OBRIGADO, CORINTHIANS!

por Marcelo Soares

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Escanteio, todos se calam. Não foi a primeira vez que ficamos acuados durante o jogo. Em alguns lances de perigo tememos sofrer o gol. Mas ao chegar no fim da partida, sabendo que ali havia uma oportunidade de virarmos aquela situação a nosso favor, todos se uniram.

Alguns preferem não olhar, outros erguem seus braços em forma de prece. A bola sobe e...
Antes de tudo isso acontecer diante de mais de 40 mil torcedores, quero contar algo pra você.

No ano de 2003, fui ver o time de coração do meu pai. Não entendia muito bem o que acontecia mas sabia que após Liedson balançar a rede quatro vezes e ouvir a explosão da torcida, aquele time se tornaria o meu também.

Há 35 anos, o meu avô levava seus filhos pela primeira vez para ver o seu time do coração, com eles a história foi diferente. O time não venceu e a tristeza tomou conta de parte daquele momento.

Porém por trás de tudo isso se passa uma aventura que você não faz ideia. As dificuldades da época para se conseguir chegar até o estádio eram grandes. Tombos, arranhões, chuva e o cansaço eram na maioria das vezes presença confirmada.

Foram tantas as histórias vividas entre pais e filhos e o que mais encanta é ver que filhos se tornaram pais e pais se tornaram avôs. Dizem que só se aprende a ser filho quando se é pai é só se aprende a ser pai quando se torna avô.

E todos esses aprenderam uns com os outros a ser Corinthians.

Aprenderam a apoiar uns caras completamentes desconhecidos que chegam para defender seu time, passam confiança para eles e dão força total, até mesmo nos momentos de raiva não largam quem está vestindo a camisa do seu time.

Muleta se torna mastro de bandeira, andador vira apoio pra ter força pra empurrar o time e cadeira de rodas um simples assento na arquibancada.

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Dentro da Arena Corinthians em Itaquera, tende aparecer muitas pessoas querendo estragar a festa, geralmente estão de verde e branco ou vermelho, branco e preto. A força da torcida faz com que isso se torne praticamente impossível.

Depois de tantos jogos e tantas histórias, viver esse clássico era importantíssimo.

Muitas mudanças acontecem em cada uma das três gerações presentes no estádio porém os percalços até chegar ao jogo naquele dia pareciam muito com os de 35 anos atrás.

Chegar em cima da hora e subir o barranco foram alguns dos problemas.

O mais velho, que já foi o de mais vigor, hoje precisa de ajuda. O mais novo se encanta com a ajuda dos filhos devolvendo o favor que o avô fez inúmeras vezes para eles.

A sensação ao chegar na arquibancada e ver aqueles caras que mal conhecemos mas que nos representam como ninguém é inexplicável.

Como se fosse o Paolo Guerrero no Japão, Romarinho na Argentina ou até mesmo Tupãzinho em 1990, Rodriguinho nesse momento de êxtase aproxima-se desses momentos, proporcionando algo maravilhoso.

Mais de 40 mil pessoas e milhares de histórias ímpares, mas sem dúvida a melhor história a ser relatada foi do encontro entre três gerações unidos por uma só causa.

Escanteio, todos se calam. Alguns preferem não olhar, outros erguem seus braços em força de prece. A bola sobe e...

Muito obrigado, Corinthians!