TAFFAREL: VAI QUE É TUA...

por Serginho 5Bocas

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Me desculpe quem quiser discordar, mas Taffarel foi o melhor de todos. Melhor goleiro sempre é o cara que é o melhor porque é bom e ainda pode contar muito com a sorte, pois goleiro sem sorte, um abraço!

Surgiu para nós no Mundial sub-20 de 1985 conquistando o título (o bi mundial) e logo em seguida tornou-se titular do Internacional, de Porto Alegre.

Muito jovem e com uma qualidade impressionante, chegou à seleção principal e não saiu mais de lá, só que antes teve que arrebentar nas Olimpíadas de 1988, quando junto de Romário, Bebeto, Geovani e outros craques, conquistou a medalha de prata. Destes jogos olímpicos, lembro bem da disputa de pênaltis contra a Alemanha na semifinal em que pegou uma cobrança e começou a trilhar sua trajetória vitoriosa. Aliás, pênaltis tornou-se a especialidade da casa. Em vários momentos demonstrou frieza e qualidade para defendê-los.

Lembro-me da despedida do Zico em março de 1990, quando ele foi o grande destaque. Neste dia, ele não deixou Zico marcar em seu último jogo, foi uma atuação histórica com defesas espetaculares, os flamenguistas xingaram muito este rapaz, mas eu aumentava minha idolatria por ele, quanta categoria!

Outro momento marcante foi na Copa do Mundo de 1990 quando ele estava sem sofrer gols e foi vazado apenas uma vez contra a Argentina sendo eliminado, foi a sua primeira grande frustração.

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Em outra ocasião, nas eliminatórias da Copa de 1994 contra a Bolívia lá na altitude, já no final da partida, ele defendeu um pênalti e parecia que seria um herói. O que ele não podia imaginar é que nos últimos 6 minutos da partida, ele levaria 2 gols, falhando, talvez, em um deles junto com Válber e sendo considerado pela Imprensa um dos grandes culpados de nossa primeira derrota em eliminatórias.

Teve que dar a volta por cima e deu. Tinha muita perseverança, talento e paciência para provar novamente seu valor. Parreira apostou nele e não se arrependeu de levá-lo a Copa dos Estados Unidos em 1994. Taffarel junto a Jorginho, Aldair, Bebeto e Romário, foram os grandes destaques do Brasil naquele mundial e na final pegou o pênalti de Massaro e viu Baresi e Baggio isolar sua última cobrança, tornando-se um dos grandes responsáveis pelo título.

Taffarel voltou a fazer das suas com pênaltis contra Holanda na Copa de 1998, classificando o Brasil para a Final, após pegar as cobranças de Cocu e Frank de Boer. Infelizmente não foram campeões, pois perderam para a França na final, mas ai já é uma outra história.

Ele tinha a frieza necessária para intimidar os atacantes, a excelente colocação que o permitia gastar menos energia para fazer as defesas, era elástico sem ser espalhafatoso, econômico nos saltos, sem palhaçadas e ainda possuía uma liderança nata, passava tranquilidade ao time, um monstro na posição.

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Taffarel ainda teve fôlego e categoria para vencer na Itália e na Turquia, consagrando-se internacionalmente e quebrando um tabu de que nossos goleiros não eram tão bons na ótica dos europeus. Estava a frente de seu tempo e abriu caminhos para os outros goleiros brasileiros. Após ele, vários goleiros brasileiros passaram a interessar ao mercado europeu, ele foi um divisor de águas na posição.

Gostaria muito que ele tivesse jogado no meu clube, mas apesar de não ter tido esta felicidade, ele conseguiu me fazer ser seu fã mesmo sem ter o gostinho de vê-lo jogar tão de perto. Pra mim o melhor do Brasil de todos os tempos.