CBF

PARADOS NO TEMPO

por Gilney Barreto

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Acho que chegou a hora de fazermos uma reflexão muito séria sobre o futebol sul-americano. A derrota do River Plate para o Al Ain vem mostrar como anda o nosso "pobre futebol". Pobre de ideias e pobre de humildade (cheio de arrogância).

Um futebol que não consegue títulos importantes há algum tempo e está cada vez mais distante dos europeus. Não que eu ache que tudo que vem da Europa é melhor, mas eles buscaram soluções para nos alcançar e hoje nos passaram! E nós? Paramos no tempo!

Nossos dirigentes, CBF, estão preocupados com exclusividade do seu curso, uma reserva de mercado idiota, que só beneficia os que têm como pagar um valor absurdo de R$ 19 mil. Essa mesma CBF, junto com a CONMEBOL, deveria se preocupar em organizar competições que não terminem em vexame, como a Libertadores, ou acabar com a corrupção que prende seus dirigentes, como a CBF.

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Gostaria que vocês pudessem me responder: sabem quantas vezes, após a criação desse Mundial com novo formato, ganhamos um título? Sabem quantas vezes fomos eliminados antes da final? Sabem quando foi a última seleção brasileira que foi campeã mundial sub-20 ou sub-17?

Até 2002 tínhamos um revezamento em títulos de Copas do Mundo com os europeus. Após 2002, só chegamos a final uma vez, Argentina 2014, e não levamos.

Acho que chegou a hora de esquecermos as vaidades e cuidarmos do futebol, esquecermos dos mimimis de reservas de mercado e termos mais atenção com nossas competições. Estamos fazendo feio, estamos ficando muito para trás.

LICENÇA PRÓ - A NOVA HABILITAÇÃO PARA DIRIGIR O TITENIC

por Zé Roberto Padilha

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Diante da atual penúria técnica do futebol brasileiro, que conta com a pior safra da sua história, seria normal que os atuais treinadores do G-20, grupo que reúne os comandantes da sua primeira divisão, se reunissem para rever o estado de conservação dos campos de fertilização de novos talentos. Buscar a fundo as razões que levaram a cidade de Três Corações, no interior de Minas Gerais, a não revelar um novo Rei. Saber por que Quintino, no subúrbio do Rio de Janeiro, não enviou um outro Antunes ao Maracanã. E porque o São Cristovão não vê por ali nascer mais fenômenos. Isto é, buscar nas raízes dos campos de peladas do interior, e no desaparecimento dos seus heróis abnegados, com um apito na boca e uma bola debaixo do braço, que viviam a garimpar, sem CREF ou Licença Pró-Teção ao meu cargo, a nossa maior matéria prima de exportação.

Mas no lugar de ir fundo no problema, os integrantes do G-20 preferiram ficar na superfície das suas próprias ambições. Inseguros, corporativistas, tramaram nas últimas rodadas do Campeonato Brasileiro se reunir na sede dos Coveiros do Futebol Brasileiro (CBF) e garantir a própria sobrevivência. Afinal, como um treinador de seleção brasileira se presta ao desconforto de sentar num banco escolar para ouvir não uma preleção do Guardiola, do Mourinho, mas as considerações de um Famoso Quem em busca de uma carga horária?

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Ele, Tite, o Dunga e mais os 18 anões do meu pirão primeiro, se prestaram a tal humilhação para ter direitos exclusivos sobre nós, treinadores do futebol brasileiro espalhados por todos os campos do país. Eles se rotulam comandantes da elite, mas que elite é esta que precisa buscar nos países vizinhos soluções berrantes, e Berrios, que brotavam a toda hora pelos nossos campinhos de pelada?

Sou treinador de futebol do interior, com muito orgulho. Oito anos dirigindo quatro equipes (Fluminense FC, América FC-TR, Entrerriense FC e Ariquemes FC) com quatro títulos conquistados (Estadual Carioca Infantil 87, Juvenil 89, Segunda Divisão Carioca 94 e Campeão Estadual de Rondônia 93). Pouco importa o que lutei e alcancei. Como centenas de colegas ex-atletas carregados de experiências, estou há anos sem clube porque o descaso da FERJ com o interior saiu fechando o futebol do Barra Mansa FC, de Cantagalo, de Teresópolis, e do Serrano também. Os dois clubes da minha cidade, Três Rios, que revelaram o Ferreira para a Seleção Brasileira e o Vinícius Righi para o comando do ataque do Flamengo, e o Da Silva para proteger a zaga da nação, entre tantos craques , fecharam suas portas. Sem campeonatos, ligas desportivas abandonadas, deixaram de revelar grandes jogadores, oferecer a população espetáculos ao vivo e passaram a abastecer o crescente mercado do mundo das drogas.

