OLHAR REQUINTADO

Como muitos brasileiros, Adriano Ávila respira futebol desde a infância. Quando garoto, passava a maior parte do tempo jogando peladas com os amigos e, como os polêmicos craques, só perdia a paciência quando lhe exigiam maior dedicação na marcação. O outro passatempo de Ávila era o “Futbox”, um jogo de botão adaptado com caixinhas, que ele mesmo inventou aos nove anos. O que ninguém sabia, no entanto, é que esse simples se tornaria o maior conteúdo ilustrado do mundo sobre futebol: o Projeto Futbox.

Com um talento fora do comum para uma criança, Ávila montava caprichosamente as equipes no futebol de botão. Os jogadores da seleção brasileira, por exemplo, eram formados por peças amarelas sobre as azuis. Assim como os alemães entravam em campo com as cores brancas e pretas.

- Com o tempo percebi que tinha uma ótima oportunidade diante de mim, que era juntar minha paixão, o futebol, com minhas expertises, que são ilustração, design e posteriormente gestão de marca.

A partir daí, passou a se dedicar ao projeto e as intensas pesquisas com o intuito de tratar o futebol da forma como ele merece, como ele mesmo define. Em 2006, junto com o amigo Fred Paulino, publicou a primeira investida com a marca e o acervo Futbox, tratava-se do futbox.art.br, site sobre a Copa da Alemanha.

Cinco anos depois, montou uma sociedade com os parceiros Salomão Filho e Bernardo Werneck para a criação do portal. Contudo, para organizar os 20 anos de pesquisas e ilustrações, além do desenvolvimento da navegação, design, iconografia, banco de dados, entre outros detalhes, contou com o apoio de cinco profissionais: Gustavo Varela, Ramon Nogueira, Angellys Silva, André Fidusi e Gabriel Godoy.

O projeto inovador partiu do princípio de pesquisar, catalogar e ilustrar a história do futebol brasileiro e mundial, ampliando o conhecimento do torcedor sobre a história dos clubes, como consta na descrição da página no Facebook. Para se tornar o maior acervo ilustrado do mundo, foram necessários 25 anos de pesquisas sobre simbologias e conquistas dos principais clubes dos cinco continentes, todas as seleções que participaram das Copas do Mundo desde 1930, além de todos os campeonatos que marcaram época no Brasil e no mundo.

- Minha relação com o futebol mudou muito depois do Projeto Futbox. Hoje assisto a poucos jogos, bem pontuais, e quando assisto, presto muita atenção no comportamento da torcida, sua interação com as arenas, quem são os patrocinadores que aparecem nas placas, o design dos uniformes, como a aplicação do escudo ou do patrocinador aconteceu, se está em harmonia com a camisa, etc.

De acordo com ele, o futebol moderno está muito menos romântico e tem afastado a “casa das máquinas” dos estádios, ou arenas.

- O Brasil está elitizando o acesso aos jogos e isso pode provocar um desinteresse do “povão” no esporte, exatamente o nicho que fornece os craques para a disputa de jogo.

Outra crítica feita pelo craque foi em relação ao calendário brasileiro. Segundo ele, a alternativa seria se espelhar no modelo europeu. Sobre o tema, Ávila, que diz ter tomado gosto pela escrita durante o desenvolvimento do Futbox, fez uma pesquisa detalhada e publicou uma análise bacana no site.

Vale destacar ainda que ele foi o responsável pela revitalização visual do América-MG. Com uma boa relação com o clube, desde que procurou os dirigentes para apresentar o Futbox há alguns anos, Ávila recebeu com orgulho o convite para desenvolver o projeto.

- Foram mais de seis meses de muita pesquisa, consulta em projetos internos e acervos do clube até chegar à fase final, onde apliquei o conceito dos 3T$: Tradição, Torcida e Troféus, metodologia de trabalho que venho desenvolvendo, que é a gestão da marca de um clube de futebol através da sua identidade visual.

Por fim, ao ser perguntado sobre quem era seu maior ídolo no futebol, provou que tem um olhar diferenciado ao eleger Tostão, não só pelo desempenho do craque dentro de campo, mas também por sua personalidade:

- O melhor do Tostão, para quem não conhece, não é rever seus lances no Youtube, e sim ir a qualquer livraria e ler um dos seus livros. É algo sensacional para quem gosta de futebol, mas não fica só olhando para a bola.

 Futbox

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