerância atingir níveis estratosféricos. Agradeço imensamente aos amigos e leitores que pedem para eu pegar leve nas críticas, mas como aliviar, principalmente após ver as primeiras rodadas dos estaduais?

O mais irritante é a velha lenga lenga de sempre, com os “professores” culpando o início de temporada. O pior é que quando chega o final da temporada o chororô é o mesmo. Como o Zé Ricardo tem a cara de pau de citar Copa do Brasil e Sul Americana? O Botafogo não tem elenco para disputar mais do que uma competição. Com o time completo também perderia.

O que tem se visto no geral são jogadores para lá de medianos elevados ao topo da pirâmide. A supervalorização é uma estratégia dos empresários, está destruindo o futebol e tentando nos fazer de idiotas. Volto ao tema para deixar clara a minha opinião. Não quero ofender ninguém, é apenas a minha opinião.

O Arrascaeta é bom de bola? Claro que é!!!! Vale todos esses milhões? Claro que não!!!! Conversei com amigos cruzeirenses bons de mandinga que disseram que o Montillo agiu da mesma forma e não arrumou mais nada em clube nenhum...a macumba da nêga é boa, Kkkk!!! O Diego quando chegou ao Flamengo parecia o Papa! Na época, critiquei. Errei? Acho que não. O que ele fez de tão maravilhoso desde que chegou? Lembram-se do Cirino? Contratação milionária, cheia de mais mais mais. Cadê ele?

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O Vitinho já começou a ser vaiado. Culpa dele ou de quem o supervalorizou? E o Fábio Carille, “professor” do Corinthians, que fala igual ao mestre Tite? Foi para um “projeto” no futebol árabe, estava no pé da tabela e volta como o salvador da pátria! Chupou laranja com quem??? Os comentaristas tem muita culpa nisso por embarcarem nessa conversa mole e criarem falsos heróis. Muitos deveriam fazer curso de técnico.

Aí, alguém me criticou: “Mas, PC, o Gabigol foi o artilheiro do Brasileiro!”. E daí??? O Henrique Dourado foi artilheiro do Brasil e a torcida até se arrepia quando ele é escalado. O cara faz uma penca de gols de pênalti, imita um ceifador na comemoração e vira gênio. Prefiro ficar vendo o veterano Ricardo Oliveira fazer seus golzinhos. Vai jogar até os 50! Também gosto de ver o Pablo, ótimo centroavante! Olha aí, como não critico tudo!!! Mas a verdade é que estou amargo mesmo, mas a culpa não é minha! É do que está aí.

O Flamengo anuncia mais uma contratação, a do Rafinha, que está há anos na Europa e não joga mais por lá. Não seria mais inteligente a CBF rever essa divisão de cotas? Dessa forma, talvez seja melhor organizar um triangular e Flamengo, Palmeiras e Corinthians ficarem jogando entre si. É tanto dinheiro rolando e o Carioca começa com aquele gramado horrível do Madureira. É uma falta de respeito generalizada, com torcedor e jogadores. Mas vai ficar por isso mesmo. Será que foi o gramado ruim que fez o jovem Marrony brigar com a bola antes de dar o passe para o gol da vitória? Tomara!

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Uma dúvida. O que o Tite estava fazendo no jogo do Fluminense? Deve estar com a agenda tranquila nesse início de temporada, Kkkkkk!!!! É preciso rir muito porque anuncia-se mais um ano complicadíssimo para os cariocas. “Mas, PC, o Flamengo não pode entrar nessa lista...”, me repreendeu um amigo, no quiosque do Leblon, onde costumo parar. A obrigação do título é um peso tremendo.

O Palmeiras com um elenco gigante não ganhou a sonhada Libertadores. Essa história de muitas “estrelas” azeda de vez em quando. Mas se o torcedor do Flamengo se contenta com o time disputando finais e não levando aí é outro papo. Se o torcedor comprou a ideia de o que importa é o clube sanado, mas sem títulos importantes, e os empresários cada vez mais enchendo os bolsos e querendo nos vender gato por lebre, aí tudo bem.

Me perdoem a acidez, mas sou do tempo em que aquela frase no muro da Gávea, “craque o Flamengo faz em casa”, era praticamente um mantra.

UM CARIOCA DE POUCAS NOVIDADES

:::::::: por Paulo Cezar Caju ::::::::

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O Campeonato Carioca prepara-se para mais uma nova edição e as novidades são pouquíssimas. Para mim, o Fluminense trazendo Ganso será o clube que melhor contratou, incluindo nesse pacote o técnico Fernando Diniz, de quem sou fã. E por que sou fã do trabalho dele? Porque é bom ver jogar os times que ele monta. É nítido que os jogadores têm liberdade para driblar, ousar e o toque de bola é de qualidade. Também é nítido seu foco no treinamento dos principais fundamentos do futebol. Parece óbvio, mas não é. Por isso, ele deu aval para a contratação de Paulo Henrique Ganso. Os outros professores devem considerá-lo lento, antiquado.