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Ao final da reunião do G-20, na sede coveira da Granja Comary, foi registrado em ata que só eles poderão dirigir as grandes equipes dos pequenos jogadores. Pagaram uma fortuna para garantir que ninguém mais irá dirigir o Flamengo sem Nunes, o Fluminense sem Fred, o Botafogo sem Túlio e o Vasco sem o Roberto Dinamite. Pouco importa o resultado alcançado, o que vale é estar ali no comando de um Titenic que já perdeu outra Copa do Mundo, viu a Copa Libertadores da América ser disputada por dois argentinos e segue, imponente sob seus comandos, para o fundo do mar porque para o fundo das redes ninguém mais com a 9 consegue acertar.

O FUTEBOL ESTÁ CONTAMINADO

:::::::: por Paulo Cezar Caju ::::::::

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Final de temporada as pessoas ficam mais emotivas, lembram-se dos que partiram, dos que chegaram, e apostam todas as fichas no ano seguinte. Também sou um sonhador e sempre acredito em um país com mais amor, justiça, compreensão e menos roubalheira. Mas não gasto minhas energias canalizando isso para o futebol, minha grande paixão. Desse, já desisti. Está totalmente contaminado e em todas as esferas. A CBF deveria ser cercada por uma tornozeleira gigante, uma devassa deveria ser feita em sua administração.

A novidade da vez é a criação desse curso para treinadores sob sua própria chancela. Caríssimo, dez mil reais! Quem não fizer estará impedido de atuar, ficará desempregado. Já elitizaram os estádios e, agora, criam um grupo de “professores riquinhos”. Na verdade, isso é um rebanho! O técnico da seleção é um pastor, a CBF uma igreja e os treinadores agora pagam seus dízimos para garantir seu lugar no céu.

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Por que ao invés de pagar eles não pensaram na categoria como um todo? Por que não pensaram naqueles profissionais que moram em um fim de mundo e sequer têm dinheiro para sustentar a família? Ou vai virar moda os técnicos ganharem um milhão por mês? Isso é uma covardia e não é possível que o Ministério Público continue deixando a CBF zombar de nossa cara dessa forma escancarada! E vem o Tite dizer que não aceita receber o presidente Jair Bolsonaro, na Granja Comary! Isso é hipocrisia ao cubo. Não quero saber de Bolsonaro e político nenhum, mas ele foi eleito presidente e se quiser visitar a Granja, visitará! O Tite gosta de fazer esse jogo de cena. Deve ter um pesquisador ao lado ditando como deve agir. “Sorria!!”, “Faça cara de malvadão!”, “Triste!”, “Indignado!”, Kkkkk!!!

É porque o povo tem memória curta, mas existia um movimento de moralização do futebol chamado “Bom Senso”, liderado pelo Paulo André, Juninho Pernambucano etc etc etc . Todos sumiram, desistiram ou sei lá o quê. O Tite tinha voz ativa. Queridinho da imprensa, usava seu tom professoral para listar tudo de errado. Aí, a CBF resolveu o problema rapidinho o convocando para ser técnico da seleção. Hoje, ele se submete a tudo: amistosos medíocres, empresários dando as cartas e todo o resto que é noticiado diariamente nos jornais. O Tite já não aconteceu e pronto.

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O mais ridículo de tudo são as convocações. A última novidade foi o Alan, do Vasco. “É um jogador moderno”, constatou alguém da comissão técnica. Peraí, o Alan tem quase 30 anos e desde que, garoto, atuava no Vasco jogava dessa forma, lateral, meio e até ataque. O mistério é porque só agora foi convocado. Mudou de empresário?

Me digam o que foi feito após o 10 x 1 (teve mais três da Holanda)? Respondam, sem pensar! Absolutamente nada! Outro dia, liguei a tevê e ouvi um desses comentaristas, sei lá de onde, elogiando a atuação do David Luiz. “Não acham que ele merecia uma nova chance?”, perguntou para os amigos da bancada. Olha, eu não tenho o poder de mergulhar na tela e sair lá do outro lado. Se tivesse, certamente vocês veriam o negão aqui causando um alvoroço tremendo na emissora. Ia preso, mas ia feliz, Kkkkkk!!! 

CONTRA FATOS, NÃO HÁ ARGUMENTOS

por Fernando Pires

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- O Brasil foi 5 vezes Campeão Mundial de Futebol (1958 - 1962 - 1970 - 1994 - 2002) e 2 vezes Vice-Campeão (1950 e 1998) sem os Cursos da CBF. Também foi sem os Cursos da CBF que o Brasil ganhou títulos sul americanos. Vale lembrar que a CBF passou a existir em 1979 e que a confederação nunca tinha feito cursos de Treinadores antes de 2010 ...

