NAQUELE TEMPO ERA ASSIM

por Victor Kingma

 Desde os tempos da “Pharmácia”, o futebol como meio de divulgação de produtos campeões de venda.

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Frequentemente a indústria farmacêutica coloca no mercado novos e eficazes medicamentos, armas poderosas para alívio das dores e cura das mais diversas enfermidades, muitas das quais impossíveis de serem tratadas no passado. 

Em relação à higiene pessoal então, os avanços são significativos, com o desenvolvimento de novos produtos, com fórmulas sofisticadas e rejuvenescedoras. É a ciência, a cada dia mais avançada, contribuindo para a saúde, bem estar e conforto da população.

Entretanto, apesar de todo a avanço da indústria farmacêutica, existem produtos que, passadas décadas de suas criações, desafiam a modernidade e continuam firmes no mercado, com consumidores cativos e fiéis às suas fórmulas originais.

Um produto que resiste ao tempo e aos avanços da indústria farmacêutica é a popular e quase artesanal Cera Dr. Lustosa. Foi criada em 1922 pelo farmacêutico Paulo de Almeida Lustosa, de São João Del Rei, Minas Gerais, que desenvolveu a fórmula, à base do anestésico lidocaína e cera virgem de abelha.

A fabricação do produto causou uma verdadeira revolução no setor farmacêutico devido à sua grande eficácia no tratamento das dores causadas pela cárie dentária, um mal que atingia grande parte da população brasileira naquela época. 

Naquele tempo os clubes de futebol não tinham Departamento Médico e o tubo da Cera Dr. Lustosa era indispensável na maleta de medicamentos usada para atendimento aos jogadores.  Muitas vezes a aplicação local do providencial anestésico, evitava que os times entrassem em campo desfalcados de grandes astros, acometidos de terríveis dores de dente. 

Outro produto que resiste ao tempo é o Polvilho Antisséptico Granado. 

Criado em 1903 pelo farmacêutico João Bernardo Coxito Granado, da Casa Granado, no Rio de Janeiro, também está no mercado há mais de um século e teve como seus consumidores ilustres o jurista Rui Barbosa e o médico e sanitarista Osvaldo Cruz que, inclusive, como chefe da Inspetoria Geral da Saúde, foi quem autorizou a sua fabricação.

Sua embalagem continua praticamente a mesma e, ainda hoje, é um campeão de vendas entre os produtos de higiene pessoal.

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Vale salientar que o futebol muito contribuiu para tornar a marca conhecida em todo o Brasil. Afinal, se o produto era um medicamento essencial no tratamento da frieira, popularmente conhecida como “pé de atleta”, nada melhor que um grande astro do futebol para anunciá-lo.

E durante um bom tempo, o Polvilho Antisséptico Granado teve como garoto propaganda, nada mais, nada menos, que Ademir Menezes, o maior jogador do pais naqueles tempos: final de anos 40 e início dos anos 50. 

Esse texto, citando dois exemplos, entre tantos, é uma homenagem aos grandes pioneiros da indústria farmacêutica e seus produtos revolucionários que, através dos anos, tanto contribuíram para a evolução do esporte e a saúde da população. 

A parceria com o futebol, o esporte mais popular do país, sempre esteve presente, como meio de atingir o grande público e popularizar grandes marcas.