Atlético-MG

ARTILHEIRO ALVINEGRO

 por Serginho 5Bocas

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Reinaldo foi o melhor jogador do Atlético Mineiro de todos os tempos, e um dos melhores centroavantes que vi jogar e olha que tive o privilegio de ver muita gente boa.

Minha primeira lembrança deste fenomenal atacante foi na campanha do Atlético no Brasileiro de 1977, era um time sensacional. Assistia seus gols pela tv e ficava impressionado como ele balançava as redes, a maioria deles com toquinhos sutis, apenas tirando o peso da bola com uma “cavadinha”, colocando longe do alcance do goleiro, parecia fácil, mas não era. Certa vez ele disse que essa jogada era especialidade do centroavante Coutinho do Santos, que pelo visto passou o bastão para ele, que repassou a Romário, mas ai já é outra história.

Voltando aquele brasileiro, o Atlético foi vice-campeão invicto, fez a melhor campanha disparado, mas como não era disputado por pontos corridos, perdeu a decisão para o São Paulo nos pênaltis, num jogo em que Reinaldo não pode jogar, pois cumpria suspensão, um desfalque muito sentido.

Reinaldo fez 28 gols em 18 partidas naquele Brasileiro, uma média extraordinária de 1,55 gols por partida. Até hoje ninguém conseguiu superar sua média de gols em campeonatos brasileiros.

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Reinaldo foi convocado para a Copa do Mundo de 1978 e infelizmente foi machucado para a Argentina. Lá, ainda assim, conseguiu fazer seu único gol em Copas contra a Suécia, justamente na estreia, depois só jogaria mais uma partida contra a Espanha e seria barrado por Roberto Dinamite a “pedido” dos militares que mandavam e desmandavam no futebol brasileiro daquela época da antiga CBD.

Reinaldo conviveu duramente com problemas nos joelhos desde cedo. Dizem que aos 17 anos já não tinha mais os meniscos. Jogou pela seleção nas eliminatórias para a Copa de 1982 e na famosa excursão a Europa em 1981 e foi titular neste período, mas as constantes contusões e seu envolvimento em movimentos políticos, fez com que Telê o afastasse da seleção e não foi a Copa da Espanha.

Telê preferiu levar Careca – que segundo ele era um “jovem” Reinaldo só que com os joelhos bons – e Serginho do São Paulo. Quem sabe o que poderia ter acontecido se Reinaldo estivesse naquela seleção de sonhos de 82?

Reinaldo ainda jogou mais alguns anos, mas seus joelhos foram o afastando dos campos rapidamente e bem cedo abandonou os gramados.

Reinaldo tinha um estilo refinado de jogar, cheio de toques macios na bola e uma inteligência muito acima do normal. Driblava e fintava com extrema facilidade e tinha uma categoria enorme para concluir, estava sempre aonde a bola ia aparecer instintivamente. Seu vasto repertório de jogadas incluía lençóis, canetas e tabelas rápidas, coisas de quem sabe e muito.

Época de raros jogos transmitidos na televisão, dava para ver pelo menos os gols nos programas esportivos, mesmo sendo carioca adorava ver os gols deste “monstro” sagrado pelo Atlético Mineiro, quanta vontade de tê-lo em meu time.

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Sem fazer comparações desnecessárias e impossíveis de se provar, tal a subjetividade das diferentes épocas e estilos, sem contar a preparação física, acho que no conjunto da obra Reinaldo foi o centroavante mais “sensacional” que vi jogar.

Foi um de meus ídolos de infância e de ninguém menos do que Romário, daí dá pra se concluir porque Romário fazia muitos gols com toquinhos sutis, exatamente como fazia o nosso ídolo mineiro.

Fica aqui meus agradecimentos às belas imagens, dribles e gols que Reinaldo nos deixou e olha que ele fez os flamenguistas sofrerem bastantes com suas atuações contra a gente.

Quanta saudade do rei...e como diria aquele povo mineiro:

Rei, rei, rei, Reinaldo é nosso rei....e meu também!

Um forte abraço

Serginho5Bocas

O CLÁSSICO DO DESCASO EM BH

:::::::: por Paulo Cezar Caju ::::::::

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Atlético x Cruzeiro entrará para a história do futebol como o clássico do descaso. Na verdade, toda a rodada do Campeonato Mineiro aconteceu normalmente. Enquanto isso, em Brumadinho, ao lado, bombeiros tentavam localizar corpos soterrados pela lama tóxica em mais um crime ambiental, que provavelmente ficará impune.