- Que as Seleções Sub 17 e Sub 20 do Brasil foram Campeãs Mundiais e sul americana sem os Cursos da CBF.

- Que os Clubes Brasileiros foram Campeões Mundiais (Santos - Flamengo - Grêmio - São Paulo - Internacional e Corinthians) sem os Cursos da CBF.....

- Já se vão 16 anos sem títulos e essa CBF quer dar letra?

- Acreditem: as coisas estão mudando - devagar mas estão mudando - porque não se pode aceitar essa absurda exigência de só trabalhar no Futebol Brasileiro quem tiver o curso da CBF.

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- O certo teria sido a CBF fazer uma Reunião com a ABTF e com os Sindicatos de Treinadores que realizam cursos e colocar regras, estabelecer critérios, fiscalizar e CHANCELAR esses cursos, porque estaria prestigiando a Classe dos Treinadores. Em vez disso, o que fez a CBF? Terceirizou o processo e deixou de fora as representantes da Classe.

Resultado disso são os Treinadores Brasileiros perdendo mercado de trabalho no mundo inteiro, mesmo onde antes predominavam. O pior disso é que a CBF ainda acha que está certa.

- Um grande absurdo, mas ainda dá tempo de corrigir esse mal feito.

- CBF, chame a ABTF e os Sindicatos de Treinadores para uma Reunião para que participem desse processo de Formação dos Treinadores e, aí sim, estarão valorizando a Classe e prestigiando seus Representantes.

E OS OUTROS?

por Zé Roberto Padilha

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Era uma vez, em 17 de Dezembro de 2015, que um bom e discreto goleiro, do Internacional, de Porto Alegre, de nome Alisson Ramsés Becker, foi vendido a uma discreta equipe de futebol, a Roma, da Itália, pela discreta quantia de 5 milhões de euros, 21,1 milhões de reais, para disputar o discreto Campeonato Italiano. Que nenhuma emissora quer comprar os direitos de transmissão pelo mundo. De tão discreto e desimportante é no cenário do futebol mundial.

Três anos depois, sem alcançar um só título nacional, todos vencidos pela Juventus, sem se destacar em qualquer edição da Champions League, e jamais se aproximar da vitrine de um mundial de clubes, este discreto goleiro, com uma participação para lá de discreta na Copa do Mundo, já que sua zaga foi o grande destaque da competição e mal permitiu espaços aos adversários para incomodá-lo, foi vendido ao Liverpool pela nada discreta quantia de 72,5 milhões de euros. Ou seja, 323 milhões de reais. Valor este, de tão absurdo, que os próprios diretores da Roma classificaram de “muito acima do valor do mercado”.

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Em 2016, Jéfferson, do Botafogo, era considerado o melhor goleiro do Brasil. Mas o treinador Dunga, do Internacional e da Seleção Brasileira, convocou pela primeira vez o Alisson “pela sua estatura”. Na ocasião, pensávamos que era relativa à sua altura, não ao valor a ser alcançado no mercado.

Um ano depois, Diego Alves, ao se tornar o recordista na história da La Liga como o maior defensor de pênaltis de sua história, chega ao Flamengo disposto a lutar por um lugar na seleção brasileira. Fez um grande campeonato, mas foi Cássio, do Corinthians, o campeão e melhor jogador da posição no Brasileirão que antecedeu a Copa. Mas na hora do Tite escolher o goleiro que defenderia o Brasil, Alisson foi mantido como titular absoluto. Mal acabou a Copa, a transação que assustou o mundo foi consolidada.

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Nenhum papel neste período, seja do Facebook ou da Microsoft, na Bolsa de Valores Nova York, ou da Sony, na Bolsa de Tóquio, alcançou esta valorização no mercado. Nenhum artista, ou cantora, como a Beyoncé ou Shakira, trocou de gravadora por algo parecido. Então, meus amigos da Lava Jato, da CIA, do FBI, do CSI Miami, entrem no circuito. Pelo bem do futebol, pelo que restou de sua credibilidade em meu país, façam uma CPI desta aberração. Não pela mercadoria Alisson, que é um bom profissional, não tem nada com isso, mas pelos mercadores que os rodeiam e, há anos, se apossaram da CBF. E que não merecem a nossa confiança. Não por acaso, estão presos por corrupção. O país do futebol, tão arranhado, já identificou terça feira, em São Januário, seus ratos dentro de campo. Precisa, agora, conhecer os que continuam roendo nossa dignidade fora dele.