QUEREMOS ÍDOLOS

:::: por Paulo Cezar Caju ::::::::

(Foto: Nana Moraes)

(Foto: Nana Moraes)

Na resenha, ouvi uma expressão que me fez lembrar os tempos de garoto: “cagão”. Não o cagão de medroso, mas de sortudo. Na verdade, a frase que ouvi foi: “O Pimpão é um cagão”. Claro que ri. O novo xodó botafoguense realmente tem dado sorte. Quem conhece futebol sabe que ele não tem muitos fundamentos, é um jovem esforçado e que tem estado na hora certa, no lugar certo. “O Pimpão é peladeiro” disparou outro resenheiro.

Moro em Santa Catarina, vizinho de Renato Sá, que tinha fama de sortudo por ter quebrado duas longas invencibilidades, uma contra o Botafogo e outra contra o Flamengo. Mas o Renato Sá era bom de bola!!!

Na verdade, a torcida gosta do Pimpão porque todas as torcidas estão em busca de ídolos, seja ele quem for. Ou o que poderia ser a torcida gritando o nome de Tite? Carência em seu grau máximo!

Queremos ídolos, necessitamos deles, mas onde eles estão??? Se esqueceram da recepção calorosa que os rubro-negros prepararam para o Diego? Multidão na rua, histeria! E era o Diego, um jogador comum.

Quem é o atual ídolo tricolor? Abel é o que parece. O novo técnico do Vasco descobriu o Pikachu. A torcida gosta e eu também não tenho nada contra, mas seria ele a solução dos problemas? Na resenha, a rapaziada foi lembrando desses ídolos passageiros, como Cocada, no Vasco, Parraro, no Fluminense, Gabiru, no Internacional, Belletti, no Barcelona. Os cagões!

O futebol é formado por craques, jogadores folclóricos, voluntariosos, medianos, fanfarrões....ídolos são poucos. Nem sempre o craque é o ídolo. E a torcida está em busca de ídolos, mas como não os encontra, os inventa e vive dessa ilusão. Quem é o ídolo do São Paulo? Do Cruzeiro? Do Palmeiras? Ah, o do Palmeiras é o Dudu!! Sério, a história do Palmeiras não merecia um pouco mais?

Quem são os camisas 10 de todos esses times? Ou os camisas 8? Quem é o ídolo do Inter? Agora me respondam quem são os ídolos de Barça, Bayern e Real? Até perdemos a conta.

Vivemos no mundo do faz de conta, com ídolos inventados. É nessa carência absoluta que surgem os Bolsonaros da vida.

Em 70, a ditadura torcia por nossa seleção e nos saímos bem como fantoches, hoje a Titemania avança perigosamente.

Que me perdoem os otimistas, mas não me iludo com ídolos fabricados.