Como os clubes toparam entrar em campo? Como a federação não se sensibilizou? Os próprios jogadores tiveram oportunidade para se posicionar, trocar seus videozinhos toscos e fúteis nas redes sociais por um manifesto contra a realização da partida. Não, preferiram brigar pelos três pontinhos, subir algumas casinhas na tabela.

Os cartolas devem ter corrido para contabilizar a renda e que se dane o mundo! Milhares de torcedores também compareceram, vibraram, gritaram! A tevê transmitiu, os locutores narraram, os comentaristas analisaram e os árbitros mostraram seus cartões, vida que segue.

A poucos quilômetros dali, pessoas clamando por ajuda, famílias destroçadas. As imagens na tevê são chocantes e destroçam nossos corações. O esforço e a dedicação dos bombeiros aliviam nossas almas. No estádio, muita polícia, bombeiros, ambulância. Vai que algum “craque” torce o dedinho ou as torcidas quebram o pau. O espetáculo deve ser impecável, um primor de organização! Como adiar esse jogo??? Para que adiar esse jogo??? E o nosso calendário ultra bem organizado como fica? Vem aí, a Libertadores, Brasileirão, Sul Americana e Copa do Brasil!!! Brumadinho já já se esquece. A tragédia de Mariana foi outro dia e ninguém se lembra mais.

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Ouvi dizer que o Atlético não queria entrar em campo, mas foi vencido pelas argumentações do rival. Que não entrasse! Seria lindo, um gesto humano, sensível e ficaria para sempre na história do futebol. Porque o futebol é não entrar em campo quando necessário, o futebol deve ser exemplo, atitude, posicionamento.

Não basta os dirigentes pedirem doações aos torcedores, não basta o jogador fazer um gol, correr em direção ao cinegrafista e gritar “Brumadinho!”. Que gritasse “eu não queria estar aqui!”.

A bola deve ser um instrumento de paz, união, solidariedade e conscientização. Nunca de alienação! O grande problema é que perdemos a sensibilidade, os mendigos nas calçadas não nos incomodam mais, a pobreza é banalizada, favelas crescem, crimes ambientais são tratados como acidentes ambientais.

Os valores inverteram-se, os bandidos viraram heróis e a bagunça é generalizada. Vivemos o salve-se quem puder ou o último a sair que apague a luz! Em Brumadinho, as famílias estão acuadas e as sirenes continuam tocando. Tocam alto, mas não ouvimos porque estamos cegos, surdos, loucos e sós.

JOGOS INESQUECÍVEIS

Atlético Mineiro 1 x 1 Tijuana

por Mateus Ribeiro

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O ano de 2013 é um dos maiores da história do Atlético Mineiro, e muito dessa história passa pela noite de 30 de maio.

O Galo enfrentava o perigoso Tijuana (México), que havia eliminado o Palmeiras nas oitavas, enquanto o Atlético tinha despachado o São Paulo.

A primeira partida terminou empatada em dois gols, o que fazia com que o Atlético jogasse por um empate sem gols, ou com um gol para cada lado. Além do time repleto de grandes talentos, o alvinegro de Minas realizou a melhor campanha da primeira fase, o que credenciava os comandados de Cuca como favoritos.

Porém, quem esperou um jogo fácil se enganou completamente. Ronaldinho não estava em um bom dia. A grande maioria dos seus parceiros também não. O que já não estava muito fácil ficou um pouco mais difícil quando Riascos marcou para os mexicanos, na metade do primeiro tempo, com um belo chute. Para alívio dos torcedores, Réver empatou com um gol quase sem querer, após cruzamento de Ronaldinho.

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Veio a segunda etapa, e o favoritismo do Atlético não se traduzia em gols, e a partida continuava nervosa. Depois de uma trapalhada da defesa, a bola sobrou para Piceño, que só não desempatou a partida por conta de um nome: Victor.

E o goleiro do Atlético foi o personagem principal de um dos maiores jogos da história do clube, não só por essa defesa, mas pelo milagre que protagonizou no final do jogo.

O Galo não matava o jogo, e alternava entre ataques que poderiam resultar em gol e grandes sustos nos torcedores, como a falta que Arce mandou no travessão.