Peguem os melhores momentos de Ganso e verão lances maravilhosos. O problema é a turma que o cerca e talvez Fernando Diniz tenha esse problema no Fluminense. Mas acredito no seu trabalho, principalmente se a diretoria entender a sua filosofia. Também acredito que ele aproveitará muito a base de Xerém. Basta lembrarmos do time mais comentado do final da temporada: Athlético Paranaense. Ele iniciou esse trabalho.

Ainda sobre o Fluminense, estava saindo de uma pelada com o Delei e vimos uma faixa da escolinha do Fluminense: “Formando Guerreirinhos e Guerreirinhas”. Acho esse marketing de péssimo gosto, afinal queremos craques e não gladiadores.

Por outro lado, li que o Fluminense está criando um núcleo forte de futebol feminino. Sempre torci para que todos os clubes fizessem isso. Tenho visto muita menina boa de bola! Mas também ouvi outro dia a jornalista Lu Castro explicando que agora o certo é chamar futebol de mulheres e não feminino. Seguirei!

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As contratações do Flamengo, sinceramente, não me encheram os olhos. Para mim, trouxeram três jogadores que os seus clubes estavam torcendo por uma proposta. Nenhum era titular. Claro que o Arrascaeta é bom de bola, mas não mantém uma constância e a torcida do Flamengo é impaciente. Costumam chamá-lo de vaga-lume justamente por sumir do jogo em algumas ocasiões. Mas o Flamengo está com caixa e pode se aventurar. Mas, insisto, a base não deve ser esquecida e um time milionário como o Flamengo não pode ser desclassificado da Copinha tão rapidamente.

O Botafogo me assusta porque, além de vender Igor Rabello e Matheus Fernandes, fez contratações pífias. O Vasco está caminhando como consegue. Vamos ver se o Ribamar deslancha, mas trazer novamente o Felippe Bastos é dose. Dizem que o Bruno César está acima do peso.

Torci muito para o América subir, mas ainda não foi dessa vez. Ainda não consegui entender o regulamento da Segunda Divisão, mas também nem vou tentar.

Olha, assino essa coluna há alguns anos e baterei novamente nessa tecla. Para o Carioca esses times resolvem porque o campeonato não trará maiores desafios. Minha preocupação é com o Brasileiro, torneio longo e com sério risco de arrastar alguns cariocas para a Segunda Divisão.

O Vasco, por exemplo, escapou da degola na última rodada. O Fluminense passou perto e o Botafogo salvou-se por uma sequência de três bons resultados. É muito pouco. Os clubes cariocas precisam honrar suas histórias e principalmente o bordão “respeito é bom e eu gosto!”.

A VOLTA DO CANTUSCA

(Foto: Dalton Valério)

(Foto: Dalton Valério)

Após oito anos afastado das atividades profissionais, o Canto do Rio reestreia nesse domingo, dia 29, na série C do Campeonato Carioca. O jogo oficial acontece no Estádio Alziro de Almeida, em Itaboraí, casa do alvianil. O time niteroiense enfrenta o Campo Grande a partir das 11h, em jogo válido pela primeira rodada do estadual.

Os ingressos estão disponíveis para venda na secretaria do clube, em Niterói, e na bilheteria do estádio, em Itaboraí, somente no dia do jogo, pelo preço popular de R$10. O Canto do Rio também irá disponibilizar um ônibus para transporte dos torcedores, com saída da sede do alvianil. A passagem tem o custo de R$ 10 (ida e volta) e também deve ser adquirida na secretaria do clube.

O técnico Marquinhos Pereira ainda não divulgou a escalação da equipe. Os nomes serão publicados nas redes sociais do clube minutos antes da partida.

- Estamos trabalhando todos os dias com muita seriedade e muito comprometimento. Esperamos já no início da competição fazer um bom jogo contra o Campo Grande. Vamos tentar tirar o melhor proveito possível para irmos crescendo dentro da competição! - frisou o treinador.

Quem não estiver no estádio na hora do jogo pode acompanhar a transmissão ao vivo pela Web Rádio Antena Esportiva na página: radioantenaesportiva.com.

O Estádio Alziro de Almeida fica na Rua doutor Mesquita, s/n, Centro, Itaboraí, em frente ao Cemitério Municipal.

 

 

ALZHEIMER NA MEDIOCRIDADE

por Rubens Lemos

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Acordei de uma soneca no segundo tempo de Vasco 3x2 Botafogo, primeira partida da final do Campeonato Carioca. Estava empate e vi o gol da vitória do meu time no finalzinho. Dos 20, 25 minutos acompanhando chutões, carrinhos e caneladas na bola, esforcei-me para identificar algum jogador além do goleiro Martin Silva, do jovem Paulinho e do - vamos lá -, atrevido Pikachu.

