JOGOS INESQUECÍVEIS

Palmeiras x Deportivo Cali (Final da Copa Libertadores 1999)

por Mateus Ribeiro

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A década de 1990 foi um dos períodos mais vitoriosos da história palmeirense. Sempre com grandes elencos, o clube alviverde conquistou o Campeonato Paulista (três vezes) e o Brasileiro (duas vezes), o torneio Rio-São Paulo e a Copa do Brasil. Faltava a América.

Após um vice-campeonato brasileiro doloroso em 1997, o Palmeiras venceu a Copa do Brasil de 1998 de maneira emocionante, com um gol quase inacreditável de Oséas nos últimos instantes da final disputada contra o Cruzeiro. Além de conquistar o torneio pela primeira vez, o Verdão carimbou sua vaga para a disputa da Libertadores do ano seguinte. Vale lembrar que apenas o campeão do Campeonato Brasileiro e o da Copa do Brasil se classificavam para a Libertadores.

O Palmeiras caiu no grupo 3, ao lado do rival Corinthians, e dos paraguaios Cerro Porteño e Olimpia. Um grupo difícil, dominado pelos brasileiros, que passaram para a fase seguinte.

Nas oitavas, o Palmeiras enfrentou o atual campeão Vasco e, depois de um empate em São Paulo, enfiou 4 a 2 no Gigante da Colina em pleno São Januário.

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Já nas quartas, novamente mais dois duelos contra o Corinthians. Depois de dois resultados iguais (2 a 0, um para cada time) e de exibições formidáveis de Marcos (que ali ganhou o apelido de santo), o Palmeiras passou pelo maior rival nos pênaltis (feito que se repetiria em 2000, mas já na semifinal do torneio). Independente do que pudesse acontecer dali em diante, a história já estava escrita para os palmeirenses.

Nas semifinais, nada mais nada menos que o River Plate pela frente. Depois de uma derrota pelo placar mínimo na Argentina, o time comandado por Scolari passeou e mandou um sonoro 3 a 0 para garantir seu lugar na final da Libertadores pela terceira vez (as outras duas finais foram disputadas em 1961 e 1968).

A final foi disputada contra o Deportivo Cali, da Colômbia. Um time sem muita tradição no torneio continental, porém encardido, brigador, catimbeiro e que havia goleado o Cerro na semifinal. No primeiro jogo, o time verde da Colômbia derrotou o Palmeiras por 1 a 0.

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Então, no dia 16 de junho de 1999, o Palmeiras tinha a missão de derrotar o clube colombiano por dois gols de diferença para conquistar a Libertadores pela primeira vez. Como se não bastasse a pressão proporcionada pela final, a necessidade de buscar o resultado tornou tudo mais angustiante para os palmeirenses.

Ninguém esperava um jogo fácil, e realmente não foi. Tanto que o primeiro gol foi sair apenas na metade do segundo tempo. Evair, um dos heróis da quebra do jejum de títulos em 1993, cobrou pênalti com sua habitual tranquilidade, e abriu o placar para o time brasileiro. Festa por parte da torcida. Ao menos as cobranças de pênalti estavam garantidas. Minutos depois, quase que a vaca vai pro brejo. Júnior Baiano deu um carrinho no lugar menos indicado do campo: dentro de sua área. Pênalti para o Deportivo Cali. Zapata enfiou a bica e empatou o jogo.

A apreensão durou pouco, e minutos após o balde de água fria, Oséas recebeu passe de Júnior e completou uma linda jogada, recolocando o Palmeiras na frente do placar.

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O jogo acabou em 2 a 1, e foi para as penalidades máximas (em 1999, essa aberração chamada de gol qualificado não existia na Libertadores).

As coisas não começaram muito bem para o Pameiras, já que Zinho mandou na trave, e o goleiro Dudamel converteu para os colombianos. As quatro cobranças seguintes não alteraram o placar, até que Bedoya mandou na trave, e deixou tudo empatado. Euller converteu a última penalidade. Bastava o Deportivo Cali não converter para que o continente fosse pintado de verde e branco (se bem que ele ficaria dessas cores de qualquer forma, já que essas também são as cores do Deportivo Cali). E Zapata (autor do gol que quase deu o título ao Deportivo Cali, e assassinado em 2006) bateu para fora.

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Depois de muito sofrimento, o Palmeiras se tornou campeão da Libertadores da América pela primeira vez. Um time repleto de grandes nomes, grandes ídolos e heróis improváveis. A torcida do Palmeiras não se esqueceu (e jamais se esquecerá) de tudo o que Marcos, Velloso, Arce, Júnior Baiano, Cléber, Roque Júnior, Júnior, Paulo Nunes, Rogério, César Sampaio, Zinho, Evair, Oséas (OLHA ESSE ELENCO), Scolari, e tantos outros fizeram pelo clube.

Uma conquista inesquecível e gigantesca. Um título suado, merecido e coroado com uma final emocionante.

Relembre a final, o campeonato, e divirta se, torcedor palmeirense!

E você, quais são suas memórias dessa partida?

Um abraço, e até a próxima!