Quando tudo parecia ter um final, Leonardo Silva, que já não vinha tendo uma boa jornada, resolveu colocar um pouco mais de tempero na salada, ao acertar uma verdadeira bica na cintura de um jogador do Tijuana. Penalidade máxima, no último lance do jogo.

O mundo do torcedor atleticano se resumia naqueles poucos segundos. Se a bola entrasse, o sonho que nunca pareceu tão perto iria embora. Se acontecesse um milagre, a classificação se tornaria muito mais emocionante.

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E o milagre veio. Riascos foi para a batida, e tentou a batida de segurança: bola no meio do gol. Acontece que o grande Victor, que já havia salvado a pele do time, deixou seu pé esquerdo no meio do gol, e mandou a bola para longe.

Para longe também foi o tão comentado azar do treinador Cuca, que possivelmente vivenciou, no momento entre o apito e a defesa, os piores e mais aterrorizantes momentos de sua vida profissional.

Em uma noite que as estrelas do ataque não resolveram, coube ao goleiro, tantas vezes vilão, o papel de herói.  Victor classificava o Atlético Mineiro para as semifinais da Libertadores. Victor então tornava-se santo, venerado até hoje pelos atleticanos.

Semanas depois, o Galo conquistava o inédito título da Libertadores. Com a participação gigantesca de seu goleiro, que começou a competição como um simples mortal, e se tornou santidade.

E você, qual lembrança guarda dessa partida?

Um abraço, e até a próxima!

ATLÉTICO MINEIRO 1976

por Marcelo Mendez

"Não precisa medo, não
Não precisa da timidez
Todo dia é dia de viver
Eu sou da América do Sul
Eu sei, vocês não vão saber
Mas agora sou cowboy
Sou do ouro, eu sou vocês
Sou do mundo, sou Minas Gerais"


Os anos 70 eram lindos em Minas Gerais.

O Estado crescia, os sonhos eram múltiplos e para além do futebol, o Brasil passou a ouvir umas vozes maravilhosas cantando letras épicas, canções belíssimas compostas por cabeludos talentosos

A rapaziada do Clube da Esquina, formada por Milton Nascimento, os irmãos Lo e Marcio Borges, Beto Guedes, Nelson Angelo, Fernando Brandt, Wagner Tiso, Robertinho Silva, fizeram os ouvidos do Brasil ficar atentos aos sons de Minas. Em campo não podia ser diferente.

Minas Gerais apresentava dois grandes rivais e toda a excelência de craques desfilando com arte em tardes ensolaradas no Mineirão. Porém, algo não estava bem para uma das metades do Estado.

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Após ter vencido um Campeonato Brasileiro em 1971, o Atlético amargava uma fila em que seu maior rival, o Cruzeiro, nadava de braçada com um tetracampeonato entre 1972/1975. O técnico Tele Santana, escolhido para começar um trabalho a longo prazo, não contou com a paciência nem da torcida, muito menos da direção e foi demitido.

Na base, pouca atenção era dada e os jovens talentos do Galo eram espalhados para todos os rincões do País, para times como Nacional de Manaus, casos de Toninho Cerezo, Paulo Isidoro e Danival. Mas isso ia mudar.

No final de 1975, o técnico Barbatana assume. Os jogadores emprestados retornam e encontram Marcelo e Reinaldo, Heleno e Angelo. A magia estava pronta:

Surge então o Atlético Mineiro de 1976. Time que estrela hoje na série Esquadrões do Futebol Brasileiro.

"Agora não pergunto mais pra onde vai a estrada
Agora não espero mais aquela madrugada
Vai ser, vai ser, vai ter de ser, vai ser faca amolada
O brilho cego de paixão e fé, faca amolada"

Até 1976, em 11 Campeonatos Mineiros, o Cruzeiro havia vencido nove.

O implacável time de Zé Carlos, Tostão, Piazza, Evaldo, Raul, Nelinho, havia varrido as Minas Gerais com um caminhão de conquistas, entre elas, a Libertadores de 1976 e aquilo estava incomodando demais as Gentes do Galo.

Não dava mais para esperar.

Teria que ser "agora"

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O Time da Molecada do Galo, sob comando de Barbatana, chegou invicto para a decisão contra a Raposa. Amassou geral, metendo goleadas implacáveis como o começo da competição; 6x1 no Sete de Setembro, 5x0 Nacional de Muriaé, 5x0 Esab, 5x0 no Guarani MG, 8x0 no Nacional de Uberada.

