ROBERTO DINAMITE

por Serginho 5Bocas

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Roberto Dinamite foi o maior artilheiro do estádio de São Januário, do Vasco, do Campeonato Carioca e do Campeonato Brasileiro em números absolutos de todos os tempos. Um dos maiores “faros” de gol que vi jogar.  Parecia lento, mas tinha força, velocidade e precisão para arrancar de longe e levar até aonde pudesse bater em gol, e batia forte e com direção, como poucos.

 Ele era temido pelos adversários, mas não me lembro de ter raiva dele, só medo. Tinha ótimos fundamentos e muito oportunismo, sabia como poucos onde a bola iria estar e suas cobranças faltas eram um “deus nos acuda”.

 Foi artilheiro do Campeonato Brasileiro duas vezes, do Carioca três entre outras marcas excepcionais.

Na seleção não teve muitas oportunidades, a época era bem servida de bons centroavantes, mas ainda assim, Roberto foi a duas Copas do Mundo (1978 e 1982), em cima da hora nas duas, sempre substituindo alguém por contusão, Nunes e Careca respectivamente foram os centroavantes que deram lugar a ele.

Na primeira ele ficou na reserva de Reinaldo e depois ganhou a vaga na “canetada” do Almirante Heleno Nunes, mas ali mesmo, dentro do campo, ele calou a boca dos críticos que duvidaram dele, marcando gols importantes e ajudando muito o Brasil a chegar em 3° lugar. Faltou pouco para vencer aquela Copa e se consagrar, talvez como artilheiro.

 Não fosse aquele jogo infame e “sem vergonha” em que a Argentina meteu 6x0 no Peru, quem sabe até aonde ele poderia ter chegado.

 Fez o gol salvador da primeira fase contra a Áustria e contra a Argentina, na fase semifinal, se o seu chute a queima roupa não tivesse batido no pé esquerdo de Ubaldo Fillol, numa defesa espetacular, e aquela bola tivesse entrado, vai saber até onde o Dinamite poderia chegar...

Em 1982, ele nem para o banco de reservas foi relacionado, foi um turista privilegiado na Espanha, infelizmente ele fez muita falta.

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 Roberto teve uma importância enorme para o Vasco. No time da Colina, na época em que o seu maior rival, o poderoso Flamengo de Zico, vencia tudo e todos, contra o Vasco de Roberto, não era bem assim, sempre era osso duro de roer. Pois apesar do Vasco ter uma equipe considerada inferior no papel, os jogos eram sempre decisivos e duríssimos, raras eram as goleadas.

Tenho uma imensa saudade da briga saudável entre Roberto e Zico pela artilharia do Carioca, era palmo a palmo, e olha que vencer o Galinho em gols naquela época era tarefa para poucos, apesar de Zico não ser centroavante.

A gente escutava os gols de um e queria saber quantos o outro tinha feito na rodada, era outra época, uma época de ouro do futebol carioca, em que Roberto Dinamite era protagonista.

Roberto deixou saudades em quem gosta de bom futebol, ele foi um craque da grande área e acima de todas as torcidas, foi patrimônio do futebol brasileiro pelos seus mais de 700 gols em mais de 1000 jogos.

Pena que os meninos de hoje não saibam muito bem quem foi Bob Dinamite, aquele do oportunismo, do chute violento, da falta bem cobrada e do gol de placa que todos nós gostaríamos de ter feito um dia na vida, aquele em que a gente sonha até mesmo acordado que um dia vai fazer um igual. Sim, o gol de placa.

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Matada no peito dentro da grande área, Lençol e chute forte de primeira sem deixar a bola cair no chão, aos 40 e lá vai fumaça do segundo tempo, golaço, aço, aço, aço, contra o Botafogo de Osmar.

Pergunte a um botafoguense daquela época se até hoje não tem pesadelos com Roberto? Como ele judiava dos botafoguenses, até quando jogava mal...

O Jornal dos Sports acertou na mosca quando criou o apelido que notabilizou o garoto Carlos Roberto de Oliveira no futebol.

Ô tempo bão!