SÓCRATES, O PENSADOR DA BOLA

por Luis Filipe Chateaubriand 

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Sócrates Brasileiro Sampaio de Souza Vieira de Oliveira, o Sócrates da Fiel, não parece ter recebido nome de filósofo à toa. Jogador que exercia seu oficio mais com a cabeça do que com os pés, pensava o jogo, antes de jogá-lo. 

Sua máxima de que "quem tem que correr não são os caras, mas sim a bola" já mostrava que o raciocínio deveria não só ser incorporado à peleja, mas que seria fundamental para decidi-la. 

O esguio Magrão, que tinha um andar parecido com a mítica Pantera Cor de Rosa, concebia os passes de forma inteligente, e os executava com maestria. 

Ao fazer uso frequente do calcanhar, se habilitava para jogar tanto de frente como de costas, frequentemente ludibriando os adversários. 

Não fazia gols com frequência, mas os fazia com extrema classe, pois tinha uma frieza glacial ao concluir em gol. 

Politizado ao extremo, também era craque fora de campo, onde fazia da luta pela cidadania uma diretriz preciosa. 

No jogo da vida, perdeu para o álcool. Mas o exemplo de sua classe e da inteligência engajada fazendo a diferença serão eternos.