SAUDADES DO EDINHO

Por Zé Roberto

Foto: Reprodução

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Pensei que era apenas uma rixa com o Fred. Mas contra o Flamengo, ele trocou socos durante 90 minutos com o Guerrero. E ontem, contra o Volta Redonda, voltou a exibir a marca das travas da sua chuteira para o artilheiro do estadual, o Tiago Amaral. Lento, violento e indisciplinado, Rodrigo, zagueiro do Vasco, definitivamente não está fazendo o que gosta. Depois que as lentes das câmaras se aproximaram dos lances e exibiram as feições dos jogadores, na mesma proporção que o bom futebol se afastou delas, xingar os bandeirinhas, chutar a bola para longe e peitar constantemente o juiz são indícios de que este rapaz não está curtindo o que faz nas tardes de domingo.

Pior que irradia. Se fosse a arte, e não chutões, que iniciasse as jogadas do Vasco por seus pés, Andrezinho não se acharia no direito de distribuir pontapés. O mau exemplo tem potencializado a natural agressividade do Marcelo Mattos, hoje um especialista em agarrar camisas adversárias nos cruzamentos sobre as áreas. Até Nenê, que saiu do Brasil jogando com a 8 porque tinha Conca, Roger, Thiago Neves e outros célebres canhotinhas atuando, não tem mais a humildade em reconhecer que sua 10, na volta, é o retrato maior da falta de talento dos nossos atuais meio campistas e começa a se achar, se irritar, e perder pênaltis ao se contagiar pelo modo Rodrigo de atuar. 

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No jogo de ontem me deu saudades do Edinho. Aos 19 anos, o zagueiro tricolor, revelado por Pinheiro, chegava uma hora antes do treino para jogar tênis com os associados do clube. Depois, era pole position nas corridas de 5 km nas Paineiras e saia do treino direto para a rede de futevôlei, em Copacabana. Às vésperas de um Fluminense x Vasco, em 1975, Assis, uma lenda paraense que formava a zaga com o Silveira, se machucou e Paulo Emílio corajosamente lançou o menino. Jogou tão bem que o Assis teve que se transferir para o Sport Recife e ninguém nunca mais segurou o Edinho. Saía jogando com extrema categoria, não dava pontapés porque se antecipava aos adversários e se tornou uma das principais armas da máquina tricolor bicampeã carioca. Convocado por Telê Santana, disputou duas Copas do Mundo e encerrou sua carreira na Udinese, da Itália.

Desde a antiguidade que o homem, inquieto, ilógico, porém racional, descobriu que a maior razão da sua existência era a felicidade. Entre Rodrigo e Edinho só existe uma semelhança: batem muito bem uma falta. A diferença é que depois das cobranças, Edinho acariciava a bola e agradecia a oportunidade por ela concedida. Rodrigo, contrariado, volta pro seu campo batendo nela, nos adversários e nos sonhos de tantos garotos que gostariam de estar jogando no seu lugar.