PELÉ E COUTINHO OU COUTINHO E PELÉ?

por Victor Kingma

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Nos tempos daquele timaço do Santos, Pelé fazia uma dupla infernal com Coutinho que, além da semelhança física com rei, também tinha muita técnica, habilidade e faro de gol. A dupla ficou famosa pelas celebres tabelinhas entre eles. Só que o companheiro de ataque de Pelé às vezes passava por situações injustas. 

Certa vez, num jogo noturno na Vila Belmiro e com muita neblina, Pelé não estava bem, coisa rara de acontecer. Numa jogada no ataque santista, ele tenta tabelar com Coutinho e dá uma engrossada. O companheiro, entretanto, recupera a bola, finta o zagueiro e toca para o gol.

Na cabine o locutor, após narrar o lance, comenta:

- Coutinho falhou na tabela, mas rei é sempre rei. Recuperou a jogada, entortou o adversário e estufou as redes. Santos 1 x 0.

Logo a seguir outro lance: Coutinho faz linda jogada individual, se livra do goleiro e toca para o gol vazio. Mais uma vez o narrador, encoberto pela neblina, após o longo grito de GOOOOOOOLLLLLLL do Santos, descreve o lance:

- Pelé, Pelé! Sempre Pelé! Até quando seu companheiro de ataque não está bem ele resolve sozinho.

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Algumas dessas histórias são confirmadas pelo próprio Coutinho, que admitia, em alguns casos, ficar chateado.

Certa ocasião, devido a uma contusão no pulso, atuou algumas partidas com uma atadura no local. Mas, como o futebol é feito de lendas, logo apressaram em dizer que ele estava usando a faixa para diferenciá-lo do parceiro famoso e assim se livrar das injustiças.

Antonio Wilson Honório, o grande Coutinho, o maior parceiro de Pelé, estreou no time do Santos em 1958, aos 15 anos, substituindo o lendário Pagão. Atuou pela equipe da Vila Belmiro por 12 anos e em 457 partidas fez 370 gols.    

Com sua incrível frieza diante do goleiro entrou para a história do futebol como um dos maiores gênios da pequena área.

 

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