Complicado. O futebol brasileiro anda numa mediocridade tão imensa e sideral que o último time do Vasco a ser escalado sem risco por mim é o do ano 2000, o da virada sobre o Palmeiras na Mercosul e do título brasileiro: Hélton; Clébson, Odvan, Júnior Baiano e Jorginho Paulista; Nasa( Nossa Senhora dos Passes Bizarros!), Jorginho, Juninho Pernambucano e Juninho Paulista; Euller e Romário.

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Um vascaíno com 40 anos de amor e alguma memória não consegue desfiar 11 cabeças de bagre do último fim de semana. Um vascaíno que olhava, embevecido, o pai recitar o time de 1956: Carlos Alberto; Paulinho e Bellini; Laerte, Orlando e Coronel; Sabará, Livinho, Vavá, Walter Marciano e Pinga.

Um vascaíno que não esquece Mazarópi; Orlando, Abel, Geraldo e Marco Antônio; Zé Mário, Zanata e Dirceu; Wilsinho, Roberto e Ramón de 1977. Ou Acácio; Galvão, Ivan, Celso e Pedrinho; Serginho, Dudu e Ernâni; Pedrinho Gaúcho, Roberto e Jérson, os esforçados de 1982 que tiraram a banca do Flamengo campeão do mundo. Ou os maravilhosos bicampeões de
1987/88: Acácio; Paulo Roberto, Donato, Fernando e Mazinho;  Dunga (Zé do Carmo), Geovani e Tita (Bismarck); Mauricinho, Roberto e Romário.

Eram os cânticos  dos dribles, lançamentos, gols de placa, que transpunhamos para o futebol de botão como numa incorporação mágica dos heróis em campo de madeira. Escalações duravam anos, decorávamos os reservas, hoje exuberâncias diante da falta de fundamentos básicos dos titulares mais apropriados a Olarias e Madureiras.

A minha amnésia é causada pela rotatividade medonha promovida por sanguessugas oficialmente chamados de empresários. Outro dia, o Vasco demitiu um cara cuja função era de gerente científico. Hilário imaginar o indigitado explicando em fórmulas, átomos e partículas,
como o baixinho Romário fazer sentar em elástico descadeirante, qualquer zagueiro transformado em molécula morta.

Perdeu-se a graça, a boa sacanagem, o migué, a molecagem, criaram-se gerações de robôs bem-comportados e inimigos do futebolisticamente liberto. Outro dia, o colega de trabalho, circunspecto como um Churchill em plena Segunda Guerra, bate no meu ombro e pergunta: "Como é chato o tal Carille!". Perguntei quem era, ele explicou ser o técnico do Corinthians e respondi que do Corinthians conhecia Rivelino, Sócrates, Zenon e Edílson. "Você está ultrapassado!", ele zombou.

Calei no meu Alzheimer precoce e fui ao Google, rever imagens de um timaço do Brasil nos anos 1970, com Zico, Rivelino, Paulo Cézar Black Power, Marinho Chagas e Nelinho. Nenhum risco de esquecê-los.

A GOMALINA

:::::::: por Paulo Cezar Caju ::::::::

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Dá para medir bem a qualidade do Carioca quando os dois favoritos jogando pelo empate conseguem perder para os azarões Botafogo e Vasco. O Carpegiani, por quem tenho muito carinho, derrapou feio ao escalar Aarão e Jonas no meio e Everton, o melhor do time, na lateral. O Botafogo entrou com um time bem armado e Luiz Fernando, o homem do gol, pode vir a ser um bom jogador. Fez um gol que causou um estrago tremendo no milionário time do Mengão, que ao invés de demitir apenas Rodrigo Caetano, o gerente de futebol que vem contratando errado há anos, mandou junto o técnico e o Jayme, sempre o Jayme!

O Flamengo gastou milhões para trazer um goleiro com fama de pegador de pênaltis, um centroavante com fama de batedor de pênaltis, e um meio-campo que não se despenteia nunca e só bate faltas e escanteios. Pelo menos, a gomalina é boa, Kkkkkk!!!! É muito pouco e a torcida não atura. Que a administração continue saneando as dívidas do clube, mas contratar errado é uma aula de jogar dinheiro fora.

No Vasco, o Zé Ricardo mesmo precisando da vitória entrou com um time defensivo. Paulinho entrou e resolveu. Ou seja, quem é bom de bola tem que sair jogando.

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Sobre a decisão não arrisco palpite porque esse título pode iludir muita gente. O Brasileiro vem aí e os clubes cariocas com esses elencos vão penar. Ainda mais se os torcedores continuarem longe dos estádios. Essa é a resposta deles por anos de descaso, times de quinta categoria, ingressos caros e regulamentos esdrúxulos. Se o produto for bom, a casa enche.

Dirigentes, esqueçam, o torcedor está ligado, cansou de maquiagem e pirataria. Os tempos mudaram e o produto pode até vir com tatuagem, brinco e brilhantina, mas que traga junto o futebol.