JOGOS INESQUECÍVEIS

Jogo #3 - River Plate 1 x 1 Vasco da Gama (Semifinal da Libertadores de 1998)

por Mateus Ribeiro

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“Contra o River Plate sensacional. Gol do Juninho, Monumental”.

O ano era 1998, e o Vasco da Gama tinha um time formidável, de fazer inveja.

No gol, o seguro Carlos Germano, que havia sido reserva de Taffarel na Copa da França. A dupla de zaga era formada pelos opostos Odvan e Mauro Galvão. Enquanto o primeiro era um pouco mais "sangue no olho", o segundo, mesmo em final de carreira, era mais cerebral. Ambos se completavam. E o time ainda tinha o jovem Felipe, os experientes Ramon, Válber, Nasa e Luisinho. Isso pra não falar na dupla de ataque, formada pelos matadores Donizete e Luizão. Vale lembrar também dos jovens e talentosos Pedrinho e Juninho, personagem central da historia.

Aquela edição da Copa Libertadores foi um tanto quanto ingrata com o Gigante da Colina, que mesmo sendo campeão brasileiro no ano anterior, só pegou cachorro grande. O primeiro ponto conquistado pelo Vasco veio apenas na terceira partida da primeira fase. Já a primeira vitória, apenas no quarto jogo, quando enfiou 3 a 0 no Grêmio, que havia sido campeão do torneio continental em 1995. Depois de mais uma vitória, um empate e muito sofrimento, o Vasco então estava classificado para o mata mata.

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E o primeiro adversário já era uma pedreira: o atual campeão Cruzeiro. Uma vitoria em São Januário e um empate em Belo Horizonte garantiram a classificação. E a parada nas quartas não seria fácil: novamente o Grêmio no caminho vascaíno. Com um empate fora de casa e uma vitória em seus domínios, o Vasco eliminava mais um favorito.

Depois de passar pelos campeões de 1997 e 1995, faltava o campeão da Libertadores de 1996, o River Plate. E os argentinos apareceram nas semifinais.

Se o Vasco tinha uma seleção, o River não ficava atrás. Nomes como Burgos, Ayala, Sorín, Pizzi e Gallardo tornavam o River um time muito difícil de ser batido. E a primeira partida da semifinal, em São Januário, foi prova disso. Donizete marcou um gol no início do jogo, e o time brasileiro foi para a Argentina com uma pequena vantagem. Vantagem essa que foi pro espaço na metade do primeiro tempo, com  gol marcado por Sorín. O River pressionava, queria a vaga no tempo normal, já que a vitória pelo placar mínimo levaria a decisão para as penalidades máximas.

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As coisas não estavam muito boas para o Vasco, até o delegado Antônio Lopes resolver tirar Luizão para colocar Juninho em seu lugar.

Juninho tinha 23 anos e, até aqueles dias, não era Juninho Pernambucano. Era "apenas" Juninho, um meia talentoso, que chamava a atenção, dentre outras características, por bater bem na bola. Em um jogo difícil, de risco, a bola parada é sempre uma boa alternativa.

E foi em uma bola parada que a campanha suada do Vasco tomou um novo rumo. Já nos últimos minutos da partida, falta para o Vasco. A falta não era tão perto da área. Na verdade, a bola poderia estar em um lugar um pouco mais favorável. Não importa, era o Juninho na cobrança.

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Um chute fantástico. Força, precisão, e a torcida de milhões e vascaínos que estavam com os corações apertados fizeram aquela bola balançar as redes. Um dos maiores momentos da história cruzmaltina. Juninho, tal qual o remo, se tornava um imortal na galeria gigantesca de imortais que o Clube de Regatas Vasco da Gama possui em sua historia. Juninho fez inúmeros torcedores cantarem de coração. Seja no Norte ou no Sul deste Brasil, a imensa torcida ficou (mais) feliz. Juninho, que não é português, foi heroico, tal qual o  navegador luso que dá nome ao clube. Juninho colocou o Vasco na final da Libertadores com um golaço. Um gol monumental, feito no Monumental. Um gol que até hoje é cantado pelos torcedores de um dos maiores clubes do Brasil.

Semanas depois, o Vasco se tornaria campeão da Libertadores pela primeira vez. E apesar da final ter sido contra o perigoso Barcelona de Guayaquil, muita gente considera o gol de Juninho como o gol do título. De fato, não é, porém, é o mais lembrado, e o mais emblemático.

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O esquadrão comandado pelo delegado garantiu um título gigantesco para o Vasco da Gama, que quase um mês após o gol monumental, completaria 100 anos de muitas vitórias, glórias e craques.

Hoje, dia que o clube completa 120 anos, fica essa doce lembrança como presente para essa fanática torcida!

Semana que vem voltamos com mais um jogo inesquecível!