Eram espetáculos de bola em tardes que jamais seriam esquecidas por quem as viveu no concreto da arquibancada do Mineirão. Um timaço, rápido, habilidoso, inteligente, uns moleques abusadissimos como Heleno, Ziza, Reinaldo, Marcelo, Paulo Isidoro, Marcio e uma campanha primorosa. Mesmo assim, o Cruzeiro era tido como favorito para a decisão.

Mas isso também ia acabar...

"A espera na fila imensa
E o corpo negro se esqueceu
Estava em San Vicente
A cidade e suas luzes
Estava em San Vicente
As mulheres e os homens
Coração americano
Um sabor de vidro e corte"

Em dois jogos com mais de 100 mil pessoas no Mineirão, o Brasil viu a máquina Atleticana amassar o Cruzeiro em duas partidas vencias pelo mesmo placar; 2x0. Nas duas, Reinaldo, o Rei, deitou na zaga cruzeirense, meteu gol, chapéu, caneta, fez o diabo!

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O Atlético acabou com a hegemonia do rival e mais que isso; A partir de 1976 tomou conta do futebol mineiro e venceu tudo até 1983, sendo conhecido como o time do Hexa. Nesse período o Galo conquistou o respeito nacional com grandes campanhas no Campeonato Brasileiro, conseguindo dois vices, em 1977 e no controverso 1980.  Fez história.

E quem faz história, entra nessa série. Nossas odes ao Atlético Mineiro de 1976, time que começou uma dinastia e que figura aqui:

Com 31 jogos, 26 vitórias e cinco empates. 81 gols feitos e oito sofridos, o Atlético Mineiro de 1976, ganha seu lugar de honra em Esquadrões do Futebol Brasileiro.






OS DEUSES DO FUTEBOL NÃO DORMEM

por Zé Roberto Padilha

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Além de torcer pelo Fluminense, que não tem sido fácil, passei a acompanhar, pelo prazer de assistir futebol, dois times do Brasileirão: Atlético Paranaense e Atlético Mineiro. Do primeiro, quase imbatível em sua Arena, ouso lançar o nome do melhor jogador do campeonato: Pablo. Técnico, escorregadio e goleador, já merecia há tempos um reconhecimento da mídia. E uma oportunidade na seleção. Do Mineiro, aprecio seus contra-ataques. Em torno de um pivô, Ricardo Oliveira, há triangulações pelos lados e penetrações mortais pelo meio. Um bando de baixinhos habilidosos e velozes circulam à sua volta com os laterais chegando. Nada de toques para o lado. A busca do gol incessante do começo ao fim. Um futebol moderno e diferente dos outros..

Daí vendem seu melhor jogador, Roger Guedes, então goleador da competição. E mesmo assim continuavam a nos dar este prazer pelo futebol ofensivo, pouco importando quem ocupava o seu lugar. Não conhecia o técnico, Ricardo Larghi, mesmo ele sendo nosso vizinho aqui de Paraíba do Sul. Mas seu trabalho era admirável e merecia ser considerado o técnico revelação do Campeonato Brasileiro. Daí, vocês sabem, eles estão lá para isso, chega aquele cartola que não conhece nada e põe a culpa no treinador. E o demite na reta final e ainda traz para o seu lugar um treinador que anda a cumprir tabela : Levir Culpi.

Ontem, contra o Fluminense, o repórter de campo perguntou ao Levir se pretendia realizar mudanças durante a partida. Ele, para espanto geral, declarou “por não conhecer as características dos jogadores reservas, se mudasse seria por contusão”. Foi sincero, disse o repórter. Não foi. Foi desleal com seu currículo, injusto com o Atlético Mineiro e com os colegas de profissão. Se não conhece o elenco, fica em casa como Abel Braga, estudando propostas para o ano que vem. Ou estude os jogadores em atividade para não dizer uma abobrinha dessas.

E quando Fábio Santos foi bater o pênalti, os Deuses do Futebol estavam atentos. E fizeram a sua parte. Cobrança desperdiçada e gol do Fluminense no contra-ataque. Bem feito. Mas as loucuras dos nossos cartolas não ficaram por aí. A Chapecoense, penúltima colocada, demitiu o seu treinador e trouxe outro para o seu lugar. Acreditem, do Paraná Clube, que já está rebaixado. Procurava explicações, algo parecido, mas de minha esposa veio a sábia definição: deve ser o mais barato. É, pode ser.....