Árbitro de Vídeo

VAR OU NÃO VAR, EIS A QUESTÃO!

por Jonas Santana Filho

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Parafraseando a célebre “ser ou não ser, eis a questão” eis que surge imponente e lampeiro o VAR - sistema de vídeo-arbitragem (sigla em inglês de videoassistant referee ou árbitro assistente de vídeo). Este, que era para ser uma solução às eternas polêmicas do futebol desde o célebre “passo à frente do Nilton Santos (1962) à “mão santa” de Maradona em 1986, tem demonstrado ser na verdade um grande causador de novas celeumas.

De um lado a corrente do modernismo tecnológico considera o VAR como a inovação, a atualização, o Up do futebol que, para alguns, precisa se adaptar aos novos tempos no esporte, embora as transformações ocorridas no âmbito desportivo mundial também alcançam o futebol e demonstram este continua sendo o mesmo esporte contagiante desde sua aparição, caracterizado pela sua contradição, pelo inusitado e pelo improvável.

Do outro lado vemos os defensores do “autêntico e imutável futebol, que acreditam que, ao introduzir-se o VAR no esporte, estará sendo tirada sua identidade e sua plasticidade, tornando o esporte bretão algo engessado, sem emoções, mais previsível que cabeçada de Jardel ou falta batida pelo Zico. Nem tanto ao mar nem tanto à terra.

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O VAR faz parte dos recursos tecnológicos criados para auxiliar aos árbitros (ainda humanos) nos lances mais duvidosos. O problema é que a ferramenta tem sido usada indiscriminadamente, sem critérios ou no mínimo, sem bom senso. Já vimos jogos onde até lateral tem sido questionado pelo VAR. Isto tira a beleza do espetáculo, transformando os juízes antes autoridades em simples coadjuvantes... Além de que, em determinados momentos o suspense em torno do lance (se válido ou não), principalmente no tocante ao gol, assemelha-se a um episódio estilo "hitchcockiano", onde a ansiedade de uns se alimenta do medo do outro, ou seja, quem fez o gol fica ansioso pelo sim e quem levou com desejo de seja não. E é nessa salada de emoções que o VAR se enquadra.

Ainda assim o uso dessa ferramenta é de primaz importância, desde que usada com o devido cuidado. Não se pode, numa partida de futebol, levar os torcedores, espectadores, participantes, atores e coadjuvantes ao extremo das emoções, onde a ação do VAR represente a plenitude do evento, tão cientificamente comprovada a lisura do lance, mas também não se pode deixar que o VAR seja usado indiscriminadamente, onde qualquer lance que não seja capital tenha que ser decidido por ele. Para isso existe o juiz de campo, bandeirinhas e quejandos.  

Não se pode desmerecer a ação do árbitro de vídeo, mas o certo ainda é, e deve ser, do juiz de linha. Sempre  com a devida proporcionalidade. 

VAR ou não VAR? Eis a questão.

 

Jonas Santana Filho, Gestor Esportivo, Escritor, Funcionário público, apaixonado por futebol,   whatsapp, (61) 999047599, linkedinjonassan40, Skype jonassan50

SE PORÉM FOSSE PORTANTO

por Eliezer Cunha

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Polêmicas à parte vamos aos fatos. Foi ou não pênalti nos últimos minutos na decisão do estadual em 1985 a favor do Bangu contra o Fluminense? Teria ou não Maurício empurrado o lateral Leonardo na decisão do Estadual entre Botafogo e Flamengo em 1989, encerrando um jejum de 21 anos do time Alvinegro? Na decisão do estadual de 1971 teria mesmo o lateral Marco Antônio deslocado o goleiro Ubirajara dentro da área?

Fatos recheados de controvérsias e questionamentos que alimentam como matéria prima até hoje os programas de tv, debates entre torcedores nos bares da vida e, ainda, conteúdos para discussões nesta e outras páginas ligadas ao esporte.

Vivemos em um momento de tecnologia avançada e disso poucos seres e atividades não podem se esquivar. Mas... A arte, o artista e público, digo no futebol, estão hoje reféns desta tecnologia designada como VAR. Nenhum espetáculo ao vivo é passível de edição, seja uma peça de teatro ou um show de música. É como que a história fosse sempre reredicionada para um óbvio. Assistimos passíveis decisões serem alteradas por conta de opiniões “extra campo”. Se a adoção do Árbitro de Vídeo fosse um consenso no esporte já tinha se estendido a outras modalidades. Como disse Caetano “Alguma coisa acontece em meu coração quando cruzo a Ipiranga e a Avenida São João”. E é essa emoção que nos foi sucumbida.

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E ainda pergunto: A reputação do esporte, sua mágica, e as histórias dos clubes foram atingidas sem a prática do VAR?Não.

Imaginemos o Árbitro de vídeo decidindo um Campeonato Brasileiro aos 45 minutos do segundo tempo. Seria hilário, não é mesmo? Para torcedores, jogadores, imprensa e juízes.

Os árbitros de vídeo se tornaram deuses e simplesmente comandam as decisões. Raramente o árbitro da partida vai de encontro com uma solicitação do VAR. Os artistas deixaram de ser a peça principal do espetáculo e se tornaram coadjuvantes. 

Será que tecnicamente e tecnologicamente os questionamentos do VAR possuem consistências? Isso já foi meramente comprovado? Será que não existe o chamado erro de paralaxe nas decisões, entre outros possíveis erros?

Agora temos que alterar aquela famosa frase de uma música: Domingo tem Maracanã e o árbitro de vídeo.