JOGOS INESQUECÍVEIS

São Paulo x Barcelona (Mundial Interclubes 1992)

por Mateus Ribeiro

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O São Paulo Futebol Clube viveu momentos mágicos no início da década de 1990. Além de conquistar o Campeonato Paulista e o Brasileiro de 1991, o Tricolor faturou o estadual em 1992 e conquistou pela primeira vez a Libertadores da América, em uma final emocionante.
Mas o estado, o país e o continente eram pouco para os comandados de Telê Santana. Faltava conquistar o mundo. E em dezembro de 1992, o São Paulo teria essa chance, e o adversário a ser batido seria o Barcelona, que vivia ótima fase (era chamado de Dream Team), e tal qual o São Paulo, havia conquistado o maior torneio continental de sua história pela primeira vez em 1992.

De um lado, Zetti, Raí, Ronaldão, Palhinha, Toninho Cerezo, Pintado e Muller. Do outro, Zubizarreta, Koeman, Guardiola, Amor, Ferrer, Nadal, Stoichkov e Laudrup. Nos bancos de reservas, duas lendas: o já citado Telê Santana pelo lado brasileiro e o genial Johann Cruyff pelo Barcelona.

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As coisas não começaram muito bem para o São Paulo, já que Stoichkov abriu o placar no início do jogo com um belo gol. Após receber passe de Guardiola, o búlgaro acertou um chute magnífico, e abriu o placar para o time da Catalunha.

Raí, um dos maiores jogadores da história tricolor, empatou o jogo pouco depois da metade do primeiro tempo. Depois de uma jogada sensacional de Muller, o camisa 10 desviou a bola de maneira meio esquisita para empatar o jogo e acalmar os corações são paulinos pelo Brasil (e pelo planeta).

Já no final da segunda etapa, o maior lance da partida (e um dos maiores que presenciei na minha vida toda). Falta para o São Paulo perto da grande área. Raí na cobrança. Era a chance do tricolor paulista ficar em vantagem. E Raí não a desperdiçou. Com uma frieza espantosa, rolou a bola para Cafu, que apenas segurou a bola para que o dono do jogo mandasse a bola na gaveta. Golaço.

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Porém, o que me mais chamou a atenção não foi o gol, mas sim uma cena na hora da comemoração: o sempre centrado Telê Santana levantou do banco estampando um sorriso gigantesco de satisfação. Isso me impactou de maneira muito forte, e toda vez que vejo a imagem lembro disso como se fosse a primeira vez. 

Apito final, e o São Paulo se torna campão mundial pela primeira vez, juntando-se a Santos, Flamengo e Grêmio como os brasileiros campeões mundiais até então. No ano seguinte, o São Paulo venceu o mundial em cima de outro gigante, o Milan. Mais de uma década depois, em 2005, venceu o Liverpool, e se tornou o primeiro (e único, até o momento) tricampeão mundial brasileiro.

É claro que cada uma das conquistas tem o seu grau de importância. Porém, a primeira vez a gente nunca esquece. E se eu, que nem torcedor do clube sou, me lembro com muito carinho desse título, imagino que para os são paulinos, esses momentos devem estar frescos na memória até os dias de hoje.

Naqueles dias, já existia a diferença entre brasileiros e europeus, porém, o time do São Paulo era uma máquina. Seus craques e as conquistas obtidas entre 1991 e 1994 não deixam a história mentir. Comandados por um dos maiores treinadores da história do futebol brasileiro (dos que eu vi, é o maior), o elenco mesclava jovens talentos e nomes já consagrados. Dos times que eu vi jogar, foi o primeiro que me deixou impressionado.

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Deixo aqui minha pequena homenagem por este grande título conquistado por essa geração inesquecível, que honrou a camisa do São Paulo, e mostrou que o Brasil pode (e deve) bater de frente com qualquer clube do planeta.

E você, quais as lembranças dessa partida?

Um abraço, e até a próxima!