OS DO BARRO PRETO

por Matheus Rocha

Créditos: Thiago Lanza

Créditos: Thiago Lanza

Em 1921, um grupo de italianos resolveu seguir os passos de seus compatriotas paulistas e fundaram a Società Sportiva Palestra Italia, em Belo Horizonte. Quem acompanha futebol conhece essa história, e sabe também que por conta da Segunda Guerra Mundial o Palestra Italia Paulista e Mineiro mudaram seus nomes para Palmeiras e Cruzeiro, respectivamente.

Do início com a nova capital mineira aos dias de hoje

Mas detalhes daquela década de 20 da recém inaugurada capital mineira poucos brasileiros conhecem.

Os italianos compraram um terreno no bairro do Barro Preto, bairro limítrofe entre a zona urbana e a zona rural da capital. Hoje é somente a região limítrofe da região central de Belo Horizonte. Este terreno, logo que foi comprado, foi desapropriado para dar lugar ao fórum da cidade. Então os italianos compraram, com o dinheiro recebido da desapropriação, o terreno ao lado onde havia uma plantação de couve. Em 1923, neste local comprado, foi inaugurado o Estádio Juscelino Kubitschek de Oliveira - Estádio JK (foi ter esse nome após a reforma do estádio em 1945). Até a construção do Mineirão em 1965, o Cruzeiro treinou e jogou no Barro Preto. Em 1985, o estádio deu lugar ao clube (sede social) onde funciona até hoje, inclusive onde fica o ginásio que o time de vôlei Sada Cruzeiro treina.

Estádio JK

Estádio JK

Até hoje, quando há jogos movimentados, os ingressos são vendidos no clube do Barro Preto, com filas que dobram quarteirão - o que com o advento da internet, está diminuindo com o passar dos anos. A sede administrativa foi construída recentemente, mais moderna, mas também no Barro Preto e inaugurada no ano da Tríplice Coroa, 2003.

O sangue azul ainda pulsa por essas bandas

O sangue azul celeste ainda pulsa nas ruas do Barro Preto, seja pelo clube, pela nova sede ou simplesmente pela história. A Rua dos Guajajaras já não é mais a entrada do estádio, nem a sede administrativa que passou para a Rua Timbiras. Mas é ali no Barro Preto, onde pedreiros, trabalhadores braçais, pessoas do povo italiano construíram com sangue, um dos maiores clubes do Brasil. Ali corre o sangue dos antepassados celestes, com seus ideais de conquista de Belo Horizonte. Mal sabiam eles que Belo Horizonte era pequena para aquele Palestra Itália que conquistaria a América por duas vezes, anos mais tarde.

La Calle Azul

O bairro Prado, limítrofe ao Barro Preto, também entrou no ritmo celeste. A ideia é criar este ponto de encontro cruzeirense com exposições, shows e tudo aquilo que diga respeito ao Cruzeiro. La Calle Azul deve iniciar pela Rua dos Pampas, onde já há um bar que é ponto de encontro em dias de jogos.

Arregaçando as mangas

Cruzeirenses já lançaram a ideia. Mais que isso, já começaram os trabalhos pelos muros do clube do Cruzeiro no Barro Preto. Em breve a ideia é expandir para as portas das lojas do bairro aos comerciantes cruzeirenses e adeptos da ideia, transformando em reduto e território totalmente celeste o Barro Preto que, apesar do nome é e sempre foi azul e branco.

Assim como na Argentina, nos bairros de La Boca e Boedo, onde Boca Juniors e San Lorenzo de Almagro rabiscam suas cores pelas ruas, a ideia é que as ruas do Barro Preto sejam rabiscadas de azul e branco, desenhados pela batalha em campo, por aqueles nascidos Palestra, forjados Cruzeiro.