O PERDÃO QUE EU PEÇO

por Claudio Lovato

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Gabriel García Márquez escreveu certa vez: “Quem não tiver Deus que tenha superstições”.

Puxa vida, mestre querido, não dava para ter dado uma aliviada nessa?

Não dá para ter as duas coisas, não?

Que Deus me perdoe, mas faço minhas coisinhas quando meu time entra em campo.

E também quando as coisas no jogo estão complicadas.

E principalmente para que as coisas não se compliquem demais.

E para que se resolvam quando complicarem. 

Não posso revelar que coisinhas são essas, porque o segredo é parte fundamental nesse negócio. Todo mundo sabe disso.

Gabo, mestre Gabo, por que tratar esse assunto de forma tão, digamos assim, excludente? Hein? Hein?

O João, que certamente está aí contigo, no lugar maravilhoso em que vocês merecem descansar (descansar coisa nenhuma), disse um dia: “Se superstição ganhasse jogo, o Campeonato Baiano terminaria empatado”.

O João sabia das coisas, assim como você.

Vocês bancavam os céticos, mas viviam nos emocionando com o que falavam e escreviam.

E a gente querendo posar de bacana, tentando dar pinta de que estava entendendo tudo o que vocês estavam falando e escrevendo.

Tudo isso me vem à cabeça agora porque a minha senhora disse hoje:

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- Esta tua camiseta do Grêmio não dá mais pra usar! Tá até rasgada debaixo do braço!

E eu, mais que rapidamente, peguei a camiseta da mão dela e a guardei em lugar seguro e só por mim conhecido.

Essa referida camiseta... Desculpem, não posso falar mais.

Que Deus me perdoe.

Que Gabo releve.

Que João não me condene.

Essa camiseta me dá sorte.

Essa camiseta nos dá sorte.

Que assim continue.

Que assim sempre seja.

Sempre será.

Amém.